O terrorismo começa na infância

mizade

Vários conceitos são debatidos hoje em dia em relação à infância. Cronologia da vida que começa aos quatro meses da conceição do ser e acaba, no dizer dos meus santos padroeiros, por outras palavras os cientistas que leio e debato, pelos quatro ou cinco anos. Com a entrada da criança no entendimento da História, na racionalidade de não ser o único na terra, nem o mais amado entre todos os seus pares e/ou membros de família. Em síntese, no entendimento de ser mais um membro do grupo social que o acolhe, ama, forma e educa ou faz dele um membro da heterogeneidade social. [Read more…]

Ganga – o sábio das calças rotas

Da passagem do Zé por terras de Angola, não ficou apenas o irónico episódio “Rikamba”. Outras histórias houve, como as de um par de calças que no dia em que ele chegou a Luanda, deu tanta confusão.

Tudo porque ele estava no mercado de Kinaxixi, em Luanda, acabado de chegar de barco àquelas terras numa docemente quente tarde de Novembro de 1970. Acompanhava-o Manuel, já há muito de vida instalada na Fazenda Tentativa sita no Alto Dande, a nordeste de Luanda, onde era Fiel Auxiliar num dos armazéns do açúcar, e que lhe arranjara um lugar de motorista na Companhia.

O Zé queria comprar umas calças, pois as jardineiras que trazia, tinham feito o favor de se rasgarem de puídas que estavam, a começar entre-pernas mas já a ameaçar a denúncia traseiro acima.

“Que raio!” disse o Zé. “Não vou chegar nesta figura à Companhia. O que vão os patrões pensar de mim?”.

Manuel ria-se: “Não te preocupes que aqui encontras tudo o que precisas”. “Olha aqui esta banca de roupa”.

Movido pelos nervos, Zé tomou logo palavra com o vendedor, um negro ainda moço, de corpo franzino e de sorriso estampado na cara: “Preciso de umas calças”, puxando pelo peitilho das suas jardineiras, afirmou de modo peremptório “Ganga!” Ganga!”.

O olhar do imberbe vendedor alterou-se, transitando da alegria para o espanto “Ganga?!” disse ele “Nganga!”

“Sim, isso!” disse o Zé enquanto puxava pelas alças das suas jardineiras, “Ganga, ou Nganga, ou lá que merda chamam a isto”.

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O sábio aponta a Lua, o idiota olha o dedo!

A dívida do Estado de que Sócrates nunca fala, é um dos factores que mais entorpece o desenvolvimento da economia. Desde logo porque uma parte significativa da riqueza criada vai para fora à conta dos juros; depois porque as taxas praticadas são cada vez maiores e os empréstimos são obtidos em condições muito desvantajosas; e os investimentos em que esses empréstimos são aplicados, muito raramente têm o retorno que possibilite o pagamento atempado.

Claro que nada disto interessa se o objectivo for fazer betão para alimentar a máquina das construtoras e dos bancos. As parcerias Público/Privadas são contratos onde o Estado reserva para si todos os riscos, com compromissos leoninos que admitem toda a sorte de negociações, rearranjos e golpes com vista a favorecer as empresas do regime.

Quando todos os economistas que não precisam do Estado para viver, indicam o precípicio para onde o país caminha, Sócrates vem-nos dizer que as gerações futuras não nos perdoariam se não fizéssemos hoje, as obras. Não diz que as gerações futuras nem sequer cá estão para saberem que vão pagar com o que não têm. Uma economia que gere riqueza! E sem riqueza vão pagar com o desemprego, com o nível de vida, com o atraso do país, como está aí à vista de todos, após décadas de investimentos públicos!

Porque pedir emprestado dinheiro lá fora e depois dar à manivela das betoneiras, todos fazem, é simples e fácil, dificil, seria pôr o tecido empresarial a produzir bens e serviços transaccionáveis que se exportam, que substituem importações. Isso é que teria mérito!

O próximo e todos nós

O palhaço

Jornal de Notícias – 2009-12-14

http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

“O louco tem-se por sábio, mas o sábio sabe que ele é um louco.” (William Shakespeare)

O que Mário Crespo descreve aqui tão magistralmente não só diz respeito a Portugal mas a toda a União Europeia e meio mundo, sobretudo aos EUA. Vale a pena ler, é profundo e divertido ao mesmo tempo.

Todavia, quando Mário Crespo, concluindo, escreve

“(…) Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples. Ou nós, ou o palhaço.”

falta diferenciar o seguinte: os nossos sociosistemas, devido a causas conhecidas, viraram às avessas. Isto é um facto. Tendo a sociedade esquecido como vencer a unidade polar (dualidade) entre os antagonistas inseparáveis e indispensáveis, o “sério” e o “palhaço”, ela ficou de índole “palhaça” no seu todo. É daí que resultou o grave desequilibrio da sociedade do qual todos nos ressentimos cada vez mais.

Quanto à forma de nos livrarmos do “palhaço”, porém, é preciso muito cuidado. Como ele faz parte do sistema, qualquer tentativa de irradiá-lo é inútil e levar-nos-ia pelos caminhos de George W. Bush de má memória. Portanto, não adianta tentar identificar, prender ou eliminar os “palhaços”, pois isto levaria a uma sociedade cada vez mais dividida que entrará em confrontação violente aberta. Basta retirar-lhes o “pio”, o poder. (Que alguns cidadãos que, sob o reinado do “palhaço”, cometeram crimes puníveis pela lei, tenham que ser julgados é natural mas não prioritário. Fica para depois porque as penas impostas em tempos de “palhaço” são…”palhaças). [Read more…]

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