O tamanho conta

Muitos têm advogado que o Estado deve ser reduzido. Então e o resto? Os problemas económicos e sociais resultantes para todas as pessoas não se resumem ao facto de existirem aglomerados, associações ou empresas totalmente psicóticas apenas motivadas pelo lucro cego. O problema é o seu tamanho. Mais particularmente é serem demasiado grandes. Gigantes. Na minha humilde opinião, seja que entidade for, deveria ser limitada em tamanho. E isso seria muito fácil de controlar, se se quisesse. Através do número de empregados. Perder-se-iam empregos? Não faço a mínima ideia. Eu consigo conceber 10 empresas de 10.000 empregados, assim como consigo conceber 1 empresa de 100.000 empregados. Aparentemente, e com as empresas gigantes presentes, o desemprego é uma realidade. Portanto, seja como for, não limitando o tamanho das empresas, aparentemente também não ajuda em nada. Fica na mesma a sugestão.
Basta consultar o número de empregados de algumas empresas. É monstruoso. É óbvio que estas entidades têm um imenso poder de influência. Podem influenciar-nos com marketing e publicidade. Podem até influenciar governos. Podem influenciar o que bem quiserem. Se eu for dono de um restaurante com 15 empregados, continuo a minha vidinha económica e tenho poder de influência sobre (com sorte) as mulheres da limpeza. Por outro lado, se eu for dono de uma rede de restaurantes com 15.000 empregados, o meu grau de influência aumenta proporcionalmente. Por uma questão lógica, deveriam ser limitadas por lei, e assim limitar e/ou retirar poder de influência (e poder corruptivo) aos seus donos. Afinal, em que é que o tamanho gigante destas entidades beneficia os consumidores finais? Quem lucra mais com isto, os consumidores finais, os empregados, ou os donos das acções? E a influência não é uma forma de corrupção? Não é a corrupção o alvo a abater?
Por exemplo, a Coca-Cola. Não tenho nada contra a Coca-Cola. É meramente um exemplo e é óptimo para tirar a ferrugem. Mas já agora: a fórmula secreta. (É que eu detesto estas empresas que apregoam fórmulas secretas para produtos que vendem. Não é um contra-censo absurdo, vender uma coisa, e não dizer de que é feita!? E detesto ainda mais anúncios com bebés e velhinhos felizes) Voltando ao tamanho. 32 biliões de dólares em receitas? 100.000 empregados, não contando obviamente com todos os empregados noutras empresas que trabalham com “Coca-cola”, que facilmente triplicará este número?
Na Coca-Cola têm tantos problemas com “mitos urbanos”, reclamações e afins que até têm um site próprio para desmascarar e negar este tipo de situações. Contra “factos” não há argumentos. Principalmente factos, no valor de 32 biliões de dólares.
E não é só o cidadão comum que tem dúvidas ou reclamações perante estes gigantes. Até presidentes de países se “metem ao barulho”. Mas parece que só levam porrada.
Não são só assuntos menores de coisas estranhas que aparecem miraculosamente em latas. São questões sociais graves. Se são questões verdadeiras ou apenas, como se costuma dizer, “dor de cotovelo” e aproveitamento, não faço a mínima ideia. E eu até tenho uma boa imagem da Coca-Cola. Tenho ideia de ser uma “empresa pacífica”. E lá bebo uma Coca-Cola de vez em quando. Aparentemente, parece-me que não o é para muita gente.
Não quer isto dizer que todas as empresas cresçam para um nível paranóico de descontrolo em busca de capital. Mas a realidade mostra, que quanto maior é uma empresa ou entidade, maior é o número de reclamações, problemas e estranhezas em que estão envolvidos. Será coincidência?
Por outro lado, não me lembro sequer de ouvir falar em problemas com a Pasta Couto, por exemplo. Por outro lado, lembro-me de situações desagradáveis envolvendo a EDP. Por outro lado também não me lembro de problemas com o Atum Ramirez. Por outro lado, a Galp tem um rol de problemas e reclamações associado que precisava de um site próprio para isso. A lista é interminável.
O problema é o tamanho! Estas empresas, estas “pessoas colectivas”, são gigantes no meio de nós. Não me lembro na História (Literária, pelo menos), de existirem gigantes ágeis e belos e bondosos. Os gigantes são quase sempre representações de seres enormes, disformes, rudes, brutos, autoritários, solitários, desajeitados, pouco inteligentes, e mesmo os poucos gigantes bons, causam danos involuntariamente. Os gigantes são aqueles que aparecem para destruir tudo e dar cabo da vida a toda a gente. O gigantismo humano é uma doença, é uma disfunção hormonal grave. Porque haveria de ser diferente numa empresa, numa “pessoa colectiva”? Mesmo o bom gigante acaba sempre por ser meio “lerdo”. Mesmo o bom gigante acaba por “esmagar” alguém sem querer. Estas empresas gigantes são elefantes a assistirem a um circo de pulgas. Eu sinto-me uma pulga perto destes gigantes. E eu (ainda) nem tenho nenhum problemas com eles.
Para terminar uma declaração do senhor dono da Coca-Cola para continuarem a acreditar nos bons resultados e que novos (bons) tempos virão. Pode ser que alguns governantes comecem a copiar o discurso. Brindemos a isso com Coca-Cola. E, já agora, um Happy Meal, por favor!

“Letter from Our President and Chief Executive Officer
Dear Fellow Shareowner:
In a year in which the world confronted extraordinary economic challenges, The Coca-Cola Company performed with great resolve, supported by proven strategies and strong execution across our business. The true power and resilience of our business was reflected in our ability to meet or exceed our long-term growth targets for the third year in a row and add a billion incremental unit cases in volume—the equivalent to adding a market the size of Japan.
While no one can truly predict how long this financial upheaval will last, we believe that our business will continue to thrive for two reasons:
– First, we are confident that we are confronting the challenges of our current reality head-on, with strategies born of experience in similarly trying times and facilitated by an ability to adapt and adjust in a focused and nimble fashion.
– Second, we know that our fundamental financial and operational model, and the wider nonalcoholic ready-to-drink beverage industry, are largely resilient to times of great stress. Furthermore, we have a long history of emerging from economic downturns as a stronger Company.”

MF, OE09, PIB, drogas e prostituição

Como juntar na mesma frase, o Ministro das Finanças, Orçamento de Estado 09, PIB, drogas e prostituição?

Faz-se a pergunta e procuram-se duas notícias.

OE 2009: Ministro das Finanças diz que receita está controlada. Droga e prostituição vão ser contabilizadas no PIB.

OBS.: Isto é só uma piadinha. Não é nada a sério. Convém esclarecer bem isto, porque o pessoal do governo anda com o dedo rápido no gatilho dos processos. É que eu não tenho dinheiro para as custas judiciais.

Reciclagem vs. Negócio

Estava eu na casa-de-banho, a ler as minhas revistas e jornais, quando me deparo com a boa notícia de que se vão reciclar embalagens e medicamentos. Óptimo pensei. No entanto, lembrei-me que já há algum tempo atrás, provavelmente um ou dois anos atrás, tinha deixado velhos medicamentos para reciclar, numa farmácia.
Curiosamente, a 5 de Março de 2009, em comunicado de imprensa “a Valormed pede a todos os portugueses para que entreguem as embalagens e medicamentos fora de uso nas farmácias, contribuindo para a melhoria das condições ambientais.” Ok. Por mim tudo bem. Acho que a reciclagem é muito importante. Muito mais importante que reciclar, é nem sequer consumir, mas se se tiver de consumir, então que se consuma, que se reaproveite, que se reutilize e então só depois se recicle. Só que há um problema. Este sistema de reciclagem aparentemente já existe há muito tempo.
Diz aqui que em 2008 a recolha de medicamentos para reciclar subiu para 700 toneladas, e que isto é um aumento de 10% em relação ao ano anterior. É muita tonelada de medicamento! Então o que faziam ao lixo recolhido para reciclagem, se só agora é que é de facto, reciclado? Fácil! Atira-se para fogueira! Já há muitos anos que era usada esta técnica para reciclar plásticos e pneus. Como tinha o inconveniente das colunas de fumo preto, ficava muito mal perto dos centros desenvolvidos das cidades e então deixou de ser usado como método reciclador. Dava mau ambiente, como se costuma dizer.
O que é incrível nesta situação: A Agência Portuguesa do Ambiente sabe do assunto há muito tempo e o que faz? “Ou resolvem rapidamente a situação ou retiramos as licenças!“. Quando eu transgredir, espero também, que sejam assim brandos comigo. O Ministério do Ambiente intervém de alguma forma? Parece que não. Parece que alguém se esqueceu de consultar o Despacho. Algures, lá pelo meio das suas 31 páginas de letrices e numerices, deverá haver alguma indicação sobre como penalizar uma entidade que não cumpre com o acordado. Se calhar não há. O documento também é algo extenso, diga-se, se calhar alguém se esqueceu dessa parte. Há penalizações? Nada. Ficar sem licenças? Nada disso. Pior ainda. Na constatação da impossibilidade técnica da Valormed fazer a reciclagem das embalagens e medicamentos, faz-se o quê? Cancela-se o serviço com a entidade? Não! Dá-se a hipótese, a uma entidade que não cumpriu com o acordado, de contratar outra empresa para fazer o serviço por ela! A empresa escolhida foi a Prolixo, que em 24 de Outubro criou uma nova imagem e uma segmentação do seu negócio em duas áreas farmacêuticas. Mesmo a tempo de celebrar contrato com a Valormed em 18 de Dezembro. É disto que o nosso país precisa. Empresários e dirigentes com visão e capacidade de antecipação de acontecimentos.
Independentemente das entidades envolvidas, e acreditando na sua seriedade perante problemas ambientais, para mim, há algumas questões a reter nesta situação: quando é que estas pessoas, envolvidas nestas confusões todas, se limitam apenas e só, a fazerem aquilo a que se propõem? É preciso tanta lenga-lenga, tanta letra e tanta tanga só para reciclarem uma porcaria dumas embalagens de medicamentos? Até com a boa-fé das pessoas em reciclarem o seu lixo, estes idiotas bacocos dos negócios e dos números, brincam? Para esta gente, tudo é mesmo um negócio?
Eu, particularmente, começo a ficar algo preocupado com o facto do meu esforço – e obrigação – em reciclar o lixo que produzo, cair em saco roto, quem sabe, aí para uma lixeira qualquer escondida, apenas porque isso dá mais lucro a alguém.

Reciclar implica alguns recursos. Não consumir não implica recursos nenhuns.

Portugal Nuclear?

Como raios hei-de eu saber? Sou físico nuclear? Percebo alguma coisa disto? Isótopos? Fissão ou fusão? Reações nucleares? Urânio? Deutério? Que car*!”$ é o deutério?
Correm por aí uns zum-zuns acerca do nuclear. Muito se fala em nuclear hoje em dia. Sim ou não? Não sei. Estou apenas preocupado. Eu procuro nuclear no google e obtenho 105.000.000 de resultados. Metade diz que sim, metade diz que não, metade diz que não sabe. Em que é que ficamos? Eu espero que não estejamos a brincar aos negócios e aos dinheiros com o que algumas pessoas acham tratar-se de “lunático“. É que eu sou só um cidadão vulgar. Mas acho que tenho o direito de receber informação “correcta” e o mais “verdadeira” possível para eu poder decidir. Acho também que tenho o dever de me informar, mas a grande questão é como! Vou abdicar da minha vida durante 20 anos para tirar um curso de física nuclear e averiguar se de facto é assim ou assado? Os impostos dos cidadãos não deveriam chegar, para pelo menos “comprar” uma informação científica livre de “liberdade de mercado”, lucros e outras tretas patéticas? Já nem a ciência é uma ciência exacta? Ninguém se entende, e face às constantes contradições, aparentemente alguém está a mentir nesta questão, e eu – e acho que também ninguém – consegue formular uma opinião “livre” sobre esta questão.
Esta não pode ser uma questão do “vou ganhar ali umas massas e depois vê-se”. Esta é uma questão humana e acima de tudo global. Não tem nada a ver com países, empresas e “projectos” . Não tem nada a ver com “atrair” empresas para vendar mais umas estúpidas acções. Não tem nada a ver com o “eu acho que não, mas se tiver ser…“. Não tem nada a ver com “eu acho que sim, tu achas que não”. Não tem nada a ver com “Não, porque não está ainda na agenda“. Isto é uma questão de “estamos a ficar mesmo à rasca!“. A questão da sustentabilidade ecológica já não é uma discussão. É uma realidade e uma prioridade. Vamos precisar de levar com um tornado nas trombas para perceber? Vamos ter de chegar ao ponto de abrir a torneira em casa e não sair água?
Cientificamente, ninguém consegue chegar a uma conclusão, se os benefícios ultrapassam os prejuízos, ou não? Que desinformação é esta, que não permite que um cidadão tenha sequer ter uma opinião formada sobre um assunto tão grave, como o que é o que parece? É que se de facto estão envolvidos prejuízos que podem ser graves para o Planeta, por mim esqueçam. Daqui a uns tempos, quando “estiver em agenda”, alguém decide que temos mesmo que ter energia nuclear em Portugal e eu vou continuar na mesma situação. Daqui a uns tempos, alguém diz: “olha, e vai ser mesmo ao teu lado que a central nuclear vai ser construída”. …e eu vou continuar na mesma situação. Daqui a uns tempos alguém diz: “o que é que tu achas?“. Se eu não tenho o direito de ser bem informado, “sem tangas” nem palavreado fino, para poder decidir, então também não tenho o direito de decidir. E não decidindo, será o que alguém decidir por mim. E eu vou continuar na mesma situação.
Só que nessa altura vou ter de dizer, não! Não quero nuclear. Não quero saber de exigências energéticas. Não quero saber dos “actuais modos de vida”. Não! Mesmo que eu fique sem luz, sem internet, sem tv, sem comunicações ou outras regalias e mordomias modernas eu vou ter de dizer não! Apenas e só porque não tenho argumentos para decidir. Nem para bem, nem para mal.
Eu, sinceramente, acho que o nuclear não é solução. E por uma razão. Quando começo a ouvir falar em empresas, lobbys e termos científicos, temo sempre o pior. Lembro-me sempre da Dupont com o Teflon. Compreendo que “não foi de propósito”, que “parece que ainda não foi provado que é prejudicial”, que “esperamos por uma decisão de um tribunal”, que “assim que for decido, vê-se”. Pois. Eu compreendo.
“Olha, desculpa lá, lembras-te daquilo do nuclear? Pois, afinal não nos lembramos da reacção a longo prazo do deutério com o bório… e então agora ainda estamos piores do que estávamos.” Pois. Eu compreendo.
Em também compreendo que mais cedo ou mais tarde, este país vai ter de assumir o seu papel de país terceiro-mundista e juntamente com um daqueles países africanos ou asiáticos, que ninguém sabe apontar no mapa, se torne mais um depósito para detritos (nucleares ou não) e uma fonte de energia (nuclear ou não) para países mais desenvolvidos. Questões de tamanho e preponderância internacional. Eu quase que compreendo que todas estas obras espectaculares como os TGVs, Aeroportos e afins, nem sequer nos custem dinheiro. É o que os governantes dizem. Todo o dinheiro vem do estrangeiro, e “é tudo à borla”. Só não consigo compreender porque são tão nossos amigos. Espero que não tenha nada a ver com nada, e seja só paranóia e desinformação da minha parte. Provavelmente é só isso, e não tem nada a ver com estas recentes incursões opinativas na questão nuclear.
Mas, o que eu acho, tem pouca ou nenhuma importância no contexto actual. Eu tenho apenas de esperar que os governantes deste país e os seus compinchas das empresas, tenham a amabilidade de, por uma vez que seja, serem sérios e honestos, e decidam em consciência, numa questão tão técnica que não está sequer ao alcance dos cidadãos. Eu tenho apenas de esperar que decidam numa perspectiva essencialmente ecológica, e não económica e de mercado, pelo menos neste aspecto tão fulcral, que não afecta classes sociais, opiniões, ricos ou pobres, altos ou baixos, mas sim todos sem excepção.

A questão não é como arranjar mais energia. A questão é como não gastar tanta energia.

Aventar à bruta

“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” – Peter Druker

Inicio com uma citação, porque acho que no futuro uma empresa chinesa irá registar os direitos de autor de todas as citações. Isso fará com que eu tenha de pagar uma pequena contribuição sempre que as escrever. Vou aproveitar agora, que ainda decorrem as negociações. Já recebi duas contas da Warner para pagar, por ter cantado o “Parabéns a você” este ano. Falei com um advogado para ver se não pagava nada, porque eu não sabia que a canção tinha direitos de autor, mas ele disse-me logo: 250 euros! Depois disse-me então que era uma questão complexa e ainda estava a ler todos os apêndices num site que encontrou.
Passando à frente. Como os Monty Python vão juntar-se, de novo, aproveitei e revi o “Brazil” do Terry Gilliam. É curioso perceber que uma utopia imaginada em 1985 seja uma realidade hoje em dia! Eu sempre achei que os Monty Python tinham “ligações superiores”. Até para prever o futuro.
Portanto, aventando à bruta para a frente. Para o Futuro, que é onde todos nós iremos viver.
Sem especificar datas certas, mas certamente acontecimentos para “breve”.
Cientistas neo-zelandeses inventam a primeira batata totalmente sintética. É feita do ADN decomposto do feijão. Técnicos da Sony desenvolvem a “nova” cassete “Beta”. Cientistas americanos, chineses, russos e alemães mostram, com recurso a estudos em Powerpoint, que afinal o Planeta está bem de saúde e não há razões para preocupações alarmistas. A indústria automóvel revoluciona os meios de transportes ao lançar um veículo com 2 entradas USB e suporte para 2 (dois!) I-Phones. Está em preparação o carro que não consome energia. O Estado pretende criar o ISM, Imposto sobre o Movimento.
A Inglaterra invoca o recentemente aprovado “Tratado de Lisboa” e abandona a UE, com o pretexto de não estar “ligada” fisicamente à Europa. Os Estados Unidos aprovam. Portugal também. O EU invadem o Tadjiquistão involuntariamente. Portugal envia involuntariamente 2 GNRs para o Uzbequistão. A China compra a Coreia do Norte. África torna-se o continente mais rico do mundo. O FMI e o Banco Mundial decidem intervir para não desestabilizar o plano financeiro internacional.
Depois da “crise” ter sido dada como terminada numa reunião do G2, os créditos para compra de habitação estarão com as melhores condições de sempre e será possível comprar uma casa T0-1 em “apenas” 120 anos (casa-de-banho não incluída). No plano dos créditos, uma subsidiária da “Corporación Dermoestética” lança um crédito especificamente para operações estéticas que consistem em ficar cirurgicamente igual ao Cristiano Ronaldo. As Farmácias Portuguesas oferecem uma operação “Cristiano Ronaldo” ao primeiro utente a acumular 1.000.000 de pontos em medicamentos genéricos. O sexo já não é um tabu e é legalmente permitido na Assembleia da República. O Bloco de Esquerda aplaude. O CDS insurge-se e abandona o Parlamento.
A Quimonda é reconvertida num pólo de robótica e patrocina a abertura na Maia, do primeiro Zoo totalmente robotizado. Funcionários, plantas e animais, tudo é robotizado, sinal do grande poder de inovação e avanço tecnológico do Estado e da Câmara da Maia. Ecologistas protestam em cartaz: “Pandas robóticos não se reproduzem”. Vanessa Fernandes tiro o curso de Genética Quântica Avançada pelas Novas Oportunidades. Pela terceira vez.
É criado o ISTOI, Imposto Sobre Todos os Impostos. O governo aplaude, a oposição critica e o povo protesta. É criada a lei 37.852/2019 de 3 de Fevereiro que institui e determina, definitiva e legalmente, o termo “ponto percentual”. O FC Porto festejará finalmente o Hepta, numa altura em que se pondera a criação do “Sporting, Lisboa e Benfica”, para “moralizar o futebol português”.
Um jornalista independente descobre que o caso Casa Pia ainda não terminou. Mantêm-se recursos em tribunal. É lançado o 17.º livro sobre o caso. O caso Freeport ainda se encontra em Segredo de Justiça, e para já o único interveniente julgado e levado a tribunal, é o de um empregado de pastelaria que trabalha em frente ao Ministério Público que sentiu uma “pressão” e não disse nada a ninguém! Foi condenado a 2 meses de pena suspensa. Apresentou recurso.
O actual PM, Francisco Louçã demite-se porque, e cito: “Eu nem a brincar pensei que pudesse ser eleito. O que é que faço agora?”. Manuela Ferreira Leite, presidente da recém nacionalizada Sonae, SGPS responde: “O imobilismo é uma arma poderosa”. É movida mais uma acção em tribunal contra José Sócrates (ex-Ministro do Ambiente, ex-Primeiro Ministro, ex-Engenheiro) que se encontra em paradeiro desconhecido, apesar de ter sido recentemente nomeado para administrador geral da EAEP – Empresa de Água e Energias de Portugal (ex-Galp, EDP e Águas de Portugal), cargo deixado vago pela saída de Dias Loureiro para a presidência da UE.
O processo (conhecido como a disputa sobre a etimologia do “decesso do esparadrapo“) foi movido pela apresentadora do Jornal de Sexta da TVI, Fernanda Câncio.
E eu? Provavelmente, ainda andarei a tentar safar-me disto tudo…

Vivemos uma não-era

Vivemos actualmente numa contradição. Chegamos a um ponto na História, além do próprio fim da História. Dizem alguns filósofos e pensadores que o sistema actual é o fim da dualidade (ou pluralidade) de potências no Mundo. Que a hegemonia do mundo ocidental, baseado neste coisa estranha e incompreensível que é o capital, através das suas aplicações capitalistas (e imperialistas) “gere” o Mundo. Da melhor, e aparentemente, única forma possível. Com guerras, corrupção, agressão, dor, sofrimento… Assim o dizem os neo-liberais ou lá o que são que se consideram. Melhor do que isto não há. É um sistema com alguns defeitos, que vão ser corrigidos em breve, e portanto melhor que isto não há. Não é verdade. Porquê? Porque chegamos a este ponto extraordinário na História em que conseguimos ver a contradições fazerem sentido. Começamos a perceber que a direita e esquerda são iguais. Que o comunismo e o capitalismo são as duas faces da mesma coisa, o lucro. Que não existe anarquismo, neo-liberalismo e todos os outros “ismos”, apenas a aplicação abstracta do poder, na administração dos recursos naturais. Percebemos que anarquistas e neo-liberais lutam e agridem-se, porque ambos não querem a entidade “Estado”. Percebemos que homens sem escrúpulos oprimem outros por mero prazer do exercício de poder. Percebemos que os extremos se tocam. Chegamos a um ponto em que um quadro em branco é arte. Chegamos a um ponto em que tudo é arte. Chegamos a um ponto em que percebemos que um ponto insignificante de nada dá origem ao Universo. Chegamos a um ponto em que temos de ter fé na Ciência. Chegamos a um ponto em que o dinheiro não existe. Chegamos a um ponto em que Deus está morto ou nem chegou sequer a existir. Chegamos a um ponto que entendemos que que o nada é tudo. E que o tudo é nada. E chegamos ao ponto derradeiro de perceber até, que o limite máximo da ganância humana é o limite da sustentabilidade do Planeta. Deste último ponto ainda não tenho tanta certeza.
Já nem é uma questão de anti-imperialismo, de anti-capitalismo, de anti-globalização ou de outro anti-qualquer coisa. Essa guerra já foi perdida. É uma questão muito mais complexa que assenta num argumento fundamental quer nunca esteve em cima da mesa: que fazer com todo o poder acumulado? “E agora que tenho tudo, o que é que se pode ter mais?” Sugiro ao senhores donos do mundo, isto é, às grandes corporações mundiais, suas representantes e respectivos interesses pessoais envolvidos, que sigam em direcção ao espaço. O espaço é enorme, segundo dizem os cientistas, há muito por onde explorar! Abandonem este planeta! Podem deixar-nos entregues ao perigos do mundo natural. Nós percebemos o quanto o mundo natural é exigente e rude. Nós entendemos a contradição existente do prazer retirado do esforço. Nós entendemos que somos únicos, mas também fracos e perecíveis. Nós entendemos que todos os outros habitantes naturais deste Planeta são parte integrante dele e têm tanta importância quanto nós. Nós não temos medo dos mosquitos nem dos crocodilos. Se ele nos atacarem para nos comer, nós percebemos que é uma questão natural de sobrevivência. Auto-preservação da espécie. Chave da mecânica cíclica da vida no planeta, que permitiu ao Planeta e a nós próprios, chegar a este ponto da História. Pelo menos sabemos que eles não nos tentarão comer da forma mais eficiente e competitiva, baseados em expectativas de mercado!
Percebemos que vivemos uma não-era. Percebemos que andamos meios desorientados e sem um rumo muito bem definido porque “sentimos” a presença próxima dum cruzamento na História do Planeta e do próprio homem. Pela primeira vez, como espécie, percebemos que um caminho – o actual – nos guiará inevitavelmente para a destruição total e definitiva, através da insustentabilidade ambiental óbvia do Planeta, face ao modo de vida actual. Pela primeira vez, como espécie, percebemos que temos mesmo de parar, para procurar o tal novo caminho que preencha o derradeiro propósito da vida que é continuar a existir.
Estarão os tais “donos” deste Planeta a parar para pensar? Não me parece. Mas essa é apenas a opinião de um simples, anónimo, insignificante, minúsculo e estúpido habitante deste Planeta.

“O exemplo é a escola da Humanidade e a única que pode instruí-la”. – Edmund Burke

A Agenda Perdida

Não sei se lhe chame a agenda perdida, se a agenda perdida manipulatória. Ou a agenda patética. Para mim é a prova provadíssima de que os nossos governantes, sejam eles de que cor forem, seja quem for que sirvam, usam de um alto grau de manipulação da opinião pública. E se o usam, é porque têm algum objectivo. Fazem-no como se sabe, através dos respectivos meios de comunicação. Isto não quer dizer que os meios de comunicação seja os culpados da dita manipulação. Isto só quer dizer que são os únicos com que se pode manipular a opinião pública. O Estado, por muitos instrumentos de divulgação que tenha, por muitos sites que construa, nunca vai fazer com que eu os consulte diariamente. Nem eu, nem ninguém. Já as notícias, os jornais e a informação em geral, essa entra-me pela porta dentro, aos pontapés. Hoje em dia, já se torna difícil evitar as notícias. Aliás, um dia sem notícias é impensável…
Olhando um pouco para trás, lembro-me que quando começou esta “crise”, além do Governo ter ignorado a questão – e tanto a ignorou que apresentou um Orçamento de Estado que teve de alterar mais tarde, mais adaptado à realidade de “crise” – apareceram aí uns questões metidas à bruta na discussão pública. Eu fico confuso. Afinal, pessoas do mesmo sexo já podem casar, ou não? A eutanásia já foi legalizada? As drogas leves já foram despenalizadas? Perdão! Esta “questão fracturante” – e dou desde já os meus parabéns a quem inventou esta expressão – parece que ficou para a próxima crise. Existirá alguma dúvida que isto são questões que se sabe que causarão discussão pública, permitindo aos governantes, algum à vontade para esconderem as verdadeiras questões fracturantes, como o desemprego, a pobreza, e em geral, o nível paupérrimo em que este país se encontra, e pior que tudo, que ainda vai piorar mais?
No meio de um turbilhão de informações em que se tiveram que tranquilizar as pessoas para não correrem aos bancos para levantar o dinheiro; em que se nacionalizaram bancos falidos; em que se criou um sistema qualquer que já ninguém se lembra como funciona, mas que permitia vender a casa ao estado e pagar-lhe uma renda e depois não sei o quê; em que gestores de topo se suicidavam nas suas elegantes secretárias; em que parecia que o dinheiro estava a desaparecer; em que parecia que Madoffs & Amigos tinham roubado todo o dinheiro do mundo com os seus esquemas; em que as indústrias automóveis iam falir todas; em que os bancos iriam desmorenar-se como castelos de cartas; em que todos nós iríamos praticamente morrer juntamente com o nosso sistema neoliberal, nada melhor do que meter ao barulho “o casamento de pessoas do mesmo sexo”. Não chega? Junta-se-lhe a eutanásia, que ainda é mais fracturante e abstracta. E se mesmo assim não chegar, abre-se a agenda toda!!!
Mas… afinal, não aconteceu nada. Ninguém se insurgiu com nada. Ninguém apredejou bancos. Nenhum banco fechou. Não houve corridas ao dinheiro nos bancos. Mais uns assaltozitos aqui e acolá, mais um caixote do lixo a arder… e afinal nada de grave. É só isto? Então esqueçam as questões fracturantes, dizem os governantes. Pode ser que dê mais jeito para as eleições.
É tudo uma questão de agenda política. É tudo uma questão de gestão da agenda política. É tudo uma questão de gestão de opinião pública. O governo lançou naquele momento (e já se esqueceu entretanto), o tema do casamento homossexual, porque era importante para os cidadãos ou só tentou esconder o facto que irmos mergulhar de cabeça numa crise que levará muitos de nós (se calhar irreversivelmente) para uma pobreza que não tínhamos vivido até agora? A eutanásia veio para a agenda política porque de facto se está a pensar naquelas pessoas que estão em sofrimento, ou para esconder o facto que o País está hipotecado ao “estrangeiro” e que inevitavelmente, o “estrangeiro”, um dia, virá bater à porta, pedindo o que é seu legalmente? E o que veio esconder, quando a agenda política política nos trouxe a “taxação dos mais ricos”?
É este o desenvolvimento social e humano que temos neste país, em que as “questões fracturantes” são lançadas como baldes de água fria, sempre que a fogueira do descontentamento parece que se vai descontrolar?

Só a título de curiosidade: Onde é que a lei proíbe, neste momento, o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Estou só a perguntar, para que alguém me ilucide.
Artigo 36.º da Constituição: Ponto 1: Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade. Impedimentos do casamento: nenhum.

A deambular

Vivemos na era da informação. Se bem que parece mais a era da desinformação. Sei que corre em tribunal um processo para se decidir em qual das eras vivemos. Como está em segredo de Justiça, ainda nada se sabe… Deambulava pela vastidão da net quando tropecei numa notícia do JN que revela as “10 mentiras do jornalismo“. Estranho este artigo num jornal. Já tinha percebido uma certa inclinação “estranha” do JN, mas como era para o dia das mentiras, nada melhor que ilustrar o dia com mentiras publicadas em jornais. Tudo bem. Curiosamente, a primeira “mentirinha” é a de um fotógrafo que decidiu brincar com o “Photoshop” juntado fotografias no Iraque… e foi despedido. Ironicamente com a “Grande Mentira” – a das armas de destruição maciça – metida na Cimeira dos Açores, a milhões de pessoas, ninguém foi despedido… Não interessa, deambulando… Manuela Ferreira Leite está preocupada e quer combater a corrupção em Portugal. O PS, através do seu porta-voz, Vitalino Canas diz que “estão atentos“.  Nós, os cidadãos também estamos atentos. Tudo está atento. Até a ERC está com “atenção”. Pensando um pouco mais, corrupção, que corrupção? Nunca se conseguiu provar que ninguém neste país é corrupto. Aliás, o melhor é mesmo que não se consiga provar nada, porque senão o número de gestores em empresas de resíduos ainda aumenta significativamente. Ou não.
Saltando para outros lados menos pestilentos, encontrei a dona Maria dos Prazeres a perguntar: “Nunca mais votei. Votar para quê?“. Tem toda a razão, dona Maria dos Prazeres. Não se dê ao trabalho, porque o Ribau Esteves está a preparar a “IV republica“. Ainda não está tudo preparado, porque se meteram as Férias da Páscoa, mas mal acabe esta época festiva irá apresentar a nova versão da república “«num trabalho que estamos a fazer para um dia destes começar um movimento de boa revolução em Portugal, ao nível da cidadania, e para construir um país com futuro». Então, vá! Continuando nas deambulações… parece que alguém descobriu que 1/5 do país não têm dono! O executivo já me mandou um e-mail, “pressionando-me” a emendar para 20%. Porque é “diferente” de 1/5. Parece que o executivo vai gastar 700 milhões de euros para definir que o que não pertence a ninguém, vai ser pertença de todos, revertendo para o Estado. Espero que isto nada tenha a ver com o que Ives Lacoste refere: “Nos nossos dias, a proliferação de discursos que versam o ordenamento do território em termos de harmonia, de busca de equilíbrio, serve sobretudo, para ocultar medidas que permitem às empresas capitalistas, especialmente as mais fortes, aumentar os lucros. Há que salientar que o ordenamento do território não com objectivo única a marginalização do lucro, mas também organizar estrategicamente o espaço económico, social e político, de forma a o aparelho de Estado estar capacitado para sufocar os movimentos populares. (…) Hoje, importa, mais do que nunca, estar atento a esta função política e militar da Geografia, a verdadeira desde a sua génese.” – Yves Lacoste – A Geografia, uma arma para a guerra, 1977
Considerando que estamos em Portugal, não deve ter nada a ver com nada, e nunca se conseguirá provar nada em Tribunal. Devo ser eu que ando a deambular demais por sites anti-capitalistas…
Curiosamente com estas deambulações em Geografia acabo também por tropeçar em Pinochet, porque parece que ele também se interessava muito por geopolítica e geografia. Juntamente com o referido fulano, refere-se “propaganda negra”, “Chicago Boys”, privatização da segurança social e neo-liberalismo. Curiosamente até se fala em fortunas e bancos. E um, pelo nome, até parece português. Não deve ser, porque nós, os portugueses somos muito pequenos e não nos metemos em assuntos assim “tão” grandes. Deve ser um off-shore, um hedge-fund ou outro nome estrangeiro bonito qualquer. Não é dos nossos, que os nossos são sérios. O que importa reter neste assunto é que ele (Pinochet) safou-se de todas as acusações porque “em Julho de 2001, apresentou um atestado de debilidade mental que o terá salvado de uma possível condenação.” Eu acho melhor o Alberto João Jardim calar-se um pouco, porque está a dar ideias ao pessoal do “Contenente” com essa do bando de loucos. Assim, ainda se safam todos!  Parvoíces!
Decido então deambular por temas mais “sérios” que os da actualidade e decido mergulhar nos grande temas filosóficos. O portal de filosofia da Wikipédia tira-me muitas horas de sono. Para minha surpresa veja que a actualidade não me deixa em paz. Encontro o Sócrates. Não este do Freeport, o outro que também não deixou nada escrito, mas que também foi envenenado. Admito que por vezes fico um pouco chateado que qualquer pesquisa sobre o que quer que seja esbarre sempre na wikipedia. Nesta era da desinformação é sempre necessário cruzar várias pesquisas, não vá o diabo tecê-las, ou ainda tropeçámos na página pessoal daquele cardeal que acha que as câmaras de gás eram para desinfectar pessoas. Nesta senda de cruzamento de informações, o Correio da Manhã diz-me que Sócrates tem uma namorada. Fiquei curioso. Então o homem não deixa nada escrito mas tinha namorada?. Porra! Não era o antigo, mas era este, o actual, do Freeport. Seja como for, foi bom porque eu não sabia que o PM tinha namorada. E ainda por cima, uma jornalista. Uma “plantadora” de notícias. E ainda por cima, uma jornalista que também acredita e sente o poder da desinformação. Espero que ela não ache este pequeno comentário insultuoso ou de alguma forma pressionante. Ainda me processa! Seja de que forma for, eu e a sociedade portuguesa só ficavam a ganhar com uma iniciativa dessas: eu, se for processado, promovo o meu novo livro “Como enriquecer na sociedade neoliberal, não fazendo rigorosamente nada e apenas escrevendo livros sem conteúdo nenhum”, e a sociedade ganha também, com a credibilização do jornalista em geral, que assim mostra que também pode mover processos a outras pessoas.
Estou farto da “actualidade” e de tantas notícias. Plantadas ou não. Já não me interessa tanta (des)informação. Vou mas é deambular aqui
pe
lo pequeno pinhal perto de minha casa, não vá aparecerem os tais senhores do Estado que não sabem de quem são aqueles 20% do território. Se ninguém se chegar à frente, este pequeno pinhal é meu, desde pequenino. E com o Photoshop, eu até sou capaz de “fazer” os documentos que o comprovam.

A demagogia

Por causa do Aventar, dediquei-me novamente à consulta regular e aleatória dos dicionários. À sorte abri no “D”. E sem querer olhei para Demagogia. Diz o meu fiel Dicionário Koogan Larousse Selecções que demagogia é: s.f. Política que favorece as paixões populares. / Dominação das facções populares. Mais abaixo diz que um demagogo é: s.m. Aquele que lisonjeia a multidão para tirar proveito pessoal. / Agitador que excita as paixões populares. No Dicionário On-line Priberam demagogia é: s. f. Preponderância do povo na forma do governo. / Abuso da democracia. / Dominação tirânica das facções populares. No entanto, a Wikipédia diz outra coisa, o que tem toda a lógica. Independentemente da questão etimológica, tudo me leva a a concluir que praticamente todos (ou todos) os políticos modernos são na realidade, demagogos. Raramente um deles escapa a acusações de corrupção ou favorecimento alheio. É só estar atento às notícias e à blogosfera. Se quisermos ser mais incisivos podemos até assistir ao Jornal de Sexta da TVI. Se na Assembleia da República estão sempre a insultar-se mutuamente de demagogos é porque se facto ser demagogo é uma má atitude e condenável em sociedade.
Não é que não goste de políticos. Eu não tenho que gostar ou não gostar de nada. Mas tenho todo o direito de me sentir incomodado e principalmente irritado (muito irritado mesmo) perante as contínuas notícias de falsidade, corrupção, roubo, fraude, suborno, favorecimento e conluio em que os políticos estão envolvidos. Infelizmente, no mesmo saco, estão como se sabe, muitos dirigentes, gestores e administradores que têm o mesmo tipo de poder sobre as massas. E usam da mesma demagogia. Aliás, quem paga as campanhas políticas? Porque vêm os grandes gestores de empresas comentar a vida política? Quem ganha com os investimentos públicos? Para onde saem os políticos para a vida pública?

Obviamente, e como está visto ao longo da História, a demagogia é um autêntico sub-produto inerente das grandes massas e do próprio Povo. Onde quer que haja um povo, sobressairá um líder apoiado por seguidores. E mais cedo ou mais tarde, o sistema entrará em declínio e a demagogia imperará novamente. É normal. E nada mudará. Aqui e agora, só mudará pelo uso da empatia generalizada de políticos e dirigentes – o que eu pessoalmente não acredito -, ou porque mais cedo ou mais tarde, alguém neste país pegará novamente em armas como em Abril de 1974 , para mostrar verdadeiramente a face do descontentamento.

A centralisação, na cópia portuguesa, como hoje existe e como a soffremos, é o fidei-commisso legado pelo absolutismo aos governos representativos, mas enriquecido, exaggerado; é, desculpae-me a phrase, o absolutismo liberal. A differença está nisto: d’antes os fructos que dá o predominio da centralisação suppunha-se colhê-los um homem chamado rei: hoje colhem-nos seis ou sete homens chamados ministros. D’antes os cortezãos repartiam entre si esses fructos, e diziam ao rei que tudo era
d’elle e para elle: hoje os ministros reservam-nos para si ou distribuem-nos pelos que lhes servem de voz, de braços, de mãos; pelo
partido que os defende, e dizem depois que tudo é do paiz, pelo paiz, e para o paiz. E não mentem. O paiz de que falam é o seu paiz nominal; é a sua clientella, o seu funccionalismo; é o proprio governo; é a traducção moderna da phrase de Luiz XIV  “l’état c’est moi”, menos a sinceridade.

Alexandre Herculano – Carta aos Eleitores do Círculo Eleitoral de Sintra, 1858 (www.gutenberg.org)

Já acabou?

Parece que a reunião do G-20 já acabou. Estava para aqui a ver as notícias do mundo, e parece que está tudo resolvido. Confesso que sou um pouco limitado nestas grandes questões económicas e financeiras, e que não entendo todas as persceptivas da “crise”. Também confesso que não percebo muito bem o que é $1 trilião… e menos percebo, como é que indo este trilião para o FMI, alguma coisa se resolva. O “grande salvador” Obama disse que isto não se resolve numa reunião, mas em duas, o quer dizer que metade do problema já está resolvido. Os “paraísos fiscais” vão ser listados numa folha de excel e portanto também está resolvido esse problema. “Este foi o dia em que o Mundo se uniu para combater a recessão global. Não com palavras, mas sim com um plano de recuperação global”, afirmou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Vendo as fotos sorridentes dos líderes mundiais, aparentemente tudo está resolvido.  Confesso que não senti nada esta manhã, mas isso sou eu que não percebo nada de crises mundiais nem de triliões. Agora vamos a um pormenor muito importante desta reunião: o protocolo. A Michelle Obama tocou na Rainha Isabel II! Que horror. Pode-se ver em várias repetições e em câmara lenta e não se consegue perceber quem tocou em quem em primeiro lugar! A senhora Obama não percebe que não pode tocar em pessoas que são donas de “paraísos fiscais”? A senhora Obama não percebe que quem é dono de mais “paraísos fiscais” é que toca primeiro? Se a senhora Obama quer tocar em alguém que compre primeiro um “paraíso fiscal”.

Não acredito em políticos

Os políticos não são de facto o tipo de pessoas em que devemos confiar. Por exemplo: O Pacto de Paris de 1928. Como é óbvio mentiram. É normal. Os políticos mentem constantemente. Os políticos sobem na carreira mentindo cada vez mais. Aliás, os políticos mentem tanto que nem precisam de fazer rigorosamente nada para estarem a mentir.
Eu posso de facto, provar esta afirmação. Através da comunicação. O único meio de um político fazer passar a informação, que lhe dará direito a ser eleito, é através da comunicação. E todos nós comunicamos, não são só os políticos. Aliás, é impossível não comunicar. Uma pessoa em silêncio, imóvel, no meio de uma rua provavelmente comunica muito mais que a pessoa que conversa na paragem do autocarro. Quer se queira, quer não, é impossível não comunicar. A comunicação não tem oposto. Os políticos sabem disso. Por isso usam cartazes e outdoors para isso. Para comunicar nem sequer é preciso estar fisicamente num espaço. Basta uma foto e letras.
As roupas que os políticos vestem, também comunicam. Os seus cortes de cabelo comunicam. As suas mãos comunicam. Os seus óculos comunicam. A sua idade comunica. Tudo comunica. É preciso então explicar o que comunicam. É preciso explicar porque alguns políticos usam óculos e outros não usam. É preciso explicar porque uns usam gravatas e outros não. Porque usam fatos ou roupa casual. E principalmente porque fazem isso e com que propósito.
Por exemplo: nenhum político actualmente usa óculos pretos de massa em campanha. Todos os óculos são finos e praticamente transparentes. Esta escolha não é obviamente uma questão de gosto, mas uma questão de não se identificar com aquela pequena fatia de “intelectuais não compreendidos”. Por outro lado, os “intelectuais não compreendidos” não usam óculos finos e transparentes. Pode-se argumentar que esta apreciação é subjectiva, mas é o mesmo argumento que temos para ir a um funeral vestidos de negro. Não sabemos porque vamos vestidos de negro, mas vamos! Todos temos que nos adaptar a um grupo maior e todos nos adaptamos. Nem que seja inconscientemente. É normal.
Os políticos “de direita” usam sempre gravata e fato. Já os “de esquerda” nunca usam gravata. Claro que alguns tentam confundir estas teorias, mas na realidade apenas conseguem comunicar verdadeiramente a sua posição. De certa forma, também prova aquela sensação estranha que os portugueses têm de já não existir direita e esquerda e de como essa distinção já não faz sentido. São todos iguais, é vox populi.
E tudo o resto comunica. O cabelo comprido por um lado tem uma aproximação pacifista e até cristã, mas tem muitas ligações negativas pois associa-se facilmente a hippies e afins e a quem não liga à sua imagem pessoal como valorização de um estatuto na sociedade. E também a uma certa desregulação e liberdade de acção. Coisas que não se pode sequer associar inconscientemente à política. O cabelo curto, por outro lado, acentua o carácter competitivo instigado por uma imagem inconsciente de um guerreiro. Assim como implica limpeza. Os políticos como não são muito inteligentes, normalmente aplicam este conceitos a tudo. A si e ao que os rodeia. Não é por nada, que nas vésperas de eleições todos os jardins são tratados e aparados. Aliás, qualquer beira de estrada é limpa e aparada! Os exemplos são infindáveis e estão todos à vista.
Isto não são conclusões. São lições de marketing. Por alguma razão existe marketing político. Por alguma razão o marketing político pretende “melhorar” os sistemas eleitorais.
Se os políticos se alteram com o intuito de agradar a outros, estão a mentir logo à partida! Não são eles próprios! São uma imagem criada para agradar ao máximo de pessoas possível.
O marketing transformou o político e a política num produto que se tenta vender a si próprio. Na melhor embalagem possível e ao maior número de pessoas possível. Neste momento, a política é apenas e só mais um produto que se compra e venda… como umas míseras cuecas.
Aliás, é sempre assim que se deveria imaginar os políticos: de cuecas, com os seus óculos e os seus cabelos todos iguais.
Visto assim, um político apenas pode enganar pela retórica e esse é um campo em que os políticos portugueses são praticamente nulos. Pelo menos é muito mais difícil de enganar alguém…
Por isso, e para todos os indivíduos perceberem isto, o marketing político deveria ser uma disciplina obrigatória nas escolas. Desta forma, qualquer adulto em formação teria noção exacta do poder de manipulação do marketing. Numa sociedade de consumo não se dão aulas de marketing? Estranho. Mas qualquer político e dirigente confirmará a sua importância. Os políticos que introduzirem esta disciplina nas escolas, terão de certeza, o meu voto. Até lá, eu não acredito em políticos.

Não gosto do 1 de Abril

Porquê? Porque é o dia das mentiras. E eu não gosto de ser enganado ou que me mintam. Para isso já contribuíram anos e anos de políticas sociais neste país. Chega de mentiras. É que nem a brincar. Eu próprio pensei em fazer uma piadita sobre isso. “Vou dizer que me vou filiar num partido político para o destruir de dentro para fora!” – pensei eu para o teclado. E a veracidade deste pensamento é de que pesquisei pelos sites dos partidos políticos para procurar as propostas para militante e tudo… depois desisti
…mas depois pensei novamente: em 1983 a Associated Press publicou um artigo falso sobre a própria origem do dia 1 de Abril e teve de mais tarde desmentir toda a notícia porque dezenas de jornais acreditaram na notícia e começaram a publicá-la como verdadeira. Ainda hoje na internet permanece a história e começa a diluir-se nas histórias (supostamente) verdadeiras da origem do 1 de Abril. Pensei também: em 1974, em Portugal, contaram muito mal uma história de democracia ao povo português, que (supostamente) faria com que as pessoas tivessem boa qualidade de vida, justiça e liberdade…e ainda hoje essas pessoas (e entretanto, outras mais recentes) continuam a enganar as pessoas com as mesmas histórias falsas… A informação perde-se com demasiada facilidade para brincarmos com ela…

E então deixei de pensar no dia das mentiras e apaguei tudo o que tinha escrito com graçolas sobre este dia… Se quiserem mudar o nome da festividade para dia das piadas ou dos sketches, tudo bem! Dia das mentiras, para mim é que não! Basta de treta! Isto não quer dizer que não goste de soltar umas gargalhadas. Sou multifacetado. Tanto posso ser um parvalhão insultuoso como um pateta cheio de graçolas. E para provar isso sugiro – contraditoriamente à minha própria opinião e até porque em alguns sítios, o 1 de Abril é o dia dos parvos – uma personagem que passou tanto tempo da sua vida a mentir e a enganar os outros, que quando morreu, os fãs pensaram que era mentira… e era mesmo! Quer dizer, não se sabe ao certo. E prova também que tudo tem utilidade neste mundo, nem que seja para servir de mau exemplo: Andy Kaufman.

Porque não caímos da cama enquanto dormimos?

Aparentemente, os mecanismos cerebrais que permitem esta pequena façanha são em tudo semelhantes aos que temos para que deixar de fazer chichi na cama. São mecanismos básicos interiorizados. Sempre que dormimos, uma parte do nosso cérebro continua a funcionar (curiosamente ao contrário de alguns cérebros lusos que deixam de funcionar quando acordam) e zela por todas as funções corporais, pelo bem-estar e saúde do corpo. Por isso não caímos da cama e não fazemos chichi nela. Esta é um informação que é interiorizada e automatizada como uma medida de segurança e sobrevivência. Para mim, isto é espectacular. Apesar de sempre me afligirem estes mecanismos incontroláveis, que me controlam, enquanto eu estou ali deitado inconsciente a dormir… E se o meu fígado, ou o meu baço me decide pregar uma partida durante a noite? Que cenário Hitchcockiano e arrepiante…
As minhas dúvidas e arrepios com estas questões levantaram-se novamente com esta questão do Isaltino ir a tribunal.
Não conheço esta personagem e nem quero. Mas diz o Correio da Manhã que, “Isaltino Morais confessou um dos sete crimes de que está acusado: fraude fiscal. O autarca admitiu em tribunal que não declarou a totalidade de uma casa em Miraflores e de duas garagens, na década de 90, mas classificou o acto de “normalíssimo”. Segundo o autarca de Oeiras, desta compra foram declarados 162 mil euros na escritura, tendo sido pagos mais tarde 57 mil euros. Em sua defesa, Isaltino afirmou que naquela altura esta era uma prática corrente. Assumiu ainda que não declarou excedentes de algumas vendas, “à semelhança de todos os cidadãos”. Na segunda sessão do julgamento que envolve contas não declaradas na Suíça, o autarca afirmou que os montantes que mantém no estrangeiro referem-se a heranças, dividendos de doações familiares, investimentos na bolsa, e referiu que tem ainda cerca de 400 mil euros que dizem respeito a “sobras de campanhas eleitorais”. Em sua defesa, Isaltino Morais recusou ser “o monstro que é apresentado na acusação” e, apesar de assumir que cometeu ilegalidades, “inconscientemente” é verdade, garantiu estar “inocente”.
Nas minhas “voltas” pelos dicionários, uma das palavras mais poderosas que encontrei recentemente foi empatia. Se este fulano soubesse o que significa, poderia tomar o meu lugar e perceber o que eu sinto com estas situações insultuosas. Assim rapidamente poderia pegar nas suas malinhas Luis Vuitão compradas na feira com as “sobras das campanhas eleitorais” e ia passear para bem longe de mim, até cair de podre com o seu sobrinho na Suíça!!!
Ponderei durante uns três segundos sobre insultar esta personagem. Mas depois achei “normalíssimo” e faça-o “à semelhança de todos os cidadãos”. Este Isaltino veio em definitivo provar que há pessoas que são “inconscientemente” corruptas. Ele não tem culpa. Foi um qualquer mecanismo que foi criado inconscientemente durante a noite e que ele não pode controlar. Eu percebo. Desenvolveu um mecanismo cerebral automatizado vocacionado para a fraude fiscal, assim como uma criança os desenvolve para não cair da cama. Espero que o Isaltino não tenha problemas de micção nocturna! Isso era mesmo ridículo! Mas a partir de agora é assim que eu o vejo e não é nada agradável. Não menos ridículo é ver uma pessoa admitir que cometeu crimes, mas garantir que está “inocente”! É uma situação tão idiota que nem se consegue fazer uma piada…

Fugir à obscuridade escrita

I´m still here, you bastards!

Se não me falha a memória, é assim que o Steve McQueen se despede da reclusão na Guiana Francesa, flutuando num saco de cocos, em “Papillon”. Não interessa, porque é assim que eu me lembro do fim do filme. Comprei o filme por 1 euro juntamente com o Público, mas ainda não o (re)vi. Também não interessa. O que interessa é agradecer ao Ricardo a oportunidade de “fugir” da obscuridade escrita. Como qualquer pessoa, sou opinativo e gosto de mandar os meus bitaites. Não conheço o resto dos “aventadores”, mas tenho a certeza que terei oportunidade de conhecer. Recentemente, enquanto pesquisava sobre marketing político, para tentar perceber como é que os políticos conseguem enganar tanta gente ao mesmo tempo, cheguei à conclusão que os políticos apenas deveriam fazer campanhas escritas. Esta é, se calhar, a maneira menos enganadora e séria de comunicar. Iniciar um blog colectivo, para mim, é uma excelente oportunidade para conhecer primeiro o interior e só depois o exterior. Apesar de tudo, fui apanhado um pouco de surpresa com o convite. Chego à conclusão que (afinal) não precebo nada de blogs, e portanto, se um post sair de pernas para o ar, foi culpa minha de certeza! Avente-se!