O acordo pode ser mais ou menos?

Esta questão coloca-se muitas vezes na nossa vida corrente. Mantenho a minha vida confortável, o cantinho, os livros, os filmes, as viagens, enfim, o que conheço, ou largo tudo e vou atrás de uma paixão ?

No acordo, deixo-me estar a fazer o que conheço, mal ou bem, assim-assim, escrevo como sempre escrevi ou largo essa segurança e lanço-me na aventura de conhecer, analisar, escolher, descobrir?

Peço desculpa por não estar no tom solene que o assunto exige, mas a verdade é que cá para mim, este acordo serve, mais ou menos, para pôr algum padrão, alguma ordem, nas muitas e diversas formas que a vida, a real das pessoas, foi introduzindo na escrita e na fala e que vai continuar a pôr, quer os senhores doutores queiram ou não.

Mas se há palavras que apetece mesmo mudar, torná-las mais simples, há outras que não dá jeito nenhum andar a mudá-las. Por exemplo, Baptista! Dá mesmo vontade fazer desaparecer de vez com o “p” e tornar a coisa num Batista, bem mais legível. Mas, ao contrário, o que se fará com “facto” ? Passa a “fato” ? Eu apontei esse “fato” como importante para a discussão ! Qual, o azul?

Pelas razões apontadas ando muito desorientado e ansioso à espera dos conselhos ( o concelho também muda? estão a ver a confusão) dos “experts” (pecado! ) “connaisseurs ” (pior), académicos para me dizerem o que o povo deverá falar e escrever.

E voltando à imagem inicial, não é possível manter os cantinhos todos e arranjar uma namorada ?

Isto é, um acordo mais ou menos?

Comments

  1. maria monteiro says:

    «Desculpe mas escreveu mal o meu nome … é com um c e um p assim: Victor Baptista»
    Quando o meu filho andava na pré, a educadora chamava-se Teresa mas havia uma menina na sala que se chamava Theresa Beatriz … bom, essa menina um dia perguntou se era por ser ainda pequena que o nome dela tinha o h
    Também eu tive dúvidas se havia de escolher Tomás, Tomaz, Thomaz e optei (será que também perde o p) pela modernização.
    Se Baptismo virar Batismo acho que há por aí muito beatismo que não vai gostar

  2. Carlos Loures says:

    Embora eu seja crítico quanto às vantagens deste Acordo, há questões que estão resolvidas e, portanto, não vão causar qualquer problema – o do «facto» e «fato», por exemplo, está previsto que se mantêm as duas formas. Os nomes e apelidos também não são objecto de mudança. Não é muito conveniente invocar falsos argumentos.

  3. maria monteiro says:

    no meu tempo de miúda em muitos dos postais que recebia pelo meu aniversário havia sempre a parte dos beijinhos à tua mãi e pae.

  4. Luis Moreira says:

    Pois é isso, Carlos, a confusão ainda vai ser maior…mas veio a jeito para o tal namoro mais ou menos…

  5. Fernando Moreira de Sá says:

    A língua, tal como as pessoas e as sociedades, ou seja, aqueles que a utilizam, evoluem. O verdadeiro problema do acordo ortográfico não é entre nós, comuns mortais nem tão pouco será por via do dito que nos vamos entender melhor ou pior (“nos vamos” aqui significa todos nós falantes da língua portuguesa nos quatro cantos do mundo). O verdadeiro problema que existe, e convinha sermos claros neste ponto, é com as diferentes editoras.

    Imaginem uma Porto Editora e os seus inúmeros manuais escolares. Imaginem uma editora brasileira e outra portuguesa a publicarem, vice-versa, os seus autores no “outro” país?

    Quanto ao mais, continuo com mais dificuldade a entender um açoriano que um brasileiro ou, pior, a conseguir perceber as sms que alguns miúdos me enviam, verdadeiro português achinesado.

    A nossa língua, que temos a mania de chamar nossa mas que mais não é do que uma evolução do galego, não é apenas dos portugueses. É também dos brasileiros, dos angolanos, dos moçambicanos, cabo-verdianos, etc. Por muitos acordos que se façam, por muitas teorias que se escrevem, não será a mão do homem que vai mudar o português, será a língua, esse músculo infernal, e a forma como a utilizamos para comunicar entre nós. O resto, o resto é político. O resto é política do livro. O resto é discussão académica.
    Penso eu que destas coisas sou uma merda de um amador.

  6. Luis Moreira says:

    Eu percebo que é necessário “tricotar” de quando em vez para manter um certo padrão…

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