O tamanho conta

Muitos têm advogado que o Estado deve ser reduzido. Então e o resto? Os problemas económicos e sociais resultantes para todas as pessoas não se resumem ao facto de existirem aglomerados, associações ou empresas totalmente psicóticas apenas motivadas pelo lucro cego. O problema é o seu tamanho. Mais particularmente é serem demasiado grandes. Gigantes. Na minha humilde opinião, seja que entidade for, deveria ser limitada em tamanho. E isso seria muito fácil de controlar, se se quisesse. Através do número de empregados. Perder-se-iam empregos? Não faço a mínima ideia. Eu consigo conceber 10 empresas de 10.000 empregados, assim como consigo conceber 1 empresa de 100.000 empregados. Aparentemente, e com as empresas gigantes presentes, o desemprego é uma realidade. Portanto, seja como for, não limitando o tamanho das empresas, aparentemente também não ajuda em nada. Fica na mesma a sugestão.
Basta consultar o número de empregados de algumas empresas. É monstruoso. É óbvio que estas entidades têm um imenso poder de influência. Podem influenciar-nos com marketing e publicidade. Podem até influenciar governos. Podem influenciar o que bem quiserem. Se eu for dono de um restaurante com 15 empregados, continuo a minha vidinha económica e tenho poder de influência sobre (com sorte) as mulheres da limpeza. Por outro lado, se eu for dono de uma rede de restaurantes com 15.000 empregados, o meu grau de influência aumenta proporcionalmente. Por uma questão lógica, deveriam ser limitadas por lei, e assim limitar e/ou retirar poder de influência (e poder corruptivo) aos seus donos. Afinal, em que é que o tamanho gigante destas entidades beneficia os consumidores finais? Quem lucra mais com isto, os consumidores finais, os empregados, ou os donos das acções? E a influência não é uma forma de corrupção? Não é a corrupção o alvo a abater?
Por exemplo, a Coca-Cola. Não tenho nada contra a Coca-Cola. É meramente um exemplo e é óptimo para tirar a ferrugem. Mas já agora: a fórmula secreta. (É que eu detesto estas empresas que apregoam fórmulas secretas para produtos que vendem. Não é um contra-censo absurdo, vender uma coisa, e não dizer de que é feita!? E detesto ainda mais anúncios com bebés e velhinhos felizes) Voltando ao tamanho. 32 biliões de dólares em receitas? 100.000 empregados, não contando obviamente com todos os empregados noutras empresas que trabalham com “Coca-cola”, que facilmente triplicará este número?
Na Coca-Cola têm tantos problemas com “mitos urbanos”, reclamações e afins que até têm um site próprio para desmascarar e negar este tipo de situações. Contra “factos” não há argumentos. Principalmente factos, no valor de 32 biliões de dólares.
E não é só o cidadão comum que tem dúvidas ou reclamações perante estes gigantes. Até presidentes de países se “metem ao barulho”. Mas parece que só levam porrada.
Não são só assuntos menores de coisas estranhas que aparecem miraculosamente em latas. São questões sociais graves. Se são questões verdadeiras ou apenas, como se costuma dizer, “dor de cotovelo” e aproveitamento, não faço a mínima ideia. E eu até tenho uma boa imagem da Coca-Cola. Tenho ideia de ser uma “empresa pacífica”. E lá bebo uma Coca-Cola de vez em quando. Aparentemente, parece-me que não o é para muita gente.
Não quer isto dizer que todas as empresas cresçam para um nível paranóico de descontrolo em busca de capital. Mas a realidade mostra, que quanto maior é uma empresa ou entidade, maior é o número de reclamações, problemas e estranhezas em que estão envolvidos. Será coincidência?
Por outro lado, não me lembro sequer de ouvir falar em problemas com a Pasta Couto, por exemplo. Por outro lado, lembro-me de situações desagradáveis envolvendo a EDP. Por outro lado também não me lembro de problemas com o Atum Ramirez. Por outro lado, a Galp tem um rol de problemas e reclamações associado que precisava de um site próprio para isso. A lista é interminável.
O problema é o tamanho! Estas empresas, estas “pessoas colectivas”, são gigantes no meio de nós. Não me lembro na História (Literária, pelo menos), de existirem gigantes ágeis e belos e bondosos. Os gigantes são quase sempre representações de seres enormes, disformes, rudes, brutos, autoritários, solitários, desajeitados, pouco inteligentes, e mesmo os poucos gigantes bons, causam danos involuntariamente. Os gigantes são aqueles que aparecem para destruir tudo e dar cabo da vida a toda a gente. O gigantismo humano é uma doença, é uma disfunção hormonal grave. Porque haveria de ser diferente numa empresa, numa “pessoa colectiva”? Mesmo o bom gigante acaba sempre por ser meio “lerdo”. Mesmo o bom gigante acaba por “esmagar” alguém sem querer. Estas empresas gigantes são elefantes a assistirem a um circo de pulgas. Eu sinto-me uma pulga perto destes gigantes. E eu (ainda) nem tenho nenhum problemas com eles.
Para terminar uma declaração do senhor dono da Coca-Cola para continuarem a acreditar nos bons resultados e que novos (bons) tempos virão. Pode ser que alguns governantes comecem a copiar o discurso. Brindemos a isso com Coca-Cola. E, já agora, um Happy Meal, por favor!

“Letter from Our President and Chief Executive Officer
Dear Fellow Shareowner:
In a year in which the world confronted extraordinary economic challenges, The Coca-Cola Company performed with great resolve, supported by proven strategies and strong execution across our business. The true power and resilience of our business was reflected in our ability to meet or exceed our long-term growth targets for the third year in a row and add a billion incremental unit cases in volume—the equivalent to adding a market the size of Japan.
While no one can truly predict how long this financial upheaval will last, we believe that our business will continue to thrive for two reasons:
– First, we are confident that we are confronting the challenges of our current reality head-on, with strategies born of experience in similarly trying times and facilitated by an ability to adapt and adjust in a focused and nimble fashion.
– Second, we know that our fundamental financial and operational model, and the wider nonalcoholic ready-to-drink beverage industry, are largely resilient to times of great stress. Furthermore, we have a long history of emerging from economic downturns as a stronger Company.”

Comments

  1. rosarinho says:

    A CORRUPÇÃO anda de braço dado com a GANÂNCIA que por sua vez anda de braço dado com a FALTA de HUMANIDADE e TERRÍVEL CRUELDADE…Do lado de cá uma IMENSA DOR… banha um IMENSO MAR DE GENTE…

  2. Luis Moreira says:

    No meu poste “Small is beautiful” abordo este problema. A dimensão gigantesca destas empresas têm ,de tal forma, efeitos sistémicos a nível global que, ou se impede a sua dimensão ou se regula a nível global, isto é mundial.O Greenspan já veio dizer que há empresas que se tornaram enormes exactamente para poderem dar as cartas e estabelecer as regras.São ingovernáveis!


  3. Com excepção de um ou outro anúncio, pelo menos a CC faz boa publicidade.

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