Um Imposto para a Saúde ou para a Doença?

Ana Jorge é pediatra. Substituiu Correia de Campos. Uma espécie de metamorfose para adoçar a comunicação de medidas injustas no sector da ‘Saúde’. No lugar do presumido e inconveniente Campos,  Ana Jorge, de voz e sorriso maviosos, é a interprete ideal para comunicar o nefasto.

A despeito da mudança, o cerne da política de saúde do governo continua determinado e inflexível: eliminar direitos, restringir serviços e cobrar mais aos doentes. Tudo indica, novas medidas anti-sociais estão a fermentar. Agora foi a vez de Ana Jorge  divulgar a possibilidade de criar um imposto para a Saúde, no programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença.

À parte de naturais dúvidas sobre a constitucionalidade e de outros aspectos de índole política contraditórias de um governo dito socialista, pergunto: a ser criado, deve designar-se Imposto para a Saúde ou para a Doença? A segunda hipótese é a mais rigorosa, uma vez que competirá, sobretudo, à população envelhecida e aos inúmeros doentes crónicos que a integram suportar grande fatia do imposto anunciado. Castigados por baixos rendimentos, excluídos de seguros de saúde por insuficiência de meios ou limites de idade, constituem, de facto, o segmento populacional mais exposto aos efeitos da penalização fiscal – aplicável predominantemente a doentes, sublinhe-se.

Parece oportuno lembrar à Dra. Ana Jorge e ao governo de que faz parte o ‘princípio redistributivo e universal’ da política social, outrora emblemática dos socialistas. Talvez fosse útil a ministra fazer uma leitura do relatório do liberal democrata, Sir William Beveridge, de 1942. É sempre tempo de aprender. E hoje é o tempo de  exigir ao Primeiro-Ministro e ao Ministro das Finanças que tributem, na conta devida, bancos e operações financeiras, em nome da ética e da moral públicas. Que evitem a absurda competição com Pedro Passos Coelho pela execução de políticas neoliberais!

Comments


  1. Eu vi logo que a culpa era do Passos Coelho e das politicas neo-liberais, hahahahah
    A culpa nunca é do socialismo mesmo que sejam os socialistas mais à esquerda do PS que tomem essas medidas por causa do desgoverno de um governo também socialista a culpa é sempre do neo-liberalismo e do Passos Coelho… e porque não do Salazar ou do D. Afonso Henriques ou até do buraco na camada do ozono?

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.