Vamos mesmo enfrentar a Ryanair?

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via Expresso

O título do Expresso parece indicar que sim. Não só será multada, esperemos que não da mesma forma que a Celtejo, como será acusada de crime. A Autoridade para as Condições do Trabalho vai apertar o cerco à Ryanair e, afirma o semanário, recolheu informação que permitirá colocar a companhia low cost na “lista negra” e aplicar-lhe contraordenações graves.

Resta saber se tudo não passa de fogo de vista, e se a gigante irlandesa conseguirá, como é expectável que aconteça, passar por entre os pingos da chuva. Porque é preciso muita coragem e determinação para enfrentar uma empresa desta dimensão, e, mesmo assim, as chances de levar a melhor são reduzidas. A coisa tende para se arrastar, a chantagem poderá dar o ar da sua graça e o risco de tudo terminar com um simples pedido de desculpas por escrito, uma tendência muito actual aqui pelo Rectângulo, é uma hipótese real.

Seria bonito, histórico até, ver as autoridades portuguesas a enfrentar, olhos nos olhos, um colosso da dimensão da Ryanair. A levar as violações legais e abusos cometidos durante a recente greve até às últimas consequências, das quais resultem sanções efectivamente exemplares. Mas tenho sérias dúvidas que tal aconteça. O histórico não abona muito em favor da justiça portuguesa, regra geral fraca com os fortes.

Comments

  1. mdlsds says:

    Tenho ideia de ter lido, ouvido? – não sei precisar, que as multas seriam irrisórias já que os valores declarados em Portugal são mínimos. Mais do mesmo…

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não, não vamos enfrentar a Ryanair ou se o fizermos será com punhinhos de renda.

    Há, de facto, uma forma de enfrentar a Ryanair.
    Tal como há uma forma de enfrentar partidos que se revelam corruptos e protectores de interesses, em prejuízo do bem público ou mesmo, enfrentar presidentes especialistas em assobiar para o lado num país onde a justiça não funciona.
    No primeiro caso, é cortar com os serviços da Ryanair, deixar os aviões vazios.
    No segundo, é deixar de votar em partidos que só têm servido para obrigar o povo a pagar alegados crimes.
    Em suma, não é preciso estar à espera da justiça para que seja feita justiça.

    Cabe-nos a nós cidadãos, com direitos e deveres, exercer essa cidadania. Pessoalmente, viajo muito, mas já deixei a Ryanair, há muitos anos, pois a prepotência daquela companhia, agora anunciada, não é de hoje. Basta andar atento.
    Do mesmo modo que não voto em partidos que já demonstraram que querem o poder para proteger os seus direitos e os direitos de um grupo de pessoas que se revelam perniciosas.

    Portanto o cidadão comum pode fazer exercer a justiça se quiser. Resta saber se está interessado. Basta que nos lembremos dos resultados das últimas eleições, após quatro anos de delapidação social..

    • Ana Moreno says:

      TOOOODA a razão, Ernesto…

    • JgMenos says:

      E tudo isso por mais uma justíssima greve…como sempre na hora de lixar emigrantes.

      • ZE LOPES says:

        Aposto que se V. Exa. fizesse greve não se notava nada. Com os inúteis é assim…A Ryannair fartou-se de cancelar voos por motivos internos mas só agora há que há prejudicados.

        Que tal se cumprissem as leis. Os outros cumprem…

    • Paulo Marques says:

      “Há, de facto, uma forma de enfrentar a Ryanair.”

      E quando é que um boicote mudou alguma empresa ou algum partido? Não chega.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Paulo Marques:

        Pode não chegar, mas é um aviso e acima de tudo, um acto cívico..
        Não sou lírico para ficar à espera que a justiça portuguesa funcione. Já todos percebemos como ela se move quando tem pela frente os grandes tubarões internos e os grandes interesses estrangeiros.

        De resto o ficar parado é que não resolve coisa nenhuma.
        Cumprimentos.

        • Paulo Marques says:

          Eu não ando de avião, já está boicotada! O problema é que enquanto vai fazendo as suas ilegalidades com subsídios directos ou inderectos dos estados, as outras vão sofrendo e lá se vai a alternativa e a hipótese de boicote – não é um filme novo.
          Isto era só para dizer que se fosse a boicotar todas as empresas imorais tinha provavelmente uma casa vazia, ou seja, cada um pode escolher 2 ou 3 para boicotar, mas no fim fica tudo na mesma.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Boicotar para mim é ter a oportunidade de escolher outra companhia. Se não anda de avião naturalmente que não pode boicotar 🙂
            De resto entendo-o, mas se o boicote é curto e a justiça não funciona, qual a alternativa?

  3. Fernando Antunes says:

    Não vejo isto como uma luta entre o Estado Português e a Ryanair. Isto é uma luta de trabalhadores cujos direitos estão a ser violados, na opinião deles. Nada mais do que isso. E o Estado Português, o único que está a fazer é respeitar a Lei, o que acho perfeitamente normal. Ao fazer respeitar a Lei, o Estado Português está-se simplesmente a fazer respeitar a si mesmo.

    Eu sei que a noção de “normal” tem decaído significativamente nos últimos anos, mas a actuação das autoridades Portuguesas é a única que se deveria esperar sempre que a Lei é desrespeitada..

    Por outro lado, não vejo isto como uma luta entre o Estado e a Ryanair também porque acredito ou oiço dizer que mais cedo ou mais tarde as greves se alastrarão às tripulações de outros países (talvez este tenha sido o necessário rastilho para que os mesmos problemas aconteçam noutras paragens), o que obrigará este “colosso” a ter que rever as suas práticas, nem que seja por razões de mercado.

    É que, afinal, companhias aéreas low-cost, hoje em dia, há muitas. As pessoas escolhem a Ryanair unicamente pelos preços dos vôos (não existe mais nenhuma vantagem comparativa), mas estão hoje longe de ser os únicos com preços baixos. Portanto, o “colosso” que se ponha a pau, que os cancelamentos de vôos dão uma péssima imagem. Os que perderam dias de férias por causa de greves de triplulantes não voltam a confiar na Ryanair tão cedo, seguramente.

  4. Bento Caeiro says:

    A perspectiva, porquanto também paralaxe, é sempre factor da posição em que se está. Em termos de armamento submarino, por exemplo, se as medições relativas àquele fenómeno não fossem tidas em conta; disparando, haveria o risco de mandar um dos nossos navios ao fundo – fogo amigo, sabem o que é.

    Mal comparado, como diz um amigo meu, é também isto que aqui se passa em algumas empresas, nomeadamente a Ryanair: com tanto fogo cruzado, arriscamos atingir-nos a nós próprios.
    Muita gente não conhece a complexidade do mundo empresarial, também muitos não conhecem o mundo do trabalho assalariado. Temos de tudo, mas uma coisa vos digo, se as situações não forem devidamente ponderadas, por quem de direito – autoridades, representantes do empresariado e dos trabalhadores -, porventura, certas exigências e atitudes travadas, o mais certo é que os tiros disparados pelos trabalhadores e seus representantes vão atingi-los a eles mesmos. Já houve o risco disso acontecer na Autoeuropa e já aconteceu em muitas empresas; levando mesmo ao seu encerramento. Tal é o caso do que se passa na Ryanair – que não é nenhuma santa, mas que não se poderá comparar com o que a Celtejo fez e continua a fazer impunemente.

    • Paulo Marques says:

      Hollande ou Marcon não diriam melhor. Porreiro, pá, o trabalho liberta, mesmo a caminhar para condições do século XIX.

      • Bento Caeiro says:

        O trabalho liberta “Arbeit macht frei” foi a porta de entrada para o inferno criado pelos nazis para os judeus, mas também foi a porta por onde saíram muitos dos sionistas que criaram o inferno ao povo da Palestina.
        Tal como acima disse, amigo Paulo, “A perspectiva, porquanto também paralaxe, é sempre factor da posição em que se está.”

        • Paulo Marques says:

          Segundo a lógica, deveria-mos tê-los deixado dá para não correr riscos. Aliás, foi essa a ideia dos americanos e até grande parte dos britânicos, deixem lá estar a Europa continental, que nós estamos bem. Não me parece que resultasse melhor.
          Eu entendo e apoio quem não pode arriscar perder o emprego para não perder tudo, mas não aceito que se critique quem se revolte contra o reaccionarismo.

          • Bento Caeiro says:

            Paulo Marques, reaccionarismo – no sentido que empregas – já foi chão que deu uvas.
            O reaccionarismo actual é o propalado por forças como PCP, BE e seus aliados, Intersindicais e outros mais – de encostados ao estado; forças que hoje se manifestam contra os que lutam por uma verdadeira democracia e que tudo querem sugar, em detrimento de um estado social forte e de um progresso assente em investimento produtivo;
            O ponto de vista que defendes por, em essência, retrógrado, vê como reaccionário tudo e todo aquele que tem a veleidade de criar uma empresa, criar emprego e tudo fazer para a manter em funcionamento.
            Essas forças levam a sua actuação ao ponto de pôr em causa e, porventura, levar ao seu encerramento e ao desemprego milhares de trabalhadores, tal como já aconteceu e, pelo que se vê, não terão problemas em fazer que volte a acontecer – veja-se o caso, recente, da Autoeuropa.

          • Paulo Marques says:

            Dizer que os privados criam alguma coisa é reaccionário e um disparate; basta ver como dependem todos que o estado os financie, criando dinheiro primeiro na banca ou não, para fazer de conta.
            Desperdiçar recursos sempre foi e sempre será uma opção política do estado.

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