A abstinência sexual e outras ironias democratas-cristãs

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A propósito da mais recente polémica protagonizada pela Juventude Popular, que, presumo, terá cumprido o seu principal objectivo de dar algum protagonismo à agremiação de jotas mais apagada do país, e sobre a qual já muito se disse e escreveu – sugiro a leitura do artigo de Daniel Cardoso, publicado no Geringonça, está lá tudo – veio-me à memória um texto que escrevi faz mais de um ano e meio, sobre o virtuosismo democrata-cristão do ainda líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, que se recusava – talvez a situação se tenha resolvido entretanto – a assumir a paternidade de uma criança que, segundo o suspeito Correio da Manhã, havia já sido comprovada por dois testes de ADN.

Da vida do deputado, claro está, sabe o senhor deputado. Mas se foi irónico vê-lo envolvido nesta embrulhada, ao mesmo tempo em que dava voz, no Parlamento, ao chumbo do projecto-lei do PS sobre co-adopção, não é menos irónico ver os seus jotinhas metidos em trabalhos com um conjunto de propostas que, para além da questão da abstinência sexual, assumem como bandeira a “vivência sexual responsável e saudável“, alertam para “os riscos físicos e emocionais de uma vida sexual desregrada” e afirmam que “A educação sexual também serve para combater a percepção de que um filho é um empecilho, um aborrecimento ou uma surpresa desagradável.“. Estarão a querer fazer a folha ao vice-presidente do partido?

Foto: António Cotrim/Lusa@JN

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O CDS é um partido feito por meninos bem, quase todos vindos das Universidades Bem, nomeadamente da UCP.
    Atenção que não tenho quaisquer pruridos contra estas instituições, desde que cumpram todos os requisitos para os quais foram criadas, e se algumas me parecem mais agências de emprego, outras são seguramente boas escolas universitárias. Contudo não deixa de ser uma coincidência esse facto, o de terem a mesma “Denominação de Origem Controlada” estilo vinho DOC.
    As elites sempre gostaram de manter uma certa “abstinência sexual” com as futuras damas, uma espécie de debutantes que farão as delícias de um par de heranças, umas maiores outras menores, mas sempre a pensarem na melhor firma de amealharem uns cobres…mas eles esfregam-se todos na empregada doméstica, se for rapariga nova vinda das berças, ou na secretária que usará saia curta, a qual na ânsia de almejar alguns proventos se propõe a um caso amoroso.
    Elas farão um pouco menos, mas estarão dispostas a tudo se virem que o negócio estar prestes a ir por água abaixo.

  2. Ana A. says:

    Não sei, não! Mas quando vejo os jovenzitos universitários podres de bêbados e de sei lá mais o quê, será que, ainda assim, precisarão de apelar à abstinência….?!

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