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No dia 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, estreia a nível mundial, o filme “Home“. A música é espectacular e as imagens ainda são melhores. Uma oportunidade para ter uma visão sobre o maravilhoso mundo natural que nos rodeia e suporta. Uma oportunidade para reflectir porque o desprezamos e destruímos.

Alguns dados fornecidos pelo filme:

– 20% da População mundial consome 80% dos recursos do planeta.
– O mundo gasta 12 vezes mais em custos militares do que na ajuda a países pouco desenvolvidos.
– 5000 pessoas morrem todos os dias por beberem água poluída. Mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável
– Em todo o mundo, 1 bilião de pessoas passa fome
– Mais de 50% dos cereais produzidos são usados para rações de animais e biocombustíveis
– 40% da terra arável está degradada
– Todos os anos, 13 milhões de hectares de floresta desaparecem
– 1 Mamífero em cada 4, 1 ave em cada 8 e 1 anfíbio em cada 3 estão ameaçados de extinção. As espécies estão a desaparecer a um ritmo 1000 vezes mais rápido do que a média natural.
– 75% dos produtos pesqueiros estão esgotados, danificados ou em vias disso
– A temperatura média do planeta dos últimos 15 anos é a mais alta desde que há registos.
– As calotas polares diminuíram 40% nos últimos 40 anos.
– Em 2050 podem haver 200 milhões de refugiados climáticos.

Voz (a alguns) dos "pequenos"

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Infelizmente, não tenho muito tempo para acompanhar o percurso sempre esquecido (e pouco divulgado) dos “pequenos” partidos. Mas, como eu sou por todos os “pequenos”, a informação vem ter comigo. Por outras fontes que não os media, soube da agressão verbal ao líder do MMS. Pesquisei, pesquisei, pesquisei e encontrei aqui na net (finalmente) que “O presidente do Movimento Mérito e Sociedade (MMS) apresentou esta terça-feira queixa-crime na PSP de Portimão contra um cidadão inglês que o empurrou e que chamava os portugueses de «fascistas, idiotas e corruptos», informa a Lusa. O episódio aconteceu durante uma acção de campanha do MMS em Portimão, tendo a comitiva sido abordada pelo cidadão inglês, que segundo o líder do MMS, Eduardo Correia, será dono de uma loja de tatuagens. O líder do MMS explicou ainda que foi apresentada de imediato, na PSP de Portimão, uma «queixa-crime por tentativa de agressão e por maus-tratos verbais a toda a campanha e aos portugueses em geral». Nada de grave. É um partido “pequeno” portanto também deve ser um acontecimento “pequeno”. Olha se fosse com o Vital “Cabelo de Aço” Moreira…

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Adiante! Segundo o profiler aventado pelo José Freitas e pelo João Paulo eu votaria no Movimento Partido da Terra. É normal. É um partido pequeno com vertente ecológica e humanista. Um partido pequeno nos números, assim como já o foi, esse antigo, esquecido e pequeno PSR. Dei uma vista de olhos e descobri que o MPT (segundo o próprio site) foi o primeiro partido com site em Portugal, já no longínquo ano de 1993. Confirmei no Wayback Machine e só têm registos desde 2000. Mas é bem provável que seja assim, pois eu ainda me lembro da internet em Portugal em 1995 e era a “preto e branco”.

Estes dois “pequenos” partidos políticos lembram-me de certa forma um artigo publicado no (excelente) livro “Marketing Político”, da autora Margarida Ruas dos Santos de 1996. Lembram-me que, antes de mais nada, classificar como “pequenos” pode ser injurioso e injusto. Deve ser por isso que, sempre que aparecem mencionados como pequenos, estão “entre aspas”. São, mas não “são”. Ou não deveriam ser. Ou então, só são “pequenos”, não por falta de apresentarem alternativas credíveis bem fundamentadas e serem naturalmente partidos políticos “normais”, mas porque não têm as ferramentas e poder de comunicação em massa para difundirem melhor a sua mensagem. Se calhar é isso mesmo que define um partido “pequeno” do partido “normal”: o poder do marketing e a força dos números. Resta saber qual a influência do marketing no acumular da força dos números. O artigo sobre marketing político é do político e economista Francisco Louçã.

Políticas sem máscaras

Pois claro que o marketing vai dominando a política – e, a propósito, também a literatura, de modo a que os autores como os candidatos se promovem com métodos que roubam o exclusivo aos automóveis de luxo ou às margarinas. Talvez assim tenha sido desde sempre, quando Kennedy enfrentou Nixon num debate de televisão e lhe mentiu acerca da invasão de Cuba, ou quando Miterrand perguntou a Giscard d’Estaing qual o preço do bilhete de metro em Paris. Ou quando Pilatos lavou as mãos, ou quando o pão e circo bastavam, ou quando se canta um hino nacional de convocação em defesa de um império colonial ameaçado pelos ingleses no século XIX, ainda agora e em nome de uma república que já não tem vergonha de nada.
Tudo isto é marketing: linguagem de símbolos, floresta de enganos, técnica de persuasão, imitação das regras de mercado que definem o ritmo dos mundos.
Do outro lado, está o desafio mais exigente, fazer uma política de comunicação oposta ao marketing porque é intransigente conta a mistificação ou até à simplificação. Uma política de apresentação contra uma política que se reduz à representação. Correndo até ao risco de isso parecer outro marketing, mas sabotando-o com a mais intransigente das violências: a que não permite facilidades nem reduz a comunicação à forma ou o defeito aos seus métodos. Compreendam portanto porque é que me oponho e desconfio solenemente de todo o argumento que escolhe a política em nome do marketing.”

Sou pelos pequenos!

mordillo-futebol

E agora para algo completamente diferente… Numa altura em que o campeonato dos “grandes” endinheirados e profissionais está a acabar, uma pequena homenagem aos “pequenos” pobretes, mas alegretes.

O Salgueiros 08 disputa este Domingo, no Complexo Desportivo do Sra. da Hora, o título de Campeão da II Divisão Distrital da Associação de Futebol do Porto com o Aliança F.C. de Gandra. O Campeão garante a subida à I Divisão. A primeira mão ficou 1×3 a favor do Salgueiros, faltando agora apenas um empate ou vitória ao Salgueiros 08 para garantir o título. Em caso de vitória do Gandra haverá lugar a uma finalíssima. A hora do jogo é às 15:00h, e pela primeira vez nos campeonatos distritais, terá honras de transmissão televisiva em directo, pelo Porto Canal.
Excelente iniciativa esta do Porto Canal em divulgar um “evento menor” de carácter nitidamente regional, ainda por cima envolvendo a face menos vista do futebol, que é precisamente as pessoas que gostam do futebol-desporto. A transmissão directa de um jogo da Distrital deve ser estreia mundial!
Em caso de conquista do título a equipa do Salgueiros sairá em autocarro a liderar o cortejo para festejar primeiro em Vidal Pinheiro, onde haverá o primeiro foco de animação e posteriormente para a Avenida dos Aliados, para desfilar no centro da cidade.
Não estarei presente nos festejos. Estarei à mesma hora num outro grande jogo de futebol com a minha equipa de futebol de 5 no Bairro da Pasteleira. São as micro-revoluções ao Domingo. Sou pelos pequenos!

a questão transversal

reserva-privacidade

Nesta questão da professora que foi gravada na aula por uma aluna, eu vejo de forma transversal uma outra. Não é a questão do excessivo floclore televisivo da praxe. Não é como um professor deve ser. Não é a questão de este país se estar (novamente) a tornar num país de “bufos”. Não é a questão partidária. Não é a questão se os comentários da professora são próprios ou não. Tudo isso foi bem analisado e se calhar até em demasia, por toda a imprensa e blogosfera. Aqui a questão transversal é a privacidade. Entramos em campos muito perigosos e instáveis.
O comportamento da professora é igual num contexto de privacidade e num contexto social? O nosso comportamento é igual em casa e no trabalho? Mas mais importante do que isso: deve-se divulgar o comportamento pessoal num contexto de privacidade? Onde termina a privacidade e como se pode impedir que a mesma seja exposta em praça pública? Este caso vem cimentar a minha opinião, que neste momento, a privacidade termina onde os outros acham que deve terminar. Tecnologicamente quase que já não nos é possível impedir a intromissão. Gravadores, telemóveis, web cams e afins estão totalmente dissimulados pela sociedade, portanto o impeditivo começa a residir mais na vontade de outra pessoa o fazer ou não, do que no próprio indivíduo. Não há nada a fazer quanto a isto. É a evolução tecnológica. E está a chegar à “bufaria”.
Se o mesmo gravador utilizado na sala de aula percorrer os diversos sectores de actividades portugueses vamos ter todos uma enorme surpresa. Ficam algumas questões por fazer. Nos corredores da Assembleia da República utiliza-se a mesma linguagem do plenário? Os nossos representantes falam sempre daquela forma coloquial? Devo gravar a conversa com um polícia quando estiver a ser multado? Devo gravar a conversa quando for às Finanças tratar de algum assunto? Devo gravar a conversa com o gestor de conta no banco? Devo gravar a conversa com o meu patrão? Devo gravar a conversa quando vou a uma entrevista de emprego? Se, como nesta situação, a gravação de uma eventual conversa me beneficiar de alguma forma, nem que seja prejudicando quem está do lado de lá, expondo-o publicamente, então parece que está respondido.

Ainda me lembro vagamente duma célebre conversa “off the record” em que um treinador de futebol dizia que “se soubesse que esta merda acabava amanhã, ia por aí abaixo (ao sul) e limpava o sebo a uma data deles”. Qualquer coisa como isto.
À parte da avaliação do comportamento da professora, à parte da complexa questão deontológica jornalística, à parte da inevitável comparação com o Dvd do Freeport, acho que fica uma questão importante de parte: a reserva da privacidade de cada indíviduo. O círculo de privacidade está cada vez mais pequeno. É que mesmo que a professora recorra a tribunais e ganhe a questão jurídica, nitidamente já a perdeu no campo pessoal.

Recusa comentar

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Tropecei aqui no Jornal de Negócios. E o presidente Cavaco diz que sim, que está atento e que isto está difícil, mas teve uma surpresa com a subida do desemprego. Tudo bem, eu também ando por aí, também sei isso. Mas depois diz “que a situação económica do país é “muito difícil” e recusou tecer mais comentários considerando que já se está em período pré-eleitoral”. E recusou tecer mais comentários. Depois pus-me aqui a pensar, se de facto o presidente Cavaco não trabalhará só em part-time. Sem querer ofender esta alta personalidade portuguesa (não estará nos dez mais influentes, de certeza, sendo que são da actualidade), acho estranho o facto de ele raramente aparecer e nunca comentar nada. Cavaco recusa comentar a polémica licenciatura de Sócrates. Cavaco recusa comentar a permanência de Dias Loureiro no Conselho de Estado. Cavaco recusa comentar o caso Freeport. Cavaco recusa comentar o processo a Lopes da Mota, JUST, EURO JUST. Cavaco recusa comentar a aprovação do estatuto dos Açores. E Cavaco até recusou comentar a possibilidade de dissolução da Assembleia sugerida por Eanes, por causa do estatuto dos Açores. O presidente Cavaco não co-men-ta na-da. E já aparecer é muito difícil. Passam-se semanas sem ver o Presidente Cavaco. De repente, lá aparece porque vai com empresários fazer publicidade a Portugal. Ou porque vai de férias com a Primeira Dama. Depois recusa comentar qualquer coisa. E depois desaparece novamente. Mesmo assim, fui ver como são os dias do presidente. Interessantes. E com boas fotografias. E tenho aqui as minhas próprias legendas, mas ficam só para mim porque isto hoje em dia é-se processado por dá cá aquela palha.

“O Presidente da República é o Chefe do Estado. Assim, nos termos da Constituição, ele “representa a  República Portuguesa”, “garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas” e é o Comandante Supremo das Forças Armadas.
(…)
No entanto, muito para além disso, o Presidente da República pode fazer um uso político particularmente intenso dos atributos simbólicos do seu cargo e dos importantes poderes informais que detém. Nos termos da Constituição cabe-lhe, por exemplo, pronunciar-se “sobre todas as emergências graves para a vida da República”, dirigir mensagens à Assembleia da República sobre qualquer assunto, ou ser informado pelo Primeiro-Ministro “acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país”. E todas as cerimónias em que está presente, ou os discursos, as comunicações ao País, as deslocações em Portugal e ao estrangeiro, as entrevistas, as audiências ou os contactos com a população, tudo são oportunidades políticas de extraordinário alcance para mobilizar o País e os cidadãos.” retirado do site da presidência

Se calhar é só para encher o site. O site da presidência é muito completo. Tem muita informação. Tem micro-sites, áreas temáticas, mensagens, documentos, as visitas de Estado, etc. Tem especialmente uma secção que achei interessante. “Escreva ao Presidente“. E se calhar vou mesmo. Envio uma mensagem a dizer “recuso comentar”.

Um chip para mim, um chip para ti.

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Já não bastava as câmaras de segurança, os BI’s todos artilhados de chips e cenas electrónicas, agora sempre vão avante com o raio do chip na matrícula. Pensei que se tinham esquecido disso com esta coisa da “crise”. Ainda a semana passada falei nisso aqui em casa, e disse logo aqui ao pessoal para acabarem com a conversa que eles ouvem tudo. E não é que me vêm outra vez com a porcaria do chip? Eu avisei para estarem calados, mas nunca me ouvem. Pior do que isso, é que parece que o tal DEM (Dispositivo Electrónico de Matrículas), nem é na matrícula, é no sítio do outro aparelhómetro da Via Verde. Deviam mudar o nome para DEMOMNSAVV (Dispositivo Electrónico Mais ou Menos no Sítio do Aparelhómetro da Via Verde). Vai ser engraçado para aquele pessoal que já tem no tablier e no vidro um pequeno LCD, o VCD, as colunas, a Nossa Senhora de Fátima e o GPS, que qualquer dia têm de ir com a cabeça de fora para conseguir ver a estrada… Aqui, estes senhores, explicam tudo direitinho sobre o chip. Eu, que estou totalmente paranóico com tanta vigilância orwelliana, e ainda nem fiz nada(!), fico ao menos, totalmente descansado porque estão envolvidas empresas privadas nesta brilhante negociata. Uma delas é a Mota-Engil. Estou mais descansado. Assim sei que o “self-interest” desta empresa vai zelar pelo meu bem-estar e dos outros portugueses. Isto é que vai ser facturar: cobrar realmente em portagens virtuais. O sonho capitalista tornado realidade. Não! É o pesadelo capitalista tornado realidade. Quer dizer, já não sei… isto é um choque ideológico ultimamente que me confunde todo…
Em parte, eu até acho bem, porque já me roubaram a matrícula por duas vezes… e levaram o carro junto. Curiosamente, de uma das vezes, o carro apareceu, mas a matrícula não…

Fica só a pergunta: para quando o CHIP para políticos e legisladores? Só para sabermos onde eles andam.

dinheiro vivo, morto ou doente

Já há uns tempos atrás, uma sueca ficou milionária sem querer. Hoje, diz o Público, que uma mulher tentou fazer uma transferência bancária de 50 mil milhões de euros dos EUA para Portugal. Que é que se passa com as mulheres e o dinheiro? Quem será esta mulher enigmática que além de ter 50 mil milhões de euros, os ia transferir para Portugal? Será algo relacionado com as obras megalómanas do nosso governo? Intriga-me. Ainda ontem tinha andado a ver se a gripe A/suína/mexicana/nova se transmitia através do dinheiro. Não há problemas de transmissão relevantes, a não ser que aparentemente se junte muco nasal, porque nesse caso pode haver alegadamente a hipótese de transmissão. Admito que estou com alguns problemas porque estou constipado, estou com o “pingo” no nariz e normalmente uso dinheiro vivo…
ainda acho que também os partidos políticos vão desistir daquela ideia de receber dinheiro vivo… é que só 3% do dinheiro existe fisicamente.
Quem diria que o “vil metal” se tornaria também abstracto.

Como o mundo está a ficar totalmente paranóico, deixo o link para a respectiva teoria da conspiração envolvendo o fim do dinheiro vivo. MONDEX.

Isto é que são conteúdos…

dame-o-telemovelAproveitem porque parece que agora é oferta!
Se bem que eu ache que a miúda não está nada parecida com a original do filme…

Estou confuso…

relativity
Deveras que estou. Pergunto-me o que foi o nosso Primeiro-Ministro fazer durante 6 horas à Madeira. Pergunto-me porque só ao fim de 4 anos de governação, se deu ao trabalho de fazer uma viagem tão grande sobre o Oceano Atlântico, apenas para ver distribuir 200 computadores a meninos. Terá ido apenas passear, para arejar um pouco a cabeça, deixando para trás os Vitais Moreiras, os Manuéis Alegres e os Lopes das Motas? Terá ido à Madeira para mostrar ao nosso Presidente da República que quando é preciso ir desanuviar um pouco desta canseira da crise, pode-se “ir para fora cá dentro“? Terá ido porque hoje era o seu dia de folga? Terá ido porque era o último sítio do Planeta onde ainda não foram distribuídos os Magalhães? Terá ido para conhecer pessoalmente esse grande entertainer nacional, Alberto João Jardim? Terá ido apenas, relembrando os tempos de Ministro do Ambiente, apreciar a flora ou a fauna MARINHA? GRANDE confusão que isto me mete!

Dados

wolframÉ um maluquinho dos dados? Óptimo, eu também! Para todos os viciados em notícias, matemática, estatística e dados em geral, o Wolfram|Alpha promete fazer maravilhas. Dizem os criadores do motor de pesquisa, que se pode cruzar informação de todas as maneiras e feitios. Vale a pena dar uma vista de olhos. Para ver uma apresentação interessante carregar aqui. Pode ser um boa ferramenta de pesquisa.

Apetece-me mandar alguém à m&$d@*!

cutileiroProcurava eu alguns recortes antigos de jornal quando tropeço num anúncio do BPP anterior à crise. Ainda não percebi porque não mantêm a publicidade. Aliás, como diz João Rendeiro, o senhor BPP, no seu livro “Testemunho de um Banqueiro – A história de quem venceu nos mercados”: “É nos períodos difíceis que devemos reagir e avançar ainda mais”. Desconfio que o livro não deva estar a vender muito bem…

Mas desviando um pouco a questão, apetecia-me, tal como o sr. João Cutileiro, o Escultor, mandar alguém à m&$d@! Mas obviamente, eu não posso! E não posso, obviamente, por vários motivos. Primeiro, porque não sou o “rosto da irreverência” como o Pedro Mourinho da SIC Notícias. Segundo, porque não sou uma personalidade influente na sociedade como aqui o sr. Cutileiro (sinal positivo para as suas esculturas [e as fotos também!]), o João “Cuecas” Jardim, o Herman “sem piada” José, ou as “personalidades famosas”. Em terceiro, porque não tenho aquela forma inteligente do Miguel Esteves Cardoso (K ainda actual!) de mandar alguém à m&$d@ e ainda arrancar três dúzias de aplausos. Em quarto, porque não me pagam (muito bem) para isso. Como exemplo, o BES pagar ao Cristiano Ronaldo, oh… perdão, ao “nosso” Cristiano Ronaldo para mandar à merda os seus clientes. Podia haver quem não gostasse da ideia, mas os verdadeiros fãs – aqueles que coleccionam pequenas gotas de suor apanhadas nos treinos ou cuspo seco do relvado – de certeza que ficariam entusiasmados com tamanha irreverência publicitária. Por último, porque sou um “teso” e ninguém convida um “teso” para fazer publicidade. Melhor dizendo, sou um daqueles que nunca viram um cheque com 4 dígitos, e sim, sou um daqueles estranhos seres que (sobre)vive a recibos verdes (FERVE!, estou convosco! Mas a vossa/minha luta é uma luta perdida, mas podemos continuar a fazer barulho!). Como parece que “a culpa é nossa”, devemos estar quietinhos e caladinhos. E sem hipótese de fazer publicidade…
Aqui em Portugal, só há duas opções para enriquecer: estar ligado à “Administração” ou ser premiado com o Euromilhões. Eu estar ligado à “Administração” é impossível, porque ainda tenho um pingo de vergonha e moralidade que me impedem de subir os actuais degraus enlameados rumo ao topo. Resta-me o Euromilhões, como o resto dos portugueses.
Mas aproveitando a oportunidade da blogosfera e de (ainda) poder dizer o que me vai na alma, perante o panorama social, económico e humano deste país, digo-o aqui, que se eu tivesse a sorte de acertar nos números e estrelinhas premiadas e ganhasse essas enormidades de dinheiro que para aí se falam, gastava montes de dinheiro em indeminizações a processos de injúrias, para, juntando todos os gestores de empresas idiotas, banqueiros idiotas, políticos idiotas, escritores idiotas, actores idiotas, directores de programas de tv idiotas, encenadores idiotas, pintores idiotas, jogadores de futebol idiotas e qualquer outro idiota que me chateasse, os mandar TODOS à grandessíssima merda!
…mas não posso!
Vou ter de continuar a tentar a minha sorte com os números e as estrelinhas…

* (é engraçado que para algumas pessoas, até a merda passa a ser “um local nauseabundo para onde se manda aqueles que nos incomodam”)

[retirado do anúncio BPP: «Mais longe do Everest, mais perto das nossas Penhas Douradas, há uns poucos de anos, num restaurante, em alta voz, de outra mesa para a minha, um Presidente de Câmara perguntou-me: “Oh Cutileiro, mas para que é que você quer tanto dinheiro? – Simples: para poder mandar à M*(7) os Presidentes de Câmara, que me chateiem(8)”»
(7): local nauseabundo para onde se manda aqueles que nos incomodam
(8): E outros Senhores que também me chateiem.

Oh! As telenovelas! As telenovelas!

telenovelas1

Começou outra telenovela na TVI. Como é possível? Outra? Mas estes gajos têm uma fábrica de telenovelas?
A felicidade é mesmo uma coisa idiota. Detesto mesmo – mas mesmo – pessoas felizes na TV.
Basta ver a carinha desta actriz aqui em cima. Existirá alguma coisa com ar mais idiota? Apetece mesmo dar-lhe uma lapada.
Peço desculpa pela sinceridade, mas não me consigo conter. É como ver fotos com gatinhos e bebés da Anne Guedes. Não consigo deixar de me rir. Agora a sério. A sociedade deveria fazer um boicote às televisões. Neste momento, a televisão é uma das raízes do mal deste mundo. A televisão como existe actualmente idiotiza a sociedade e, como alguém já disse, uma sociedade culta nunca será subjugada e oprimida por muito tempo. Vou deixar de ver televisão. Porque em verdade, tudo na televisão é falso. Toda a gente na televisão é simpática e feliz. Nos anúncios então é ainda muito mais grave. Não existe um único anúncio televisivo em que as pessoas não estejam felizes. Pessoas felizes invadem os ecrãs a todo o momento. Toda a gente ri e toda a gente é incrivelmente feliz. E para isso compram coisas.
– Pessoas felizes a comprarem medicamentos para a diarreia.
– Pessoas felizes a comprarem detergentes que são sempre melhores que os anteriores.
– Pessoas felizes a comprarem carros que são sempre mais seguros e ecológicos que os anteriores.
– Pessoas felizes a comprarem águas com sabores que emagrecem e fazem corpos esbeltos.
– Pessoas felizes a comprarem apartamentos cuja dívida só será saldada pelos seus filhos.
– Pessoas felizes a comprarem cremes para ficarem impossivelmente mais jovens.
– Pessoas felizes a comprarem shampôs para ficarem mais bonitas durante 6 semanas.
– Pessoas felizes a comprarem coisas de que não precisam, mas que têm mesmo que comprar.
– Pessoas felizes a comprarem televisões cada vez maiores.
Nos intervalos de um programa idiota qualquer, a lógica é esta: se é preciso mais tempo para estar com os filhos, compra-se uma máquina de lavar. Se é preciso dinheiro basta ligar para um número de telefone e tudo está resolvido e nem sequer é preciso pagar de volta. Se é preciso ter boa saúde basta beber um iogurte “activo”. Se é preciso qualidade de vida basta comprar um ambientador. Se é preciso melhorar os serviços de saúde basta ir a hipermercados que eles oferecem ambulâncias. Se é preciso apoiar crianças abandonadas e maltratadas compra-se um relógio. Se é preciso melhor ambiente e equilíbrio ecológico basta comprar um carro. Se é preciso elevar a auto-estima compra-se um cd. Se é preciso um amigo basta comprar um telemóvel. Olha que grande treta! Se calhar deveriam ser os donos das televisões a gerir o mundo, porque toda a felicidade deste mundo, afinal, está apenas à distância do telecomando. A felicidade total para esta sociedade encontra-se à venda nos anúncios de televisão e pode-se pagar em suaves prestações. Propositadamente, ou não, a televisão está a concorrer com a política numa falsa corrida a um futuro melhor que pura e simplesmente não é possível nem existe. O consumismo idiota de todas as coisas que não precisamos está a ser alimentado por uma televisão ainda mais idiota. É um beco sem saída. A sociedade está a ser lentamente idiotizada por uma televisão que não informa e apenas existe para vender e entreter. Tentar ver o mundo de um modo realista, ver as suas falhas e corrigi-las é a principal função do ser humano. Teoricamente, a televisão poderia ser um veículo para uma visão mais realista do mundo. Mas não é.
Se o mundo estiver para acabar com o impacto de um cometa gigante, as televisões vão fazer um directo repleto de comentadores e “paineleiros” que opinam sobre tudo, acompanhados de uma miúda giraça a pedir para contribuir num peditório por telefone para angariar fundos. É a mais pura idiotice.
Quanto às telenovelas… não tenho ainda uma opinião formada.

"Sexo entre casal de cadáveres causa escândalo"

Isto a propósito do post com o título “Preservativos e sexo anal nas escolas secundárias”. Que excelente título. E que polémica. Menores de idade, sexo anal e escolas secundárias? Escândalo! No entanto, acho que este título do JN é ainda mais escandaloso.
Para surpresa minha até é mesmo verdade! Mais uma vez, o anatomista louco Gunther von Hagens está a provocar escândalo. Desta vez, expôs um casal de cadáveres plasticizados em pleno acto sexual. A “escultura anatómica” chama-se “Acto Suspenso”.
Já conheço esta personagem de ar tresloucado há alguns anos. Houve uma altura até em que pensei ir até Berlim para ver a exposição. Queria perceber por mim, in loco, se esta exposição estava errada ou correcta. Ainda não a consegui ver. Entretanto já apareceram outras exposições anatómicas do género e o celeuma esmoreceu. Não admira que a exposição original (Koerperwelten – Mundos dos Corpos) tenha que puxar dos galões e escandalizar novamente.
Pelos vistos, “políticos e dignatários eclesiásticos (o que será isto?) exigiram que o “Doutor Morte”, retire os cadáveres da mostra, considerando “indecente e imoral” colocar corpos sem vida em tal pose.” Mas se for noutra pose não-sexual, já pode!?
Os responsáveis das duas principais igrejas alemãs, a Católica e a Protestante, pediram “a proibição de mostras públicas de cadáveres, que consideram atentatória da dignidade humana, ainda para mais se for para fins lucrativos.” Daqui eu entendo que se eu quiser ver um cadáver numa posição estranha tenho de estar sozinho com ele na sala e não devo pagar nada por isso.
Curiosamente, eu já visitei a secção de anatomia patológica do Instituto Abel Salazar. O ano passado tentei novamente, mas foi-me negada a entrada. Apenas os alunos podem visitar um excelente espólio que está para ali escondido. Mas qual é o problema desta gente? Acham que vou ficar traumatizado por ver o interior do corpo humano? Por ver um rim? Um pénis? Sinceramente! Devo parecer um miúdo para esta gente!
Eu penso sempre que já se atingiu o limite. Mas aparentemente não. Nota-se que cada vez é mais difícil, mas parece haver sempre um maluquinho qualquer que consegue surpreender os restantes com “uma boa polémica”. Mais difícil ainda, é definir o que é aceitável ou inaceitável. Expor cadáveres com propósitos científicos de mostrar a anatomia é aceitável? Não? E se forem de plástico, já será? E se for para o desenvolvimento da anatomia? O que será o inaceitável? O que é isto do tabu? Para mim, o tabu é apenas falta de acessibilidade a um assunto. Por exemplo, pornografia e sexo anal. Basta mencionar estas palavras e alguém do outro lado da sala começa logo a corar. A pornografia é um tabu porque não está acessível. Se a pornografia estivesse acessível da mesma forma como uma telenovela ou um jornal gratuito não seria um tabu. Nem seria nada de especial. Seria como uma opinião qualquer. É a velha questão da bicicleta, “ficas na tua e eu fico na minha”.
Todos os dias somos confrontados com a menina meia descascada que apresenta os programas de diversão da noite, com a apresentadora toda gira e decotada, com as alusões sexuais dos anúncios na comunicação, em que para vender um sumo tem de aparecer uma boazona quase a ficar nua, ou em que uma pequena rapariga de biquini rarefeito bebe cerveja “até à última gota”,  ou em que cornflakes são misturados com morangos, natas e uma esbelta top-model pelo meio. Sexo, sexo, sexo e mais sexo. E pornografia?
O sexo é implicitamente impingindo, mas a pornografia é negada! Porquê? Porque é tabu!
Com quem é que falamos sobre pornografia? Ninguém. Mas sobre sexo falamos de certeza. Até há programas sobre sexo, com mulheres a avaliarem diferentes tipos de dildos!!
Se depois de todos estes estímulos eu quiser aceder a uma boa pornografia… fico-me pelos estímulos, porque pornografia quase só imaginando-a. “It´s all in your mind”. Apesar de parecer que está aí em todo lado, não está. A TV não emite. A TV por cabo só emite em canais codificados. Na imprensa é praticamente inexistente. Em livros nem nunca ouvi falar. Resta o bafiento video-clube com os filmes ainda nas amarelecidas “micas” de plástico dos anos 80. Mas dizem-me que os filmes agora são melhores… porque vêm com extras. É o que dizem…
Claro que depois existe a Internet, o verdadeiro cyber-mundo pornográfico. Mas dá cabo do computador todo. Vírus, worms e outras coisas exclusivas da net, invadem-nos o computador mesmo que nem se queira. Às vezes ligo o computador e ele sozinho até se inscreve em sites XXX. A Internet lá vai quebrando o velho tabu da pornografia. Este problema da (pouca) acessibilidade da pornografia e do seu respectivo tabu tem de ser comparado a um outro semelhante: o sexo anal. Como raramente se ouve/se fala/se vê/se faz, é sempre o mais proibido o mais desejado… Acessibilidade… É o que faz quebrar os tabus…
Tabus? Ainda existem tabus? Acho que não. Já nada faz eco hoje em dia. Já nada choca. Mas isso também não interessa para nada, porque estão sempre a aparecer uns tabus diferentes para apreciar.
O que me interessa é isto: quando é que se tem a oportunidade única de juntar cadáveres, sexo anal, o Albino Almeida e a Ministra da Educação em apenas 2 posts deste blog? Isto é que é polémica! Não consegui resistir.

A ficar apertado…

O vídeo é extraordinário para demonstrar o que está na cabeça de muita gente, eu incluído. Isto está a ficar apertado. Não é difícil de perceber. No entanto, há quem ande mais interessado em pontos percentuais e o que é ou não economicamente viável. Isso é-me difícil de perceber. E não, não é uma daquelas “trips” maltusianas. Não, também não estive a ler “The limits to Growth“. Percebo simplesmente que este planeta não chega para todos e muito menos para os que ainda aí vêm. A solução? Não sei. Só agora aqui cheguei também…

Quase que se torna cansativo…

O FC Porto continua a ganhar. Até os festejos já perdem algum fulgor, é que são tantas vezes seguidas… Mas ainda bem. É que eu fiz uma aposta já no longínquo ano de 1991, na altura em que o César Brito marcou dois golos pelo Benfica, em pleno Estádio das Antas. Apenas “ouvi” os golos na rádio. A SportTV ainda estaria a ser combinada ali junto aos placards publicitários do sr. Oliveira. Triste com a derrota, revoltado com a afronta, a chorar de nervos, e com a estupidez natural de quem tem 18 anos, apostei naquele preciso momento com a minha família, que por acaso é toda benfiquista e sportinguista, que o FC Porto ainda havia de ser o melhor clube português. Bastava para isso ter mais campeonatos que os outros clubes. Impossível! Em 1991 esta era uma meta demasiado longínqua para ser alcançada. Em 2009, o FC Porto conquista o 24.º título. O Sporting (mas afinal, existem mesmo sportinguistas?) ficou bem para trás. O Benfica (o clube que mais ganha com as vendas de lenços brancos) está apenas a 7 campeonatos e continua a ser a palavra mais vezes associada com “desilusão”.
Depois de anos a ouvir constantemente “falar” de estatísticas com o “nós temos 2 Taças dos Campeões Europeus, coisa que vocês nunca vão ter“, “nós já temos 30 campeonatos, só daqui a 50 anos é que nos passam“, qual será no futuro o grande argumento que permita aos outros clubes não justificar que o FC Porto é de facto, o melhor clube português? Só se for, nunca termos tido Cinco Violinos ou o Eusébio no plantel. É pena que o Fernando Gomes não tenha marcado mais meia dúzia de golos, senão lá se ia a estatística novamente.
Já fui sócio e sempre vi os jogos no meio dos “Super”, com os meus amigos de infância. Mas já não “adoro” o FC Porto como antigamente. No geral, (como em quase tudo) perdeu-se a simplicidade e a inocência do futebol. Está tudo demasiado profissionalizado e industrializado e estes são pormenores que me dão algum amargo de boca. SAD’s, cotações em bolsa e administradores são um trio de ataque que me metem logo na retranca. Penso, se  jogadores como o Rui Filipe ou o Domingos, por exemplo, alguma vez conseguiriam emergir no FC Porto com (exagerado) sotaque sul-americano dos dias de hoje.
Ainda assim, nos pormenores, também se vê a diferença para melhor do FC Porto em relação a outros clubes. Com o tratamento à camisola “2”, por exemplo. O FC Porto conseguiu apenas com uma camisola, criar um perpetuador da mística do clube. Apenas com uma camisola, o FC Porto consegue transmitir feitos e anos de experiência de verdadeiros mitos do clube para as gerações seguintes. Outros clubes ainda tentam perceber o que é a mística. Independentemente dos (muitos) bons jogadores do plantel, uma palavra de destaque para um jogador que muito admiro e que acho que fica esquecido: Raul Meireles, o miúdo que era da Boavista e que agora é, para mim, o motor do FC Porto. Tivesse mais “cabedal” e arriscava-se a ser o actual melhor meio-campista português. Ao Pedro Emanuel também, por continuar a ser um exemplo (interno e externo) do que é ser jogador de futebol através de todas as etapas da carreira, até mesmo quando se está para pendurar as botas.
Fica a minha sugestão: vender algum do sotaque sul-americano para dar lugar aos miúdos das camadas jovens. Já este ano tive dificuldade em distinguir as declarações dos jogadores do FC Porto e a telenovela mexicana da vizinha. Senão para o ano será o “Pienta Campionato Puertista”. Acho que já chega, não?
Por último, que FC Porto será esse sem Pinto da Costa? E que Pinto da Costa será esse sem FC Porto? Já não consigo distinguir quem é quem.
A este ritmo e com “este” FC Porto, acho que vou ganhar a aposta na próxima década. Só é pena já não me lembrar do que vou ganhar com a aposta. Parabéns ao FC Porto. Outra vez.

Passe a publicidade (e não é por ter estado envolvido na produção), aproveito para sugerir aos verdadeiros amantes do futebol, uma obra imprescindível de dois verdadeiros crâneos do mundo do futebol e da investigação, grandes amigos e excelentes profissionais: História do Futebol em Portugal – A Paixão do Povo, de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro.

Vamos ser vegetarianos?

Roda dos alimentos

Eu acho que invariavelmente vamos inverter os nossos hábitos alimentares e tornar-nos vegetarianos. Ou vegans. Ou ovolactovegetarianos. Não interessa. Vamos comer pouca ou nenhuma carne e peixe. É inevitável. Basta comparar a Roda dos Alimentos original, desenvolvida por portugueses para a Campanha de Educação Alimentar “Saber Comer é Saber Viver” em 1977, com a de hoje em dia. (Ainda gostava de saber quem foi o responsável por esta ideia excelente) Em pouco mais 30 anos, a porção do peixe e da carne diminuiu para metade. Obviamente, isto não tem efeitos imediatos, e não é por haver indicações sobre alimentação numa roda que os hábitos alimentares vão mudar rapidamente. Basta acompanhar o fenómeno da obesidade para perceber que esta mudança pode demorar décadas. Mas vão mudar, nem que seja lentamente. Convém não descurar a evolução natural do conhecimento e poder do marketing científico.
Noutra perspectiva, começa a ser perceptível que não é possível andar sempre a comer grandes bifes do vazio. Por um lado, questões directas como o facto de ser óbvio que é necessário uma quantidade enorme de vegetais e água para produzir uma pequena quantidade de carne. Porque não saltar um elo na cadeia alimentar? Depois as questões de escassez de recursos naturais, alimentação dos animais, água e energia que se despendem, começam a pesar até economicamente e irão tornar a carne e o peixe (praticamente) inviáveis. A acrescentar ainda o factor-surpresa ultimamente muito mediático:  hormonas, doenças e pandemias. Por outro lado, questões laterais como a defesa dos direitos dos animais e a crescente consciência que os animais têm uma existência própria para além da nossa esfera de interesses. Ou os animais serão apenas “comida viva”?

Para mim existe ainda um dilema moral, quando penso nas condições industrializadas em que são “produzidos” animais nos dias de hoje. Na forma como são tratados. Na forma como são mortos. Se é assim uma coisa tão boa e necessária e sem aspectos grotescos e desagradáveis, porque não dar uma voltinha até ao matadouro mais próximo? E porque não levar os filhos?

Eu não sou vegetariano. Mas de alguma forma estranha, a minha consciência começa a pesar. Por isso como muito pouca carne. O peixe que já era pouco, mantém-se. Aumentei em muito os vegetais e fruta. Espero conseguir libertar-me em breve de anos de habituação. A total ruptura de hábitos alimentares é mais complexa e difícil do que eu poderia imaginar. Em termos de dificuldade, eu classificaria a mudança de regime alimentar ao nível da ruptura no consumo do tabaco.

Muitas questões éticas e morais se têm levantado em volta dos animais e eu considero que é um fenómeno (minoritário) em rápido crescendo e não vejo como esta tendência possa mudar. Mas nos dias que correm, também já acredito em tudo.

Novo Logo: procura-se

agricultura biologica

Agricultura Biológica procura novo logo

A comissão europeia abriu concurso para a elaboração do novo logotipo para produtos biológicos. Apesar de eu querer muito participar, estou fora de quotas. No entanto, posso tentar ajudar quem estiver interessado em participar. Acaba a 25 de Junho.

Sugestão para ida ao videoclube (2)

“Estou totalmente doido e não vou aturar mais isto!”

O caminho do mundo e do país

Confesso que ando com algum medo e principalmente, confuso com o caminho do mundo e do país. Para onde caminha? Não consigo descortinar lá muito bem. Tenho uma visão utópica (ou será distópica?) do futuro. Se calhar são filmes a mais. Espero bem que seja isso. Mas depois, mesmo sem querer, lá tropeço nas bases das minhas visões utópicas.
O CDS-PP acusa o Governo de “incompetência” e manifesta-se contra um regime de “monopólios” no mercado da produção de leite. No leite? Só? Qualquer negócio ou serviço caminha rapidamente para a total monopolização. Claro que a realidade portuguesa é muito pequena. A nível mundial (até porque já não faz sentido falar em países) a monopolização é tão grande que até sai fora do ângulo de visão. A Fiat que há dois anos debatia-se para sobreviver, agora vai-se tornar o 2.º maior grupo automóvel, comprando a Chrysler. A seguir vem a Volkswagen comprar a Porsche. Quando vai parar? Quando todas as marcas automóveis sejam da mesma entidade. E isto é transversal a todos os negócios e a todas as indústrias. Qual é o problema disto? Influência directa mais uma vez. E desta vez até há um estudo que prova isso. Fantástico este Maravilhoso Mundo Novo dos Estudos. Mas quando penso que já encontrei um padrão de acontecimentos, o Estado decide surpreender-me e concessionar o património público! Inacreditável. Nunca conseguiria atingir um tal alto nível de imaginação. No final, o mesmo resultado de sempre: como a culpa é nossa, pagamos nós. É justo. E temo que será sempre assim.

Existe previsão meteorológica, previsão do trânsito e até (pasme-se!) previsões económicas, apesar de ninguém conseguir prever nada de jeito! Como é que não existe uma ampla investigação e estudo do futuro da própria sociedade? Saber quais as implicações futuras dos actos no presente? Eu acho que perante estas pequenas, mas reveladoras evidências de um mundo totalmente corporativista e dos seus problemas, se calhar deveriam-se introduzir as utopias como uma nova disciplina nas escolas, como a matemática ou o português.Pelo menos mostrava-se aos mais jovens, como poderá ser o mundo onde irão viver quando sairem da escola. Pelo menos, percebiam logo aos 15 anos como de facto tudo isto funciona. Podia ser que fizesse alguma diferença. Mal não faria de certeza.

"Notícia só é aquilo que alguém quer esconder. Tudo o mais é publicidade"

Diz o senhor Mário Crespo que foi Bob Woodward que o disse. Percebo e concordo perfeitamente. Muito se fala duma campanha negra criada por alguém, com a ajuda de jornalistas, que tentam criar falsas notícias motivadas por interesses ocultos, para prejudicar eu sei quem, em telejornais travestidos. Como se eu não soubesse que o jornalismo já não existe. Como se eu não soubesse que os jornalistas têm de responder perante responsáveis editoriais que respondem perante administrações que respondem perante os seus donos, os patrocinadores. Obrigado pela dica, senhor Mário, mas eu já sabia disso. “Há demasiada publicidade em Portugal”, diz ele. Pois é. Eu percebo!
Por curiosidade, decidi ver com mais atenção um espaço de publicidade. Espaço publicitário no intervalo do Jornal da Noite da TVI:
Banco Totta: um belo musical cantante e dançante ao som de “I need a zero!”. Brilhante. E estes gajos continuam a dar-nos música. Vê-se logo que são estes banqueiros com anúncio bacocos que mandam nisto. Próximo.
Sociedade Ponto Verde: Umas latinhas a falarem com outras, que querem ser novas coisas depois de recicladas. A normal hipocrisia do “novos negócios verdes”. Tudo pelo ambiente, digo eu. Matéria-prima à borla, é o que eles pensam. Mas pelo menos dão cabo do imenso lixo que faço. Próximo.
Bellady Wella: um colorante para cabelo que promete 6 semanas de brilho intenso. Juro que não entendo esta “trip” com os cabelos soltos e sedosos e 86% de recomendações de pessoas especializadas em cabelos, e fibra de carbono e pérolas de juguarassi e mais não sei o quê, só para lavar e pintar a porcaria do cabelo. Não entendo. Eu pensava que o que contava era a parte de dentro da cabeça. Pelos vistos não. Próximo.
Mazda 6: mais um carro amigo do ambiente só porque tem 185cv e é a diesel! Toda a gente sabe que “a diesel” é muito mais amigo do ambiente. Aliás, neste momento, nada ajuda mais o ambiente e o mundo em geral do que comprar um carro! É o que vem em todos os anúncios. E ainda se gabam: “não é para todos!”. Para mim não é de certeza.
Seguro Directo: um polícia manda encostar um condutor e em vez de pedir os documentos, quer multar o condutor porque ele tem o seguro caro. Bem, se calhar é o que vai mesmo acontecer daqui a uns cinco anos, bastando ao polícia apontar um aparelhómetro qualquer ao chip da matrícula. Assim, até os polícias podem ter mais uma comissão de venda de seguros, a juntar à das multas. Eles merecem.
Intermarché: os frescos do Intermarché são os melhores, os mais baratos e os preferidos dos portugueses. É o que diz o TNS World Panel. Porque raios, hoje em dia, todas as empresas são as preferidas dos portugueses? E porque é que há sempre um estudo qualquer para o provar? Existirá, de facto, alguma coisa que não se venda suportada por um estudo qualquer?
Peugeot 207: “Quer ajudar o ambiente? Então troque de carro!”. Não, não é uma piada. É mesmo o anúncio do novo Peugeot. Ou estes gajos são mesmo idiotas ou então pensam que as outras pessoas o são. Eu quando quero ajudar o ambiente compro um LCD, palermas!
Para finalizar: Águas Luso Sem Sabor. Sem sabor? Não é suposto a água não ter sabor? Isso devia ser antigamente… porque esta nova água regula o trânsito intestinal! E se não regular, devolvem o dinheiro. Como é que alguém vai provar que a água não regulou o trânsito intestinal? Pior! E se alguém precisar de provar que de facto regula?
Conclusão: este pessoal das empresas, dos produtos e das publicidades está totalmente demente! É só publicidade? Não acho. Acho que este tipo de publicidade é a representação fiel de empresas alheadas da realidade, manipuladoras, enganadoras e totalmente psicóticas que não têm mais nenhum objectivo a não ser vender, vender e vender cada vez mais. Sempre mais, sem parar, dê por onde der.
O grave da situação é que estas mesmas empresas são uma pequena fatia dos verdadeiros donos de tudo. Informação e jornalistas incluídos. Até de mim! Isto reflecte-se em quê? Isto quer dizer que no Jornal da Noite, estas empresas ganharam o direito de interferir com o alinhamento editorial. Patrocinando o programa, fazem com que seja impossível ao editor deixar “passar” uma notícia menos abonatória envolvendo qualquer uma destas empresas. Aliás, a situação é ainda mais complexa porque sendo as televisões e outros órgãos de comunicação social partes de empresas de comunicações com participações de/noutras empresas, a informação e o alinhamento editorial estão já comprometidos desde a raiz. Exactamente como acontece no Governo. Igualzinho.
Por isso, percebo mesmo perfeitamente porque Mário Crespo diz: “Há demasiada publicidade em Portugal”.

Exercício de imaginação avançado: Se o PS e José Sócrates fizessem publicidade no intervalo do Jornal de Sexta da TVI, ou directamente no grupo Media Capital é garantido que as notícias que envolvem o PM desapareciam e com elas a campanha negra terminaria. Ou alguém duvida do contrário?

Sugestão para ida ao videoclube

No momento em que entendemos os loucos, passamos a ser o quê?

"Notícia só é aquilo que alguém quer esconder. Tudo o mais é publicidade"

Diz o senhor Mário Crespo que foi Bob Woodward que o disse. Percebo e concordo perfeitamente. Muito se fala duma campanha negra criada por alguém, com a ajuda de jornalistas, que tentam criar falsas notícias motivadas por interesses ocultos, para prejudicar eu sei quem, em telejornais travestidos. Como se eu, não soubesse que o jornalismo já não existe. Como se eu não soubesse que os jornalistas têm de responder perante responsáveis editoriais que respondem perante administrações que respondem perante os seus donos, os patrocinadores. Obrigado pela dica, senhor Mário, mas eu já sabia disso. “Há demasiada publicidade em Portugal”, diz ele. Pois é. Eu percebo!

Por curiosidade decidi ver melhor um espaço de publicidade. Espaço publicitário

Extremar de posições

É a tal questão de no meio estar a virtude. Quem me ensinou isto foi a minha avó. Não podemos ser extremistas. O exemplo da minha avó: sempre que deixo crescer um pouco mais o cabelo, diz-me que pareço um militante do CDS e que me faz “tísico”, mas sempre que corto o cabelo curto demais, a minha avó diz que pareço um “skinet”. Algures ali pelo meio, lá consigo ficar “jeitoso”. Coisas (estranhas) da minha avó, mas que têm uma certa lógica.
Isto pode parecer estranho, mas depois vejo o Ricardo a mudar de nome para r. porque lhe querem dar porrada.(E, sim, eu percebo a ironia). Mas parece-me um extremar de posições. Basta percorrer a blogosfera para ver que se as opiniões fossem emitidas cara-a-cara provavelmente teríamos um acréscimo de entradas nas urgências hospitalares e lá teríamos que levar com a Ministra da Saúde a ler mais uns comunicados em conferências de imprensa. Ou, se calhar, não existiam posições tão extremas. Fala-se muito de pluralidade, de frontalidade, de partilha de opinião, de comunicação e de diálogo, mas interiormente continuamos com a nossa arrogância opinitiva. Eu admito-o. Por exemplo, eu, com o meu radicalismo ecológico, continuo a pensar que já resolvi o problema da humanidade e agora só me falta convencer 6 biliões de gajos a ficarem como eu. Não me levem a mal, não é arrogância. É só a minha opinião. E não gosto que não estejam de acordo com a minha opinião. Se ela está totalmente correcta, porque é que alguém haveria de discordar?
Agora, a sério. Ainda hoje, ecoam as agressões a Vital Moreira. Extremar de posições, lá está. Alguém que não partilha das mesmas opiniões do Homem do Cabelo de Aço decidiu dar-lhe um abanão. E agora ele quer que lhe peçam desculpas pelo abanão. E as opiniões extremam-se. “O Vital fez de propósito e foi-se meter numa manifestação da CGTP para levar porrada e ganhar as eleições, como já fez o Soares na Marinha Grande.” Por outro lado: “o problema é a extrema-esquerda que é pior que a extrema-direita”. São as duas grandes conclusões que retenho nas opiniões que recolhi entre a mesa 7 e a 10, aqui no café da esquina. Na imprensa e na blogosfera, as opiniões são ainda mais extremas. Mas isto são só opiniões e como tal ninguém vai mudar a sua posição e cada um vai ficar com a sua própria bicicleta para pedalar. A mim, nesta questão das chapadas e arremessos de copos de vinho na Ovibeja, importa-me reter outras questões que se calhar são mais importantes e que são as seguintes:

As posições em sociedade, mesmo as do mais anónimo cidadão, estão a extremar-se. Seja por culpa da pressão da crise económica ou pela vontade de opinar sem medos das reacções de outros, as opiniões e posições estão a extremar-se. E as acções começam a acompanhar esta tendência.
Nesta situação ficou também implícito que o Partido Socialista, inequivocamente não gosta de trabalhadores nem de sindicatos e despreza as suas manifestações. Se assim não fosse, não fazia campanha política no 1.º de Maio.
Também depreendo que,  independentemente de os políticos fazerem ou não de propósito para levarem porrada, o que é certo é que sempre que levam no corpo, ganham as eleições que disputam. Por isso, por favor, não extremem as vossas posições nos comícios políticos, e não batam em ninguém do PS e especialmemte no Eng. José Sócrates. Era o pior que se podia fazer a este país.

Drogas e Paralelos

A propósito da MGM. Não, não é a Metro Goldwin Mayer, é a Marcha Global da Marijuana.
Aqui há uns tempos estive a ver um documentário sobre o Maio de 68 e apercebi-me de algumas relações estranhas. Reparei que após o Maio de 68, em França, a primeira medida tomada pelos governantes da cidade foi a repavimentação de todas as ruas com asfalto. Reparei também que não havia uma única imagem em que não estivesse alguém sobre o efeito de drogas. Não percebi à primeira o porquê das referências aparentemente desconexa.
Mas depois fez-se luz.
As drogas são subversivas. E são-no porque põe um homem a questionar. Quem usa drogas estimulantes sabe que as drogas são subversivas. Até a gravidade é questionada. Um estudo recente – que entretanto perdi o link, mas fica mais um estudo do género – revela que 3 em cada 5 investigadores científicos usam drogas como ajuda no seu trabalho. Foi assim, com ajuda de LSD, que o modelo de dupla hélice de ADN ganhou vida na cabeça de Francis Crick e dos seus companheiros. Se bem que as drogas sejam legais, porque são vendidas por um laboratório qualquer, não deixam de ser drogas. E os seus princípios activos não são nada meigos. Os mais usados são duas substâncias, uma estimulante e outra para controlar e retardar o sono. Tem toda a lógica. Eles são cientistas e percebem de certeza toda a lógica dos danos cerebrais.
O que não tem lógica é a uma sociedade que por um lado permite, e bem, a livre escolha para abortar uma vida em crescimento, por outro proibir o uso de drogas. Correcção: algumas drogas. Tudo o que são drogas retardantes, que põe os cidadãos idiotizados a olhar para a parede sem pensamentos, ou a dormir indefinidamente, são permitidas e até comparticipadas pelo próprio Estado. Prozacs, Lordesals, Valliums, Cipralexs, Alprazolams, Tegretols, Diazepams, é só escolher. E isto é só o conteúdo da minha caixinha dos medicamentos. Nem sequer imagino o mundo maravilhoso das prateleiras das farmácias. Em Portugal, os medicamentos que mais se vendem são anti-depressivos, soporíferos e derivados. Significativo.
Por outro lado, tudo o que são drogas estimulantes são proibidas. Quer dizer, quando se tem 60 anos já se pode usar drogas legais estimulantes, para uma vida melhor.
A única justificação para a proibição, é que estas drogas e as suas substâncias activas, além de levarem os utilizadores para um estado de êxtase, também fazem com se questionem. Questionar sobre o universo, questionar sobre os planetas, questionar Deus, questionar o Homem, questionar a sexualidade, questionar o regular funcionamento de todas as coisas. E o problema é que quando se questiona o funcionamento de qualquer coisa, existe sempre a tendência natural de tentar arranjar alternativas melhores. Ou pelo menos, diferentes. Quando se questiona se se pode melhorar um walkman, e desenvolve-se um ipod, ninguém se chateia e está tudo bem. O problema começa a ser grave quando se questiona por exemplo o funcionamento dum regime democrático. E se tenta arranjar também uma alternativa. Os governos, sejam eles democráticos ou mais fechados e restritivos, proibem as drogas estimulantes, mas incentivam o uso de drogas retardantes.
O ano passado comemoram-se os 110 anos da invenção e comercialização livre da heroína. Ou tecnicamente da diamorfina – um opiáceo alcalóide, ou ainda mais tecnicamente de C21H23NO5. Só a própria existência destas fórmulas e destes nomes já comprova o uso de outras drogas por parte dos cientistas.
Heinrich Dreser – um nome a reter, porque também esteve envolvido na sintetização da Aspirina – desenvolveu a nova droga para uso hospitalar como analgésico, anti-tússico e pasme-se como substituto não-aditivo da morfina, e a Bayer – sim, A BAYER dos medicamentos “normais” – registou o nome: heroína. Num mundo que condena drogas é muito estranho que a heroína seja uma marca registada! De 1898 a 1910, a Bayer fez publicidade e vendeu heroína livremente como um medicamento não aditivo. Só quinze anos mais tarde começou a ser proibida… mas a Bayer continuou e continua a ter a marca registada. Isto parece-me uma lógica de junkie, mas tudo bem! Já a metadona, que é basicamente heroína sintetizada de outra forma é permitido o seu fabrico para tratamento da dependência da… heroína. Mais uma vez, lógica de junkie. E para ser totalmente uma lógica de junkie, é ser a Bayer proprietária dos direitos de produção da metadona.
Isto tudo parece apenas ser um problema de produção industrial,  direitos de produção e marcas registadas. Acho difícil imaginar dois “queimados” numa viela a discutirem patentes e coisas do género… mas se calhar até já foi uma realidade, visto que muitos dos originais drogados eram médicos que por acaso – só por acaso – se viciam em morfina e seus derivados…
E nem vale a pena falar que os principais países produtores destas drogas são o Afeganistão, Paquistão, Indonésia ou o Vietname, porque senão o comentário passa da esfera do drogado e da viela escura, para os colarinhos brancos e aos holofotes das relações mais complexas dos países e das suas intervenções militares…
E aqui está o problema principal: quando a Bayer produz metadona, e a comercializa paga impostos. Gera e movimenta capital que pode ser alvo de controlos e impostos por parte dos Estados. E torna-se um negócio tão normal quanto vender frutas, plutónio ou armas. Todas as trocas comerciais em que os Estados não possam intervir, retirando algum dinheiro para si através de taxas e impostos, são consideradas ilegais. A ilegalidade das drogas apenas representa a inoperacionalidade dos Estados em conseguir controlar e aplicar impostos no seu fabrico e comercialização. Apenas isso. No momento em que os Estados possam aplicar impostos nas drogas estas tornam-se legais. Mesmo que os governos pudessem arranjar – e de certeza absoluta que a arranjariam – uma forma de lucrar nestas trocas comerciais, nunca apoiariam o uso de drogas estimulantes, porque já perceberam o efeito secundário mais perigoso: a subversão.
O efeito subversivo das drogas estimulantes: destruir o que está assente, derrubar, confundir, perturbar, desorganizar, perverter, afundar, arruinar, submergir, sofrer, revolucionar. Este é o efeito secundário indesejável por parte dos governos e governantes.
Enquanto uma pessoa individualmente, se droga, se subverte e escreve o “Trainspotting” como o fez Irvine Welsh, não há problema. Quando William S. Burroughs escreve o Naked Lunch, não há problema. Quando toda uma Beat Generation aparece, não há problema. Aliás, acho que existiria um grande problema se se retirasse o álcool à Amália Rodrigues e à Nina Simone. Alguém imaginaria os Rolling Stones sem drogas? Alguém imaginaria gajos tão perfeitamente normais como os Beach Boys se não fossem as drogas? Ou anormalmente geniais como os Led Zeppelin? Ou os Pink Floyd? Se os Incas e os Maias não mastigassem folhas de coca todo o dia, teriámos Machu Pichu e outras obras grandiosas? Claro! Existiriam pirâmides, mas como essas foram feitas à base de chicotadas e escravatura são perfeitamente aceitáveis e “limpas”.
Se se fizesse uma lista com todos os eventos em que estivessem envolvidas drogas, essa lista seria tão grande e complexa quanto é a história da Humanidade. Até porque num espectro mais largo, todos nós somos drogados e dependentes de alguma coisa.
Todos estes fenómenos são compreensíveis.
O que não é de todo compreensível é que um Estado actual proíba o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal do aborto,
qu
e não é mais do que permitir que se retire uma parte viva do interior do corpo, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de fumar tabaco e o uso da nicotina – cobrando impostos!! – que tem um efeito tão dependente quanto qual droga dura, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de beber álcool, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de consumir combustíveis fósseis que transformarão o Planeta em qualquer coisa que as gerações futuras dificilmente viverão nele, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permitir – e garantidamente vai permitir – a livre escolha pessoal de praticar eutanásia, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite todas estas actividades, aplica taxas e impostos sobre a sua produção e comercialização livre, não pode pura e simplesmente proibir o uso de nenhum tipo de drogas. Não tem estatuto moral ou ético. Nem sequer tem uma justificação. Apenas pode subverter os argumentos.
E o Estado tem o exclusivo da subversão. E nunca o perderá. Esta é a única justificação séria e imparcial porque os Estados e governantes não permitem o uso de drogas. As drogas são subversivas. E os Estados também aprendem. Aprenderam que determinadas drogas são estimulantemente subversivas e levam a questões adormecidas que quando são respondidas, geram descontentamentos que podem acabar em greves, motins ou revoluções.
Logicamente, quem governa ou gere pessoas, não quer gerir descontentamento. Quer aceitação e quer “ovelhice”.
Quem gere pessoas, quer uma fila rígida de tímidos, não-questionadores, obedientes e apáticos palermas que sigam as normas e directivas impostas. Quem governa, quer uma máquina que funcione sem falhas, sem sobressaltos, sem sentimentos, sem dúvidas, sem questões, sem emoções. No futuro, naturalmente as drogas irão ser legalizadas, nem que seja porque todos os estudantes de Direito e os futuros políticos as consomem e não quererão perder este bem adquirido.
E os paralelos? Bem, os paralelos são apenas um pormenor interessante. Porque é que todas as ruas das cidades são asfaltadas? Mesmo as ruas só para pedestres?
Simples! As revoluções rurais são facilmente debeladas nem que seja porque ninguém saberá, já que praticamente ninguém vive em ambiente rural. As revoluções e motins nas cidades não são tão facilmente resolvidas. Correcção. Não eram. E não eram porque os amotinados e revoltosos tinham uma arma gratuita: os paralelos que pavimentam as ruas. Os paralelos dos pavimentos eram uma arma gratuita de grande utilidade quando não se tem armas nenhumas. Qualquer miúdo arranca um paralelo na rua e desfaz um carro, uma loja, uma repartição de finanças, qualquer coisa. Na verdade, continuam-se a travar guerras urbanas só arremessando pedras, fazendo frente a exércitos com metralhadoras automáticas, sem que o poderio militar ganhe grande vantagem.
A máquina subversiva do Estado contrapõem esta substituição dos paralelos por asfalto com “segurança rodoviária”. Em 1974 também a redução dos limites de velocidade era por causa da “segurança rodoviária”. Bem subvertido. Que drogas terá o Estado e os seus representantes à sua disposição, para estas subversões tão gostosas?
Já agora, a piada da questão: muitas das drogas apreendidas não são destruídas. São reconvertidas num produto que serve… para asfaltar estradas.
No final e pensando melhor: se as drogas fossem liberalizadas a ordem económica mundial dava um grande trambolhão. Basta imaginar que toda a América do Sul se tornaria numa potência exportadora da noite para o dia. Se calhar é por causa disso que as drogas continuam proibidas. Imagino o que seria ver o Afeganistão como maior exportador mundial de ópio, cheio de alegres talibans na lista da Forbes.

É a ecologia, estúpido!

O título foi roubado da Greenpeace. O resto das considerações são minhas. Mas partilho da mesma perspectiva face à ecologia. Parece que hoje em dia é quase preciso insultar alguém, para a chamar a atenção do eventual colapso ecológico a que assistimos. É que está tão pouco (!) divulgado que parece que não existe. Parece que uma área de gelo do tamanho de Nova Iorque não é preocupante e não terá efeitos devastadores no ambiente global. Parece que tratar – e muito pior que isso, manipular – os animais como se fossem somente comida não é preocupante e não terá efeitos devastadores no delicado equilíbrio ecológico.
Por isso é que me insurjo com a excessiva cobertura mediática da gripe suína, como já tinha acontecido com a das “aves” e afins. Não porque que não mereça cobertura, mas porque não é o ponto mais problemático da actualidade. E está hiper-inflamado. Não sei se a culpa é dos jornalistas e meios de informação, ávidos por encher mais páginas de jornal ou ocupar tempo de antena. Não sei se é culpa da própria sociedade que gosta de uma boa tragédia. Não sei se é aproveitamento económico e pressão dos grupos farmacêuticos para facturar mais umas coroas no mercado bolsista. O que eu sei, é que a cobertura mediática não é igual em situações semelhantes. O que eu sei é que se vê mais dinheiro envolvido na manutenção de uma empresa automóvel do que na manutenção natural. O que eu sei é que fala em urgência e meses quando se trata da economia, mas fala-se em calma e décadas quando se fala da ecologia.
Algo está errado nas prioridades. Mesmo depois de haver uma (finalmente) consciência que algo está a mudar, e ainda por cima, para pior, as prioridades centram-se na recuperação económica.
Eu vejo os governantes super preocupados com a retoma económica, mas e então a retoma ecológica? Se as duas têm impactos positivos no Homem e no Ambiente, não compreendo como apenas uma é tratada e apoiada convenientemente. O que será preciso para que quem tem as rédeas e a responsabilidade da governação, recentrar as suas prioridades neste que é verdadeiramente importante e o mais urgente dos assuntos? Ser envenenado em casa, apenas por comer arroz? Abrir a torneira e não sair água?

Pessoalmente tenho a ideia (espero que errada) que em certa parte, a economia é inimiga da ecologia. A economia diz-me para consumir, a ecologia diz-me para poupar. A economia diz-me para comprar novo, a ecologia diz-me para reaproveitar. No mundo actual, a ecologia é apenas um pretexto económico. Se não gerar capital, não há ecologia. Arrisco-me a aventar que se os governantes não conseguirem entender que existe um tipo de lucro que não é palpável, e que se estas duas políticas não se conseguirem conciliar – o que aparentemente não acontece – teremos em mãos, talvez, o maior e o pior problema de todos os tempos. E não é uma questão de décadas. É já amanhã.

A ecologia não é economicamente sustentável, assim como a economia não é ecologicamente sustentável.

O optimismo e a confiança foram dar outra volta

O clima pessimista e desconfiado em que vivemos é criado diariamente pelos próprios governantes e pelas empresas dominantes. Não quer dizer que estejamos verdadeiramente conscientes disso, mas de alguma forma, a desconfiança reina porque é incutida inadvertidamente. Por exemplo, as empresas contraditórias: a Galp, que vende combustível, pede encarecidamente nos seus anúncios, para não se consumir combustível, convida a partilhar o carro e afins. A EDP, que vende electricidade, pede que se poupe no consumo. Mas depois, estas empresas lucram imenso. Nem imagino o quanto lucrariam se pedissem para consumir. Ainda por cima, lucros a partir de recursos que são do País, e não privados! Claro que estas políticas têm sempre o fundo ecológico. Claro! Agora somos todos verdes e ecológicos. Mas em nenhum posto da Galp que eu visitasse, existe sequer um caixote para reciclagem, por isso eu imagino o resto. Em qualquer grande empresa existe sempre a máquina do café com aqueles copinhos de plástico e um vulgar caixote do lixo ao lado, onde vai tudo para o mesmo saco. Mas isso não importa para nada. Que importa mais umas toneladas de plástico no lixo? “Parece que é isso que vai salvar o mundo”. É o que eu ouço dizer.
E isto estende-se para todo o lado empresarial. Mesmo o mais confiante e distraído fica a pensar o que caraças será o DLH+ para o cérebro que os óleos publicitam? A margarina não prestava para nada, mas agora é boa para barrar no pão? Como é que põe o Ómega 3 que vem do peixe, no leite? Se determinado leite é biológico, então os outros são o quê, sintéticos?  Porque é que os alimentos agora mais parecem medicamentos? Não se sabe. Come-se e cala-se.
Depois, o Estado. Pede aos cidadãos para se manterem em forma, mas depois cobra imposto em maços de tabaco que contêm a indicação “Fumar Mata”. Centenas de pequenas empresas fecham as portas e é a vida económica a funcionar; uma grande empresa ameaça fechar, e o Estado apoia-a financeiramente. Fazem-se constantes apelos “verdes” para deixar o carro em casa e utilizar os transportes públicos, mas depois o Estado paga para que eu destrua o meu carro antigo na compra de um novo. E vai comprar 27.500 carros novos. No Estado, não querem que se cometam actos ilegais, mas depois querem contabilizar os rendimentos ilegais no PIB. O Estado diz não ao proteccionismo, mas depois pede para “comprar o que é nosso”. O Estado desmantela as linhas férreas, mas quer construir um TGV. Não havia dinheiro nenhum, mas agora já há dinheiro para auto-estradas, pontes e aeroportos.
Confuso ou Confiante? Estamos rodeados de confusão e contradição. Como é que esperam que os cidadãos lidem com o desconhecimento e as contradições dos seus governantes? Eu respondo por mim: com desconfiança! É inevitável.

O optimismo e a confiança foram dar uma volta

Volta e meia, lá me vêm com a lenga-lenga do optimismo e da confiança. É os senhores do governo, é os senhores da europa, é os
senhores do BM e FMI. Que não se pode ser pessimista. Que os pessimistas só criticam e não fazem nada. Só percebem de “bota-a-
baixismo”. Pedem-me optimismo? Pedem-me confiança? Mas então acham que eu sou um idiota. Pior, eu acho que estas pessoazinhas meias lunáticas, que estão aos comandos das grandes instituições, vivem numa realidade estranha e alternativa. Porque na “minha realidade”, eu consigo ver a confiança a desvanecer-se dentro do frigorífico. Lá dentro existem coisas que eu nem sequer compreendo. Na segunda prateleira está ketchup que contém estabilizadores, sorbato de potássio e benzoato de sódio. Como?!? Estou a comer, ou a fazer experiências em laboratório? O meu iogurte (além de um pouco de leite) contém E440, E415, E150a e E202 entre outras coisas estranhas. Passei 3 horas a ver o que são aqueles “E’s” todos. E alguns deles são garantia de causarem pessimismo e desconfiança… O que andamos a comer parece saído do Soylent Green. Só espero que continue no campo da ficção, mas como já vi ovos falsificados… eu desconfio sempre. E eu já nem falo na desconfiança perante toda a tecnologia que nos rodeia e que já ultrapassou largamente a nossa percepção comum. Essa parte dava para escrever um livro!
Agora também anda aí a pandemia dos porcos. Perdão. A União Europeia veio pedir que se diga Gripe Nova para não prejudicar os produtores de suínos e os respectivos negócios. Curiosamente, a gripe aparece no México, esse portento mundial de produção de porcos que, por acaso, praticamente anda em guerra com os Estados “Salvadores do Mundo” Unidos por causa do narcotráfico. Se querem construir um muro na fronteira, é porque o problema deve ser grave. Agora, apertam o cerco (ainda mais) na fronteira e ainda por cima o México vê-se na “obrigação” de contrair mais um empréstimo ao FMI, por causa da desvalorização do peso. Há mesmo Gripe Nova, ou é só uma manobra para conter um problema que a América não consegue resolver? E porque é que estas pandemias acontecem sempre em animais de quinta e não em cães e gatos? Será porque seria demasiado alarmante? Nós ainda vamos é ficar totalmente paranóicos sem saber em quem ou no que confiar! E ainda me vêm falar em optimismo? E em confiança? O optimismo e a confiança foram dar uma volta… e enquanto isso nós ficamos à espera que voltem. O problema é que nessa espera fartámos de questionar e questionar e questionar… e aparece o verdadeiro problema do pessimismo, ou, politicamente correcto, da falta de optimismo: perguntas. Questões. Dúvidas. Que levam à desconfiança. Quem lucra com esta atitude questionante? Não é o homem capitalista, de certeza!

A verdade é a coisa mais valiosa que possuímos. Por isso vamos tratar de economizá-la. – Mark Twain

Como baixar o desemprego sem querer

A ministra da educação e o primeiro ministro arranjaram uma forma espectacular de baixar o número de desempregados no país. Vão estender o ensino obrigatório até ao 12.º ano. Acho bem. Eu sempre adorei a escola. Eu e todos os meus amigos. Mas era a parte do recreio, onde se aprende bastante e as casas de jogos e bilhar que fervilham sempre em volta das escolas. Mas este facto deve ser coincidência. Ou seja, este novo pessoal que anda a passear os piercings no umbigo e o novo i-phone nas escolas, vai passear mais tempo até ao 12.º ano. E os que vierem a seguir, é que vão ficar com uma cabeça ainda maior, porque esses vão ter ensino obrigatório até pelos menos ao bacharelato. Com sorte, daqui a uns anos, vai ser obrigatório permanecer na escola até à apresentação final da tese de doutoramento. Assim, eleva-se o nível académico dos portugueses (parece que é difícil reprovar hoje em dia, não é?) e só começa a haver desempregados a partir, para aí dos 35/40 anos. Resolvem-se dois problemas de uma vez só. E ainda há quem critique as políticas do governo.
Se calhar sou eu que vejo mal as coisas. É que eu sou um dos pessimistas, e sou um alvo a abater pelos optimistas de Estado. Vejo sempre, mas sempre, o lado negativo das questões. Mas se calhar foi a presença, na conferência, do ministro do Trabalho, que me fez pensar que isto era uma manobra disfarçada de controlar os futuros números altos do desemprego. Mas se calhar foi só coincidência.

O castigo dos porcos

Agora é que é. Parece que é agora que vamos morrer todos. Ou quase.
Há uns dois anos atrás, era a gripe das aves, agora é a vez dos porcos.
É impressão minha ou agora passou a moda termos uma pandemia de tempo a tempos? E ninguém questiona o porquê destas situações?
Nós, os humanos, culpados? Não! Isto não tem nada que ver com a contaminação dos solos com poluentes e pesticidas. Não, isto não tem nada a ver com as condições industrializadas e diabólicas em que “produzimos” animais para o matadouro. Não, isto não tem nada a ver com os transgénicos e restantes trapalhadas das empresas de adubos. Não, isto não tem nada a ver com a poluição toda dos cursos de água. Não, isto não tem nada a ver com o “nosso modo de vida”.
Isto tem a ver com os porcos! E a culpa é toda deles. Castiguemos os porcos. É matar os porcos todos e fazer uns novos resistentes a estes vírus que aparecem miraculosamente na natureza. De certeza que um cientista qualquer consegue provar que isto “é natural”.

Vinte e Cinco de Abril

Estava eu a insultar-me em surdina porque não ligo nada à História do meu País. Pois não. Não foi intencional. Foi uma questão aleatória e uma questão de marketing de outros assuntos. Peço desculpa à História Portuguesa e prometo ser breve em querer saber mais sobre este País.
Mas para conhecer um pouco mais a História, nada como fazer um desvio aos registos escritos, e ir às “outras” fontes, as pessoas. Perguntar-lhes coisas. Nos livros vem a História, mas as emoções ficam nas pessoas. Saber o que sentiram. Saber como se sentiam. Saber como se sentem agora.
Toda a gente a quem perguntei sobre o 25 de Abril considera que estamos melhor. Não muito melhor, mas melhor. O que já é bom. O contributo passado das pessoas envolvidas deveria ser uma inspiração para as pessoas do futuro. Mas as pessoas que sentiram na pele o que é a falta de liberdade começam a desaparecer. As figuras históricas começam também a nos abandonar. Quanto mais tempo for passando, quer queiramos quer não, o 25 de Abril passará a ser um capítulo de um livro de História. Como a implantação da República. Como o Condado Portucalense. Como Viriato. Como todas as grandes figuras.
No entanto, estas pessoas de grande coragem garantiram um lugar na História. Isso é inegavelmente a prova de participação num evento da maior importância. Quantos de nós queremos figurar também nos livros? Quem tem coragem e força para figurar na História?
À distância de 35 anos, eu apenas posso sentir muito ao de leve, a onda de choque da acção revolucionária. Mesmo a esta curta distância, já se começa a perder informação. O que era completamente proibitivo, começa a ser nome de praça. Fulano que era bom, já começa a parecer dos maus. Afinal parece que foi tudo combinado antes, para não haver um banho de sangue. Afinal parece que foi uma reivindicação não satisfeita, que fez elevar capitães e soldados rasos. Não sei. As figuras já começam a ficar desvanecidas, os cenários e a informação seguem o mesmo caminho. Não falo por mim, mas falo pelo que me rodeia. Falo pelas opiniões de quem por lá passou.
Eu, particularmente, considero o 25 de Abril uma elevação de pequenos contra grandes. Uma elevação dos oprimidos contra os seus opressores. O sinal de que é possível derrubar o opressor, independentemente do seu tamanho ou raio de acção.
Convém relembrar o factor mais importante da Revolução. Pelo menos para mim. Obviamente como em todos os “regimes”, o poder não reside na cabeça, como é costume ouvir-se dizer. O poder de um regime reside no número e na força dos seus apoiantes. O problema não é Salazar. Estou farto de ouvir falar em Salazar. Salazar, esse sujeito rude e implacável, que caiu de velho e morreu rodeado de uma orda de apoiantes cegos, que lhe fizeram crer que ainda era o Presidente do Conselho? Salazar não é o diabo. O “diabo” é aquela massa de gente idiota que vai sem pensar nem questionar, para onde lhe apontam o dedo. Esse é o verdadeiro problema.
O problema está no “PIDE”, um cidadão que espanca ou tortura outro cidadão. O problema está no funcionário sem escrúpulos que usa da ameaça de cadeia para roubar mais umas coroas ao seu co-cidadão. O problema está na mente distorcida e paranóica do “bufo”.
O Povo unido jamais será vencido. Vencido por quem? Por Salazar? Ou pela corja do Regime? O Povo é quem mais ordena. Se agora parece que o Povo nada ordena, então algo está muito errado.
O 25 de Abril é uma ideia de Liberdade. Liberdade? Que tipo de liberdade? Cresci a ouvir que o fascismo retira a liberdade. Visto pelos livros, o fascismo e os outros sistemas políticos que por cá passaram, apenas conseguiram fazer sempre a mesma coisa: tirar a muitos para dar a poucos.
A minha geração convenceu-se que a democracia é a solução. Agora, começa a perceber que o que aconteceu é que apanhamos a fase boa de transição. Já deu para perceber que seja qual for o “-ismo” ou “-cia”, tudo descamba sempre para o mesmo lado: para o lado do mais rico e poderoso. Portanto, pensando bem, estaremos de facto livres, ou apenas menos presos?
O 25 de Abril entra na crise dos 40 aos 35. O País começa a perder força, porque a Revolução começa a perder força. Preocupante, já que muita gente anónima começa a pedir uma nova ditadura e um novo ditador. Se calhar por isso, muita gente anónima começa também a pedir uma nova revolução, um “novo 25 de Abril”. Se calhar porque, há 35 anos, não foi o povo português que quebrou. Quem quebrou foram os militares. O Povo descontente continuou a aguentar. No entanto, percebo que, mais cedo ou mais tarde, o Povo quebraria. O militares têm sempre a vantagem de serem organizados e armados, contrariamente ao Povo que tem mais músculo, mas menos discernimento. Desta forma, é de extrema importância que o Povo tenha sempre os Militares do seu lado, assim como as Forças de Autoridade e a Justiça.
Talvez o factor mais marcante do 25 de Abril é ser o ponto de ruptura do povo português. É aquele ponto, aquele dia, em que as pessoas anónimas, sem poderes, juntas, dizem: Basta! Chega! Não suportamos mais! Qual é o nosso ponto de ruptura? Quanto mais teremos nós ainda de suportar?