Estudantes convocam protesto contra comício do PS em Coimbra

Acusando o ainda primeiro-ministro de ter vandalizado as bolsas de estudo,  pintado as propinas de negro usurpando as cores da Académica e ocupado indevidamente o ensino público com Bolonha, vários estudantes de Coimbra estão a organizar, via Facebook, uma concentração de protesto no espaço onde na próxima 6ª feira vai decorrer um comício eleitoral do PS.

Sim caro leitor, não estando a delirar estou a inventar. Mas imagine por um momento que o parágrafo era verdadeiro. E que uma dezena de estudantes, trajados ou não a rigor, que o Maio vai quente, aparecia no comício, que é real, mandando bocas e tomates, gritando e invectivando. Agora imagine os títulos na comunicação social. Seriam assim:

Estudantes protestam contra cortes nas bolsas e propinas em comício do PS

à imagem do que foram hoje, ou assim:

Estudantes ligados à extrema-esquerda boicotam comício do PS? [Read more…]

Escadas até ao céu

As obras arquitectónicas, aquelas criadas com a intenção de perpetuarem o regime que as ergueram, sofrem  dos inevitáveis debates por quem nelas vê tempos a olvidar. No entanto, com o decorrer da gerações, as gentes vão-se habituando e adoptam-nas como património. É este, o destino reservado às escadarias da Universidade de Coimbra. Goste-se ou não se goste do estilo ou da mensagem. Foram construídas e para sempre alteraram a malha urbana da cidade dos estudantes.

Escadas destas existem na Alemanha, Rússia, no monumento a Vítor Manuel II – em Roma -, em quase todas as capitais do leste europeu, em Pequim e Piong-Iang. Com o fito de glorificarem os poderes então instituídos, ergueram-se também na Mesopotâmia, Antigo Egipto e América Central. Têm vários tipos de mensagem, desde a vitória sobre as dificuldades topográficas, até a interpretações mais etéreas, aproximando os homens do topo, podendo este ser terreno ou celestial.

Em alguns casos, as escadas conduzem-nos a um espaço onde prepondera a figura de um Grande Chefe, chame-se ele Mao, Lenine, Kim il Sung ou Estaline. No caso coimbrão, trata-se da Universidade mais antiga do país e quando da construção do conjunto monumental, pretendeu-se marcar a posição e o activismo construtor da 2ª República e de Salazar. Nada de espantoso, pois em Paris fez-se o mesmo no Trocadero, obedecendo aos mesmos requisitos arquitectónicos que aproximavam regimes liberais como a 3ª República francesa, a Itália de Mussolini, a Rússia soviética, a Alemanha nacional-socialista ou os Estados Unidos da América. [Read more…]

A besta acordou, escusava de ser em Coimbra

O que esta fotografia mostra a um conimbricense nada diz. O mamarracho chamado Escadas Monumentais pintado é coisa que felizmente vemos desde 1975, por regra feito pelo PCP, que na altura ocupou o espaço e tacitamente os restantes partidos e áreas políticas deixaram ficar.

Digo felizmente porque falamos de uma aberração arquitectónica e urbanística. Trabalho de Cottinelli Telmo, só mostra como aberrante foi a destruição patrimonial da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária, ícone da arquitectura fascista em Portugal, e para nós símbolo de como se tiram uma belas e funcionais escadas para se construir um verdadeiro suplício. [Read more…]

Ei-los Que Partem, Velhos e Novos

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EXPULSOS

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Os partidos de centro direita vão expulsar militantes.

Só no Porto, e no partido do governo são mais de cem.

No PSD, é em Viana do Castelo que se sabe haver maior número, são cerca de trinta.

E no CDS, há dois casos por esse País fora.

No BE e no PCP, não se conhecem casos, mas da forma como este partidos funcionam, isso não quer dizer que não existam expulsões.

O assunto é polémico e pode trazer um ou outro amargo de boca a quem o pratica. Os elementos que concorreram às últimas eleições, contra o partido a que pertencem, em listas próprias ou de outros, listas independentes, cometeram um pecado mortal, e, segundo as cúpulas dos partidos, merecem ser castigados. Mas este castigo, pode reverter-se em prejuízo. Quem votou nessas pessoas, é capaz de não aceitar muito bem que elas sejam castigadas dessa forma. O partido é que fica mal visto nesse caso. A publicidade a estes casos não é boa.

Diz um ditado popular que «com o teu amo, não jogues às pêras, que ele dá-te as verdes e fica com as maduras», e neste caso, as pêras verdes chamam-se expulsões. E as pessoas que incorrem no risco de expulsão, sabiam muito bem ao que iam.

Os partido têm regras, e quem não as seguir, não deverá lá estar.

É assim!

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Nem esquemas, nem reserva mental

  

 

Sem maioria absoluta, José Sócrates terá que ser, de facto, um novo primeiro-ministro. Nas suas declarações de ontem, afiançou-nos do seu interesse no diálogo com os partidos da oposição e à SIC declarou que sendo o governo do PS, tem o dever de cumprir o programa partidário apresentado aos eleitores. Eis o equívoco que não pode deixar de ser sublinhado.

 

Sócrates parece algo surpreendido pela recusa de coligações ou compromissos por parte de qualquer uma das outras formações com assento em S. Bento. Não sabemos  o que terá proposto aos seus quatro interlocutores, nem isso interessa de sobremaneira à opinião pública, mais preocupada com as dificuldades do quotidiano. Pelas declarações do primeiro-ministro, parece ter assim início aquilo que todos previam, no caso de um governo minoritário.

 

A atribuição do ónus da ingovernabilidade à oposição, segue os parâmetros há um quarto de século gizados pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva e que em crescendo de crispação, conduziria a eleições antecipadas que proporcionaram o almejado absolutismo parlamentar.

 

Hoje, a situação é bem diferente e ninguém consegue esconder a calada semi-desilusão que a entrada de Portugal na então CEE hoje significa, com o seu cortejo de falências, liquidação de sectores produtivos tradicionais, perda de oportunidades para um prometido desenvolvimento e pior que tudo, a clara ameaça de desaparecimento do país como Estado formalmente  independente.

 

A verdade é que o novo governo não ostenta a necessária legitimidade para tentar fazer aplicar integralmente o chamado "Programa Eleitoral de Governo do PS". Perdeu quase 10% dos eleitores, dezenas de deputados e a confiança no que respeita às decisões que afectarão a vida das próximas gerações. O que J.S. deve compreender, é que mais que a arrogância e a intratabilidade, o eleitorado puniu a opção por projectos cuja valia ou interesse nacional, não são discerníveis pela maioria dos portugueses, avessos a qualquer tipo de aventureirismo. Resta-lhe a construção de pontes com os seus adversários, obtendo os consensos que a moderação e o bom senso exigem.

 

PSD não quis  acatar o programa do PS, nisto sendo seguido pelo CDS, BE e PC, confirmando-se assim aquilo que todos esperavam da oposição: a não assinatura do aval que permita loucuras a grande velocidade, negociatas turvas e alienadoras do património público, aeroportos semi-desertos ou tríplices auto-estradas destinadas à "dinamização" de negócios de companheiros de viagem.

 

Um governo minoritário – como o povo quis de forma muita clara -, é um executivo destinado a obter plataformas de entendimento e os compromissos necessários ao bem estar geral.  Não pode vingar uma vez mais o ilusionismo da vitimização. A competência de quem tem também o dever de fazer uma oposição responsável, verificar-se-á na capacidade de demonstrar até onde vão as boas intenções do diálogo, ou pelo contrário, os esquemas da reserva mental.