Afinal António Costa só queria um ramo de flores e uma caixa de bombons.

Nada é mais inebriante do que ser agradavelmente surpreendida. É o mínimo que posso dizer sobre a atitude ousada de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ao ter manifestado a sua satisfação por o “Governo não ter desistido da construção do novo terminal de cruzeiros de Lisboa”.

Resta-me apenas uma dúvida (sem grande importância até, confesso). As declarações que ontem vieram a público não davam a entender que o actual executivo era contra?

Contentores de Lisboa mudam-se para a Trafaria

As câmaras de Lisboa e de Almada não concordam mas o Governo não ouviu as suas razões, e vai avançar desde já com a medida – a primeira de um mais vasto programa que pretende relançar o Mar na economia nacional.

Não se Arranja Aqui Uma Grevezita?

transatlanticoPorto de Lisboa prevê a chegada de 40.000 turistas até ao final de ano

O medo das alterações às leis laborais nos trabalhos portuários – ou – Raios Partam as Greves

Os “trabalhadores portuàrios” de alguns portos Nacionais (Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro estão completamente parados) estão em greve.
Como de costume no Porto de Leixões não há greve. Talvez por isso tenha lucros e seja apetecível colocá-lo ao mesmo nível dos outros. Quem trabalha e tem sucesso não raras vezes tem guerra declarada pelos que o não fazem nem o têm.
Por causa desta greve, mais esta, já vários barcos que se dirigiam à capital, mudaram o seu destino e terão ido aportar a Espanha. Se fossem inteligentes (os mandantes) teriam ido para Leixões, onde se trabalha, já que os nosso vizinhos, que já têm a austeridade à porta, também ameaçam com greves (embora tudo não passe de manifestações de solidariedade sem fundo efectivo), estendendo-as aos portos de toda a Europa, tudo por causa, imagine-se, do Governo Português.
É verdade que sou contra as greves, embora não o seja contra o direito a fazê-las, mas isto é de doidos. Quando precisamos de trabalhar, cada vez mais, fazemos greves e damos os negócios que muita falta nos fazem aos outros.
Para os defensores deste tipo de acções, é uma medida inteligente, para mim, é uma tremenda burrice, digna de quem tem a cabeça só para criar piolhos. Mas isto sou eu a dizer, que destas coisas percebo menos que nada.

Ah, e por falar em greves, amanhã há mais … CP, Metro, Carris e STCP (também amanhã, a Metro do Porto não entra).

“P’rá frente Portugal!

Contentores de Alcântara : Um caso de polícia!

Interposta acção pelo Ministério Público no Tribunal Admnistrativo de Lisboa, sobre o contrato  celebrado pela Admnistração do porto de Lisboa e a Liscount, empresa do Grupo Motta-Engil. É uma cedência aos interesses da Liscount, é um contrato inédito de parceria público/privado, viola o Código de Contratação Pública e o Código de Procedimento Admnistrativo e fere a própria Constituição.

O suposto adiamento mais não é que um novo contrato de concessão de serviço público, celebrado com a única intenção de contornar a necessária abertura de um novo concurso público. Citando várias vezes um relatório do Tribunal de Contas sobre a matéria, muito crítico também ele, relata que é um contrato acentuadamente desequilibrado sob o ponto de vista financeiro e do sistema de partilha de risco.

Está longe de se considerar que o tráfego do terminal se esgote em 2009/2010, existindo por isso, um manifesto erro nos pressupostos, que conduziram a este contrato. A APL, cedeu aos interesses da concessionária e às exigências dos bancos em detrimento dos interesses públicos, assumindo garantias e obrigações manifestamente desproporcionadas.

Um caso de polícia!

Roubo de viaturas nos portos nacionais!

 

É esta, a Toyota Dyna roubada no passado Sábado

 

 

Na madrugada do passado Sábado, 14 de Novembro, foi roubado à porta de casa, em pleno centro de Lisboa, o camião Toyota Dyna pertencente a um amigo. Dependendo totalmente do veículo para o seu trabalho, participou imediatamente à P.S.P.

 

Esta noite, no decurso de um jantar com um grupo de amigos, um deles informou-me acerca das estranhas ocorrências que desde há alguns anos se verificam nos portos nacionais. Existe uma máfia bastante organizada que se dedica ao roubo e exportação de viaturas com destino a países como Angola, Guiné e Cabo-Verde. O procedimento parece ser  rotineiro. O veículo é roubado, desaparece durante semanas ou meses, para depois de modificada a pintura e alguns aspectos da sua estrutura – lonas retiradas ou mudadas, por exemplo – ser vendido para os citados países, com papéis "novos", motores trocados, etc. 

 

 

Liguei de imediato ao António e fomos dar uma vista de olhos no Terminal do Poço do Bispo. O espectáculo é inacreditável e tendo falado com funcionários da zona, obtivemos a confirmação das suspeitas que se tornaram numa certeza. Os camiões de caixa aberta ou fechada são às dúzias, muitas vezes empilhados sobre outros grandes trailers! Com rodas ou sem rodas, foi-nos dito que muitos embarcam sem motores – que seguem em contentores -, irreconhecíveis. Aliás, deparámos com camionetas com cerca de dez ou quinze anos, pintadas de fresco, rejuvenescidas e prontas para partir para outras longínquas paragens. Os esquemas são complexos e a azáfama nos dias que antecedem a partida do barco, torna-se frenética. Viaturas onde à vista de todos são montadas as baterias que lhes permitem uma deslocação mínima em direcção ao local de carga, com "equipas de trabalho" que se aprestam às derradeiras formalidades. Fala-se de notas de encomenda que chegam do além-mar, adequando a oferta à procura. Tudo isto às claras, sem um mínimo controlo que iniba o crime?

 

Não posso acreditar na facilidade de todos estes episódios degradantes, se não existir uma clara conivência de gente colocada nos lugares exactos, ou pelo menos, de uma total inoperância ou desinteresse para com este autêntico escândalo de roubo descarado. Em que país se tornou Portugal nos últimos anos? Como é possível existirem tantos, tão prolongados e fortes rumores, sem que se tomem apertadas medidas de controlo da situação? Raspagem de números de série ou motores que não correspondem ao veículo, não são, pela sua frequência, aspectos dignos de desconfiança? As queixas empilham-se nas esquadras e não existe uma suspeita acerca do inusitado número de camiões que são exportados, correspondendo em grande medida às viaturas desaparecidas? A quem aproveita este esbulho?

 

Há uns anos, falava-se abertamente de viaturas de alta cilindrada que eram roubadas nas ruas portuguesas e que depois seguiam em direcção à Europa de Leste. Hoje, o móbil parece ser outro, o dos comerciais usados. O que sabem as Administrações dos portos de Lisboa, Setúbal ou Leixões acerca destes bastante credíveis rumores? Quem poderá mandatar as polícias para colocar um ponto final neste autêntico e vergonhoso tráfico de propriedade roubada aos portugueses? Onde param as atribuições do Ministério da Administração Interna e da Polícia Marítima? Como é possível permanecer de olhos fechados para uma realidade que todos aqueles que trabalham com transportes conhecem e contra a qual nada podem fazer?

 

O descaramento é total, os "agentes de exportação" repetem rotineiramente as remessas e os estranhos procedimentos passam impunes. Até quando? Até onde cairá a reputação da autoridade do Estado e dos agentes da ordem pública? Este país está a saque.

 

Isto é uma vergonha!