Ah, António!…

Anda alguma gente incomodada com o Tribunal Constitucional por causa daquela intransigência institucional de não deixar violar a Constituição. Ó meus amigos, mas isso é fácil: mudem a Constituição. Ah, pois, mas precisam de 2/3 dos votos do Parlamento, não é? Pois é, que chatice… Isto da democracia é uma porra. Razão tinha a Manuela: suspendia-se a democracia por uns meses, punha-se tudo (e, já agora, também todos) na ordem e depois, sim, voltava-se à democracia. Ou não se voltava, porque se é sem democracia que se resolve depressa os problemas, o melhor era ficar-se sempre de piquete. Ah, António…

E assim se saiu à rua para dizer “não”

Chegar à Praça D. João I, vindo da Rua do Bonjardim, vendo quem já lá chegou e quem passa:

1

Olhando quem desce a Rua Passos Manuel:

3

Tomando a Rua Passos Manuel, em direcção à Avenida dos Aliados: [Read more…]

Marcha lenta

Porque é que este sonho absurdo [Read more…]

Dois ou Três Odores

Ontem, Estação da Trindade, eram seis e meia da manhã, havia um rebanho exaltado de fiscais da Metro do Porto, seguranças da Metro do Porto, a cumprir o seu dever [toda a noite e madrugada o cumpriram] e, mais discretos, postos para canto, polícias a tomar notas. Nessa gare, a essa hora, dois problemas com díspares odores: por toda a gare cheirava a uma dúzia de vadiantes romenos, homens, mulheres e meninas, com os seus lenços e as suas saias de cores demasiado berrantes para se misturarem connosco escapando ao escrutínio dos olhos e dos narizes, ora extraídos à bruta das composições, em que por hábito insistem em viajar gratuitamente, ora impedidos dramaticamente de embarcar de modo furtivo e aflito, valsa que se dançava. [Read more…]

Ser Gente

adão cruz

Quando eu era criança, diziam-me os meus pais que eu tinha de fazer tudo para ser gente. Ser gente? Mas o que é ser gente? [Read more…]

Com a boca na sucata

adão cruz

O jornal de Notícias traz hoje, bem escarrapachadas, as fotografias de mais dois figurões apanhados com a boca na sucata. Um deles constou durante dois anos na lista de prendas do sucateiro. O outro figura como destinatário de três cheques passados pelo sucateiro, no valor de 62.348 euros. [Read more…]

Cinzas desta eleição

(adão cruz)

Cinzas desta eleição

 

Deu cabo deste país

Todo podre esburacado

E o povo ainda lhe diz

Sim Senhor muito obrigado.

Mais uma vez deu em nada

Nossa esperança e ilusão

Sempre a mesma cavacada

A escavacar a nação.

Foi tudo por água abaixo

S’alguma coisa inda houvesse

Só o povo fica sem tacho

Tem aquilo que merece.

Este povo é cegueta

Não vê nada para a frente

Não vai lá nem á marreta

Nem é povo nem é gente.

Não é povo nem é nada

Este rebanho dolente

Mesmo morto à paulada

Corre feliz e contente.

Nada mais tem a perder

A gente desta nação

Não vale a pena viver

Quando se perde a razão.

Suicídios famosos…

No Estrolabio, uma série de artigos  sobre suícidios de gente famosa neste país de “gente triste” !

“Manuel Laranjeira haveria de se suicidar passados menos de quatro anos sobre esta carta a Unamuno. Seria o último de uma lista aterradora de suicidas que começa em 1876 com José Fontana e que continua com o médico Francisco da Cruz Sobral, em 1888, com o escultor Soares dos Reis, em 1889, Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado e o sertanejo Silva Porto em 1890, Antero de Quental, em 1891, o militante operário Luís de Carvalho, em 1893, o escritor operário Henrique Verdial, em 1900, Mouzinho de Albuquerque, em 1902, o escritor e jurista Trindade Coelho e o jornalista Alberto Costa, o «PadZé», em 1908, o almirante Cândido dos Reis, membro da Carbonária Portuguesa, em 1910, Guedes Quinhones, velho militante socialista e jornalista operário, em 1911. E, depois de Manuel Laranjeira, em 1912, suicida-se o poeta Mário de Sá-Carneiro, em 1916, e Florbela Espanca, em 1930.”

Ser gente

(adão cruz)

Quando eu era criança, diziam-me os meus pais que eu tinha de fazer tudo para ser gente. Ser gente? Mas o que é ser gente?

Ao ver hoje o que se passa à nossa volta, ao ver a deterioração mental, a total ausência de escrúpulos, o desprezo da honra e da dignidade, a proliferação de criminosos, corruptos e vigaristas de toda a espécie, mais evidentes nos estratos superiores da sociedade e nos sectores da Administração e do empresariado, de onde deveria vir o exemplo e não o assalto miserável a quem trabalha, eu entendo o que os meus pais quereriam dizer, com o ser gente. Ser gente seria, porventura, ir mais além do que trabalhar com seriedade e honestidade. Ser gente pressuporia a construção de alguma coisa dentro de nós e fora de nós que assenta, a meu ver, em quatro pilares fundamentais: [Read more…]

Lusitana gente

 

Este texto não é meu, é de um grande amigo meu, Dr. José Maria Soares, oftalmologista, que gentilmente mo enviou. Espero que não levem a mal o facto de eu aqui o colocar, mas achei que tinha piada e oportunidade.

Lusitana gente

 Deu-me hoje para pensar no título camoniano deste artigo, e também no porquê de através dos séculos nos considerarmos descendentes destes aguerridos habitantes da península ibérica. Quanto a mim, nada de mais falso impregna esta descendência.

No tempo da moca e do silex passaram por cá os iberos seguidos pelos os celtas, já mais civilizados, que os venceram, e aos quais se associaram sob o nome de celtiberos.

 Dado estarem no fim do continente europeu, os vencidos não poderiam deslocar-se mais para ocidente. Ou eram exterminados ou se juntavam aos vencedores, debaixo das condições por estes impostas. Seguiram-se os lusitanos que ocuparam uma faixa de território que ia um pouco acima do Douro, se prolongava até Évora (?), abaixo do Tejo e se continuava pelo que é hoje território espanhol: Andaluzia e Castela. [Read more…]