Toma o comprimido que isso passa

Esta coisa da guerra e da paz, Rússia e Ucrânia, Leste e Ocidente, Putin e Zelensky, Batatinha e Companhia, está a deixar homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, completamente ‘tan tan’, cegos de ódio (e não sabem bem a quem, porque o ódio deles hoje é contra o Putin, amanhã é contra o Costa, depois de amanhã é o PCP e na Segunda será o Biden, sem critério próprio), a metralhar populismo do que fica bem e dá likes pelos facebooks.

Vejo homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, demasiado molhados com a guerra. Podem contar-nos que sonhos têm, senhores de meia-idade, classe média-alta, de direita, que explique essa tusa toda que, antigamente, apresentavam tão murcha? O que vos entesa tanto, neste caso em particular? É que guerras já existiam e vocês andavam com disfunção eréctil.

A nova de hoje é a de que “quem usa a situação na Ucrânia para falar na Palestina faz dói-dói” e “vocês só falam da Palestina porque não condenam a Rússia e isso faz dói-dói”. Temo ter de explicar a quem, toldado pelo ódio, não vê o óbvio:

É exactamente por muitos de nós condenarmos taxativamente a invasão russa na Ucrânia, que vos vemos hipócritas ao lado da Ucrânia agora, quando nunca estiveram do lado da Palestina.

É preciso fazer um desenho ou o vosso spin vai continuar de pau feito pelos hologramas que criaram na vossa própria cabeça? Até lá, é tomar um comprimido. Isso passa.

Cordão Humano em Lisboa pela paz na Ucrânia, contra a invasão de Putin. Março, 2022.

Manifestação de solidariedade com o povo da Palestina e de condenação da violência do Estado de Israel. Maio, 2021.

Fotografias: MAYO.

O meu avô materno era de Fiscal

Todavia, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão equivocou-se. Efectivamente, Conselho Fiscal ≠ Conselho de Fiscal (aliás, Fiscal não é nem conselho, nem concelho, é freguesia). Penso eu *de que.

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Retrato musicado de António Marinho e Pinto

Porque eu só estou bem
Aonde não estou

O Antero de Quental e o António Variações eram gémeos?


Hoje, no Google.

O Baú das Músicas Portuguesas – VII

Um baú como este, cheio de discos mais ou menos antigos, diversificados e de géneros distintos, tinha que lá ter umas canções de um rapaz de Braga, cabeleireiro, que sonhava fazer uma música onde coubessem o Minho e Nova Yorque ao mesmo tempo. António, era o nome do rapaz.

Variações à venda

Uma parte da vida de António Variações vai estar em foco, hoje, no leilão de um conjunto de objectos que pertenceram ao cantor.

Manuscritos, fotos, roupas, cassetes são apenas alguns dos muitos elementos que fazem parte de mais de 200 lotes a leiloar no Centro Cultural de Belém, cenário daquele que é o primeiro leilão do espólio de um artista pop no país. Pode ser acompanhado na internet através do site "p4liveauctions.com".

 

 

A leiloeira P4 colocou a base de licitação entre os dez euros e os mil euros. Há um conjunto de 41 cassetes originais que estiveram na base do projecto "Humanos", muitas fotografias, moedas, roupas, adereços, peças de bijutaria e objectos que o artista usava na sua arte de barbeiro.

 

Um dia destes alguém se vai lembrar de fazer um museu com o espólio de Variações. Argumentos há muitos. Desde logo, por ser o primeiro verdadeiro artista pop português. Graças ao carisma, personalidade e, claro, também aquela  excentricidade que tanto espantou um Portugal moralmente atrasado.

 

O problema é que quando quiserem fazer o tal museu, pode ser tarde demais.