Ele Decretou o AlieNatal

Não seria mais simples mudar de paradigma económico, saber o que anda ali fazer?!

II- Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O que os trabalhadores mereciam, e poderiam obter se acordassem de sua sonolência, era o controlo de seu próprio trabalho, a posse do valor que geravam com esse trabalho e, consequentemente, auto estima, liberdade e poder. Pretendia que os trabalhadores passarem a possuir o produto do seu trabalho, acabar com a alienação. [Read more…]

karl heinrich presborck marx e joseph ratzinger

Karl Heinrich Presborck, estudante em Iena

no aniversário do nascimento de Karl Marx…e da visita a Portugal de Ratzinger…

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.

O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazis açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

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A máquina do tempo: o futebol como ideologia

 

Para não ser acusado de ser mais «um mouro a sair da toca», como aqui foi dito num comentário, quanto a mim infeliz, sobre o entusiasmo que tem grassado entre os aventadores vermelhos, tinha decidido esperar que o Benfica perdesse para publicar este texto. Secretamente, acalentava a esperança de nunca ter de o publicar ou de o vir a publicar mais tarde; mas no sábado o Benfica perdeu – e bem – cá está a prosa. Vou, pois, ocupar-me, mais uma vez, do chamado «desporto-rei».

Continuando na onda de rapinanço de títulos, a minha vítima de hoje é o alemão Gerhard Vinnai, autor de um livro com o título que dei ao texto – «O Futebol como Ideologia». No prefácio da edição portuguesa – datada de 1976 – Vinnai caracterizava Portugal como um país em que «o futebol e Fátima competem ainda no esforço de consolar as massas da miséria da sua vida de todos os dias».

De 1976 para cá, a situação alterou-se substancialmente – para melhor numas coisas, para pior noutras – Fátima e o fado (Vinnai esqueceu-se do fado), perderam terreno, mas o futebol que naqueles anos em que a luta política assumiu um papel importante na vida dos cidadãos, perdeu protagonismo, veio depois a recuperar o seu papel cimeiro nas preocupações mais ingentes de grande número de cidadãos. Mas não vou falar do livro de Vinnai, nem sequer orientar este texto no sentido que ele deu à sua obra – o de escalpelizar a relação desporto/alienação no mundo capitalista. Apenas me apropriei do título.

Ainda me lembro, durante a ditadura, de ver em cafés, bares, em barbearias, em lugares públicos onde se juntavam homens, pequenos cartazes impressos que diziam . «Proibido discutir política e futebol». Não se podia discutir política porque era perigoso, a PIDE tinha olhos e ouvidos onde menos se esperava. Já discutir futebol era uma fonte de zangas e de desordens. Imaginem um bar ou uma taberna – vinho e futebol era uma mistura explosiva. Daí os cartazes. Um cartaz à entrada do Aventar moderando a discussão de futebolices não faria mal nenhum.

Não porque aqui se beba vinho. A Carla até veio num comentário afirmar-se abstémia. Facto que me deixou seriamente preocupado,  tendo eu pedido ao Adão Cruz que lhe receitasse qualquer remédio ou terapia para a abstemia. Mantenho a opinião de que, discutir futebol na óptica clubística, reduz a capacidade de raciocínio, transformando pessoas inteligentes em mentecaptos. Mas vamos al grano, como dizem os nossos amigos e vizinhos.

Já tenho dito aqui – gosto muito de futebol e até tenho uma forte e indeclinável opção clubística. No entanto, nunca atribuí ao futebol, que é só um jogo, a importância que vejo muita gente conceder-lhe. É um jogo e é um negócio. Mas hoje só quero falar do jogo e da sua incidência (negativa) nas mentalidades.

Assisto aqui no Aventar a picardias entre adeptos, sobretudo do FCP e do SLB. Algumas têm graça, outras nem tanto. Por exemplo, já aqui condenei a atitude de misturar no futebol questões políticas ou regionalistas, ou seja, coisas que nada têm a ver com o futebol. Pelo menos não deviam ter. Em certas alturas das últimas semanas, o Aventar pareceu ir transformar-se num blogue especializado em futebol o que seria lamentável. Até porque esse espaço da blogosfera está densamente povoado.

No momento em que escrevo estas linhas, apesar da derrota em Braga, o Benfica parece ter recuperado algum do seu histórico fulgor, a chama imensa que lavrou pelos estádios de Portugal e da Europa nos anos sessenta e setenta. Nessa altura também não ganhava sempre, basta consultar os jornais desportivos da época. Parece, porque, como se viu no sábado, ainda é cedo para diagnósticos optimistas (tal como para os pessimistas). O Porto e, sobretudo, o Sporting atravessam decididamente um período menos bom. Claro, daqui por um mês o panorama pode ser tão diferente que o cenário de hoje seja irreconhecível.

Seja o que for que aconteça, pergunto: que importância tem isto? Tem a importância que tem e que é pouca, equivalente a zero. Nenhum dos problemas que afectam os portugueses ficam mais perto de ser resolvidos – desemprego, subida dos índices de pobreza, o estado do ensino, da cultura e da saúde, o baixo poder de compra, a marginalidade e a corrupção, ou seja, todos as doenças endémicas do País estarão longe de ser erradicadas e não será o futebol que as erradicará. Pode é fazê-las esquecer. Isto, por muito bem que o campeonato corra a uns e mal a outros.

Acho muito engraçado quando ouço dizer a um adepto de qualquer destes clubes grandes que ser benfiquista, portista ou sportinguista é qualquer coisa de especial, de único. Embora eu próprio experimente essa sensação – sobretudo com o estádio cheio e com a águia a voar – de quem basta estender os dedos para tocar o céu (dizem que o ópio provoca uma sensação semelhante). Acho graça, porque somos todos iguais, com reacções iguais. Por exemplo, se o futebol do Benfica anda, como tem andado nas épocas anteriores, na mó de baixo, descubro-me a preferir falar de futsal ou de basquetebol ou de qualquer outra modalidade em que o meu clube esteja a sair-se bem. E se não estiver a sair-se bem em nenhuma, derivo para a música sinfónica ou para a banda desenhada.

Naturalmente que nada disto é exclusivo dos adeptos portugueses. Em Paris, nos tempos do Racing Paris, do Red Star (fundado pelo mítico Jules Rimet), do Stade de France, o futebol era o desporto-rei. Quando as equipas do Sul, como o Marselha começaram a ganhar os campeonatos, a pouco e pouco, os parisienses foram deixando de ir ao futebol. O Red abandonou o futebol em 1948, o Racing em 1964 e o Stade em 1966. Hoje, com o pífio Paris Saint-Germain a perder jogos, preferem o râguebi. Já, aqui há uns anos, me disse um parisiense «isso do futebol é lá para os marselheses», franzindo o nariz como se estivéssemos perto de peixe estragado.

O futebol transformou-se na ideologia de muitos milhões de portugueses de Norte a Sul. Claro que agarradas ao futebol vêem outras coisas, tais como ancestrais problemas regionalistas. Como já tenho dito, chamar mouro (ou galego) a alguém não constitui objectivamente uma ofensa. Porém, subjectivamente é-o. E é uma agressão sem sentido, pois Portugal, desde as suas origens, sempre foi um vórtice onde se sumiram etnias.

Por exemplo: os judeus que não fugiram e não foram assassinados pela fúria dos gentios e pela Inquisição, misturaram-se com o resto da população. Eram muitos. Outro exemplo, este mais recente – calcula-se em duzentos mil o número de escravos negros que, já no século XIX, abolida a escravatura, desapareceram sem ter regressado a África, fundiram-se com a restante população. Estranhamente, com os árabes que viviam a Sul do Mondego isso parece não ter acontecido. Muito civilizados, muito elitistas, não se misturavam com os cristãos, em geral, culturalmente básicos – a miscigenação foi no caso deles fenómeno raro.

Deixando a questão para quem tenha autoridade científica para o investigar, eu diria
q
ue, segundo me parece, país territorialmente pequeno, estamos de Norte a Sul, muito homogeneizados do ponto de vista étnico. Linguisticamente, as diferenças dialectais são irrelevantes – embora, apesar disso, as utilizemos abundantemente em graçolas nem sempre muito imaginosas. Nada tenho contra a regionalização, porque descentralizar parece-me urgente; mas, na realidade, o nosso País é, no seu conjunto, uma região.

Chamo a atenção de quem aqui no Aventar usa essa «graça», que chamar mouros aos sulistas equivale a defender uma teoria da raça em que o Norte seria povoado por celtas, ou melhor, por puros arianos, e o Sul por semitas. Por tudo o que da História recente sabemos, é uma graça perigosa e de mau gosto. Cuidado! Deixem essas expressões para gente estúpida e boçal como o Manuel Serrão. Não é conveniente sujar o blogue com coisas tão idiotas.

Porque, pensando bem, o futebol não tem qualquer importância. A não ser que o transformemos em ideologia ou em religião. Mas essa não é uma atitude sensata. O nosso clube estar a ganhar ou estar a perder, pode-nos dar alegria, boa-disposição, como disse Vinnai »distrair-nos das misérias das nossas vidas de todos os dias», mas para o que verdadeiramente importa, não conta. É igualzinho a zero.  

Um zero tão redondo como a bola de futebol.