Ditadores sofisticados

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Bashar al-Assad devolveu a condecoração que lhe foi atribuída pelo estado francês em 2001. Sim, é verdade: os nossos moralíssimos lideres ocidentais têm esse estranho vício de condecorar qualquer merda que lhes apareça à frente, democrata ou ditador, desde que sirva, ainda que momentaneamente, os seus interesses políticos e pessoais. Ou os interesses económicos de quem lhes paga as campanhas e lhes garante as reformas douradas.

Daí não admirar que Kadhafi tenha financiado a campanha de 2007 de Sarkozy, que os EUA armem a Arábia Saudita até aos dentes ou que o polidos britânicos sejam os banqueiros preferenciais dos oligarcas russos, com a sua City repleta de lavandarias de Vladimir Putin. Porque, por trás do falso moralismo e da preocupação fingida com a democracia e com o bem-estar da humanidade, estão quase sempre prostitutas políticas sem escrúpulos. Ditadores mais sofisticados, portanto.

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Le Pen: em nome do pai

 

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Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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No Minister

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Foto via The Guardian (http://bit.ly/1Q8kXTD)

Vous avez tout à fait raison M. le Premier Ministre

François Mitterrand

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Jim Hacker: What are you doing here?
Sir Humphrey: Purely my sense of duty-free.
Jim Hacker: Duty-free?
Sir Humphrey: Er… duty, free from any personal consideration.

— Yes Minister 3.4 – The Moral Dimension

***

Tudo mais calmo, nesta manhã chuvosa. Enquanto tomo um café, durante o intervalo de um artigo de Patrick Hanks, leio um texto do João Mendes e dou comigo a reflectir acerca de uma das matérias mais complicadas no exercício da minha profissão.

Em Agosto de 2013, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, delegou no Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Verdial de Castro Ramos Maçães, diversas competências.

Em Dezembro de 2013, David Lidington foi a Lisboa e encontrou-se com o homólogo português, Bruno Maçães.

No Reino Unido, o Foreign & Commonwealth Office é composto pelo Secretary of State for Foreign and Commonwealth Affairs, com uma “overall responsibility“, e por três Ministers of State, entre os quais se encontra David Lidington (Minister of State for Europe) — além de dois Parliamentary Under Secretaries of State.

Em 15 de Dezembro de 2014, o Conselho dos Negócios Estrangeiros/Foreign Affairs Council contou com a participação, entre outros, quer do Ministro dos Negócios Estrangeiros/Minister for Foreign Affairs, Rui Machete, quer do Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth/Secretary of State for Foreign and Commonwealth Affairs (Foreign Secretary), Philip Hammond.

Apesar de Machete e de Hammond serem homólogos, a designação em inglês não é a mesma: em Dezembro de 2014, Machete era Minister e Hammond era Secretary.

Em 21 de Outubro de 2014, o Conselho dos Assuntos Gerais (General Affairs Council) contou com a participação, entre outros, quer de David Lidington, Ministro-Adjunto dos Assuntos Europeus, Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth/Minister of State for Europe, Foreign and Commonwealth Office, quer de Bruno Maçães Secretário de Estado dos Assuntos Europeus/Secretary of State for European Affairs.

Como aconteceu com Machete e Hammond, apesar de Lidington e Maçães serem homólogos, a designação em inglês também não é a mesma: em Outubro de 2014, Maçães era Secretary e Lidington era Minister.

Uma nota da Embaixada Britânica em Lisboa, acerca do encontro entre Lidington e Maçães, é clara na distinção entre Minister e Secretary:

the UK Minister for Europe met his Portuguese opposite number Bruno Maçães, State Secretary for European Affairs.

Como este título, relativo a Philip Hammond e Laurent Fabius

Foreign Secretary speaks to new French Foreign Minister

e esta notícia

The British Foreign Secretary, Philip Hammond MP, visited Lisbon on 18 February for talks with his counterpart, Minister Rui Machete

Portanto, uma vez que não foi membro do Governo de Sua Majestade, salvo melhor opinião, Bruno Maçães tem duas opções: ou State Secretary ou Secretary of State.