Um óptimo fim-de-semana

Exactamente. Um óptimo fimdesemana.

O animal está de volta

Afinal, as Presidenciais são já daqui a 3 anos…

Hoje regressei ao mercado

No Bolhão, era dia de amolador de facas e tesouras. Foi um dos sons da cidade durante muitos anos, a gaita do amolador. Chegava à cidade à quarta ou à quinta, vindo de alguma vila do interior, e as donas de casa faziam bicha à porta para entregar-lhe as tesouras da costura, a faca de arranjar o peixe, a lâmina da barba dos maridos ou dos sogros. O amolador já não deve ser o mesmo mas voltou a ter gente à porta, sinal de que já se afiam outra vez as lâminas.

No piso de cima, para quem entra pela porta de Fernandes Tomás, estão as vendedeiras de hortaliças. Nabo, couve-galega, lombarda, brócolos, penca, coração, acelga, pés de salsa. E pimento, chuchu, alho-francês, cebola, cenoura, curgete. E sacos de feijão: amarelo, catarino, canário, moleiro, fradinho, rajado. Muita variedade e poucos fregueses. Tudo cheira a humidade, a tinta das paredes descascou, podiam crescer cogumelos naquele recanto mais escuro. As vendedeiras estão sentadas entre caixotes, com as mãos escondidas debaixo dos aventais. De Outubro a Março passam o dia cheias de frio. Trazem camadas de roupa, calças justas, saias, camisolas, xailes, um avental rendado, outro de pano mais grosseiro por cima, meias grossas dentro das socas. Basta-lhes olhar quem se aproxima para saber se vale a pena levantar-se. Uma corta à conversa às outras com a frase que corta todas as conversas. “Não há dinheiro, é o que é”. [Read more…]

Portugal: golos e o regresso da seleção

Depois do interregno para aulinhas e preleções teóricas, passado o pesadelo do professor, eis-nos de regresso ao futebol como deve ser: selecionador em vez de professor, jogadores em vez de alunos. Agora o motor já tem turbo, não está afinado mas atinge rotações elevadas sem medo de tentar.

Não vou endeusar Paulo Bento – não seria a minha escolha para o cargo- mas vê-se que já existe mudança de atitude, vontade de jogar e, suponho, acabaram-se as desculpas esfarrapadas e as liçõezinhas de moral. Bem sei que não se deitam foguetes antes do apito final, que a bola é redonda e tudo pode acontecer. Escrevo este texto durante o intervalo, neste momento Portugal ganha por 2-0. Aconteça o que acontecer, ganhe ou perca, a seleção mudou, há velocidade, os jogadores ocupam as suas posições naturais, Carlos Martins e João Moutinho são finalmente titulares. Assim gosto mais, escusado era ter-se perdido o tempo que se passou em experiências pseudo-educativas.

De regresso ao ‘Aventar’

Saravá Carla, saravá Ricardo, saravá Luís, saravá José de Freitas, saravá a todos os outros, anteriores e novos companheiros do ‘Aventar’, sem excluir antigos e recentes comentadores, sejam estes cordatos ou contestantes. Saudações, pois, a tantos quanto as queiram aceitar, neste momento de regresso ao ‘Aventar’; a minha retirada, agora demonstrada claramente como temporária, fundou-se em motivos de ordem pessoal que, em devido tempo, explicitarei ao Ricardo – devo-lhe um almoço, a pagar em Março, em qualquer restaurante do Porto, Matosinhos, Maia, outro lugar à sua escolha; um almoço para breves cinco minutos de esclarecimentos, ficando o tempo remanescente para tudo quanto o improviso e a conversa suscitarem.

Volto, pois, a abrir no quotidiano mais uma frente de luta com a inspiração, essa substância gasosa, intangível, que tantas vezes me desampara nas horas de reflexão; assim fico reduzido a pensamentos por caminhadas sem rumo e sem nexo. De tal desencontro, mais se agrava o meu lado controverso. Mas cá estou, de novo, para o desafio de exprimir ideias e opiniões, umas vezes melhor, outras pior.

Deixo, por ora, os desabafos e as lamúrias, e para provar que nem sempre são desejados os regressos a felicidades passadas, reproduzo um soneto semi-anónimo, obra única atribuída a um tal Octávio Rocha, intitulada ‘Romance’:

“Venha me ver sem falta… Estou velhinha.
Iremos recordar nosso passado;
a sua mão quero apertar na minha
quero sonhar ternuras ao seu lado…”

Respondi, pressuroso, numa linha:
“Perdoe-me não ir… ando ocupado.
Ameia-a tanto quanto foi mocinha
e de tal modo também fui amado.

Passou a mocidade num relance…
Hoje estou velho, velha está… Suponho
que perdeu da beleza os vivos traços.

Não quero ver morrer nosso romance…
Prefiro tê-la, jovem no meu sonho,
do que, velha, apertá-la, nos meus braços!

Mesmo no ‘Dia dos Namorados’, quando podemos escolher, é muitas das vezes preferível optar pela saudade em detrimento da revivescência. Não é o caso do meu regresso ao ‘Aventar’.