Toma o comprimido que isso passa

Esta coisa da guerra e da paz, Rússia e Ucrânia, Leste e Ocidente, Putin e Zelensky, Batatinha e Companhia, está a deixar homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, completamente ‘tan tan’, cegos de ódio (e não sabem bem a quem, porque o ódio deles hoje é contra o Putin, amanhã é contra o Costa, depois de amanhã é o PCP e na Segunda será o Biden, sem critério próprio), a metralhar populismo do que fica bem e dá likes pelos facebooks.

Vejo homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, demasiado molhados com a guerra. Podem contar-nos que sonhos têm, senhores de meia-idade, classe média-alta, de direita, que explique essa tusa toda que, antigamente, apresentavam tão murcha? O que vos entesa tanto, neste caso em particular? É que guerras já existiam e vocês andavam com disfunção eréctil.

A nova de hoje é a de que “quem usa a situação na Ucrânia para falar na Palestina faz dói-dói” e “vocês só falam da Palestina porque não condenam a Rússia e isso faz dói-dói”. Temo ter de explicar a quem, toldado pelo ódio, não vê o óbvio:

É exactamente por muitos de nós condenarmos taxativamente a invasão russa na Ucrânia, que vos vemos hipócritas ao lado da Ucrânia agora, quando nunca estiveram do lado da Palestina.

É preciso fazer um desenho ou o vosso spin vai continuar de pau feito pelos hologramas que criaram na vossa própria cabeça? Até lá, é tomar um comprimido. Isso passa.

Cordão Humano em Lisboa pela paz na Ucrânia, contra a invasão de Putin. Março, 2022.

Manifestação de solidariedade com o povo da Palestina e de condenação da violência do Estado de Israel. Maio, 2021.

Fotografias: MAYO.

Comments

  1. JgMenos says:

    És um trafulha:
    – A palestina nunca foi um Estado – era um protectorado inglês, montado em um dos restos do Império Otomano.
    – Os judeus adquiriram direitos por quem se dizia representar o direito internacional
    – Foi invadida por árabes que queriam mas não puderam nunca expulsar os judeus.

    Até hoje nenhuma garantia de existência credível foi dada à existência de Israel por palestinos ou demais vizinhança.
    O que mais se aproxima de um Estado palestiniano é a faixa de Gaza, que vive de subsídios de idiotas e de associados ao seu desejo de destruir Israel.

    • João L Maio says:

      Essa do “trafulha” agora é cassete ou não sabeis dizer mais do que três sílabas?

      • A Palestina nunca foi um Estado: talvez isso ajude a explicar muita coisa;
      • Os judeus e Israel, por muito que queiram passar essa imagem, não são uma e a mesma coisa;
      • Trafulha és tu, que em alguns casos estás do lado dos anti-semitas e, do outro, do lado dos anti-islâmicos.

      És, portanto, o trafulha-mor, tu e outros saudosistas que fazem do spin uma filosofia de vida.

    • Paulo Marques says:

      Portanto, só pode haver um estado único, por necessidade multi-etnico, por causa dos efeitos de décadas de realpolitik. Mesmo sem a Rússia.
      Agora é pôr em prática, conto consigo.

      • JgMenos says:

        Há um partido palestino no parlamento de Israel e que apoia o governo.
        Na faixa de Gaza nada impede que o território seja gerido como se de um Estado se tratasse.
        Na área da Autoridade Palestiniana, algo de próximo disso poderia ocorrer..

        Negociar com agrupamentos de bandos, é tarefa impossível e só dá força aos que em Israel não queira negociar a paz.


        • Também houve um tal de Petain que aparentemente governava um estado soberano.

          • POIS! says:

            Ora bem!

            Um Estado tão soberano, tão soberano, que até mandou uns quantos para campos de concentração, só para mostrar que mandava a sério!

            E reconhecido pelo Oliveira da Cerejeira, que até se tornou no “padrinho” ideológico do governo de Pétain. E admitiu por cá um embaixador e tudo!

            Há Estado mais soberano?

          • JgMenos says:

            Essa do Salaar não ter levado o país para a IIGG foi um erro; a probabulidade de ter extinguido a tempo a linhagem de uns tantos idiotas que por aqui andam valia o esforço.


    • Esse argumento do “nunca foi um estado” foi útil a Estaline para invadir a Finlândia, ou a Hitler para desmembrar a Checoslováquia.
      O “nunca foi um estado” está também a ser útil para o sr Putin, já que a Ucrânia nunca existiu antes da dissolução da USSR.

    • POIS! says:

      Pois não!

      Nunca foi um Estado.

      O Kosovo também não, mas deu-se um jeitinho. Quando há boas vontades tudo se resolve. Os kosovares são muito alegres e reinadios. Mereciam ser um Estado e arranjaram-se logo umas bombitas para pôr a respeito uns tipos que não sérviam para nada.

      A Macedónia do Norte também não, mas também se arranjou qualquer coisinha, com boa vontade, porque os macedónios são bonzinhos. Portam-se muito bem, não dizem palavrões e comem com faca e garfo.

      Quem merece, merece!