The Loures-Amadora connection

Há quem ainda não tenha percebido isto, em particular a direcção nacional de Rui Rio, mas Suzana Garcia corre em pista própria e o PSD não passa de mero hospedeiro temporário. Garcia é candidata à CM da Amadora, mas tem concentrado parte da sua campanha no concelho de Lisboa, investindo tempo, energia e recursos no ataque aos vários partidos políticos, ao invés de se focar na autarquia que se propõe dirigir, com a qual, de resto, não aparenta ter grande ligação. O objectivo é a notoriedade, é afirmar-se a nível nacional, com outros voos em mente, porque na Amadora, como ela e o PSD bem sabem, não tem a mínima hipótese.

Em campanha, financiada por um dos dois grandes partidos que formam o so called sistema, Suzana Garcia afirma-se anti-sistema, enquanto adjudica mais um outdoor pago com as subvenções que o sistema atribui ao PSD. Rui Rio sorri e garante que Garcia é a pessoa certa para o lugar. E ao invés de se concentrar nesse lugar, opta por fazer marcação cerrada aos diferentes partidos, com cartazes populistas e insultuosos instalados à porta das suas sedes nacionais, como se fossem eles os seus adversários na corrida à CM da Amadora. Todos vão tremer, seja a “direita fofinha” da IL, a “esquerda caviar” do BE, os “eco-fascistas-animalistas” do PAN e nem os “populistas” do Chega, seu principal adversário pós-autárquicas, escapam. A ironia.

Rui Rio assiste, impávido e aparentemente sereno, e nada faz. Não que a postura do líder do PSD ainda surpreenda alguém, porém, neste caso em particular, chega a ser bizarro. Se já toda a gente percebeu que os ataques ao sistema, aos olhos da opinião pública, acertam em cheio no PSD, e que Suzana Garcia está nisto com os olhos postos na possibilidade de ser o próximo André Ventura, como é que Rio continua a abençoar a ascensão desta populista, que, seguramente, irá partir para uma carreira a solo, mal se consume a sua derrota na Amadora? Ora aqui está uma lição que Rio deveria ter aprendido com Passos. A lição de Loures. If it quacks like a duck…

Comments

  1. JgMenos says:

    «os ataques ao sistema, aos olhos da opinião pública, acertam em cheio no PSD»

    O Rui Rio tenho-o por patriota, e se o PSD é este sistema tem o dever de o suicidar.

    Importante é atacar a Situação – a esquerdalhice choldrosa, desonesta e arrogante, que é a condenação do país.

    • POIS! says:

      Pois, o que vale…

      É que o país está “condenado” há 50 anos. Isto depois de 48 de julgamento (que sofreu ainda um ligeiro um atraso quando o juiz presidente caiu da cadeira e teve de ser substituído).

      Realmente a justiça em Portugal é muito lenta!

  2. Filipe Bastos says:

    A foto da Garcia deve ter mais Photoshop que todo o catálogo da Avon. Não aparecem ainda as mamas, mas se as sondagens andarem fracas deve vir a fase Samantha Fox.

    De resto o Mendes diz o essencial, uma chuleca à cata de tacho. O Rio é mais difícil de descrever. Palerma, poltrão, palhaço, tudo isso, mas ao mesmo tempo é tão estranho, no contexto da classe política portuguesa, que quase inspira pena. Quase.

    Seria óptimo o PSD implodir ou explodir de vez, mas isso não nos livraria do PS. E nada é mais podre que o PS.

    Do que precisamos é de alternativa a este esgoto pulhítico. Não há nenhuma. Nenhum movimento de cidadãos com potencial ou ímpeto para abanar isto, ninguém que afronte a partidocracia ou deixe lugares vazios no Paralamento. Nada.

  3. Abstencionista says:

    “Do que precisamos é de alternativa a este esgoto pulhítico. Não há nenhuma.”
    Concordo!
    Por isso me abstenho … e mando os meus filhos e netos para a emigração.
    Para países onde a democracia não se resuma a “deitar o voto”.

  4. luis barreiro says:

    Durante o prec em 74/75 os comunistas proibiram os partidos de direita, como o partido liberal e o do progresso, só permitiram partidos de esquerda, o cds e psd travestidos do centro, agora chegou o chega um partido de direita e os joões Mendes e comunistas adoradores da Venezuela e cuba em vez de criticarem a fome e doenças de cubanos e venezuelanos, todos os dias escreve pelo aparecimento em 50 anos de um partido de direita. O teu pai e a tua mãe como seres humanos ficam indiferentes á fome na Venezuela e ao fascismo e inexistência de cuidados médicos em cuba, ao contrário daquilo que os teus amigos faladram?

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      O Herr Barreiro é um historiador e pêras! Duas pinceladas e está tudo resolvido!

      Em resumo: os comunistas proibiram a Direita. E os outros, particularmente o PSD e o CDS que governaram o país durante largos anos, gostaram imenso e deixaram tudo como estava.

      A pontos de nunca ter existido, porque foi proibida, uma coligação intitulada PDC-MIRN/PDP-FN, encabeçada por um desconhecido chamado Kaulza de Arriaga que foi preso e condenado a prisão perpétua.

      E que, clandestinamente, concorreu ás eleições de 1980, tendo obtido uns clandestinos 24 mil votos (na realidade foram 2 milhões e 400 mil, só que os comunistas roubaram os zeros), correspondentes a 0,4% (aqui a coisa foi mais sofisticada: não roubaram o zero, mas mudaram-no de posição e puseram uma vírgula no meio! Que malvados!).

      Mas foi apenas um pequeno apontamento da história, que esteve na origem do que já se sabe: a recente ilegalização de um partido fundado por um Venturoso Enviado da Providência, que está desaparecido em parte incerta, provavelmente até já defunto, embora o próprio não saiba, tal a clandestinidade.

      Sobre a fome e as doenças na Venezuela com maiúscula e cuba com minúscula a minha crítica é a seguinte: sou contra. Não me pergunte porquê, penso assim desde pequenino. É sempre bom uma pessoa saber que pode tomar um comprimido ao pequeno-almoço.

    • Paulo Marques says:

      Ah, a inexistência de cuidados médicos em Cuba, esse país que nem cria vacinas, nem fornece ajuda médica a nenhum país europeu. O que vale é um Coisinho pronto a vender tudo para fora a preços ainda mais de saldo, com trabalhadores cada vez mais dispostos a trabalharem por experiência, para ver se esses anti-comunas da China resolvem isto. Bem, os que ficarem, como nesses grandes modelos polacos e húngaros.
      Avante, que Portugal ainda há-de ser um país de descalços iliterados a mandar os filhos rezarem de joelhos para os padrecos outra vez.

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