Papa lá a República

Em 2010 a peregrinação do Papa Ratzinger à sucursal de Fátima serviu também para provocar a República em seu centenário.

A operação foi bem sucedida através de Cavaco Silva que se comportou como um reizinho devoto, com netinhos e tudo.

A causa monárquica ficou feliz e contente.

Engano seu.

Ficou demonstrada a nobreza da República: até um imitador dos herdeiros do poder por jurisprudência divina pode ser eleito seu Presidente.

Suprema virtude da República, que bem ou mal os escolhe, comparando com a monarquia, que os herda sem ninguém os escolher.

pintura digital roubada a Carlos Paes

O Papa Equilibrista

Ainda não me manifestei sobre a presença do Papa em Portugal. Começo pela declaração de interesses habitual: balanço entre o ateísmo e o agnosticismo.

Posto isto, nada tenho contra a presença do Papa em Portugal. Contra a promiscuidade entre estado laico e igreja católica, sim, tenho, mas não é isso que motiva este texto.

Naturalmente que eu não esperava que o Papa viesse a Portugal defender o casamento dos padres, a união civil dos homossexuais, o aborto, a ordenação de mulheres. Penso que os católicos devem resolver os seus problemas internamente e posicionarem-se da forma que melhor entenderem face ao mundo actual e à sua fé ancestral que muitos acreditam eterna.

Também não esperava que prescindisse de uma teatralidade em que a igreja católica se especializou, de um mega-espectáculo cénico de afirmação de poder, de pompa e de soberba quase obsceno, nem de uma marcação absolutamente ensaiada no espaço físico e mediático.

Acontece que notei, pelas suas palavras, que este Papa tem um discurso radicalmente – aqui a palavra usa-se atendendo às inúmeras  condicionantes existentes – diferente do do seu antecessor.

Este Papa diz coisas, “vê-se” que pensa coisas. [Read more…]

karl heinrich presborck marx e joseph ratzinger

Karl Heinrich Presborck, estudante em Iena

no aniversário do nascimento de Karl Marx…e da visita a Portugal de Ratzinger…

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.

O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazis açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

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De Miguel Sousa Tavares

(Acho que é de transcrever)

Sua Santidade
Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)
0:00 Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Há uma imagem, um momento, um instante decisivo na vida de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, que me marcou e que nunca esqueci: é o instante em que ele, acabado de ser eleito Papa da cristandade, faz a tradicional aparição à janela do Vaticano e saúda os fiéis reunidos na praça à espera do fumo branco e perante as televisões do mundo inteiro. Como toda a gente, eu conhecia um pouco do percurso do cardeal Ratzinger: sabia que era tido como um eminente teólogo e tinha sido a face exposta da facção ultraconservadora e dogmática da Igreja Católica, à frente da Congregação para a Doutrina e a Fé, a sucedânea moderna da Santa Inquisição. Pelo meu olhar alheio, Ratzinger tinha feito o “trabalho sujo” de João Paulo II, chamando a si o ónus das posições igualmente conservadoras do Papa Woytila, condenando ao silêncio os padres da Teologia da Libertação e os que representavam a Igreja herdeira do Vaticano II e, inversamente, protegendo os dissidentes da ultradireita católica – até se chegar à inimaginável canonização do fundador do Opus Dei, o espanhol Escrivá de Balaguer. O mundo via Woytila como um santo e Ratzinger como o seu indispensável Rasputine. Concedo que a visão fosse redutora e simplista e que as coisas, necessariamente, fossem menos evidentes ou menos simples do que isso. Mas essa era a imagem que passava e nunca pensei que a escolha do sucessor do papa polaco (que, em minha alheia e indiferente opinião, fez a Igreja recuar cinquenta anos) pudesse vir a ser o homem que representava uma facção extremada da Igreja. Achei que, depois de Woytila – um produto dos tempos finais da Guerra Fria (e que alguns historiadores insinuam que foi levado ao poder por Reagan e pela CIA) – a Igreja Católica, dividida entre várias facções opostas e representando realidades diferentes, quereria alguém que fosse um conciliador, um unificador de divergências. Ou, então, alguém radicalmente diferente, mais novo, vindo de África ou da América Latina – onde a Igreja enfrenta os seus maiores desafios – e que fosse capaz de enfrentar questões novas e ter um discurso novo e mobilizador. Mas, não: a sábia escolha dos cardeais recaiu num alemão, representante do conservadorismo, da tradição e da intransigência. Que, uma vez ungido e sentado na cadeira de S. Pedro, passou logo, como é suposto, a emanar a bondade divina e a sabedoria etérea: esse é um dos tais “mistérios da fé”, em que a doutrina católica é pródiga. [Read more…]

Comentário do próprio Eric Frattini

(Comentário de Eric Frattini a Nuno Resende, no meu post “Los papas e el sexo”. Vale a pena ler).
Querido amigo Nuno,
Siento no poder responderte en portugués, porque no lo entiendo, pero paso a contarte una cosa. Desde 1960, el Vaticano ya conocía de forma oficial los abusos sexuales sobre niños y seminaristas. Juan XXIII firma un documento de 62 páginas en las que da instrucciones a la Curia para que escondan todos los casos y que los pederastas sean tratados como ‘pecadores’ y no como ‘delincuentes’.
Y en eso llegó Juan Pablo II y el cardenal Ratzinger. Desde 1981, Ratzinger tenía ya sobre su mesa cientos y cientos de casos de abusos sexuales por parte de altos cargos, no sólo sacerdotes. ¿Qué hace Ratzinger? pues redacta un docunento, en forma de adendo sobre el documento de Juan XXIII, en el que da instrucciones a todo el clero para que los casos de abusos sobre niños o seminaristas sean tratados en el Vaticano y de que en ningún caso pueda ser denunciado a las autoridades policiales del país en donde se cometió el delito o ‘pecado’.
Así es que amigo, Nuno me creo bien poco las disculpas en forma de ‘carta pastoral’ de Benedicto XVI. Si quieres más información, lee mi próximo libro que saldrá en Portugal en el mes de octubre de 2010, titulado ‘Los Papas y el Sexo. De San Pedro a Benedicto XVI’ (Bertrand Editores), en donde hago un gran repaso histórico de como los papas han tratado el sexo y como la mayor parte de ellos, lo han practicado.
Como dijo un día un sabio: “De todo hay en la Viña del Señor”.
De cualquier forma ha sido un placer responderte.
Estaré en Lisboa el 25 de mayo, presentando mi nueva novela en El Corte Inglés y editada por Porto Editora ‘El Laberinto de Agua’, una novela por cierto, condenada por el Opus Dei en España. Será todo un placer saludarte en Portugal, así como a todos los que formáis parte de este blog….
Un saludo a todos

ERIC FRATTINI

www.ericfrattini.com