Independência do Chile e República em Portugal

Durante este ano de 2010, por acaso e coincidência, Chile e Portugal comemoram dois importantes aniversários: a liberdade do Reyno do Chile, não é gralha, é e forma da escrita do Século XIX, e a implantação da República em Portugal.

As duas Nações eram reinos, pertenciam a uma monarquia, com pouca simpatia e renitência. As duas nações queriam ver-se livres das monarquias que as dominavam. A do Chile, era avassaladora, com um Rei longe da Pátria como a denominavam os crioulos, é dizer, filhos de espanhóis nascidos no Chile, proprietários de fazendas e e possuidores de um título nobiliário, normalmente de Duque ou Conde. Em Portugal o leque era mais amplo: os Monarcas residiam dentro do Estado, eram os proprietários de terras e Paços e tinham uma cumprida genealogia de serem aristocratas desde a época do primeiro Rei Afonso Henriques, até o dia em que a Monarquia foi derrubada, em 5 de Outubro de 1910.

No caso do Chile, era diferente:a aristocracia era criada por feitos de batalhas ganhas ou por serviços prestados à coroa de Espanha. As formas eram diferentes: ou Adiantado-Mor, ou Governador ou Consejero,Conselheiro em português, pessoa que fazia parte do grupo que prestava serviços ao Governador, ou faziam parte da sua Corte para dar apoio nas diversas funções do Governo de um País tão extenso, como era o Chile. Por outra palavras, os Consejeros eram Ministros, palavra não usada por existir esses cargos na Corte do Monarca na Espanha. O Chile desses tempos ainda não tinha entrado no liberalismo, Napoleão apenas tinha ensinado sobre liberdade e igualdade na Europa, as colónias estavam muito distantes e os seus governadores espanhóis, corruptos como eram nada transferiam aos crioulos sobre o liberalismo. Havia censura de livros.

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Contudo, as ideias liberais de Bonaparte, começam a aparecer na América Hispânica, por causa das viagens de Hispano-americanos à Europa. Um deles era Simón Bolívar que como referi antes, quis fazer das novas nações, uma só Nação. Em 1826 , tentou promover uma integração continental ao convocar o Congresso de Panamá. Compareceram apenas os representantes dos Governos do México, da Federação Centro Americana,, da Grã-Colômbia, ou seja, Colômbia, Equador, e Venezuela, e do Peru, Era o princípio das conferências Panamericanas. Que não tiveram resultado. Simón José António de la Santíssima Trindade Bolivar Palacios y Blanco, tinha nascido na Colónia de Caracas, Venezuela a 17 de Julho de 1783 e falecera em Santa Marta, a sua fazenda em 17 de Dezembro de 1830.

Tinha estudado com o humanista Andrés Bello e em 1799 viajou para Espanha com o propósito de aprofundar os seus estudos de cadete do Batalhão de Milícias dos Blancos de los Valles de Aragua, do qual o seu pai tinha sido coronel, onde sde destacou pelo se desempenho. Na Espanha aprofundou os seus estudos: em Madrid, ampliou os seus conhecimentos de História, Literatura e Matemática e aprendeu a língua francesa. Passou a París em 1804, para estudar com os naturalistas e investigadores Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland, todos eles liberais. Retornou para Venezuela ainda em 1807 e, quando Napoleão tomou o seu irmão José, Rei de Espanha e das suas Colónia, e 1808, passou a participar nas juntas de resistência na América Espanhola. A junta de Caracas declarou a Independência em 18810, o mesmo ano que no Chile, apenas que meses antes.

Em 1813 liderou a invasão da Venezuela entrando em Mérida em 23 de Maio, sendo proclamado El Libertador e passou a Governar e tentar integrar as Colónias que ajudara a libertar. De todos os libertadores, como San Martín no Río da Plata, hoje Argentina, O’Higgins no Chile, Bolivar foi o único em saber governar e passara de Libertador a El Gran Integrador. Faleceu jovem, viúvo, desiludido por terem passado a ser as antigas colónias nações em luta pelo poder e por querer ser como os reis, solitário e abandonado no seu casebre em Santa Marta, Colômbia.

Sebastián Francisco de Miranda Rodríguez, nascido em Caracas em 28 de Março de 1750 e falecido em San Fernando a 28 de Março de 1750, foi precursor da Independência da América Espanhola.. Foi militar venezuelano e precursor das ideias de O´Higgins, San Martín e Bolivar. Alicerce e professor de Bolivar, esteve em França com Franklin e Jefferson com os que aprendeu as ideias de insurreição, que ensinara aos mais tarde libertadores nomeados antes, que tinham como obrigação ritual para eles, visitar ao pai do liberalismo latino, exilado em Paris. Era Conde, mas as suas ideias liberais e maçónicas, não lhe permitiam usar o título herdado do seu pai. Era a relíquia dos futuros libertadores e amigo pessoal do seu estudante Simón Bolivar. Foi Miranda quem incutira as ideias da Grâ Colômbia nas ideias de Bolivar. Fez de todos eles membros da maçonaria, pelo que pode-se dizer que foras este movimento que ajudara a independência da América e passar de Hispânica, a Latina, livre e maçónica. Por causa destas ideias em países de raiz profundamente católica e devotos cristãos, estes libertadores foram ou expulsos dos seus novos Estados ou morreram sós.

É me estranho que não se fale do Conde de Miranda, do preceptor dos libertadores latinos, do ideólogo da liberdade.

Como em Portugal, narrado por mim no texto O 5 de Outubro aconteceu no 25 de Abril, texto que lembro ao leitor para poupar espaço e leitura. A Carbonária era também um movimento maçónico que libertara ao nosso país da ditadura Bragança. Mas, essa é outra História para ser relatada mais em frente. O Chile e Portugal com 100 anos de diferença, estão de parabéns este ano

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Óptimo texto!

  2. Carlos Loures says:

    É muito natural que a Venezuela o reivindique como seu filho, pois nasceu em Caracas. No entanto, não existindo ainda como nação, é também natural que Espanha o considere espanhol, pois nasceu num território colonial. Entre Portugal e Brasil existem disputas semelhantes.

    Bom texto, excelente maneira de nos ensinar, a nós europeus, que existe mundo fora do nosso pequeno continente e História sem ser a da Grécia, a de Roma… Parabéns Professor Iturra.

  3. Raúl Iturra says:

    Agradeço a simpatia de ler os meus textos. O Luís com a sua simpatia habitual, pensa que é “belo”. Eu também pela temática e porque o Carlos Loures, esse o meu amigo fraterno, fixou o texto e escolheu as imagens. Apenas uma pequena falha, natural para quem se apresa a tratar de um texto que é de ontem. Francisco de Miranda nasceu em Cádiz, foi levado à Venezuela Hispánica, da qual foi exilado e passou a maior parte da sua vida em Paris, visitado pelos seus dicípulos, os Libertadores mais tarde, especialmente Simón Bolívar, amigo pessoal dele.
    Era ideia de Miranda formar a Grã Colômbia. Ideia retirada das de Jefferson e Framklin que partilhavam com ele a estadia numa França pré Revoluvionária.

  4. Raúl Iturra says:

    O comentário foi enviado pelo computador que ainda não trabalha!

  5. Raúl Iturra says:

    Acabo de reparar que por este também´. Era melhor até amanhã, usar este endereço…..Coitado do meu amigo Carlos Loures

  6. Carlos Loures says:

    Uma enciclopédia respeitável e credível como a Larousse, dá Francisco de Miranda como nascido em Caracas em 1750 e como tendo morrido em 1816 em Cádis. No entanto, fazedor de «enciclopédias respeitáveis», sei como às vezes elas estão erradas. O Professor tem certamente razão; só quis justificar o meu erro, responsabilizando a Larousse.

  7. Raúl Iturra says:

    Caro Carlos,
    acabo de rever a minha fonte e,de facto, há duas entradas com Francisco de Miranda. Uma sem peruca na imagem, o dá como Nascido em Cádiz, como se escreve em Castelhano esta cidade Castelhana, outra a foto é com peruca, o dá como nascido em Caracas e morto em Cadis como prisionero revolucionário venezolano. pós segunda vista ás duas fontes, reparo que também dicem nascido em Caracas, mas várias entradas mais abaijo, diz Cádiz. Anda tu a acreditar nos fontes, especialmente as da Wikipédia, nada fiável! Lamento o erro,peço desculpas, as tuas fontes são mais fiaveis! Abraço

  8. Raúl Iturra says:

    Após rever as fontes todas parece ser engano meu, lí mal, tomei o sítio da morte como o de nascimento…..peço desculpas!

  9. Carlos Loures says:

    Temos um provérbio que, por certo, também existe no Chile – «Da discussão nasce a luz». Peço desculpa à Larousse pela dúvida parece que infundada (desta vez).

  10. Raúl Iturra says:

    Caro Carlos,
    a frase a conheço, é do astrómo Egipcio Ptolomeu, passou a Copérnico, a Newton e a Einstein. Este o nosso debate deve ser semelhante ao dos Liberdatores, especialmente Bolívar. Os Maçonicos e os Carbonários, devem ter tido este tipo de debate para decidir a realizar a nossa Liberdade…A Independência dos nosos países nasceram da luz dos debates, especialmente do como, quem e por onde….Dessa discussão nasceram as nossas liberdades!


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