Quando António Costa não distingue velocidade de toucinho

[Santana Castilho*]

O 25 de Abril está a ficar como o Natal: celebra-se uma vez por ano, com doces afectos, e esquece-se todos os dias, com amargas realidades. Em matéria de Educação, a história dos 44 anos que passaram é a história de alterações sucessivas, num faz, desfaz, ditado por caprichos partidários de reduzida dimensão política e menor conhecimento técnico. Como observador atento e persistente do fenómeno, atribuo a António Costa e aos incompetentes a quem confiou a Educação a maior pobreza de ideias e políticas de sempre. Quando julgava que já não era possível ver pior, acabo ainda surpreendido.

 

  1. Alexandra Leitão conseguiu trazer António Costa para a cruzada da soberba. Após perder no Parlamento, soltou o ódio de que vive o seu sectarismo e veio acusar de não serem Centeno os que se lhe opõem. Por conhecer os factos em pormenor, custa-me não lhe responder como merecia. Mas depois de escrever sem o controlo do meu superego, apaguei, contei até dez e ficou isto, o mínimo que se pode dizer de quem não tem escrúpulos para manipular a opinião pública.

É deprimente a actual trapalhada dos concursos. O Governo começou por publicar no Diário da República um aviso de abertura de concurso extraordinário externo, que permitia que a ele concorressem professores do privado que nunca tivessem leccionado em escolas públicas. Fê-lo em flagrante incumprimento da Lei nº 35/2014 (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas), que o obrigava a negociar com os sindicatos, e da Lei nº 114/2017 (Orçamento do Estado para 2018), que dispõe ser o concurso em análise exclusivamente para docentes “dos estabelecimentos públicos”. Para corrigir este erro grosseiro, o Governo alterou as regras, já com o concurso a correr, sem anular o aviso de abertura, e deu instruções particulares para proceder ao arrepio do que ele diz.

Mas esta enormidade afigurou-se coisa de somenos ao primeiro-ministro António Costa, que resolveu ampliá-la pedindo ao Tribunal Constitucional que trave o concurso interno para os professores do quadro, nos moldes decididos pelo Parlamento. Recordemos a génese do problema: no ano transacto, mudando arbitrariamente e em segredo procedimentos de uma década, Alexandra Leitão enganou e prejudicou centenas de professores (estão pendentes 799 recursos hierárquicos e duas centenas de acções em tribunal) que concorreram de boa-fé; depois de um ano de meritória luta, o parlamento substituiu a razão da força totalitária da secretária de Estado pela força da razão democrática dos professores. [Read more…]

Educação? Perguntem à M80!

m80As escolas – e, portanto, todos aqueles que aí trabalham – são rochedos que vão resistindo como podem às muitas intempéries a que estão sujeitos. Políticos, professores universitários de muitas áreas, empresários, teóricos, cronistas, jornalistas, analistas, todos pensam saber mais sobre Educação do que aqueles que trabalham nas escolas. O costume: num convívio de dez pessoas em que uma seja professor, os outros nove têm sempre explicações a dar e medidas infalíveis para propor, ficando o professor desvalorizado por ser parte interessada. Até Cavaco, com o génio que se lhe reconhece, resolveu, há poucos anos, os problemas nos concursos de professores. [Read more…]

Mais um logro curricular laranja

BMacaes

Na sua conta no Twitter, o ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus Bruno Maçães apresenta-se como “Former Europe Minister in Portugal“, cargo que não existiu durante a vigência dos XIX e XX governos constituicionais, sendo a secretaria de Estado tutelada por Maçães uma dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Não surpreende esta adulteração do jovem ex-ministro ex-secretário de Estado, mas a verdade é que estamos perante um logro, na senda de outros logros curriculares com a chancela do PSD como o de Miguel Relvas, Rui Machete (o ex-ministro “patrão” de Bruno Maçães) e Franquelim Alves, tendo no caso dos dois últimos sido omitida a passagem pela SLN, dona da famosa mega-fraude BPN. Mas fica sempre muito bem na fotografia. Pena não ser verdade.

Captura de ecrã via Os truques da imprensa portuguesa

Os professores explicados aos não professores

Ser Professor é um problema, principalmente, quando queremos explicar o que se passa com os professores aos que não são professores.

Prometo que não vou contribuir para a retórica da classe de que se trabalha muito, de que se leva trabalho para casa, que…  Vamos esquecer isso tudo e olhar para o momento com um outro olhar – o olhar de pai.

Vejamos:

– de acordo com o Sr. Ministro Nuno Crato teremos em Portugal cerca de 105 mil docentes nos quadros e, um pouco mais de 10 mil contratados. Ou seja, em menos de 600 mil funcionários públicos, temos cerca de 115 mil professores. Logo, quando o Governo tem como prioridade despedir pessoas (há quem lhe chame poupança) diria que, 1 em cada 6 terá que ser professor.

– nos dois últimos anos o MEC recorreu a duas armas: despediu docentes a contrato e empurrou mais uns milhares (20 mil) para a aposentação.

Aparentemente, nas Escolas, do ponto de vista dos pais, continua tudo a correr com relativa normalidade. Mas, então, isso significa que Nuno Crato tinha (tem!) razão quando dispensou tantos Professores? [Read more…]

A sustentada procura do poder

Como superar o problema (stress entre classe docente?)

Reduzindo as turmas para um limite de 20 alunos; dando espaço e tempo para os docentes prepararem aulas na escola; dotando as escolas com psicólogos; dando estabilidade aos docentes, pois muitos não sabem se terão emprego no ano seguinte. Os docentes precisam de sentir confiança de quem governa e da sociedade.

Entrevista a João Grancho, então presidente da Associação Nacional de Professores, Correio da Manhã, 22 Abril 2011

Uma citação entre tantas outras possíveis. João Grancho acaba de ser nomeado Secretário de Estado do  Ensino Básico e Secundário. O seu curriculo omite quantos anos esteve destacado na Associação Nacional de Professores, uma micro-organização para-sindical criada, como muitas outras, precisamente para livrar os seus dirigentes do suplício de terem alunos.

Nova organização curricular do ensino básico e do ensino secundário está publicada

O que ninguém queria aconteceu! Está publicado em Diário da República o diploma que vai levar milhares de docentes para o desemprego e que vai tornar mais pobre a Escola Pública.

O Decreto-Lei 139/2012, de 5 de julho é um momento mau da História da Educação. Haverá um antes e um depois do 139.

Mas será tarde.

Mudam disciplinas, acaba o Estudo Acompanhado e a Formação Cívica, reduz-se o tempo de trabalho com os alunos, muda-se para poupar dinheiro, não me muda para melhorar a aprendizagem dos alunos.

R.I.P Escola Pública

Concursos de Professores – alguém sabe as datas?

Depois da dúvida sobre a propriedade do Porsche, esta é a dúvida mais importante do momento.
O mês em que tudo se decide numa escola começou e do MEC, nada! Zero!
As direções não sabem quantas horas terão que atribuir a cada professor – os professores não sabem se vão ou não continuar na escola.
Do calendário escolar “ouviu-se falar” num projeto de despacho.
Mas, quanto ao resto, nada. Que disciplinas? Quantas horas? Que concursos? Quando?
Apetece perguntar, quantos colégios privados estão com esta dificuldade?
Quantos, num mês crucial para a preparação do ano letivo, estão nesta situação?
É cada vez mais evidente a matriz privatizadora deste governo. Mas, no caso da Educação usam uma estratégia assustadora – matam o serviço público de educação para “forçar” a mudança para o sistema privado.
Também foi assim na Argentina, até os argentinos terem corrido com o Banco Mundial e o FMI.

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Carta aberta ao ministro Nuno Crato

 Santana Castilho*

Senhor ministro:

Como sabe, uma carta aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez, saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na cara, o que a verdade reclama.

Comecemos pelo programa de Governo a que pertence. Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, garantia-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e asseverava, logo de seguida, que desenvolveria connosco uma “relação adulta” (página 3). E que outra relação, senão adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. O homem que havia interrogado o país sobre a continuidade de um primeiro-ministro que mentia, referindo-se a Sócrates, rápido se revelou mais mentiroso que o antecessor. E o senhor foi igualmente célere em esquecer tudo o que tinha afirmado enquanto crítico do sistema. Não me refiro ao que escreveu e disse quando era membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP. Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro. Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros. [Read more…]

Dividir para… diminuir

Brilhante! A sério. O Nuno Crato tem que ser um tipo esperto. Meia dúzia de páginas e pânico está instalado. Meio minuto para ti, cinco para mim que sou mais importante que tu.

Só uma coisinha a título de ponto de ordem à mesa:

– por mais contas que se façam, no final haverá mais professores despedidos!

Reorganização Curricular para Totós II

A 26 de março escrevi que o MEC tinha voltado ao ataque com uma proposta de organização curricular diferente das anteriores e que se tornou mediática pelo fim do par pedagógico na disciplina de EVT, que aliás, se divide em duas novas disciplinas.

Dois meses depois o mesmo ministério aparece com uma proposta diferente – tal como o Paulo, também penso que a proposta mais recente não é igual à de março.

Vejamos o caso do 2ºciclo. Nuno Crato vinha com a teoria da “aposta” na matemática e na língua portuguesa – “agora até têm mais tempo para trabalhar”, algo que continuava na proposta de março. E esta análise surge apenas como exemplar da diferença entre uma proposta e outra, porque a reflexão deverá ser mais abrangente e não tão focalizada.

Pois bem, na proposta de maio, para Língua Portuguesa, História e Inglês há menos  40 minutos do que em março, tal como na área das ciências e da matemática, onde a redução é de 45 minutos.

No entanto, a nova proposta do MEC tem uma variável que pode tornar este cenário menos dramático. Vejamos. [Read more…]

Reorganização curricular para totós

O MEC apresentou, ainda no ano passado, uma proposta de revisão da estrutura curricular – seguiu-se um período de consulta pública e em março de 2012, foram anunciadas as principais linhas condutoras do currículo. No fundo trata-se de saber que disciplinas vão os alunos ter em cada um dos anos e qual é a carga horária de cada uma delas.

O tempo foi correndo e começaram a surgir todo o tipo de especulações sobre a demora do MEC em publicar a versão final. No fim da semana passada (25 de maio) foi finalmente divulgada uma obra de arteumas páginas soltas com uns quadros que indicam como vai ser, então, a organização do currículo.

Como alguém aqui da casa escrevia, os Professores falam TANTO… E não se percebe nada.

São várias as explicações possíveis – o emissor emite mal. O receptor recebe mal ou é mesmo um problema de conteúdo, já que o canal, o AVENTAR é pouco mais que perfeito! (este parágrafo é dedicado ao Mário!)

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Análise de reorganização curricular ou… (III)

Depois de ter realizado uma breve reflexão sobre o que foi proposto pelo MEC para os e 2º ciclos do ensino básico, vamos agora fazer uma primeira leitura da proposta para o terceiro ciclo.

Este é o ciclo onde a pulverização disciplinar mais se faz sentir, com várias disciplinas a terem apenas uma aula por semana. A proposta do MEC não vem resolver essa questão:

– esclarece a questão do Inglês como língua estrangeira; não altera a carga curricular nas línguas, a matemática e a ed. física;

– nas ciências Humanas e Sociais (História e Geografia) a proposta acrescenta um tempo no 7º ano e um outro no 9º. Faz sentido este aumento na medida em que estas eram duas das áreas com dificuldade em fazer um trabalho sério.

– nas ciências Físicas e Naturais, surgem mais dois tempos no 7º e no 8º e um no 9º. Do que se vai sabendo das reuniões em que tem estado, é intenção do Ministério acabar com o desdobramento. Pode ler-se na proposta:

“alterar o modelo de desdobramento de aulas nas ciências experimentais, através de uma alternância entre as disciplinas de Ciências Naturais e de Físico-Química;”

. Espera-se que cada turma tenha 3 tempos de cada uma das disciplinas, ficando por esclarecer como será feita a distribuição no 9º ano. Do ponto de vista dos professores, a carga horária não sai deficitária, mas em relação aos alunos haverá menos oportunidades para experimentação, na medida em que a turma estará sempre junta; Se a prática for de alternância, então estaremos na presença de uma proposta sem sentido.

– a disciplina de TIC passa do 9º para o 7º ano e para o 8º, sendo que surge associada a uma oferta de escola que está por esclarecer. Esta dimensão de autonomia da escola merece ser valorizada e deve ser aplaudida. Como medida transitória TIC continua, em 2012/2013 no 9º ano.

Para mais tarde uma análise do secundário e mais global.

Análise de reorganização curricular ou… (II)

Do maior despedimento alguma vez feito em Portugal!

Depois da análise ao 1ºciclo, vamos agora olhar para o segundo ciclo (5º e 6º): a proposta do MEC é tudo o que se esperava: péssima.

– Na área das Línguas (Português e Inglês) e dos Estudos Sociais (História e Geografia de Portugal) torna formal o que era uma realidade há muitos anos: o inglês é a única língua estrangeira no 2ºciclo. Nada de novo. De resto mantém 12 tempos de 45 minutos;

– Para matemática e Ciências ficam os 9 tempos ( 6 + 3), acabando o desdobramento em Ciências. É uma contradição que fica por explicar: dizem que vão continuar a apostar na experimentação e impedem o desdobramento que tornava essa prática possível? [Read more…]

Análise de reorganização curricular ou… (I)

Do maior despedimento alguma vez feito em Portugal!

Nuno Crato continua a fazer o seu caminho – para os menos atentos é o percurso oposto ao do comentador televisivo no tempo de Sócrates. Para quem está a ver para lá da poeira dos dias, trata-se apenas de um assessor do Ministério das Finanças, que de Educação pouco sabe e que por isso se limita a mexer no que está quieto, fazendo de conta que muda tudo, para que tudo fique na mesma ou pior…

Desta vez temos a reorganização curricular. Não é a questão central do nosso sistema educativo, mas é uma questão importante que precisa de ser revista. No entanto, o MEC limita-se a elaborar uma proposta que apenas vai levar ao despedimento de mais de dez mil professores – não acrescenta nada e não resolve nada. Estraga, apenas!

Vejamos: [Read more…]

Reorganização Curricular está de volta

O Ministro da Educação apresentou hoje a última proposta de reorganização curricular.

Por agora fica a ligação para  o pdf do MEC e os quadros com a estrutura curricular.

A estrutura do 2º ciclo do ensino básico fica assim definida:

Estrutura Curricular do 2º ciclo

E para o 3ºciclo e Secundário:  [Read more…]

Educação: Nuno Crato e a mania de mexer no que está quieto

Seguindo a linha presidencial, o Ministério da Educação e Ciência está a seguir à risca o seu plano ideológico para tornar a Escola Pública um espaço destinado à formação de trabalhadores num contexto de desenvolvimento baseado nos baixos salários e na mão de obra desqualificada.

Crato está a mexer por todo o lado, fazendo lembrar o provérbio popular de mexer, mexer, para que tudo fique na mesma, no que aos problemas diz respeito, pois claro. Apareceu a revisão curricular, depois o modelo de gestão e agora os concursos de colocação de professores. Mas, no essencial, nada! [Read more…]

Derrota de Sócrates no Parlamento?

O PSD acaba de anunciar que vai votar favoravelmente a revogação de um Decreto do Governo que altera parte das condições curriculares da Escola.
Trata-se de uma medida do Ministério das Finanças que termina com a área de projecto, o estudo acompanhado, a oferta de escola, o par pedagógico de EVT e outros inúmeros cortes. Para quem não está por dentro do significado disto, poderíamos dizer, que se trata de uma medida que vai cortar cerca de 30 mil professores.
Com o voto do PSD, do PC e do BE… fica por saber o que vai fazer o CDS… Ou não porque na agenda do Parlamento há uma proposta do CDS sobre isto.
Qual é então a dúvida?
Se cada partido só votar na sua proposta, então nada feito e o PS ganha… Caso contrário…
Isto vai ter piada!

Estudo Acompanhado: o que é isso? Acabar ou continuar?

Água em Vila do Conde
Nos últimos dias têm sido divulgados documentos que mostram a intenção do Governo em diminuir a despesa na área da educação. Ao que se sabe o corte na casa da dezena percentual do orçamento educativo só tem, de facto, implementação possível no próximo ano lectivo, isto é, nos últimos quatro meses do ano civil. Logo, o corte teria que ser ENORME para que fosse possível alcançar as metas estabelecidas pelas finanças.
A nova organização da mancha curricular dos alunos não contempla área de projecto, estudo acompanhado e reduz o par pedagógico na disciplina de EVT para um só professor.
Sobre a Área de Projecto escrevi no post anterior que o seu fracasso deriva da prática errática da sua aplicação e não tanto da sua existência.
No caso do Estudo Acompanhado os resultados são outros.
Esta área curricular não disciplinar foi criada, segundo a Lei, ” visando a aquisição de competências que permitam a apropriação pelos alunos de métodos de estudo e de trabalho e proporcionem o desenvolvimento de atitudes e de capacidades que favoreçam uma cada vez maior autonomia na realização das aprendizagens;”.
No terreno, o Estudo Acompanhado é prioritariamente atribuído aos docentes de Língua Portuguesa e Matemática – no 2ºciclo, um de cada, no 3º ciclo a um destes, em função da realidade de cada escola.
Tem sido usado como espaço de alargamento, no caso da matemática, das horas de trabalho em tarefas matemáticas. Seriam algo próximo da sala de estudo, das explicações privadas, das mestra de antigamente, mas num ambiente académico, contextualizado e pensado pedagogicamente.
Esta prática contribuiu MUITO para os resultados agora conhecidos nos testes de PISA.
E portanto, nas escolas, ninguém percebe como é possível o governo pretender acabar com esta área curricular. Já há movimentos de resposta a tal intenção e, talvez por isso ou não, José Sócrates disse algo de diferente no parlamento.
Dúvidas? Talvez não. É a estratégia de cinco anos deste Engenheiro – avança com um conjunto absurdo de medidas no espaço mediático, recolhe e analisa reacções e depois, retira algo que verdadeiramente nunca esteve em cima da mesa.
Neste sentido penso poder concluir que Estudo Acompanhado vai continuar e que Área de Projecto e o par pedagógico de EVT são mesmo para extinguir.

Sócrates quer acabar com E.V.T., Estudo Acompanhado e Área de Projecto

Portugal é um país estranho. Ou talvez não. Somos o país onde a política educativa se define no orçamento. Seremos, talvez, o único país do Mundo onde as horas e as disciplinas dos alunos são definidas em função do orçamento – claro que as questões económicas são importantes, mas quando chegamos a este ponto, então é mesmo o fim de linha da escola pública.
Está no “forno” uma proposta do ME que vem, entre outras coisas:
a) extinguir a área curricular não disciplinar de área de projecto;
b) extinguir a área curricular não disciplinar de área de projecto;
c) acabar com o par pedagógico de E.V.T. (eram dois professores, passa a ser só um).

E isto tudo, umas horitas depois do brilharete Luso nos testes de PISA 2009… coincidências do processo mediático…

Sobre a proposta em concreto, voltarei à “antena” dentro de momentos…