In Memorian (II)

allende
Dedicado a todos os seres humanos que perderam a vida às mãos de bárbaros terroristas num dia infame.

dísticos (5)

dizes:
o que eu faço é bom.
dizes:
o que eu faço é para o teu bem.

eu digo:
há quem não esteja contente contigo.
tu dizes:
cala-te.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (4)
dísticos (3)
dísticos (2)
dísticos (1)

dísticos (4)

dizes:
essa forma não se ajusta às nossas necessidades.

eu registo:
continuas usando o plural majestático.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (3)
dísticos (2)
dísticos (1)

dísticos (3)

dizes:
eu quero a paz.

sim, acredito.
já seria altura de gozares
o que ganhaste na guerra.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (2)
dísticos (1)

dísticos (2)

dizes:
é necessário construir o futuro.

agora compreendo porque afundas o presente:
para lançares os alicerces.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (1)

dísticos (1)

dizes:
eu é que sei quais são os interesses de todos.

e não sabes
que todos sabem também quais são os teus interesses?

«dísticos»Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

Amarcord

Amarcord quer dizer “lembro-me” e constitui como que uma transcrição fonética da forma verbal tal como é pronunciada no dialecto de Rimnini, terra natal de Fellini. O realizador reconheceu que há referências à sua infância. É, sobretudo, um filme completo, feito de fragmentos cómicos e trágicos. O argumento foi escrito pelo realizador e por Tonino Guerra. Legendas em português do Brasil.

Hoje dá na net: Elis

Elis Regina ao vivo, em 1973. Se fosse viva, a Pimentinha, hoje, estaria a recuperar da festa de anos de ontem, depois de completar 67 anos.

11 de setembro, qual dos dois?

Sim, há dois: o de 1973 que marca a primeira catástrofe neo-liberal construída sobre o assassinato de 30 000 chilenos, e o de 2001 que agora parece ter o monopólio da data.

Dos Once de Septiembre en una vida explora ideas y sentimientos de ex presos políticos y exiliados chilenos de la dictadura de Pinochet que ahora viven en San Francisco, California. Ellos analizan las tragedias del 11 de septiembre de 1973 en Chile y del 11 de Septiembre del 2001 en Estados Unidos y la intervención del gobierno estadounidense en ambos hechos.

Rikamba

Eram sete horas daquela tarde de Junho de 1973, e ninguém chegava. Quimba, tardava.

O Zé recordou o recado recebido ao telefone: “Às cinco no Largo da Mutamba, nas paragens dos machimbombos”.

Com alguma ânsia à mistura, Zé descobriu Quimba na sua camisa azul e calça branca, a dar cor e sentido a um andar desengonçado. De súbito tudo parecia bem, na hora certa, sem atrasos ou porquês.

“Toma” disse Quimba, entregando ao Zé um pardacento envelope: “Foi tudo que consegui arranjar em tão pouco tempo”.

Zé sorriu, após breves contas de cabeça antecedidas de um relance ao interior do envelope. “É mais do que suficiente para uma vida nova. Não sei como te agradecer”.

Quimba sorriu: “Um dia que eu precise de vida nova, ajudas-me tu a mim”.

Zé anuiu com convicção, emanando um sorriso.

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