Democracia suspensa no CDS-PP?

Portas Castro

 

Que Paulo Portas possui um ascendente sobre o partido que lidera, já ninguém tem dúvidas. Liderou, abandonou a liderança e quando quis regressar o partido recebeu-o de braços abertos. Compreende-se: na história recente do “partido do táxi”, Paulo Portas rimou quase sempre com poder. Governou com Durão, transitou para o executivo hereditário de Santana Lopes e voltou à ribalta como Ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho, a quem aplicou o truque da demissão irrevogável, emergindo como vice-primeiro-ministro do governo que em breve cessa funções. Pelo caminho ficou associado a inúmeros escândalos centristas, do caso Portucale aos submarinos, passando pelo estranho e mal explicado caso Jacinto Leite Capelo Rego. Sobreviveu a tudo e continua aí para as curvas.

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Ribeiro e Castro parte louça no Caldas


Não andarão a precisar de fosfoglutina lá pelo do Largo do Caldas? O Sr. Diogo Feio está irritado, dizendo que Ribeiro e Castro vota ao lado do sinapismo Louçã e de Jerónimo de Sousa. Em suma, faz de conta não perceber o porquê da posição do colega de bancada. A verdade é que toda a questão anda em torno da escabrosa eliminação do feriado do 1º de Dezembro e isto, com o formal apoio de um Partido maioritariamente composto por monárquicos. Bem pode a direcção Paulo Portas tentar passar entre os pingos da chuva, mas esta é a verdade. Se duvidam, auscultem as bases do Partido e verão. O Público também diz que que uma fonte próxima de Paulo Portas garante que …”Ribeiro e Castro ficará a falar sozinho”. Não estão a ver bem o problema, pois no Parlamento existem muitos outros deputados de outros Partidos que ainda não obedecem a esta nova roupagem de “centralismo democrático” do PC(DS). Ribeiro e Castro não vacilará e sugere um veto de Belém. Duvidamos muito do interesse que ACS poderá manifestar quanto a este assunto, mas um veto pode acontecer, ou melhor, deveria forçosamente acontecer. O deputado também poderia ir mais longe – e provocar ainda mais banzé -, propondo trocar a abolição do feriado do 1º de Dezembro – uma data de facto histórica -, pelo vaudeville oitocentista do 10 de Junho, uma invencionisse consagrada por uns tantos berreiros em 1880 e habilmente aproveitada pela República de Salazar.

Uma vez mais, vamos direitos ao assunto: esta eliminação de feriados nada mais é, senão um esfarrapado recurso que obrigará a mais uns quatro dias de trabalho grátis. Como se a esmagadora maioria da “iniciativa privada” que medra à conta do Estado, merecesse a mínima consideração. Ora toma!

Óptimo, também eu.

CDS quer que voto contra de Ribeiro e Castro tenha “consequências políticas”

Que mais um voto contra faça a diferença contra o habitual (mas vergonhoso na mesma) voto em rebanho. Afinal, temos e pagamos a mais de duzentos deputados para pensarem por si mesmos ou queremos um directório de um voto por partido, ponderado pela representação eleitoral? Eu sei a resposta mas então é de lembrar que bastam cinco deputados, o que nós, que pagamos impostos, agradeceríamos.

Claro que é para roubar!


Bem podem desfazer-se em explicações que não convencem nem o mais seráfico “menino Jesus”. A abolição dos feriados trata-se simplesmente de um descarado saque, obrigando os assalariados ao trabalho gratuito em quatro datas tradicionalmente votadas ao lazer que como se sabe, nunca foi nem é sinónimo de preguiça.
Esta manhã, o alegadamente irmãozinho de causas turvas Magalhães, teve a ousadia de sugerir a demissão de Ribeiro e Castro, o único deputado que mostrou não ser mais um invertebrado naquela mole de holotúrias parlamentares.
O dia esteve em grande, pois ao insulto da abolição do 1º de Dezembro, acrescentou-se o descarado assalto com a chancela B(uíça)PN. Corja!
* Imagem: no Brasil e ao contrário daquilo que se passa em Portugal, as Forças Armadas cultivam a memória da nossa História comum.