Portugal Nuclear?

Como raios hei-de eu saber? Sou físico nuclear? Percebo alguma coisa disto? Isótopos? Fissão ou fusão? Reações nucleares? Urânio? Deutério? Que car*!”$ é o deutério?
Correm por aí uns zum-zuns acerca do nuclear. Muito se fala em nuclear hoje em dia. Sim ou não? Não sei. Estou apenas preocupado. Eu procuro nuclear no google e obtenho 105.000.000 de resultados. Metade diz que sim, metade diz que não, metade diz que não sabe. Em que é que ficamos? Eu espero que não estejamos a brincar aos negócios e aos dinheiros com o que algumas pessoas acham tratar-se de “lunático“. É que eu sou só um cidadão vulgar. Mas acho que tenho o direito de receber informação “correcta” e o mais “verdadeira” possível para eu poder decidir. Acho também que tenho o dever de me informar, mas a grande questão é como! Vou abdicar da minha vida durante 20 anos para tirar um curso de física nuclear e averiguar se de facto é assim ou assado? Os impostos dos cidadãos não deveriam chegar, para pelo menos “comprar” uma informação científica livre de “liberdade de mercado”, lucros e outras tretas patéticas? Já nem a ciência é uma ciência exacta? Ninguém se entende, e face às constantes contradições, aparentemente alguém está a mentir nesta questão, e eu – e acho que também ninguém – consegue formular uma opinião “livre” sobre esta questão.
Esta não pode ser uma questão do “vou ganhar ali umas massas e depois vê-se”. Esta é uma questão humana e acima de tudo global. Não tem nada a ver com países, empresas e “projectos” . Não tem nada a ver com “atrair” empresas para vendar mais umas estúpidas acções. Não tem nada a ver com o “eu acho que não, mas se tiver ser…“. Não tem nada a ver com “eu acho que sim, tu achas que não”. Não tem nada a ver com “Não, porque não está ainda na agenda“. Isto é uma questão de “estamos a ficar mesmo à rasca!“. A questão da sustentabilidade ecológica já não é uma discussão. É uma realidade e uma prioridade. Vamos precisar de levar com um tornado nas trombas para perceber? Vamos ter de chegar ao ponto de abrir a torneira em casa e não sair água?
Cientificamente, ninguém consegue chegar a uma conclusão, se os benefícios ultrapassam os prejuízos, ou não? Que desinformação é esta, que não permite que um cidadão tenha sequer ter uma opinião formada sobre um assunto tão grave, como o que é o que parece? É que se de facto estão envolvidos prejuízos que podem ser graves para o Planeta, por mim esqueçam. Daqui a uns tempos, quando “estiver em agenda”, alguém decide que temos mesmo que ter energia nuclear em Portugal e eu vou continuar na mesma situação. Daqui a uns tempos, alguém diz: “olha, e vai ser mesmo ao teu lado que a central nuclear vai ser construída”. …e eu vou continuar na mesma situação. Daqui a uns tempos alguém diz: “o que é que tu achas?“. Se eu não tenho o direito de ser bem informado, “sem tangas” nem palavreado fino, para poder decidir, então também não tenho o direito de decidir. E não decidindo, será o que alguém decidir por mim. E eu vou continuar na mesma situação.
Só que nessa altura vou ter de dizer, não! Não quero nuclear. Não quero saber de exigências energéticas. Não quero saber dos “actuais modos de vida”. Não! Mesmo que eu fique sem luz, sem internet, sem tv, sem comunicações ou outras regalias e mordomias modernas eu vou ter de dizer não! Apenas e só porque não tenho argumentos para decidir. Nem para bem, nem para mal.
Eu, sinceramente, acho que o nuclear não é solução. E por uma razão. Quando começo a ouvir falar em empresas, lobbys e termos científicos, temo sempre o pior. Lembro-me sempre da Dupont com o Teflon. Compreendo que “não foi de propósito”, que “parece que ainda não foi provado que é prejudicial”, que “esperamos por uma decisão de um tribunal”, que “assim que for decido, vê-se”. Pois. Eu compreendo.
“Olha, desculpa lá, lembras-te daquilo do nuclear? Pois, afinal não nos lembramos da reacção a longo prazo do deutério com o bório… e então agora ainda estamos piores do que estávamos.” Pois. Eu compreendo.
Em também compreendo que mais cedo ou mais tarde, este país vai ter de assumir o seu papel de país terceiro-mundista e juntamente com um daqueles países africanos ou asiáticos, que ninguém sabe apontar no mapa, se torne mais um depósito para detritos (nucleares ou não) e uma fonte de energia (nuclear ou não) para países mais desenvolvidos. Questões de tamanho e preponderância internacional. Eu quase que compreendo que todas estas obras espectaculares como os TGVs, Aeroportos e afins, nem sequer nos custem dinheiro. É o que os governantes dizem. Todo o dinheiro vem do estrangeiro, e “é tudo à borla”. Só não consigo compreender porque são tão nossos amigos. Espero que não tenha nada a ver com nada, e seja só paranóia e desinformação da minha parte. Provavelmente é só isso, e não tem nada a ver com estas recentes incursões opinativas na questão nuclear.
Mas, o que eu acho, tem pouca ou nenhuma importância no contexto actual. Eu tenho apenas de esperar que os governantes deste país e os seus compinchas das empresas, tenham a amabilidade de, por uma vez que seja, serem sérios e honestos, e decidam em consciência, numa questão tão técnica que não está sequer ao alcance dos cidadãos. Eu tenho apenas de esperar que decidam numa perspectiva essencialmente ecológica, e não económica e de mercado, pelo menos neste aspecto tão fulcral, que não afecta classes sociais, opiniões, ricos ou pobres, altos ou baixos, mas sim todos sem excepção.

A questão não é como arranjar mais energia. A questão é como não gastar tanta energia.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Exactamente, que se poupe na energia antes de tudo.Parece que se perde 60% da energia produzida na distribuição. Mas como o preço da energia é o que os senhores querem que seja, não há interesse nenhum em investir no melhoramento da rede.E então basta empurrar o problema com a barriga para a frente.Parece tambem que há uma segunda geração de reactores que é preciso vender.Parece, que nestas coisas como diz o Isac ,cá a gente só tem que pagar, não tem direito a uma informação científica.


  2. A verdade é que em energia, e em muitas outras coisas, consumimos muito mais que aquilo que o planeta consegue regenerar. Consumimos demasiado e sem grandes cautelas com o futuro. Esse, logo se vê. Não há campanha de sensibilização que resulte. Quer dizer, as pessoas até podem ficar sensibilizadas mas depois esquecem-se e vão às compras num qualquer shopping, para quebrar a depressão.

  3. António Martinho says:

    Não interessa o que o Isac ou o vulgar cidadão querem. Mais cedo ou mais tarde, vamos ter nuclear em Portugal – os interesses económicos são sempre mais fortes.

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