Posicionem-se

Abrir os olhos é não imputar a uma putativa e ficcional Direita Portuguesa as culpas que se partem e repartem sobre todo o espectro decadente e moribundo do sistema político-partidário português. Por exemplo, depois de anos ao serviço dos interesses instalados, financeiros e económicos, apeada da governação, a Ala Socratista do PS aparece agora umas vezes a masturbar o PCP e o Bloco, outras a diminuir e a vexar a utilidade pragmática de tais partidos. Mesmo Seguro não resistiu a convidar e a incluir PCP, PEV e BE nesta coisa criada pelo Presidente, uma Troyka Negocial do Arco da Governabilidade. Seguro quis incluir esses partidos na proposta presidencial, dando por garantido o voto inútil a favor na próxima moção de censura. Qual foi a resposta dessa Esquerda Anti-Troyka? Rejeição liminar. Dir-se-ia que tal Esquerda se está a cagar para a condescendência segurista ou para o namoro pegado que lhe move a Ala Socratista, ainda incrustada na Bancada Parlamentar Xuxa. A sugestão socratista-socialista-segurista de o convite à salvação de Cavaco ser extensivo àqueles partidos foi portanto mandada àquele lugar. Percebe-se que o socratismo forceja fabricar o seu regresso ao Poder não apenas pelo malogro do Ajustamento, mas também pelo Cavalo de Tróia de alianças e compromissos impostores com a Esquerda Protestatória.

Embora Seguro formulasse o convite, os pretorianos do socratismo apodam-no de pura retórica – talvez desejassem em andamento um projecto de coligação escrito e assinado onde se consagrasse a ruptura com a Toyka e a exigência por um regresso formal aos moldes do PEC IV. Como esse entendimento parece comprometido, a Esquerda bloco-comunista passa a ser tratada à bruta pelo paleio pretoriano dos adeptos e amantes do Grande PlayBoy: comunas e bloquistas não participam em coisa nenhuma que não seja derrubar governos, especialmente se forem socialistas. São partidos de bota-abaixo. Pois, um bota-abaixo selectivo e eficaz se xuxas se confinam à impotência minoritária. A dor de corno política dá nisto. [Read more…]

Um Papel ou Nenhum para Silva Peneda

Silva PenedaO PS, com António José Seguro, tornou-se, apesar de tudo, um partido normal. Saiu de uma lógica aclamacionista pomposa e de um clima interno opressor e inquestionável, por muito que a sua recente reeleição tenha sido unânime e norte-coreana. Porém, até que a hora de ser poder lhe caia no colo, há muito trabalho a fazer para que sobre algum País sobre o qual governar. O primeiro ponto dessa magna tarefa será cooperar com o Governo Passos: para ficarmos no Euro e conservarmos o mínimo de credibilidade externa. Goste-se ou não se goste, é preciso cumprir as metas acordadas com a Troyka e conservar uma base mínima de negociabilidade em aberto. Concedo que o ultratroykismo gaspariano-passista conduziu a um tipo de devastação económica e a um tipo de recessão que bem poderiam ter sido minorados. Houve arrogância e insensibilidade e, sobretudo, a grande mensagem da dupla foi depressiva e desesperante. Resultados? Muito poucos e menos ainda sensíveis na vida de milhões de portugueses. A política é a arte de insuflar esperança contra a pior das evidências, não a frieza da aplicação de uma teoria sobre os cidadãos-cobaia. Uma vez que o mal está feito, é preciso o sentido patriótico suficiente para não piorar ainda mais a nossa situação. Portugal conta com Seguro. [Read more…]

A Aleivosa Prosopagnosia do Regime

Relvas e tal e não sei quê… Acho uma seca, não que se embirre com Cavaco, mas ser obrigado a aturar os esbirros do socratismo a embirrar com ele, basicamente uns merdas indefectíveis de um tipo de escondimento no anonimato vil, próprio de quem assaltou monumentalmente um Banco e se pôs à sombra por uns tempos, até que a poeira assente. Sobre Cavaco, fale quem quiser o que quiser e será pouco. Falarei também o que quiser, mas como se atrevem a abrir a boca nada mais que umas emanações prostitutas, anónimas, em sistemática defesa do Roubo Devastador que possibilitou o Esbulho em Decurso, Roubo consequência do Roubo?! Não ocupa a Presidência da República alguém menos inócuo e mais omisso que todos os demais anteriores titulares no cargo, tirando o facto de o primeiro mandato deste presidente ter decorrido em face da mais asquerosa incumbência de um mentiroso sociopata, alguém que não suportava a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições, alguém que não tolerava ser contrariado nem admita que se pensasse de modo diferente daquele que organizara com as suas poderosas agências de intoxicação a que chamava de comunicação, alguém, em cujo ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo com intuitos controleiros, patrulheiros, intimidatórios, alguém que foi a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas, nas palavras definitivas de António Barreto. [Read more…]

Precisa-se de Blogger socialista: Uma explicação


Ainda a propósito do anúncio que publicámos no «Público» de hoje.
A verdade é que, depois de um «post» do Luis Moreira com alguns meses, não apareceram candidatos. Sendo um blogue plural, com elementos à Direita do CDS e à Esquerda do Partido Comunista, não temos no entanto qualquer elemento da área da Governação, o que é chato.
Não foi por falta de tentativas.
Ao longo dos meses, convidámos umas 10 pessoas e todas recusaram. Ou nem sequer responderam, o que mostra bem a educação de algumas delas. Dos que recusaram de forma gentil, lembro-me do Rui Herbon, da Ana Paula Fitas, do José Reis Santos ou do Tomás Vasques, a quem agradeço a simpatia de uma resposta.
Mas como não queremos continuar sem socialistas, logo agora que eles estão a passar um mau bocado, decidimos colocar um anúncio no jornal, porque parece não haver outra hipótese.
Isto é a sério: estamos desesperados por um socratista. Os socratistas é que parece que não querem…

Blogosfera: Lealdade e liberdade de expressão

A recente debandada em A Regra do Jogo parece ter uma única explicação e é o próprio Carlos Santos que o diz: «os que sairam foram à procura dos espaços onde a lealdade vale mais que a livre expressão».
Ou seja, da forma que o percebo, as recentes críticas de alguns elementos do blogue ao actual Governo e em especial ao primeiro-ministro José Sócrates provocaram dissidências. E aqueles que não se reviam nessas críticas e que pensavam que aquilo iria ser um segundo «simplex» optaram por sair. Em busca, segundo Carlos Santos, de um sítio onde a lealdade (ao líder?) prevaleça relativamente à liberdade de expressão.