Acordo Ortográfico: o que nasce torto nem a CPLP endireita

No dia 30 de Março, os Ministros da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se e, entre outros assuntos, abordaram, também, a questão do Acordo Ortográfico de 1990. A Declaração Final pode ser lida aqui.

O primeiro aspecto a merecer destaque é o facto de o texto respeitar a ortografia portuguesa de 1945, talvez por vontade das representações angolana e moçambicana.

No que respeita à secção relativa à questão ortográfica, para além de declarações vagas sobre a “promoção e defesa da Língua Portuguesa no espaço da CPLP e no Mundo”, os presentes reconheceram que a “aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos que podem, no futuro, dificultar a boa aplicação do Acordo”. [Read more…]

Ganga – o sábio das calças rotas

Da passagem do Zé por terras de Angola, não ficou apenas o irónico episódio “Rikamba”. Outras histórias houve, como as de um par de calças que no dia em que ele chegou a Luanda, deu tanta confusão.

Tudo porque ele estava no mercado de Kinaxixi, em Luanda, acabado de chegar de barco àquelas terras numa docemente quente tarde de Novembro de 1970. Acompanhava-o Manuel, já há muito de vida instalada na Fazenda Tentativa sita no Alto Dande, a nordeste de Luanda, onde era Fiel Auxiliar num dos armazéns do açúcar, e que lhe arranjara um lugar de motorista na Companhia.

O Zé queria comprar umas calças, pois as jardineiras que trazia, tinham feito o favor de se rasgarem de puídas que estavam, a começar entre-pernas mas já a ameaçar a denúncia traseiro acima.

“Que raio!” disse o Zé. “Não vou chegar nesta figura à Companhia. O que vão os patrões pensar de mim?”.

Manuel ria-se: “Não te preocupes que aqui encontras tudo o que precisas”. “Olha aqui esta banca de roupa”.

Movido pelos nervos, Zé tomou logo palavra com o vendedor, um negro ainda moço, de corpo franzino e de sorriso estampado na cara: “Preciso de umas calças”, puxando pelo peitilho das suas jardineiras, afirmou de modo peremptório “Ganga!” Ganga!”.

O olhar do imberbe vendedor alterou-se, transitando da alegria para o espanto “Ganga?!” disse ele “Nganga!”

“Sim, isso!” disse o Zé enquanto puxava pelas alças das suas jardineiras, “Ganga, ou Nganga, ou lá que merda chamam a isto”.

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Rikamba

Eram sete horas daquela tarde de Junho de 1973, e ninguém chegava. Quimba, tardava.

O Zé recordou o recado recebido ao telefone: “Às cinco no Largo da Mutamba, nas paragens dos machimbombos”.

Com alguma ânsia à mistura, Zé descobriu Quimba na sua camisa azul e calça branca, a dar cor e sentido a um andar desengonçado. De súbito tudo parecia bem, na hora certa, sem atrasos ou porquês.

“Toma” disse Quimba, entregando ao Zé um pardacento envelope: “Foi tudo que consegui arranjar em tão pouco tempo”.

Zé sorriu, após breves contas de cabeça antecedidas de um relance ao interior do envelope. “É mais do que suficiente para uma vida nova. Não sei como te agradecer”.

Quimba sorriu: “Um dia que eu precise de vida nova, ajudas-me tu a mim”.

Zé anuiu com convicção, emanando um sorriso.

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