Independentemente da propaganda, a ruptura prova que o jornal A Bola não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Exactamente. Efectivamente. Independentemente da propaganda e apesar da alegada resistência silenciosa, a ruptura não engana.

Nótula sobre a qualidade analítica da propaganda anti-Lage

Top quality research requires outstanding methodological skills.
KP/LDC

 

Equiparar os quatro pontos em quatro jornadas de Lage aos quatro pontos em quatro jornadas de Pereira só pode ser natural num jornal português praticante da resistência silenciosa em tempos de liberdade (exactamente) e que capitula perante o nefando AO90. No mundo real, não é natural que Rogério Azevedo não indique explicitamente o seguinte: nos quatro pontos em quatro jornadas de Pereira, houve uma derrota contra uma equipa actualmente com 22 pontos, enquanto os quatro pontos em quatro jornadas de Lage têm uma derrota contra uma equipa actualmente com 41 pontos e que (credo!) é o actualíssimo campeão nacional. Lá se foi a comparabilidade. E o cálculo é simples. O resto, sim, aceita-se: Braga e Santa Clara (derrotas) têm os mesmos pontos e Gil Vicente e AVS – Futebol SAD (empates) distam uns míseros três pontos entre si. O Benfica e o Sporting ganharem a Estoril e Boavista é absolutamente normal. O que não é normal é continuarmos a ter propaganda, em vez de análise rigorosa. Ainda por cima e repito, para cálculos tão simples.

A *seção (!!!) de vazão

Qu’est-ce que ça donne, ça, dans l’hypothèse où le candidat en question viendrait à l’emporter, qu’est-ce qu’on fait des traîtres, comment est-ce qu’on les traite ?
BHL

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Não sabeis o que é uma secção de vazão? É muito simples. Trata-se, nem mais nem menos, de

Fonte: Infopédia

A literatura que se debruça sobre a secção de vazão é abundante e, por exemplo, temos aqui esta belíssima divisão de uma secção de vazão em três subsecções:

Fonte: Câmara Municipal de Vila do Conde — Ponte sobre o Rio Este, em Arcos. Obra de Arte. *Projeto de Execução. Estudo Hidrológico e Hidráulico. Setembro de 2016 (pdf)

E há interrogações (“será a secção de vazão suficiente?”), há medidas preventivas (“prevenção das situações de risco de cheias, impedindo a redução da secção de vazão” pdf) e até existe sensatez (“não prejudicar nunca a respectiva secção de vazão” pdf).

“Não prejudicar nunca”, pois é. Não prejudicar nunca. Esta deveria [Read more…]

Nuno Crato escreve ‘interacção’. Interacção? Então, porquê?

Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit desclose
Sa robe de pourpre au Soleil,
A point perdu ceste vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vostre pareil.
Pierre de Ronsard

In these two languages [English and Spanish], phonemic boundaries overlap such that the same acoustic signal corresponds to different phonemes in each of the two languages; conversely, different acoustic signals correspond to the same phoneme across languages.
— Fish, García-Sierra, Ramírez-Esparza & Kuhl

I don’t have a trunk on my bicycle.
Douglas Hofstadter

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De facto, Nuno Crato escreve ‘interacção’. Porquê? Porque escreve em português europeu, apesar de, aparentemente, de vez em quando, tentar adoptar o AO90.

Efectivamente, aparentemente. Porque Nuno Crato sabe que *interação mais não é do que uma espécie de repetição nasalada, uma iteração com vogal nasal.

Quanto ao jornal que não aproveita plenamente as vantagens de viver em liberdade, ei-lo de novo a fazer figuras tristes.

fatos

contato  [Read more…]

Em Janeiro de 2018, os factos continuam suspensos

Os pássaros quando morrem
caem no céu.
José Gomes Ferreira

Frege’s statement “the concept horse is not a concept” simply means: “the property of horseness is not itself an ascription of a property”; or to put it even more clearly in the formal mode: “the expression “the property horseness” is not used to ascribe a property, rather it is used to refer to a property”.
John Searle (cf. What Things Really Exist?)

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Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 começou a ser adoptado no Diário da República em 2 de Janeiro de 2012 (o dia 1 de Janeiro é feriado) e a circunstância detectada em 2 de Janeiro de 2018 (como, aliás, acontecera exactamente um ano antes) foi a seguinte:

Isto é, a suspensão dos factos mantém-se.

A suspensão dos contactos, por seu turno, encontra-se extremamente activa no jornal da resistência silenciosa. Eis um pequeno exemplo dessa prática tão habitual (os meus agradecimentos ao sempre atento e excelente leitor do costume).

Continuação de um óptimo 2018.

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A ortografia do jornal A Bola

Como vimos, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade evita a adopção do AO90 em notícias do Benfica.

Contudo, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade adopta o AO90 em notícias do F.C. Porto, adulterando o nome de uma claque.

Depois de ter reagido à proibição de exibir uma tarja com «O espírito de campeão vive? Apenas nos nossos adeptos», espero que esta claque exija uma retractação ao jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade.