Estórias de quixotescas correrias, ideais e conspirações à portuguesa


O que podem trazer a Portugal os ânimos exaltados e um caldeirão de conspiratas de café, arremetidas à D. Quixote, sortilégios e ideais messiânicos de salvação colectiva?

Embora o Aventar seja um blog plural – sem encapuzados, vendados, portadores de punhais ou de círios votivos -, o dia que hoje alguns comemoram deve ser respeitado e assim remeto para outras paragens, o relato dos acontecimentos que tiveram o seu epílogo às 11 da manhã – hora deste post -daquele já distante dia de 1891. É que tudo acabou em bem, como devia e exige a legalidade e o Estado de Direito!

E já agora…

Oporto this evening is a city of rejoicing. The storekeepers have thrown down the barricades from the windows and doors of their houses, and everybody is congratulating everybody else that the insurgent outbreak was not so serious as people at first expected it would be.
New York Times, 1 de Feveiro de 1891

Severel proeminent men, named as being members of the insurgentes directorate, disavow any connection therewith Judge Soares and Banker Lute [Leite?] being among the number.
New York Times, 2 de Feveiro de 1891

As a result of the investigation into the recent revolt, the police officials report that they have obtained convincing proof that the insurgents were in league with spanish revolutionist*. Among the proofs in the hands of the authorities are documents seized in the office of the Republica Portuguesa, wich include messages of congratulation received from spanish republican organizations, greeting the portuguese revolutionists as “brothers” who were on the eve of triumph.
New York Times, 5 de Feveiro de 1891

* Lembrem-se do verde e vermelho da Federação Ibérica.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Ó Nuno, que desespero – até já recorre à visão distorcida de jornais ianques? Recordo-lhe palvras suas «a história foi o que foi», mais ou menos isto. Eu também acho que nãoi há nada a comemorar. Mas podemos recordar o que aconteceu, sem os tais maniqueísmos habituais. E se quer utilizar chavões e clichés, fica a perder, porque a República acabou por triunfar.

  2. Luis Moreira says:

    Nuno, esta bandeira representa…

  3. Carlos Loures says:

    É a bandeira a que me refiro no meu texto, a que foi hasteada na varanda dos Paços do Concelho por Alves Veiga. Nunca tinha visto nenhuma reprodução – mesmo quando quer sabotar a República, o Nuno presta-lhe um excelente serviço.

  4. Carlos Loures says:

    Já agora – 15 de Novembro, em homenagem à proclamação da República Brasileira, nesse dia de 1889.


  5. Carlos, levo a coisa até com bastante fair-play. Pelos vistos, os portuenses também, não comparecendo quase nenhuns à enCavacada. Não havia comes, bebes nem concerto e assim, viu-se.
    Bom, quanto aos jornais yankees, não foi em desespero de causa, mas apenas uma curiosidade – bastante desconhecida pela comissão oficial – explanada por enviados do jornal “sem credibilidade” – e republicano, ainda por cima -, o New York Times. Deu o tom geral da imprensa internacional que estava em Porugal. Aquilo aconteceu, precisamente no momento em que o sr. Theodore Roosevelt iniciava no New York Times, a sua campanha de despojamento de Espanha, visando a conquista de Cuba, Filipinas e Porto Rico. Falava-se abertamente da extensão desta aos Açores e então, a “pérfida Inglaterra” limitou-se a fincar pé e a enviar uma esquadra para o arquipélago, fazendo ver a sua oposição. Se tivessem vencido no 31 de Janeiro, não sei se hoje os Açores não seriam um Estado ou um Domínio (como Porto Rico) dos EUA.

    Há ainda que sublinhar a visita de D. Carlos ao Porto, poucas semanas após o 31. A bem da verdade, foi uma autêntica apoteose multitudinária. Vivia-se um período de início de reinado e a esperança era muita. Os partidos não quiseram confirmá-la e pagaram por isso, assim como o país inteiro. Tal como hoje parece voltar a acontecer, o tempo o dirá.

    Quanto à bandeira foi essa mesmo que surge na imagem, baseada noa do Centro Republicano de Badajoz. O vermelho significava a Espanha e o Verde, Portugal. Eram também as cores do positivismo e da Carbonária. O resto, sabemos no que deu e o Scolari que o diga 🙂

    Sabotar a república? Eu? Ainda esta manhã ouvi os pouquíssimos populares presentes na praça, gritarem à chegada dos dignitários da mesma: “corruptos prá prisão!”

    Acabou-se o respeitinho de outros tempos.

    Sabotar a república? Como, se o país é uma república desde o século XII?

  6. Carlos Loures says:

    Mais uma vez, a provocação funcionou. Resultado: um excelente comentário. Nunca falha.
    P.S. – A Revolução de 31 de Janeiro foi mal preparada e não podia ter triunfado. Os «ses», como o meu amigo já disse, não devem ser usados quando abordamos a História.

  7. XicoAmora says:

    “O país é uma república desde o século XII”
    Ora cá está uma verdade que nunca é demasiado lembrar, embora tivessem havido alguns interregnos. Um deles aconteceu durante 64 anos, o tempo que decorreu de 1910 a 1974, em que o país foi tudo menos uma república.

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