Paulo Portas mentiu

Na sua homilia de Domingo à noite, Paulo Portas mentiu. É mentira que o cordão sanitário que mantém a AfD fora do sistema político alemão se aplique também ao Die Linke. O Die Link tem coligações regionais e locais com SPD e Verdes. E foi Merkel quem vetou a tentativa de acordo que incluía o seu partido e a AfD, na Turingia, permitindo ao Die Linke governar, com o SPD e Verdes como parceiros minoritários. Não foi só a equivalência absurda entre Lula e Bolsonaro. Lula tem as suas falhas mas não é comparável a Bolsonaro e tem tanto de extremista como o Irrevogável. Porém, no caso alemão, Paulo Portas mentiu. E fê-lo deliberadamente, porque Portas pode ter muitos defeitos, mas ser ignorante não é um deles.

Comments

  1. POIS! says:

    Desta vez, por acaso, não vi.

    Mas já apanhei várias ao Portas nas suas “homilias” (boa!). É uma mestre a adaptar a realidade de hoje às certezas que já tinha anteontem. Quando não dá, lança uma mentirinha porque sabe que poucos se dão ao trabalho de verificar a realidade.

    A primeira: no início da pandemia, Portas louvava a República Checa e dava-a como um exemplo de grande sucesso. Avançava explicações: o confinamento radical, as máscaras obrigatórias em todo o lado (cá ainda não se tinha avançado para isso), etc. Mas acrescentou uma, a “fundamental” : a “diferença cultural”. Segundo Portas, seriam muito mais disciplinados que “nós”.

    Precisamente no dia seguinte, passava na SIC uma reportagem feita na rua em Praga onde cidadãos anónimos vociferavam contra a “indisciplina”, particularmente “dos jovens”…

    E, passado algum tempo, a República Checa (RC) era o pior país no mundo no que tocava aos números de infetados e vítimas. Nunca mais Portas se referiu ao assunto. Uma vez vi-o mesmo, ao falar de números do COVID, referir a Polónia, a Eslováquia, a Hungria (que já caminhava para números elevados, mas ainda lá não estava) e “saltar” cuidadosamente a RC.

    Outra: Portas não perdia (nem perde!) uma oportunidade para zurzir no governo de Espanha. É um que lhe está atravessado. No fim da primeira vaga da pandemia, referiu-se aos planos de desconfinamento, que já existiam, de França e Espanha. O primeiro foi muito elogiado: (cito de cor) era “sério”, “muito bem fundamentado”,com objetivos claros etc., ao contrário do espanhol, muito fraco, eram meia-dúzia de linhas, sem medidas precisas, etc.

    Frequento regularmente o site do jornal “Voz de Galicia” e, nessa mesma noite, estava publicado o tal plano espanhol. Se algum defeito (ou qualidade…) tinha era que parecia em tudo decalcado do francês…

    Mais uma: eleições em Madrid. Satisfeito pela vitória do PP, Portas resolveu dizer que os extremismos teriam “ficado reduzidos a 25%. Referia-se, digo eu, ao VOX e ao “Podemos”, mas com ênfase neste último.

    Ora bem: os números que Portas citava não se referiam a Madrid. Referiam-se a sondagens nacionais onde, de facto, esses dois partidos somavam, e somam, mais ou menos isso.

    Em Madrid, em 2021,o PP ganhou, é certo. Mas o “Podemos” até obteve melhor resultado que nas eleições anteriores em votos e deputados.

    E Portas esqueceu “cuidadosamente” o resultado da força política “Más Madrid” que, com algumas “nuances” tem um programa tão “extremista” como o do “Podemos”. Até porque nasce de uma dissidência deste. Em conjunto o “Podemos” e o “Más Madrid” tiveram quase 25% dos votos.

    A última: referindo-se às vacinas e ao brilhante dinamismo (e “filantropia”, acrescento) do sector privado, resolve Portas mandar mais uma das suas.

    Disse mais ou menos isto: “o Sr. Picketty que escreva um novo livro sobre o Capital. Eu gostava de saber como existiriam vacinas sem capitais privados”…

    O que esta afirmação revela é que Portas ou não leu, ou leu e não entendeu pêvea do “O Capital no século XXI”. Ou então só viu o título e pensou que era outra coisa…

    • POIS! says:

      Só um acrescento, sobre as eleições em Madrid: se somássemos o “VOX” aos, segundo Portas, “extremistas de esquerda”, então o total iria para 35% dos votos. E não, não diminuiu em relação ás eleições anteriores. Pelo contrário!

    • Filipe Bastos says:

      Pois o que me admira é saber que alguém realmente ouve a D. Portas, e até faz listas das suas tretas.

      É como fazer uma lista de trafulhices do PS. Que paciência.

      • POIS! says:

        Pois é. Gosto de não falar de cor. É um vício.

        A si basta-lhe o espelho. Parabéns. Fica mais barato.

  2. Lucinha Pisarro says:

    Comparar Lula a Bolsonaro é um absurdo. São incomparáveis.
    O primeiro é um cachaceiro ladrão que não consegue ir às ruas, tal o seu desprestígio. Bolsonaro é honesto, patriota e íntegro.
    É aclamado pelo povo, vide 7 de setembro, data da nossa Independência. Milhões foram às ruas de todo o país para comemorar, clamar por Liberdade e demonstrar apoio ao seu amado Presidente 🇧🇷
    Só na Paulista (Av. Paulista em São Paulo) levou mais de 2 milhões! Eu estava lá e foi gigante 👏
    Já no dia 12 de setembro, na mesma Paulista, a esquerda não conseguiu levar nem 2 mil pessoas… 😄
    Lula é odiado, Bolsonaro é amado!

    • evangelico desiludido says:

      Pastor Jackson Villar

    • POIS! says:

      Pois claro! Foi simplesmente comovente! (*)

      Na Paulista, foi passado um video de Eduardo Bolsonaro que, num momento de solene elevação, resolveu cantar um salmo aos devotos manifestantes. Rezava assim:

      “Deus me fez grandes milagres
      E agora muito mais
      Bastaram cinco minutos
      Choveram muitos mil Reais.

      Protege toda a família,
      E nossa boa vidinha.
      Pois do céu nos enviou
      A Sagrada Rachadinha”.

      (*) Assim como o comentário da Lucinha, recheado de emijos muito originais

    • Paulo Marques says:

      Os políticos limpos não costumam empregar amigos e familiares a troco de 90% do salaário, mas a luzinha lá sabe do que gosta.
      Mas já chamar a uma manifestação por Temer ou qualquer outro centrista agressivo uma manifestação esquerdista, tenha dó.

    • evangelico desiludido says:

      Na BBC

      Os evangelicos e Bolsonaro

      https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58442769


    • ” Bolsonaro é honesto, patriota e íntegro.”
      Agora só tem que repetir esta frase 999 vezes até ela se tornar verdade.

  3. Paulo Marques says:

    São os dois extremos tão mauzinhos, que se dá voz e bate palmas a um, que não é assim tão temível, e o outro comete sempre atrocidades. O que seria um direitolo sem hipocrisia descarada?

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