10 de Junho, um outro discurso

João Paulo Correia

É evidente que o discurso do 10 de Junho poderia ter sido outro, que não aquele que foi. Poderia ter subido ao palanque um “homem de esquerda”, daqueles extremamente anti-fascistas e solidários, com o coração cheio de amor ao próximo e a justiça social transpirando de cada palavra. Como o deputado João Paulo Correia, por exemplo. Um tribuno “socialista” à moda antiga, que consegue ser vice-presidente da sua bancada parlamentar, deputado municipal em Gaia, presidente de uma junta de freguesia que fica a trezentos quilómetros de Lisboa, presidente de um clube de futebol (até Julho do ano passado) e ainda ter tempo para umas comissões de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Imagino assim o solene e patriótico panegírico do senhor deputado:

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A vida virada do avesso

A história de uma família de Massamá, com três crianças, que está a ver a vida virada do avesso por conta da cobrança no IVA de recibos verdes desde 2008. O casal fez um pagamento de 5 mil euros da dívida numa repartição (possuem recibos a comprovar) e, oito meses depois, as finanças só dão como pagos 2.800 euros. Os salários estão penhorados e a casa deve ir a leilão.
Mário Pereira & Andreia Dias

Este texto destina-se a dar a conhecer a forma desumana como num país democrático uma família pode ser tratada pela Autoridade Tributária e seus funcionários.
Somos uma família de 5 pessoas, mãe , pai e 3 filhos, o Manuel de 10 meses, o Miguel de 3 anos e a Beatriz de 11 anos, até ao final de 2013 vivíamos como a maior parte da chamada classe média portuguesa, não fazíamos grandes aventuras financeiras mas vivíamos sem grandes dificuldades.
De repente o mundo colapsou, não ao início porque sempre acreditámos que a justiça prevalece sempre e que num estado democrático as famílias não poderiam ser destruídas em nome do saque a favor do estado.
Enganámo-nos e de que forma. No final de 2013 foi a minha esposa notificada pela repartição de finanças de Queluz sobre um processo de IVA, aparentemente e segundo as finanças, ela, trabalhadora por conta de outrem mas também a recibos verdes, deveria no ano de 2008 ter alterado o seu regime de IVA passando a cobrar IVA às entidades para as quais trabalhava. [Read more…]

Recibos verdes

Flávio Martins

Sempre trabalhei a recibos verdes. Dos verdadeiros, mas sobretudo dos falsos. Nunca conheci outra relação com o mundo laboral. Nunca conheci outra cor de governo que não o rosa ou o laranja.
Foi o Mário Soares que trouxe esta nova forma de exploração para a economia portuguesa, que a vendeu como medida de futuro, de crescimento e desenvolvimento, de criação de postos de trabalho. Criou um monstro que devora Portugal.
Somos o novo Lumpemproletariado. Ninguém sabe quantos somos. Não convém sabermos quantos somos. Nos censos, o INE nunca se deu ao trabalho de aferir quantos vivemos sob este “novo” regime de exploração.
Somos a desresponsabilização social do estado e do empregador. Somos cobradores do estado.
Somos o fim do estado social.
Para quem dá mais do que metade do seu vencimento ao estado, para depois nem ter direito a reforma ou subsidio de desemprego, não faz sentido algum contribuir. Sem contribuintes não há estado social. E é isto que querem. Há anos. Décadas. E é isto que temos e somos. Uma carneirada crescente sem rebanho algum. Cada um isolado no seu posto de trabalho a alimentar o vírus.
Os recibos verdes são um vírus. [Read more…]

Da série ai aguenta, aguenta (15)

Prepare-se para 2013: vem aí o pior

 

Um paradoxo ao quadrado

Parece que a luminosa ideia de cobrar uma taxa especial sobre o subsídio de Natal sobre aqueles que não recebem subsídio de Natal, poderá não resultar tão bem quanto deseja o Governo.

É que aqueles que estão a recibo verde e não ganham subsídio de Natal poderão não pagar a taxa sobre o subsídio de Natal, através de planeamento fiscal.

São casos como este, em que alguém consegue eximir-se de pagar um imposto sobre aquilo que não ganha que desgraçam o nosso país.

O melhor é ir vendendo os anéis – que agora chama-se “atrair investimento estrangeiro“.

Mas o pessoal da Luz que se cuide, pois não tarda muito, o ouro dos benfiquistas vai ser o próximo alvo. Tudo menos mexer no capital!

O Senhor Ministro faz Greve?

Fazer greve é um direito constitucional de alguns  cada vez menos trabalhadores.

Recibos verdes, uma vergonha que continua

Assistimos à generalização da contratualização a prazo para funções permanentes, à vulgarização dos recibos verdes, ao crescimento do negócio das empresas de trabalho temporário, à transformação dos/as trabalhadores/as em colaboradores/as, sempre disponíveis e descartáveis.

O trabalho a recibos verdes é disso um bom exemplo: estima-se que existam hoje em Portugal cerca de 900 mil falsos recibos verdes, a desempenhar funções permanentes, com horário, local de trabalho e hierarquia reconhecíveis, mas sem qualquer contrato ou reconhecimento de direitos.

 

Assinem a Petição à Assembleia da República solicitando a regularização das situações injustas nas contribuições singulares para o sistema de Segurança Social, decorrentes da existência do falso trabalho autónomo. Não é preciso estar a recibos verdes para o fazer. Basta ser solidário.