Uma espécie de carta aberta ao deputado Nuno Magalhães

Não, Dr. Nuno Magalhães, não vivemos numa democracia simulada. Uma democracia simulada é, por exemplo, aquela governada por um partido de cleptocratas, em cujo congresso o partido do senhor deputado alegremente participou. Ou aquilo em que o vosso colega do PPE, Viktor Orbán, quer transformar a Hungria. Percebe a diferença? Vá, não é assim tão difícil.

Um tipo até compreende a confusão: o senhor é do CDS-PP, onde se podem ainda encontrar vários exemplares de saudosos do tempo do avô cavernoso, tendências que vangloriam o fascismo e jovens que peregrinam até à campa do carniceiro para prestar tributo. É natural que os processos democráticos ainda possam causar algum tipo de estranheza. [Read more…]

Quem não sabe o que dizer, abre a boca e apanha moscas.

Em vez de propostas e alternativas, a oposição procura criar uma cortina de fumo. Essencialmente, esta alterna entre duas formas: variantes da tese da  claustrofobia democrática e propostas de alteração ao sistema eleitoral. Desta vez, foi Nuno Magalhães a dar o seu ar de graça, o qual optou pela primeira abordagem. Entrou mosca. 

A abstinência sexual e outras ironias democratas-cristãs

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A propósito da mais recente polémica protagonizada pela Juventude Popular, que, presumo, terá cumprido o seu principal objectivo de dar algum protagonismo à agremiação de jotas mais apagada do país, e sobre a qual já muito se disse e escreveu – sugiro a leitura do artigo de Daniel Cardoso, publicado no Geringonça, está lá tudo – veio-me à memória um texto que escrevi faz mais de um ano e meio, sobre o virtuosismo democrata-cristão do ainda líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, que se recusava – talvez a situação se tenha resolvido entretanto – a assumir a paternidade de uma criança que, segundo o suspeito Correio da Manhã, havia já sido comprovada por dois testes de ADN. [Read more…]

Bilhete do Canadá – Dupond & Dupont, Secos e Molhados

dupont e dupond

Às ordens de Vocências, era a legenda apropriada para a imagem transmitida pela televisão: Jorginho Bilderberg Moreira da Silva e Nuno Magalhães, lado a lado, muito anchos, com todo o ar de quem se julga necessário.  Como as mercearias de bairro.  Jorginho, agora de barbas para ver se a malta o leva a sério.  Nuno, a roncar grosso para ver se assusta a malta.  Ambos para comunicarem ao país esta coisa transcendente e urgente: nunca pensaram que a Mariana Mortágua fosse a verdadeira Ministra das Finanças.   E estão passados com a descoberta, logo trombeteada  por aquela televisão onde palra o Orelhas, aquele escritor que cresce um palmo a dar notícias más.   Ora, sendo o Nuno daquele partido que até mandou o Aguiar de Vizeu à festa do MPLA, porque os extremos encontram-se sempre, e sendo Jorginho Bilderberg o mesmíssimo que, enquanto Ministro do Ambiente, foi uma nódoa, e não apenas no caso da Legionela que matou várias pessoas, sendo assim, é de caras que todos queremos que fechem a loja e vão dar uma curva.  Vendem  bolachas a cheirar a bafio.  E a televisão que tome tento e dê notícias de facto importantes, porque quem paga o pato somos nós todos.  É que já não há pachorra para tanto despautério.  E a Mariana que leve com paciência, porque lidar com jericos foi sempre uma chatice.

Para sublinhar o ridículo da argumentação da PAF..

… nada como ouvir Mora Amaral hoje no Fórum TSF. “Não estamos à beira de um regime totalitário”, respondeu ele quando o moderador o interpelou sobre as declarações incendiárias dos dois líderes da coligação PAF.

Diz Nuno Magalhães que “é bom termos todos, nesta fase, muito cuidado com as palavras”. E bem poderia, ele mesmo,  dar o exemplo.  Perdeu o líder parlamentar da extrema direita uma boa oportunidade para estar calado ao se entregar ao exercício da “argumentação destinada a impressionar a opinião pública”, tal como explicou o vice-presidente do PSD, Mota Amaral.

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Outra inventona

Ferro Rodrigues é o único presidente da AR que não vem do partido mais votado?
Tanto Luís Montenegro como Nuno Magalhães estão factualmente incorrectos. Antes de Ferro Rodrigues chegar à presidência da Assembleia vindo de um partido menos votado nas legislativas anteriores, já Oliveira Dias, do CDS, e Fernando Amaral, do PSD, tinham sido eleitos.
Luís Montenegro está factualmente correcto, pois refere-se ao facto do presidente da Assembleia ter sido proposto e eleito com o apoio do partido mais votado, mesmo quando não saiu das suas fileiras. Mas já por duas vezes a segunda figura do Estado emanou de uma bancada que não era a maioritária.

Cada tiro, cada melro. Eis a gente séria da PAF.

Adenda para incluir correcção no artigo citado:

Texto editado por Leonete Botelho, corrigido às 11h45 de sexta-feira, para esclarecer que, mesmo quando o presidente da AR não pertenceu, no passado, ao partido mais votado, a sua eleição foi aprovada por este e existia um governo de coligação.

Aqui não há problema em corrigir o que precise de ser corrigido. Gostava ver outros fazerem o mesmo quanto ao que escreveram sobre coisas como a devolução da sobretaxa do IRS ou da venda da TAP.

O virtuosismo democrata-cristão de Nuno Magalhães

Nuno Magalhães

Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

A vida privada dos responsáveis políticos não deve ser alvo de escrutínio, mesmo quando estamos a falar daquele lixo não-reciclável que o Parlamento vai acumulando em algumas esquinas do edifício, aquele que nem com soda cáustica sai. Afinal de contas, se não os queremos lá temos sempre a hipótese de levantar o cu do sofá e deixar de votar na abstenção.

Contudo, emergem por vezes situações muito específicas onde aspectos da vida privada de alguns destes indivíduos nos permitem perceber algumas tomadas de posição enquanto dirigentes políticos. Ou, como é o caso, nos deixam ainda mais confusos. Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP e titular indiscutível no F.C. Nãoexistealternativaàausteridade, encontra-se a ser julgado por se negar a assumir a paternidade de uma criança de 4 anos, paternidade essa que, segundo o Correio da Manhã, foi já comprovada através de 2 testes de ADN.

Este é o mesmo Nuno Magalhães que deu voz à “orientação firme de voto contra” o projecto-lei sobre a co-adopção levada ao Parlamento pelo Partido Socialista há um ano atrás. Na arena política, Nuno Magalhães defende que uma criança deve ter um pai e uma mãe. Já na sua vida privada, o centrista parece não ter problemas de ver o seu próprio filho privado do pai. Ou seja, todas as crianças devem ter direito a um pai e uma mãe, excepto o desgraçado do filho de Nuno Magalhães. E se a mãe encontrasse outra mãe para ocupar o espaço vago deixado pelo deputado? Será que virtuoso cristão se oporia com a mesma firmeza com que se opôs ao projecto socialista?

Palavra da salvação. Glória a vós Senhor!