Sobreviver a um comício

800px-Benjamin_Franklin_-_Join_or_Die

Fui a um comício. Não foi fácil. Ao meu lado estava sentado um velhote que parecia tão à rasca como eu. Várias vezes nos entreolhámos um bocado aflitos, por manifestamente não sabermos aquelas letras e aquela performance de cor. De tanto em tanto tempo, os que estavam sentados ao nosso lado levantavam-se e diziam coisas, umas frases que tinham decorado e que agora repetiam. Pareciam cidadãos iguais a nós, uns quaisquer da população, como nós ali sentados, mas eis que de repente não eram. Sentimo-nos sozinhos naquela nossa condição, que afinal não era assim tão simples.

Tudo piorou quando alguém nos entregou umas bandeiras, acompanhadas de uma ordem para as pôr no ar quando chegasse o momento. Ficámos ali com ar de parvos com as bandeiras na mão, sem saber o que fazer com elas – que ainda por cima impediam que pudéssemos bater palmas se quiséssemos. Nós por vezes até queríamos, porque se disseram coisas muito importantes naquele comício. Coisas verdadeiras, graves, que não tinham nada de festivo mas mereciam o aplauso de serem enunciadas sem medo.

Quando chegou o momento de pôr as bandeiras no ar foi especialmente doloroso. Olhámos um para o outro e juraria que pensámos o mesmo: sair dali o quanto antes. Como não fosse propriamente fácil, dada a multidão compacta que nos envolvia, nada fizemos. Limitámo-nos a ficar ali sentados, cada um a tentar livrar-se da bandeira como podia [Read more…]

O regresso de Jorge Coelho

Depois de 6 anos a mamar nas tetas do Estado, açambarcador de obras públicas inúteis, Jorge Coelho voltou à política com um forte ataque ao actual Governo. Não lhe podemos negar coerência. A construção das auto-estradas, hoje completamente vazias, foram o seu ganha-pão durante anos. E continuariam a sê-lo não fosse Sócrates ter ido passear para Paris.
Jorge Coelho não escondeu que o regresso à política lhe estava saber bem. Voltou aos comícios em Viseu e voltará ao comentário televisivo na quinta-feira. Cheira-lhe a poder?
Entretanto, Entre-os-Rios nunca aconteceu. E o tabuleiro de xadrez, já apareceu?

Passos Coelho e a Democracia

 

Ao longo destes anos de Democracia têm-se conhecido os mais variados tipos de políticos e têm-se assistido aos mais variados dislates. Nem vale a pena fazer-se o rol das asneiras – dava um livro! – basta recordar, a título de exemplo divertido, o expressivo “bardamerda” do defunto almirante Pinheiro de Azevedo e o discurso de tomada de posse do Pedro Santana Lopes. Foram momentos de enorme gozo e hilariedade. Houve – e há – nesta matéria de políticos, um pouco de tudo. Uns mais fleumáticos, outros mais emotivos, até mesmo coléricos. Todavia, no meio de tantas personalidades e de tão distintas idiossincrasias, não creio ter havido – pelo mesmo que me lembre – nada de comparável ao desastrado Pedro Passos Coelho. A sucessão de erros e equívocos são contínuos e exemplares. Nunca, em tão pouco tempo, um político se desacreditou tanto. Ainda ontem, informado Francisco Louçã sobre a surpreendente posição do líder do PSD acerca da IVG, reagia este, irónico, à comunicação social: “Ai o Dr. Passos Coelho disse isso esta manhã?! Então à tarde já muda de ideias!”. E foi. À tarde já o líder do PSD amansava a posição sobre um referendo e suavizava o motivo de ter abordado o assunto, desculpando-se com o facto de uma entrevistadora lho ter perguntado. E ele, na modéstia das suas próprias palavras “que é um homem de enorme franqueza”, lhe ter confessado o que pensava. Ignorando-lhe a sinceridade o facto de estar a responder aos seráficos microfones da Rádio Renascença… e pelas razões que toda a gente percebeu. Entretanto, à noite, não fora o dia suficientemente conturbado, pegou-se-lhe outra vez a asneira à franqueza e vá de desancar no Pacheco Pereira acusando-o de “semanalmente fazer campanha contra o partido”. O que até nem é de todo mentira, só que confunde o partido com ele próprio e não era a ocasião indicada de o dizer. O que lhe vale, para já, por parte do Pacheco ofendido o epíteto de… “caluniador”. Já hoje, depois dos incidentes ocorridos num comício do PS de ontem à noite, incidentes esses que contaram com a presença de elementos ligados ao PSD como foi noticiado pela TVI, em vez de se demarcar claramente do ocorrido condenando de forma inequívoca comportamentos atentatórios da liberdade de reunião e de expressão, limitou-se ao sacudir a água do capote num simples “lamentar o sucedido”. Mais! Ainda veio implicitamente verberar o comportamento policial, tentando adoçar as provocações e o comportamento dos provocadores, travestindo-os em “manifestantes”, coitadinhos, vítimas do excesso de zelo policial. Será que Passos Coelho nunca ouviu falar em ordem democrática? Ou, tendo ouvido falar, não sabe o que esse conceito significa? Terá saltado para a história directamente do 24 de Abril? Assim não vai lá. Era o que (nos) faltava!

Guardas à paisana?!

O momento em que o manifestante é interpelado pelos agentes à paisana  O momento em que o manifestante é interpelado pelos agentes à paisana

fotos: DN

Dois guardas da PSP à paisana encostaram o homem a uma parede, tentaram identificá-lo e, mediante a sua recusa de se identificar, levaram-no para a esquadra. A meio do percurso, testemunhou o DN, o detido ainda reclamou: “Tenho direito a saber porque estou a a ser detido”. [DN]

Vários dirigentes socialistas sublinharam ainda que a manifestação era ilegal. [Público]

Familiares de desempregados da Groundforce, pessoal do aeroporto de Faro, mantiveram a acção de protesto durante todo o comício. [ionline]

Escapam-me aqui umas coisitas.

  1. Só pode ir a comícios quem concorda com o orador?
  2. Os comícios do PS têm direito a guardas à paisana?

Não sei porque é que o PS está preocupado com estes apupos. Se tudo está bem depois da governação socialista, nada há a temer.

Estudantes convocam protesto contra comício do PS em Coimbra

Acusando o ainda primeiro-ministro de ter vandalizado as bolsas de estudo,  pintado as propinas de negro usurpando as cores da Académica e ocupado indevidamente o ensino público com Bolonha, vários estudantes de Coimbra estão a organizar, via Facebook, uma concentração de protesto no espaço onde na próxima 6ª feira vai decorrer um comício eleitoral do PS.

Sim caro leitor, não estando a delirar estou a inventar. Mas imagine por um momento que o parágrafo era verdadeiro. E que uma dezena de estudantes, trajados ou não a rigor, que o Maio vai quente, aparecia no comício, que é real, mandando bocas e tomates, gritando e invectivando. Agora imagine os títulos na comunicação social. Seriam assim:

Estudantes protestam contra cortes nas bolsas e propinas em comício do PS

à imagem do que foram hoje, ou assim:

Estudantes ligados à extrema-esquerda boicotam comício do PS? [Read more…]

A besta acordou, escusava de ser em Coimbra

O que esta fotografia mostra a um conimbricense nada diz. O mamarracho chamado Escadas Monumentais pintado é coisa que felizmente vemos desde 1975, por regra feito pelo PCP, que na altura ocupou o espaço e tacitamente os restantes partidos e áreas políticas deixaram ficar.

Digo felizmente porque falamos de uma aberração arquitectónica e urbanística. Trabalho de Cottinelli Telmo, só mostra como aberrante foi a destruição patrimonial da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária, ícone da arquitectura fascista em Portugal, e para nós símbolo de como se tiram uma belas e funcionais escadas para se construir um verdadeiro suplício. [Read more…]