GPS: da esquerda para a direita

O Chega, nos últimos anos, foi um desbloqueador de alguma continência a que a direita se sentiu forçada durante alguns anos. Dito de outra maneira: alguma direita perdeu a vergonha e voltou a sentir o odor do 25 de Novembro, porque a direita adora o cheiro a extinção de esquerda pela manhã.

Muita dessa direita, alegadamente defensora da democracia, começou a aproveitar as críticas ao Chega para dizer que os extremos se tocam e que, portanto, o PCP ou o Bloco, por exemplo, eram tão maus como o partido de André Ventura, porque defendem ditaduras ou porque ser de esquerda é ser inevitavelmente defensor de ditaduras.

Algumas pessoas de esquerda ainda têm tentado explicar que há um espectro democrático que inclui partidos de direita, mas não o Chega, mesmo sabendo-se que esta espécie de partido é mais uma jogada populista do que uma agremiação ideologicamente consistente. A verdade, no entanto, é que a quantidade de nazis e de fascistas assumidos torna a subida do Chega preocupante.

Ainda recentemente, a propósito do centenário do PCP, houve quem se escandalizasse com o facto de essas comemorações serem públicas, quem se revoltasse com a imagem da Avenida dos Aliados enfeitada com a foice e o martelo, como se simbolizasse apenas Estaline e nunca Catarina Eufémia, mas isso implicaria perder algum tempo a raciocinar e, de caminho, reconhecer que o PCP nunca pôs em risco a democracia portuguesa, contribuindo com propostas válidas, discutíveis ou tão inaceitáveis como tantas outras, em mais de quarenta anos que já levamos deste curto regime.

Há quem se refira constantemente a ditaduras de pensamento único, há quem propague o mito da imprensa dominada pela esquerda (confundindo uma maioria de jornalistas talvez de esquerda com o domínio dos critérios editoriais), há quem imagine invasões maciças de marxismo cultural, há, até, quem acredite que este é um país completamente inclinado à esquerda, empurrando os pobres militantes ou adeptos de direita para um gueto miserável, esquecendo-se de que andam a governar o país há anos numa falsa alternância que é só a equivalência entre duas direitas mais ou menos moderadas. Na recente geringonça, o PS limitou-se a permitir alguns arroubos folclóricos que o Bloco e o PCP engoliram, enquanto aprovavam orçamentos e eram postos de lado na actividade legislativa, mas a esquerda, caraças!, a esquerda que manda nisto tudo, a puta!

A criminosa invasão da Ucrânia aumentou o desbloqueio recentemente despertado pelo Chega e o paroxismo da direita tem chegado a alturas vertiginosas, gritando pensamentos únicos e inventando ligações entre essa mesma esquerda e Putin, esquecendo, convenientemente, que o seu amado capitalismo andou a alimentar a oligarquia russa e que é esse dinheiro que ajudou a pagar o material que está a destruir Kiev, o que não obriga ninguém a defender Putin, mas, no mínimo, a corrigir o tiro e a escolher outros alvos.

Se houver algum calculismo neste novo 25 de Novembro, relembro que a normalização do Chega, através das tretas da falsa equivalência, levou a que muitos votantes de partidos de esquerda tenham dado a maioria absoluta ao PS – se houve calculismo, houve, portanto, inabilidade. Se se tratar apenas de uma questão de fé, tenho um problema: até por uma questão de respeito, não perco tempo a dizer a um crente que Nossa Senhora não apareceu aos três pastorinhos. Ide em paz e que o bom senso vos acompanhe.

Comments

  1. José Meireles Graça says:

    “… o PCP nunca pôs em risco a democracia portuguesa…” Ahahah. Digamos que, no xadrez de forças no Verão quente, nunca teve uma mão demasiado forte. Se a tivesse tido, a nossa democracia seria igual a qualquer outra comunista. Nem aliás se perceberia como é que o PCP, um dos partidos mais ortodoxos, poderia produzir um comunismo democrático, que seria uma contradição nos termos e portanto um milagre.

    • Paulo Marques says:

      Se calhar é porque nunca a teve, ao contrário de quem estaciona porta-aviões para puxar o lustro enquanto faz Gládios por aí.

  2. JgMenos says:

    «o odor do 25 de Novembro» é o fedor da incontinência esquerdalha que submergiu o país por mais de um ano.

    «Algumas pessoas de esquerda ainda têm tentado explicar que há um espectro democrático que inclui partidos de direita», desde que não contestem as palavras-chave da esquerdalhice.

    • António Fernando Nabais says:

      É por isso que estás a escrever numa cela onde os esquerdalhos te prenderam, não é, trollzinho do meu coração?

  3. JgMenos says:

    «o PCP nunca pôs em risco a democracia portuguesa» desde que o serviço africano satisfez os soviéticos e o 25NOV75 lhe salvou o coiro.

    Só me faltava ver a desgraçada da Catarina Eufémia a limpar a folha do PCP!!!!

    • António Fernando Nabais says:

      Ó coiso, tu estás a defender a esquerdalha da Catarina Eufémia? Tu tem cuidado, homem, que ainda podes ter uma reacção com borbulhas pelo corpo todo!

  4. JgMenos says:

    «a esquerda que manda nisto tudo, a puta!»
    não tem a forma de partidos, ou de partidos assumidamente de esquerda – é a esqierdalhada acomodada à tolerância da bandalheira, à comodidade da irresponsabilidade em todos os níveis da acção pública e privada, aos mantras verbais que são o refúgio de toda essa imbecilidade e malícia.

    A ética acaba definindo-se pela indigente acção de um sistema judicial subordinado a leis e regulamentes entre o obscuro e o incompetente.

  5. luis barreiro says:

    Este post é uma tentativa de lavar, limpar os nazis de extrema esquerda?

    • António Fernando Nabais says:

      Nossa Senhora de Fátima ilumine o seu caminho, Luís.

    • POIS! says:

      Os nazis não têm limpeza possível. Julgava que V. Exa. já o tivesse descoberto ao ver-se ao espelho.

      Nem “Lux”, nem “Rexona”, nem sabão macaco, nem criolina, nem aguarrás, nada!

      Para si só uma dose generosa de ácido sulfúrico, seguido de compressão por um cilindro das estradas. Pelo menos, nos desenhos animados resulta. Fica tudo a brilhar!

      Beep, beep!

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