Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte III

Parte I – Dimensão político-partidária
Parte II – A duração das carreiras

Escrevi nos textos anteriores que o acordo é bom do ponto de vista político, para sindicatos, para o Ministério, para as escolas… Mas, escrevi também que a carreira me parece excessivamente longa. Acredito que será possível, em momentos mais positivos do ponto de vista económico, voltar a esta questão.

Se me permite, car@ leitor@, pretendia agora reflectir sobre o modo como se vai processar a progressão na carreira.
A questão central do acordo foi a necessidade de garantir que TODOS os professores avaliados com BOM podessem chegar ao topo da carreira. Com este acordo isso fica garantido. Na carreira Maria de Lurdes a nossa expectativa de carreira terminava no 7º escalão (índice 245 ao fim de 18 anos). Agora temos uma carreira que nos permite chegar ao índice 370, sendo que isso é muito tempo… demasiado tempo… Com o congelamento (28 meses que o ME insiste em não considerar – rouba-nos um tempo de serviço que efectivamente trabalhamos!) pode ir até aos 42, 5 anos. É muito, demasiado…
Para progredir (pt 4 do acordo) os professores deverão reunir 3 condições: tempo de serviço, avaliação de Bom / Muito Bom / Excelente e formação. Aqui, nada de novo em relação ao que temos.
Os cenários possíveis:
– um professor que tenha SEMPRE bom além do tempo normal de progressão em cada escalão, terá que esperar, na pior das hipóteses 3 anos à porta do 5º e outros 3 à porta do 7º. Assim, aos 38 da carreira, aos 2,5 roubados, temos que acrescentar 6 anos: 46,5 ano. Uma enormidade, que repito, terá que ser revista mais tarde.
De qualquer modo, esta “paragem técnica” garante a progressão com base num factor de compensação previsto no ponto 8 do acordo.
– ter avaliações de Muito BOM ou Excelente vai permitir reduzir o tempo em cada escalão. Como as vagas de acesso ao 5º e 7º não se aplicam a estas (são “limitadoras apenas” para quem só tem BOM), um Professor com 2 MB bonifica meio ano no escalão seguinte, com um Exc. e um MB bonifica 1 ano. Assim, os professores podem ver a sua carreira reduzida – se tiverem uma destas notas em todas as avaliações, podem ter até sete anos (3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º).
Assim, diria que a carreira pode ir dos 33,5 anos (31 com bónus total + 28 meses roubados) aos 46,5 anos.
Para progredir, os que querem SÓ ter bom só precisam de ter aulas assistidas no acesso aos 5º e 7º. De resto “chega” o resto. Para se ter Muito Bom ou Excelente é necessário ter aulas assistidas… Mas, sobre avaliação escreverei no post que se segue.

Comments

  1. xico says:

    Este acordo é uma clara violação da igualdade entre todos os funcionários públicos. Os professores obtiveram o que os restantes funcionários não têm.

  2. maria monteiro says:

    «os funcionários professores obtiveram o que os restantes funcionários não têm» isso realmente é verdade… estou a lembrar-me do concurso de colocação de professores


  3. Meu caro Xico há sempre duas maneiras de ver a coisa:
    – como diz o José Gil, a inveja é um enorme problema nacional. Por isso, poderia dizer que concordava consigo e então sugerir que os professores ficassem pior, isto é, como todos os outros.
    – mas, também poderia ver este acordo como um motivação extra para todos os funcionários públicos. Ou seja, a dinâmica e a força que tivemos deverá catalisar as lutas de outros.
    Mas, meu caro XICO estou em completo desacordo consigo… A carreira de Professor, neste momento, pela positiva, em nada se compara com outras… Pense, por exemplo, nos concursos, como sugeriu a Maria.

  4. Fernando Nabais says:

    Nunca haverá maneira de me habituar a algumas argumentações.
    Em primeiro lugar, se os restantes funcionários públicos estão descontentes, têm de protestar incessantemente até alcançar aquilo que os professores AINDA não alcançaram, embora este acordo seja um primeiro passo de muitos outros. A avaliação, seja em que carreira for, só pode ser justa sem quotas. Quem concordar com isto, deve exprimi-lo. Quem concordar, não tem que se queixar.
    Esta queixa recorrente contra os privilégios dos professores é a manifestação do complexo portuguesinho que se pode traduzir na seguinte expressão: “está tudo bem se todos estiverem tão mal como eu”. Tornando o argumento demasiado cru, seria o mesmo que deixarmos de comer porque há países em que passam fome.
    Há ainda outro erro que decorre de uma tradição: como os professores, na sua maioria, recebem do erário público, há que metê-los no mesmo saco de tudo o que é funcionário público. Sem elitismos, desculpem, mas os professores devem pertencer a um corpo especial e devidamente privilegiado, tal como os médicos ou os juízes.

    • Luís Moreira says:

      Isso teria o efeito de bola de neve, que tornaria o país ingovernável. Aliás, o problema é mesmo ter-se aceite “carreiras especiais”, onde as condições de trabalho são conseguidas pela força das ruas e não pela força da razoabilidade. Após terem dado tudo aos agentes da Justiça, veja-se em que estado está!

  5. Fernando Nabais says:

    Houve ali um erro: “Quem não concordar, não tem que se queixar.”


  6. Luís, isso é demagogia da mais pura… então os culpados pelo estado da justiça são os seus funcionários? Obviamente algo é também responsabilidade deles, mas sabemos, TODOS, que o país está como está porque as lideranças são, têm sido, muito más! O que a Ministra anterior fez na educação tornou algumas coisas tão más, que é impossível trabalhar numa ou noutra dimensão.
    Eu concordo, genericamente contigo, não me parece haver necessidade de este ou aquele corpo especial terem isto ou aquilo… O que eu entendo é que o dinheiro que existe no país – nunca houve tanto como hoje – deve ser melhor distribuído, nomeadamente por quem vive do seu trabalho, seja ou não funcionári público. Esclareço, para o caso de ainda não terem reparado que os funcionários públicos também pagam impostos!
    Mas, demagogia… não….please!

    • Luís Moreira says:

      No essencial, que é a injustiça social que grassa no país, estamos de acordo. Mas se quem tem trabalho acha que a solução é equiparar as suas condições às melhores, já praticadas, injustamente, noutra qualquer classe, isto é mesmo o lamaçal. A Justiça, é um belo exemplo. Rapazinhos com 26 anos saem da Escola superior da Justiça, e sem qualquer experiência, recebem 3000,00 euros /mês. Os resultados estão aí! E porquê? Porque sabem muito bem o rapinanço que grassa nos políticos e tambem querem. E siga a marinha…cada um por si. Os desempregados e os pobres é que podem viver com 450,00euros. Mas daqui a uns dias nós todos vamos carpir pelos pobrezinhos, até à próxima reinvindicação…Demagogica!

  7. Fernando Nabais says:

    O Luís poderá explicar melhor que “tudo” é esse que deram aos agentes da Justiça. Pelo pouco que sei, as condições de trabalho nos tribunais continuam a ser execráveis.
    Então o que poderá tornar o país ingovernável é aceitar “carreiras especiais”? Essa é boa! Então, vamos meter no mesmo saco funcionários com ou sem formação superior? Todas as classes profissionais devem ter a mesma importância social? Sei que isto pode soar a elitismo, corporativismo ou egoísmo, já que sou professor, mas garanto que não me sinto mais do que ninguém por ser profissionalmente o que sou. Não posso é aceitar que uma democracia possa ser saudável quando está disposta a entregar os seus jovens a profissionais que não valoriza há anos (e não só, nem sobretudo, sob o ponto de vista material).
    As condições de trabalho dos professores continuam longe dos mínimos e esse problema afecta a educação dos jovens. A única acusação que posso partilhar contra a minha classe foi a de só ter saído para a rua quando já devia ter saído e por muitas outras razões. O problema é que os professores, com todos os seus defeitos, têm andado permanentemente ocupados a compensar as asneiras que os sucessivos governos produzem no âmbito da Educação.
    A luta dos professores é justa e cada vitória alcançada beneficia os alunos e, portanto, o país. Os restantes trabalhadores, em vez de se deixarem pisar, sigam o exemplo de uma classe que, finalmente, quase chegou a ser exemplar.

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