A recessão calorosa

O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.

Miguel Torga

passaríamos pela sala do senhor Oliveira, que nos ouviria de olhos esbugalhados e testa toda franzida e perceberia logo que ui, essa zona quando dói é sinal que a coisa já está bastante mal, isso não me cheira nada bem

— Carla Romualdo

Hic ostendit propheta, si a bonis eloquiis interdum propter taciturnitatem debet taceri, quanto magis a malis verbis propter poenam peccati debet cessari.

— Regula Benedicti

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Há alguns anos, avisei: “vem aí a recessão“. Ei-la, calorosa.

recessao

Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico (aos quais agradeço a foto aqui reproduzida, tal como ao autor, Daniel Abrunheiro) indicaram esta distinção proposta por Malaca Casteleiro, na entrevista dos assentos: [Read more…]

Russians

America it’s them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia’s power mad. She wants to take our cars from out our garages.

— Allen Ginsberg, America

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Pois é.

Nem tudo depende da perspectiva e da concepção. Há outros aspectos a considerar.

intercetam eptam

Efectivamente, segundo o Houaiss (*), ‘interceptar‘ é um verbo [Read more…]

Chomsky e Houaiss: perspectiva, concepção, aspectos e facções

110p

Elements of Linguistic Structure, Noam Chomsky, 1955 © MIT (http://bit.ly/1vRi4OH)

Truly, we live in a world in which people feel entitled not just to their own opinions but their own facts.

Paul Krugman

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Em qualquer área em que seja usada, tanto no Brasil, como em Portugal ou na África, a língua portuguesa será grafada de uma só maneira. Isso significa que um livro editado em português pode correr todos esses países, porque a ortografia é a mesma

Evanildo Bechara

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Li recentemente um artigo de 1996, do jornalista brasileiro Ibsen Spartacus (1965-2003), acerca do Roda Viva com Noam Chomsky. Lembrei-me, obviamente, do Roda Viva com Antônio Houaiss (1915-1999), ao qual me referi em 2009 (p. 10), com o conhecido lexicógrafo a admitir o valor diacrítico da letra ‘c’, embora errando o alvo: na palavra ‘actividade’, a letra consonântica ‘c’ tem de facto valor grafémico, sim, mas esse valor não é diacrítico.

Neste registo, com um desempenho teórico francamente melhor, Houaiss esclarece aqueles que não conhecem o sistema ortográfico do português europeu: “[a consoante muda], em Portugal, se escreve para fins de abrir o timbre ou por coerência; como em ‘activo’, eles põem o ‘c’ para dizerem ‘activo’ [aˈtivu], em lugar de dizer *’ativo” [ɐˈtivu]; eles põem esse ‘c’ em ‘acção’, coerentemente, por serem co-radicais”. Depois, acrescenta: “para dizerem ‘optimizar’ [ɔtimiˈzaɾ], eles têm que pôr o ‘p’; ao pôr em ‘optimizar’ o ‘p’para essa função de timbre, automaticamente eles levam o ‘p’ para o cognato ‘óptimo'”.

Muitos anos volvidos sobre estas intervenções de Houaiss [Read more…]

Memória descritiva: Thunder

A 12 de Novembro de 1975,estando o Parlamento cercado por operários da construção civil em greve, alguns manifestantes chamaram fascista ao primeiro-ministro, o almirante Pinheiro de Azevedo. A resposta não se fez esperar: “Bardamerda para o fascista!”. Nos meios de esquerda (e não só), o almirante passou a ser conhecido pelo «Bardamerda». No vídeo acima, vemos e ouvimos a entrevista que o almirante deu aos jornalistas quando saiu do sequestro. Infelizmente, não consegui encontrar vídeo do momento da famosa resposta. [Read more…]