A deambular

Vivemos na era da informação. Se bem que parece mais a era da desinformação. Sei que corre em tribunal um processo para se decidir em qual das eras vivemos. Como está em segredo de Justiça, ainda nada se sabe… Deambulava pela vastidão da net quando tropecei numa notícia do JN que revela as “10 mentiras do jornalismo“. Estranho este artigo num jornal. Já tinha percebido uma certa inclinação “estranha” do JN, mas como era para o dia das mentiras, nada melhor que ilustrar o dia com mentiras publicadas em jornais. Tudo bem. Curiosamente, a primeira “mentirinha” é a de um fotógrafo que decidiu brincar com o “Photoshop” juntado fotografias no Iraque… e foi despedido. Ironicamente com a “Grande Mentira” – a das armas de destruição maciça – metida na Cimeira dos Açores, a milhões de pessoas, ninguém foi despedido… Não interessa, deambulando… Manuela Ferreira Leite está preocupada e quer combater a corrupção em Portugal. O PS, através do seu porta-voz, Vitalino Canas diz que “estão atentos“.  Nós, os cidadãos também estamos atentos. Tudo está atento. Até a ERC está com “atenção”. Pensando um pouco mais, corrupção, que corrupção? Nunca se conseguiu provar que ninguém neste país é corrupto. Aliás, o melhor é mesmo que não se consiga provar nada, porque senão o número de gestores em empresas de resíduos ainda aumenta significativamente. Ou não.
Saltando para outros lados menos pestilentos, encontrei a dona Maria dos Prazeres a perguntar: “Nunca mais votei. Votar para quê?“. Tem toda a razão, dona Maria dos Prazeres. Não se dê ao trabalho, porque o Ribau Esteves está a preparar a “IV republica“. Ainda não está tudo preparado, porque se meteram as Férias da Páscoa, mas mal acabe esta época festiva irá apresentar a nova versão da república “«num trabalho que estamos a fazer para um dia destes começar um movimento de boa revolução em Portugal, ao nível da cidadania, e para construir um país com futuro». Então, vá! Continuando nas deambulações… parece que alguém descobriu que 1/5 do país não têm dono! O executivo já me mandou um e-mail, “pressionando-me” a emendar para 20%. Porque é “diferente” de 1/5. Parece que o executivo vai gastar 700 milhões de euros para definir que o que não pertence a ninguém, vai ser pertença de todos, revertendo para o Estado. Espero que isto nada tenha a ver com o que Ives Lacoste refere: “Nos nossos dias, a proliferação de discursos que versam o ordenamento do território em termos de harmonia, de busca de equilíbrio, serve sobretudo, para ocultar medidas que permitem às empresas capitalistas, especialmente as mais fortes, aumentar os lucros. Há que salientar que o ordenamento do território não com objectivo única a marginalização do lucro, mas também organizar estrategicamente o espaço económico, social e político, de forma a o aparelho de Estado estar capacitado para sufocar os movimentos populares. (…) Hoje, importa, mais do que nunca, estar atento a esta função política e militar da Geografia, a verdadeira desde a sua génese.” – Yves Lacoste – A Geografia, uma arma para a guerra, 1977
Considerando que estamos em Portugal, não deve ter nada a ver com nada, e nunca se conseguirá provar nada em Tribunal. Devo ser eu que ando a deambular demais por sites anti-capitalistas…
Curiosamente com estas deambulações em Geografia acabo também por tropeçar em Pinochet, porque parece que ele também se interessava muito por geopolítica e geografia. Juntamente com o referido fulano, refere-se “propaganda negra”, “Chicago Boys”, privatização da segurança social e neo-liberalismo. Curiosamente até se fala em fortunas e bancos. E um, pelo nome, até parece português. Não deve ser, porque nós, os portugueses somos muito pequenos e não nos metemos em assuntos assim “tão” grandes. Deve ser um off-shore, um hedge-fund ou outro nome estrangeiro bonito qualquer. Não é dos nossos, que os nossos são sérios. O que importa reter neste assunto é que ele (Pinochet) safou-se de todas as acusações porque “em Julho de 2001, apresentou um atestado de debilidade mental que o terá salvado de uma possível condenação.” Eu acho melhor o Alberto João Jardim calar-se um pouco, porque está a dar ideias ao pessoal do “Contenente” com essa do bando de loucos. Assim, ainda se safam todos!  Parvoíces!
Decido então deambular por temas mais “sérios” que os da actualidade e decido mergulhar nos grande temas filosóficos. O portal de filosofia da Wikipédia tira-me muitas horas de sono. Para minha surpresa veja que a actualidade não me deixa em paz. Encontro o Sócrates. Não este do Freeport, o outro que também não deixou nada escrito, mas que também foi envenenado. Admito que por vezes fico um pouco chateado que qualquer pesquisa sobre o que quer que seja esbarre sempre na wikipedia. Nesta era da desinformação é sempre necessário cruzar várias pesquisas, não vá o diabo tecê-las, ou ainda tropeçámos na página pessoal daquele cardeal que acha que as câmaras de gás eram para desinfectar pessoas. Nesta senda de cruzamento de informações, o Correio da Manhã diz-me que Sócrates tem uma namorada. Fiquei curioso. Então o homem não deixa nada escrito mas tinha namorada?. Porra! Não era o antigo, mas era este, o actual, do Freeport. Seja como for, foi bom porque eu não sabia que o PM tinha namorada. E ainda por cima, uma jornalista. Uma “plantadora” de notícias. E ainda por cima, uma jornalista que também acredita e sente o poder da desinformação. Espero que ela não ache este pequeno comentário insultuoso ou de alguma forma pressionante. Ainda me processa! Seja de que forma for, eu e a sociedade portuguesa só ficavam a ganhar com uma iniciativa dessas: eu, se for processado, promovo o meu novo livro “Como enriquecer na sociedade neoliberal, não fazendo rigorosamente nada e apenas escrevendo livros sem conteúdo nenhum”, e a sociedade ganha também, com a credibilização do jornalista em geral, que assim mostra que também pode mover processos a outras pessoas.
Estou farto da “actualidade” e de tantas notícias. Plantadas ou não. Já não me interessa tanta (des)informação. Vou mas é deambular aqui
pe
lo pequeno pinhal perto de minha casa, não vá aparecerem os tais senhores do Estado que não sabem de quem são aqueles 20% do território. Se ninguém se chegar à frente, este pequeno pinhal é meu, desde pequenino. E com o Photoshop, eu até sou capaz de “fazer” os documentos que o comprovam.

Comments


  1. E para o bem e para o mal, vivemos numa sociedade onde há cada vez mais notícias e comentários e menos Informação (reparem no I maiúsculo).

  2. Isac says:

    Não percebi o I maiúsculo. Para mim, Informação não é mais do que comentários e notícias numa determinada “forma”. Assim, há muito mais informação e por conseguinte também desinformação. É só uma questão de perspectiva. Por isso, é que Sócrates (não este, o outro) dizia “só sei que nada sei”.


  3. O “I” maiúsculo pretendia indicar a Informação de qualidade. Nestes dias há cada vez mais notícias, comentários, reacções que se atropelam. Há notícias que deixam de ser “última hora” em minutos, que acabam ultrapassadas pela excessiva quantidade de informação, que não deixa grande espaço à sua digestão e à análise.

  4. Luis Moreira says:

    Esta pressão de que tem de haver notícias todos os dias,e pior, notícias que vendam,assassina a Informação com ” i ” grande.Lembro-me muitas vezes desta verdade quando leio comentaristas diários.É, óbvio, que a maior parte das vezes não há nada para dizer e muitas vezes há só as notícias da nossa vida diária.Que não chega. Daí a inventar ou andar no fio da navanlha sobra a ética de quem escreve.

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