Lhasa de Sela


That leaving feeling
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Stuart A. Staples | Vídeos de Música do MySpace

Não é fácil falar de Lhasa de Sela, muito menos no dia em que a vemos partir com apenas 37 anos de vida. Uma injustiça.

Sinceramente, faltam-me as palavras, as palavras certas para descrever tudo o que senti quando ouvi, pela primeira vez, as suas músicas, o seu canto profundo, vindo das profundezas da alma. Uma voz assombrosa de uma mulher do Mundo mas cuja estética musical é, claramente, mexicana e só os Deuses sabem como tão bem tratam a música no México.

A primeira vez que ouvi Lhasa foi em 1998 por mero acaso. Fiquei completamente apaixonado pela sua voz e pela intensidade das suas letras. A ela devo a descoberta da música mexicana aprofundada com Lila Downs e mais tarde com Chavela Vargas. Quando encontrei, em França, a sua obra-prima, “La Llorona”, devorei-a intensamente sendo, ainda hoje, uma das minhas principais referências musicais. Quem nunca ouviu “El Desierto” não faz a mais pequena ideia do que estou a falar. Quem nunca ouviu “De Cara a la Pared” não percebe o sentimento de perda que me assolou quando hoje, manhã cedo, ouvi na TSF que Lhasa tinha partido por culpa da doença maldita (AQUI). Quem nunca permitiu ao seu aparelho auditivo o prazer supremo de escutar “El Pajaro” pensará que sou doido. Nem “com toda palabra” existente no nosso vocabulário se encontrará a certa para descrever a alma musical de Lhasa.

Como foi possível, tão nova, ver a sua vida interrompida por um maldito cancro de mama. E eu, parvo ignorante, que julgava quase impossível uma mulher tão nova, tão jovem, morrer assim.

A melhor homenagem é ouvir as suas músicas e nelas descobrir a verdadeira Lhasa, a nossa Lhasa, a minha Lhasa de Sela. Até sempre, rapariga…

Ouvir as suas músicas: AQUI.

AHORA ME LEVANTO
DE ESTA CAMA
AHORA
ABRO LA VENTANA
Y ENTRA LA LUZ
CON EL VIENTO
AHORA TE SIENTO
Y ESTAS TAN LEJOS
DE AQUÍ

SI UN DÍA TE VAS
Y YA NO VUELVES MÁS
SI UN DÍA ME VOY
Y YA NO VUELVO YO

QUE LARGO ES EL MUNDO
ES INFINITO
AYER TE TUVE
EN MIS BRAZOS
Y HOY
COMO UN GRANO DE ARENA
EN ALGÚN SUELO AJENO
ESTAS ESCONDIDO DE MÍ

SI UN DÍA TE VAS
Y YA NO VUELVES MÁS
SI UN DÍA ME VOY
Y YA NO VUELVO YO

QUE GRÁN SILENCIO
TODO EN SUSPENSO
QUE VÉRTIGO DE NO VERTE
RETUMBO
COMO UNA CAMPANA
ABRO LA VENTANA
Y ENTRAS TÚ
ENTRAS TÚ…

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Fantástica voz! Linda música!


  2. Já agora, a melhor reportagem sobre o desaparecimento de Lhasa na nossa imprensa está no Público na página 37, escrita por João Bonifácio e o melhor texto de opinião está no i, página 39 e é de Vasco Sacramento. Vou procurar os links para colocar aqui.

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