Assembleia (in)útil

[Francisco Salvador Figueiredo]

 

Na última semana, na Assembleia da República, foi rejeitado o voto de congratulação da Iniciativa Liberal pela aprovação, no Parlamento Europeu, da Resolução que condena de igual forma os regimes totalitários do fascismo e do comunismo. Não vale a pena declarar a minha opinião, pois ela é óbvia. A partir do momento que é totalitário e retira a liberdade às pessoas é igualmente mau. E aqui não importa se o comunismo matou mais ou os nazis mataram assim e assim. O que importa é a atitude e a motivação. Não se trata de um número, mas sim de uma forma de pensar. Se eu entrar numa confeitaria e roubar 5 pães, mas outro roubar 7 pães, isso não faz de mim melhor ou pior. A atitude de ambos está errada.

Agora vamos falar do assunto tendo em conta os nossos interesses como país. A Iniciativa Liberal entrou muito bem, com uma ótima proposta e que se revelará na vida dos portugueses. Seguem-se 3 pontos das vantagens desta proposta:

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Peninsulares

Iberian_peninsulaOnde, na Europa, um parlamento expõe bustos dos seus ditadores do séc. XX? na Alemanha ou em França, países com legislação anti-revisionista, que têm metido na cadeia os que tentam branquear a História?

Imaginam vária imprensa e imensos blogues a glorificarem um criminoso de guerra e terrorista confesso por altura do seu falecimento nesses dois países, ou numa Bélgica ou Holanda?

Estão a ver os partidos de um governo na defesa da “memória” de um Hitler (que até foi eleito), das estátuas de Estaline ou pregando por Petain?

Neste canto da Europa, o ibérico, também a desgraça nos une. O governo espanhol e o português juntam-se na mesma mistificação, são governos  sabonete, lavam e ainda perfumam. Somos o canto das ditaduras que não soubemos extirpar, uns trocaram a democracia pela desonra dos seus milhares de heróis assassinados pelo bárbaro Franco, nós deixámos que lentamente o Estado Novo seja visto com a brandura habitual proclamada pelos seus herdeiros.

Somos a vergonha da Europa.

À porrada

Agora Vítor Cunha glorifica o ensino de ditaduras (e/ou) onde se aplicam castigos corporais aos alunos. Diz que fica mais barato.

O Grande Morto de Cera

«A revelação bombástica é que o corpo exibido, cheio de sigilo e segurança, em um super-caixão lacrado, não é de um ser humano normal, deformado por um terrível câncer. O cadáver seria um boneco de cera. O simulacro de um Chávez “embalsamado”.» Alerta Total

Ó Samuel, quem tem medo compra um cão

Diz o Samuel De Paiva Pires que só não o tendo lido posso meter a sua pessoa na prateleira da extrema-direita. Acometido da insanidade de que me acusa fui ler uma prosa onde apela estridente e pateticamente a que nenhuma pessoa de bem se passeie pela Festa do Avante, já que todos os comunistas pertencem a um de três grupos: “estúpidos, ignorantes e tenebrosos“, e eventualmente a patologia é contagiosa, através de simples contacto visual.

A pertença a essa fascinante escola de futuros quadros do actual regime que é a Juventude do CDS já me chegava para mais uma vez esclarecer que se BE e PCP são classificados como de extrema-esquerda por um mínimo de decência geométrica o CDS será de extrema-direita, e desta não saio nem dela ninguém me tira (enfim, se vierem armados não terei outro remédio).

Mas a indigesta leitura serviu para um diagnóstico mais apurado: extrema-direita doentia, incapaz de conviver com outros de sinal político oposto, destilando ódio, bisneta dos trauliteiros miguelistas, neta dos talassas de Paiva Couceiro e filha da Legião de Salazar.

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As ditaduras de A a Z

Quando numa casa onde ainda há pouco se defendeu uma intervenção dos coronéis caso a Syriza ganhasse as últimas eleições gregas se tenta argumentar com a contabilidade de vítimas das ditaduras que por alma e graça do divino espírito santo se atribuem à esquerda (incluindo como de costume o Cambodja), entramos na incapacidade argumentiva mais básica.

Primeiro porque se o assunto é comigo, era bom que encontrassem uma linha onde tenha defendido qualquer um dos carniceiros citados ou um regime seu aparentado. E segundo porque as ditaduras não são uma operação contabilística quantitativa e se o fossem conviria utilizar percentagens, ou acabamos a meter o China dentro da Chile, e se calhar não cabe, de resto não há números fiáveis para nenhuma ditadura, nem a Alemanha hitleriana contabilizou as suas vítimas. Um morto chega perfeitamente para enumerar criminosos, a morte é irreversível independentemente das convicções religiosas de cada um e uma ditadura é sempre um modo insuportável de se viver, excepto para os opressores. Basta ter experimentado a portuguesa para dar por isso. [Read more…]

Mentalmente parvo

Numa curiosa troca de piropos (um bocado típica do Agosto blogueiro) dou com esta pérola:

Depois, alguém que acha que o liberalismo é fascismo obviamente não é uma pessoa mentalmente sã.

Assina Samuel de Paiva Pires. O de Paiva não deve ler os insurgentes (nem todos defendem o Pinochet, convenhamos, mas pelo menos convivem com a sua idolatria). Mas apreciei a acusação de insanidade mental, já para não falar no diagnóstico de autista que levou o meu amigo Renato Teixeira.

No meu tempo era coisa típica de estalinistas, mas a extrema-direita moderna não se perde com essas minudências, e pelos vistos aceita as melhores práticas ditatoriais. Para a próxima já não vamos para Caxias, um qualquer manicómio (privado) espera os sobreviventes. Se os houver, que esta aristocracia anda cá com uma sanha…

O fim das greves

Tal como o meu colega aventador Carlos Garcês Osório, nunca fui simpatizante de greves, embora as minhas razões sejam diferentes. A greve é, evidentemente, um acto de violência, uma bomba atómica a ser usada quando aquilo que se diz não é ouvido. Tal como qualquer outro acto em democracia, as greves estão sujeitas às críticas e pode, até, concluir-se que são injustas.

Num mundo mais próximo do ideal, as greves seriam desnecessárias; num país em que os trabalhadores sejam constantemente agredidos, num país em que os direitos sejam constantemente retirados, num país em que tudo os que os trabalhadores dizem é, quotidianamente, ignorado, o que resta aos trabalhadores? O que resta a quem fala e não é ouvido a não ser gritar? Num país em que aumentam impostos, no mesmo país em que os trabalhadores perdem subsídios, em que lhes baixam salários, onde são obrigados a dar mais dias de trabalho por ano, onde a saúde e educação são bombardeadas, entre muitos outros abusos, naquele mesmo país em que os trabalhadores, por todas estas razões, acabam por ser responsabilizados por três décadas de uma incompetência governativa que não tem fim, que se deve esperar que não seja contestação?

Aceito que haja pessoas a criticar os funcionários da CP ou quaisquer outros grevistas. Repugna-me, no entanto, que alguns, como acontece na caixa de comentários do texto do Carlos, manifestem um marialvismo serôdio, ansiando por um regresso aos tempos em que não havia direito à greve ou por uma privatização geral do país para que a matilha de trabalhadores que atrapalha o país amanse, gente que chega a considerar Ronald Reagan um herói. O Carlos ainda propõe que a CP seja vendida à Coreia do Norte, desde que isso acabe com as greves. Terá sido por isso que o governo está em vias de entregar a EDP à China, outra maravilhosa democracia?

Vamos supor que os funcionários da CP abusaram de um direito. Prove-se e aja-se em conformidade. Há quem ande, há anos, a pedir que o mesmo aconteça aos políticos incompetentes que nos prejudicaram e nada acontece. Será que, por isso, deveríamos defender o fim dos governos?

Entretanto, seria interessante reler dois textos: este e este.

Querido Pai – para falar (em três tempos) das atrocidades da guerra e das ditaduras


Fizeste-me. Embora ninguém o queira dizer. Porque é a mãe quem faz o filho. Mas, eu sei, todos sabemos que me fizeste. A melhor lembrança de vida és tu. Com o teu silêncio, a tua distância, o teu sorriso, as tuas palavras duras, as tuas indicações. O caminho das alternativas. Talvez, a reverência à mãe. O carinho que sempre vi, teres por ela. Esse carinho calado, orientador, receptor, que aceita e dá.
Fizeste-me. Com o teu corpo, é verdade. Mas com a tua paixão depois, é mais verdade ainda. A tua paixão pela mulher que me levou no seu ventre. Essa paixão que eu não vi, mas senti. Senti dentro do corpo da mulher que amavas, senti no teu respeito por ela, na tua entrega a ela. Na tua preocupação silenciosa por ela. Sem dizer a ninguém se era ou não difícil com ela lidar. Porque tu eras homem e ela mulher, essas duas diferenças que a sociedade marca e que a cultura hoje quer ultrapassar. Para definir uma igualdade impossível entre homem e mulher, entre pai e mãe. [Read more…]

Não há ditaduras boas (a propósito de Orlando Zapata Tamayo)


Orlando Zapata Tamayo estava preso pelos crimes de desrespeito da ordem pública, desordem e resistência ao Governo de Cuba.
Um preso político, que iniciara há 85 dias uma greve de fome em protesto pelas condições das prisões do país. Morreu ontem.
Para aqueles que insistem em defender Cuba: não, não há boas e más ditaduras. Há apenas ditaduras e Cuba é uma delas.