Elon Musk e liberdade

Nos últimos tempos, temos visto crescer a imagem do oligarca sul-africano Elon Musk como um deus da liberdade de expressão, um rei libertário das massas oprimidas no Twitter.

Se a visão de um oligarca como “um defensor da liberdade”, seja ela qual for, já é abusiva, todo o endeusamento à volta do bilionário atesta o delírio colectivo. Isto porque “liberdade” e “bilionário” são duas ideias contraditórias entre si; nenhum bilionário nos trará liberdade, mas ao assumir-se como um paladino da mesma, nós, comuns mortais, estamos a assegurar a sua. E a sua liberdade é a de poder continuar a lucrar desmesuradamente com os seus negócios, aqueles onde nós investimos, mesmo sem nos apercebemos. Não pode ser uma musa da liberdade aquele que se opõe a que os seus trabalhadores usufruam das liberdades a que têm direito como, por exemplo, o direito à greve, ao qual o oligarca Musk se opõe.

Elon Musk não é exemplo de nenhuma virtude, a não ser a aparente virtude de ter muito dinheiro. Se é que isso é uma virtude por si só (plot twist: não é). Mas pode vir a sê-lo, basta querer. Em primeiro lugar, pode começar por re-admitir aqueles que despediu: os moderadores de conteúdo que tinham a tarefa de monitorizar crimes na internet. Excluir as carradas de contas de nazis que deixa andar livremente por uma plataforma mainstream, pode já ser um passo.

Depois, é simples, fecha as portas da Tesla na China, no Catar, nos Emirados Árabes Unidos, na Hungria e na Turquia, países onde não existe… liberdade de expressão.

Até lá, será apenas o rei da manipulação com um objectivo único: manter-se no topo da lista dos oligarcas mais oligarcas do mundo. E se Portugal seguisse o exemplo do Brasil, poderíamos começar a pensar em libertar, finalmente, os nossos jovens do jugo das redes sociais vistas como “mundo real”.

Liberdade haverá quando não houver espaço para nem mais um Elon Musk.

Markos Leivikov: o oligarca preferido do jet set português

Já passaram dez anos, desde aquele réveillon em Cascais, marcado pelos diamantes e pela boa disposição. O anfitrião, proprietário do chiquérrimo Farol Design Hotel, era Markos Leivikov (na foto, à esquerda), oligarca russo com ligação directa a Putin e a outros oligarcas da rede de crime organizado dirigida a partir do Kremlin.

Não surpreende, esta proximidade entre Leivikov e o jet set português, também ele repleto de tios e tias, maridos e mulheres dos oligarcas locais, pendurados nos negócios do Estado e nas mais variadas formas de corrupção e tráfico de influências. Fazem parte do mesmo habitat natural. Leivikov, no fundo, é aquele animal selvagem, proveniente de um destino longínquo para dar um toque de exotismo ao zoológico da cleptocracia nacional, e ser admirado pela corte de percevejos eco-chiques da Comporta, agora que os oligarcas angolanos estão em vias de extinção.

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Marco Galinha, Mariana Mortágua, a oligarquia russa e o tablóide Tal & Qual

Marco Galinha, proprietário do Grupo Bel, que detém a Global Média (DN, JN e TSF), tem estado nas bocas do mundo pela sua ligação a Markus Leivikov, oligarca russo com vários investimentos em Portugal, sócio e sogro do tubarão da comunicação social portuguesa.

As ligações de Leivikov ao regime cleptocrata de Putin e a outros oligarcas são já bastante conhecidas, e foram alvo de análise na RTP, no programa A Prova dos Factos, não deixando grande margem para dúvidas, pese embora o negacionismo de Marco Galinha, quando confrontado com a natureza sombria do enorme património do seu sogro e sócio, com ligações estreitas à cúpula do regime russo.

Mariana Mortágua, o maior pesadelo da elite financeira e empresarial versada na trafulhice, foi quem denunciou a ligação de Marco Galinha a Markus Leivikov. Meteu o dedo na ferida e afrontou o big shot, como é seu costume. Poucos dias depois, no tablóide Tal & Qual, Mortágua é acusada de, e cito, “Só depois de a avença ter sido suspensa se lembrou de atacar quem lhe paga…” referindo-se a condição de colunista do JN da deputada do BE.

Mas o que tem o tablóide renascido das cinzas a ver com esta trama, se nem faz parte do império de Marco Galinha?

Nada de mais. Apenas o facto de Marco Galinha ter feito tudo para que o Tal & Qual voltasse a ver a luz do dia, como nos permite concluir a publicação em baixo, de José Paulo Fernandes-Fafe, jornalista ligado ao tablóide desde os seus primórdios, que volta a integrar a equipa após a ressurreição do título. E o tablóide, ao contrário daquilo que acusa Mariana Mortágua, não ataca quem lhe paga. Opta antes por fazer o frete, com honras de capa, como se de um grande acontecimento se tratasse.

Curiosamente, vemos na mesma capa André Ventura em grande destaque, por uma alegada e não provada tampa que terá dado a Vladimir Putin, o que não deixa também de ser curioso, ou não tivesse Marco Galinha assumido querer mais espaço para o CH – do qual o seu irmão é militante activo e bem relacionado – nos títulos da Global Media. Uma coincidência, seguramente. Sobre essa e outras coincidências, vale a pena ler o Miguel Carvalho, na Visão.

E ainda há quem ache que é a esquerda que controla a imprensa deste país. Yeah right…