Notas sobre as Presidenciais 6: será que Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos já perceberam o que se está a passar?

O resultado destas presidenciais, para os partidos da área política do presidente reeleito, são, como um dia disse o grande Jaime Pacheco, “uma faca de dois legumes”. Porque se é verdade que o candidato por ambos apoiado foi o inequívoco vencedor, não é menos verdade que a situação destes partidos piorou substancialmente.

E porquê?

Em primeiro lugar, porque a contestação a Marcelo Rebelo de Sousa tem sido mais estridente à direita do que à esquerda. Como seria de esperar, após cinco anos de braço dado com António Costa. E se é desejável que presidente e governo não se hostilizem por desporto ou tricas partidárias, e mais desejável ainda que estejam em sintonia para combater a pandemia, assume-se que a direita, legitimamente, esperaria que os quatro primeiros anos fossem de alguma oposição vinda de Belém. Ou pelo menos que Marcelo não se convertesse no BFF de Costa. Mas, como bem sabemos, não foi isso que aconteceu. Acresce a isto que Costa foi o primeiro a apoiar Marcelo oficialmente, tendo inclusive lançado a sua candidatura, e que arrastou consigo o eleitorado do PS. E, afirmar os matemáticos que estudam estas coisas, foi precisamente o eleitorado socialista quem maior peso teve na reeleição do presidente incumbente.

Em segundo lugar, o meio milhão de votos de André Ventura não apareceu por obra do divino Espírito Santo. Quando Rui Rio apareceu em êxtase, na noite eleitoral, a celebrar a vitória alentejana de Ventura, felicíssimo com o facto de João Ferreira ter ficado atrás do candidato de extrema-direita, não se terá certamente apercebido que os votos conquistados por André Ventura (e Tiago Mayan, sublinhe-se) em Beja, Évora, Portalegre e nos concelhos setubalenses pertencentes a território alentejano equivalem mais ou menos à votação obtida por PSD e CDS nas Legislativas de 2019. Mas Rio, deslumbrado com o resultado do parceiro açoriano, reagiu como se dezenas de milhares de votos obtidos pela extrema-direita no Alentejo tivessem sido subtraídos ao PCP, que, no total nacional, face a 2016, perdeu 2 mil votos. Não 60 mil.

Em terceiro lugar, ver Francisco Rodrigues dos Santos gritar “vitória”, na primeira reacção da noite, enquanto André Ventura digeria o que restava do CDS, rodeado por antigos quadros do partido de bandeira do Chega na mão, está ali algures entre o trágico e o cómico. É preciso não ter noção da realidade, ou estar em absoluta negação, para não perceber que o eleitorado do CDS está a ser literalmente açambarcado pelo Chega. E, já agora, pela Iniciativa Liberal, que, caso o CDS não mude rapidamente de rumo, rapidamente lhe ficará com toda a ala liberal que, nota-se, encaixa melhor no partido de Carlos Guimarães Pinto e João Cotrim Figueiredo do que no de Francisco Rodrigues dos Santos e Abel Matos Santos.

O que nem um nem outro parece perceber, é que PSD e CDS saem desta eleição mais fracos, com perda de eleitores para o Chega e perante dois novos adversários que, no médio prazo, transformarão o lado direito do espectro numa paisagem de pequenos partidos, sem capacidade de fazer frente a António Costa. Nem isoladamente, nem todos juntos. E se, no caso do CDS, o problema está na disputa do eleitorado mais conservador e católico, num duelo entre um predador e uma presa que parece não compreender a sua condição, de vitória de pirro em vitória de pirro, até à extinção total, no caso do PSD foi uma sucessão de erros, a começar pela narrativa de um partido ao centro, território dominado por António Costa, deixando a direita à mercê dos seus adversários. On top of that, foi Rui Rio que se atirou nos braços do abraço do urso, quando furou o cordão sanitário nos Açores, sem que tal fosse necessário para governar o arquipélago. Foi Rio, mais que qualquer outro, quem oficializou a legitimação do Chega. E pagará uma factura elevada por este misto de ambição e ingenuidade.

Já que perguntar não ofende…

Podem os militantes de partidos, como o do fantasma Jacinto Leite Capelo Rego e do ministro dos submarinos mergulhados em corrupção na Alemanha mas a seco em Portugal, vestir o manto da hipocrisia sem que ninguém na comunicação social lhes aponte o dedo? Parece que sim.

“Faz-se cada vez mais de conta que a mulher de César ainda parece séria quando já toda a gente sabe que não o foi”, afirmou o jovem popularucho sem que ninguém se risse.

E, continuou Francisco Rodrigues dos Santos, do alto da sua superioridade moral, “antes do 25 de Abril tínhamos presos políticos; hoje temos cada vez mais políticos presos”. É uma chalaça muito gira, um argumento de peso na retórica juvenil do Doutor, assim mesmo, a qual só peca pela falta de rigor – sempre houve políticos presos e, nem por isso, são assim tantos agora, a começar pelo seu próprio partido.

Por fim, a sua pièce de résistance consiste na inversão do ónus da prova, agora com uma designação mais-chique-sei-lá, que se resume a uma inconsequência, dado ter sido por duas vezes rejeitada, e bem, pelo Tribunal Constitucional. Mas dá para peças de jornal e, ai jesus, artigos encaixados na Forbes.

O Facebook (afinal) sabe

Só não é claro como é que o Facebook sabe dos patrocínios do Expresso.

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Com que então, a melhor juventude partidária?

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