Crónicas do Rochedo 47: Era uma vez um CDS…

…..de quem a clique não gosta nadinha.

O Francisco Rodrigues dos Santos não agrada às comentadeiras de direita e centro direita em Portugal. Aliás, nunca foi o “Francisco”, foi sempre “o Chicão” e isso diz bem do desgosto das viúvas e viúvos do portismo (internamente) e do respeitinho pela “voz do dono” (externamente). Para piorar, afastou tudo quanto era herdeiro do portismo da direcção e das listas do CDS. É pecado mortal e está a pagar bem pago na forma como é destratado semanalmente.

Com o à vontade de quem não o conhece de lado nenhum e nem tão pouco votará nas próximas legislativas, não consigo perceber esta sanha contra o actual líder do CDS. Sobretudo porque não vejo discutir as ideias mas sim a pessoa. Maior espanto quando esses ataques, pessoais, invariavelmente são acompanhados por pequenos elogios ao seu principal opositor interno, o eurodeputado Nuno Melo. Será que desconhecem, politicamente, este? Será que nunca repararam que entregar o CDS a Melo é colocar o partido à direita do Chega? Quem os ouvia no passado e os ouve hoje fica espantado. Enfim.

O problema é que o CDS, desde o célebre congresso de Braga (1998), foi tomado por um grupo que passou, rapidamente, de facção a poder e de minoritário a maioritário liderado por Paulo Portas. Ao longo dos anos, essa liderança foi alimentando as diferentes cliques. Ora, depois de um susto quando Ribeiro e Castro, surpreendentemente, ganhou o congresso (coisa que o portismo se encarregou de assegurar que fosse sol de pouca dura) o CDS continuou como um partido unipessoal onde Paulo Portas punha e dispunha livremente. Até que o criador concluiu que a criatura já não servia os seus interesses e partiu para parte incerta ou, dito de outra forma, transformou-se em “consultor” e foi ganhar dinheiro a sério. Os seus apaniguados foram ficando com os despojos e de derrota em derrota perderam o partido para a actual liderança. Na primeira vitória de Francisco Rodrigues dos Santos a coisa passou incólume, minimamente, pois estavam os desamparados do portismo convencidos que seria uma segunda edição do fenómeno Ribeiro e Castro. Não foi. Azar. Lá se foram os lugares, lá se foi o palco. Só que isto é gente que não sabe estar e toca a infernizar a vida do novo líder. O que vão conseguir? Em princípio uma mão cheia de nada. O CDS vai passar um mau bocado, provavelmente terá um mau resultado e se a coisa descambar em desastre conseguiram cumprir o desejo do criador, do chefe: “sem mim, a desgraça”. É pena.

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Democracia suspensa no CDS-PP?

Portas Castro

 

Que Paulo Portas possui um ascendente sobre o partido que lidera, já ninguém tem dúvidas. Liderou, abandonou a liderança e quando quis regressar o partido recebeu-o de braços abertos. Compreende-se: na história recente do “partido do táxi”, Paulo Portas rimou quase sempre com poder. Governou com Durão, transitou para o executivo hereditário de Santana Lopes e voltou à ribalta como Ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho, a quem aplicou o truque da demissão irrevogável, emergindo como vice-primeiro-ministro do governo que em breve cessa funções. Pelo caminho ficou associado a inúmeros escândalos centristas, do caso Portucale aos submarinos, passando pelo estranho e mal explicado caso Jacinto Leite Capelo Rego. Sobreviveu a tudo e continua aí para as curvas.

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Ribeiro e Castro parte louça no Caldas


Não andarão a precisar de fosfoglutina lá pelo do Largo do Caldas? O Sr. Diogo Feio está irritado, dizendo que Ribeiro e Castro vota ao lado do sinapismo Louçã e de Jerónimo de Sousa. Em suma, faz de conta não perceber o porquê da posição do colega de bancada. A verdade é que toda a questão anda em torno da escabrosa eliminação do feriado do 1º de Dezembro e isto, com o formal apoio de um Partido maioritariamente composto por monárquicos. Bem pode a direcção Paulo Portas tentar passar entre os pingos da chuva, mas esta é a verdade. Se duvidam, auscultem as bases do Partido e verão. O Público também diz que que uma fonte próxima de Paulo Portas garante que …”Ribeiro e Castro ficará a falar sozinho”. Não estão a ver bem o problema, pois no Parlamento existem muitos outros deputados de outros Partidos que ainda não obedecem a esta nova roupagem de “centralismo democrático” do PC(DS). Ribeiro e Castro não vacilará e sugere um veto de Belém. Duvidamos muito do interesse que ACS poderá manifestar quanto a este assunto, mas um veto pode acontecer, ou melhor, deveria forçosamente acontecer. O deputado também poderia ir mais longe – e provocar ainda mais banzé -, propondo trocar a abolição do feriado do 1º de Dezembro – uma data de facto histórica -, pelo vaudeville oitocentista do 10 de Junho, uma invencionisse consagrada por uns tantos berreiros em 1880 e habilmente aproveitada pela República de Salazar.

Uma vez mais, vamos direitos ao assunto: esta eliminação de feriados nada mais é, senão um esfarrapado recurso que obrigará a mais uns quatro dias de trabalho grátis. Como se a esmagadora maioria da “iniciativa privada” que medra à conta do Estado, merecesse a mínima consideração. Ora toma!

Óptimo, também eu.

CDS quer que voto contra de Ribeiro e Castro tenha “consequências políticas”

Que mais um voto contra faça a diferença contra o habitual (mas vergonhoso na mesma) voto em rebanho. Afinal, temos e pagamos a mais de duzentos deputados para pensarem por si mesmos ou queremos um directório de um voto por partido, ponderado pela representação eleitoral? Eu sei a resposta mas então é de lembrar que bastam cinco deputados, o que nós, que pagamos impostos, agradeceríamos.

Claro que é para roubar!


Bem podem desfazer-se em explicações que não convencem nem o mais seráfico “menino Jesus”. A abolição dos feriados trata-se simplesmente de um descarado saque, obrigando os assalariados ao trabalho gratuito em quatro datas tradicionalmente votadas ao lazer que como se sabe, nunca foi nem é sinónimo de preguiça.
Esta manhã, o alegadamente irmãozinho de causas turvas Magalhães, teve a ousadia de sugerir a demissão de Ribeiro e Castro, o único deputado que mostrou não ser mais um invertebrado naquela mole de holotúrias parlamentares.
O dia esteve em grande, pois ao insulto da abolição do 1º de Dezembro, acrescentou-se o descarado assalto com a chancela B(uíça)PN. Corja!
* Imagem: no Brasil e ao contrário daquilo que se passa em Portugal, as Forças Armadas cultivam a memória da nossa História comum.