Lusitana gente

 

Este texto não é meu, é de um grande amigo meu, Dr. José Maria Soares, oftalmologista, que gentilmente mo enviou. Espero que não levem a mal o facto de eu aqui o colocar, mas achei que tinha piada e oportunidade.

Lusitana gente

 Deu-me hoje para pensar no título camoniano deste artigo, e também no porquê de através dos séculos nos considerarmos descendentes destes aguerridos habitantes da península ibérica. Quanto a mim, nada de mais falso impregna esta descendência.

No tempo da moca e do silex passaram por cá os iberos seguidos pelos os celtas, já mais civilizados, que os venceram, e aos quais se associaram sob o nome de celtiberos.

 Dado estarem no fim do continente europeu, os vencidos não poderiam deslocar-se mais para ocidente. Ou eram exterminados ou se juntavam aos vencedores, debaixo das condições por estes impostas. Seguiram-se os lusitanos que ocuparam uma faixa de território que ia um pouco acima do Douro, se prolongava até Évora (?), abaixo do Tejo e se continuava pelo que é hoje território espanhol: Andaluzia e Castela.

 Se atendermos a que pelas zonas costeiras, margens dos rios Tejo e Guadiana, desde remotas eras já existiam colónias egípcias, fenícias, gregas, cartaginesas, não será difícil acreditar que desde esses tempos se tenha misturado material genético. Sobretudo se pensarmos que as guerras púnicas sob o comando de Anibal e Amilcar foram lançadas através desta parte da península, e na duração da sua ocupação muito gene cartaginês teria sido por aqui espalhado! Vieram de seguida os romanos que ao vencerem os lusitanos, praticamente os exterminaram. Aqueles, e pelo número de séculos de ocupação, devem ter deixado a Lusitânia inundada pelo seu genoma.

 Com a chegada das invasões bárbaras, vândalos suevos, godos, visigodos, já pouco ADN lusitano haveria no sangue dos habitantes da Península. Entrados os árabes, e principalmente no reabastecimento dos seus harens, durante séculos, devem-se ter reduzido ao mínimo os genes lusitanos que eventualmente ainda perdurariam no ADN ibérico.

Para completar a cena, ainda foi importado genoma da Borgonha, dos cruzados etc.

Não sei a razão pela qual tanto nos vangloriamos da descendência lusitana quando não somos mais que uma mistura genética de todas ou quase todas as raças citadas e de mais uma que já me escapava, a judia. Talvez o preito ilustre lusitano não passe de uma das liberdades poéticas camonianas. Gostaria, contudo, de ver provada a minha hipótese, mas devem compreender quanto é difícil – se não impossivel – ir agora arranjar um lusitano, puro sangue, para estudo comparativo de ADN… Ainda há um lá para os lados de alter do chão, mas é cavalo e não serve para o efeito.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    É uma grande verdade, a história dos lusitanos é uma treta; porém, é uma treta consagrada pelo Camões e aí o caso muda de figura. Continuando a falar de tretas, a mitologia consagra Luso como companheiro dilecto ou mesmo filho do deus Baco. E aí a mitologia ganha alguma lógica. Nós, os chamados lusitanos, temos uma inegável costela de Baco. Falando agora a sério: o texto do Dr. José Maria Soares é muito interessante. Temos muito sangue judaico e, abolida a escravatura, 200 mil negros, que não voltaram a África, desapareceram. Como? Adivinhem. E não foi há tanto tempo como isso.

  2. Luis Moreira says:

    A mistura enriquece a genética…

  3. Luis Moreira says:

    Adão, bons textos como este são sempre bem vindos.


  4. Gostei dessa Luis “A mistura enriquece a genética”. É um pensamento sumamente democrático e verdadeiro aos olhos da Evolução. Mas não digas isso muito alto aos “puros” que ainda vegetam por aí, fugindo a sete fôlegos dos genes plebeus.

    • Luís Moreira says:

      Tens razão, Adão. Sabes, tenho um sobrinho aí no Porto que é Prof de informática, pessoa muito estudiosa e interessada. Meteu-se a reconstruir a árvore genealógica da família e dá para ver que devemos estar muito orgulhosos mas pelas razões certas…

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