O valor econômico e político da língua foi um dado importante para a unificação ortográfica. Em qualquer área em que seja usada, tanto no Brasil, como em Portugal ou na África, a língua portuguesa será grafada de uma só maneira. Isso significa que um livro editado em português pode correr todos esses países, porque a ortografia é a mesma.
Evanildo Bechara, entrevista ao Estadão, em 2012
Recentemente, um aluno brasileiro, olhando para um texto, perguntou-me o que queria dizer “dececionante”, no que foi secundado por outros dois colegas da mesma nacionalidade. Quando lhes disse que, no Brasil, se escrevia “decepcionante” conseguiram identificar a palavra.
Uma outra professora de Português contou-me que um aluno brasileiro ficou espantado com a palavra “aspeto”, uma vez que, no Brasil, a grafia, mesmo depois do alegado acordo alegadamente ortográfico, continua a ser “aspecto”, graças ao chamado “critério fonético”, aquele critério que procura uniformizar a ortografia com base na diferença da pronunciação.
A “ortografia é a mesma”? Nem a mesma, nem ortografia. É uma treta.

O chamado acordo ortográfico (AO90) assentou em três ilusões: o “critério fonético” (traduzido na expressão “escrever como se fala”), a “simplificação” da ortografia para facilitar a aprendizagem e a uniformização ortográfica do mundo lusófono como meio de criar textos ortograficamente iguaizinhos.






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