Alma Salgueirista por terras do Sado

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Uma vez escrevi um post sobre o meu Avô Couto e cujo teor reproduzo mais abaixo. O meu avô Couto era um grande Salgueirista que fazia o favor de ter como segundo clube o Porto, algo raro na espécie, e o Guimarães como terceiro, por ligação à terra que o viu nascer.

Sempre que vou a Setúbal lembro-me, com saudade e lágrima no canto do olho (como só o Bonga sabia descrever), do meu Couto. Era um excelente contador de histórias e um belo dia, a caminho de um jogo de futebol, lembrou-se de me contar uma história que se passou com ele.

O seu Salgueiros jogava nesse dia com os sadinos, no campo do Vitória. Às tantas, um jogador do salgueiral, inconsciente, resolve marcar um golo. O Couto, nem chus nem mus. Quietinho e caladinho em nome da integridade física, a única exigência da Maria Augusta, sua dedicada esposa, para lhe permitir continuar nestas longas saídas de Domingo por causa do pontapé na bola.

Mais à frente, uma grande jogada dos rapazes de Paranhos e…Golo. Ora, o Couto, esqueceu-se dos mandamentos da Maria Augusta e toca a berrar que nem o vocalista dos Iron Maiden,  Bruce Dickinson, no SBSR. Resultado, uma velha peixeira resolveu mimosear o Couto e, em especial, a mãe do Couto. Ora, como bom minhoto de larga estadia na Invicta, o Couto consentia tudo menos abordagens menos simpáticas à senhora sua mãe que nem sabia o que era futebol, quanto mais.

Consequência: o Couto teve que dar à perna, e bem, para não levar uma polinheira memorável. É por estas e outras que sempre que vou a Setúbal me lembro, com eterna saudade, do meu Couto.

O meu avô materno era salgueirista.

Quando eu era bem mais novo, o meu Avô levou-me ao futebol pela primeira vez. Independentemente de ser meu Avô, o “Couto” era um homem bom, algo reconhecido por todos que com ele lidaram. Sabendo que o meu Pai era um Portista daqueles, e sendo o FCP o seu segundo clube, o “Couto” entendeu que o ritual de iniciação do pequeno, em nome da justiça, deveria ser num FCPorto – SCSalgueiros.

Para azar do meu Avô e orgulho do meu Pai, o Porto enfiou 6 na Alma Salgueirista. Assim nasceu um doente do Porto e um sofredor do Salgueiros. Nunca esqueci esse momento e, anos mais tarde, fui a Vidal Pinheiro, uma vez mais com o meu Avô Couto, ver o grande salgueiral subir de divisão num jogo épico em que venceu a Briosa. O final do jogo, com direito a invasão eufórica de campo, deu direito a uma decisão, sem apelo nem agravo, do meu “Couto”: Nunca mais levaria o neto ao futebol como castigo pelo quarto de hora de sofrimento em que não encontrava o petiz que, entusiasmado com o feito do salgueiral, qual hooligan, se escapuliu pelado adentro no meio da turba.

Quando vi o que fizeram ao clube do meu avô, fiquei profundamente magoado. Se o “Couto” fosse vivo, tinha morrido outra vez. Mas hoje, ao ver ESTA notícia, lembrei-me do meu Avô e sei que se ele fosse vivo, não faltaria a este embate, a este ressurgir das cinzas da Alma Salgueirista. Se conseguir, vou lá. Pelo “Couto”.

(Publicado no Sinaleiro da Areosa em Março de 2009)

Comments

  1. Luis Moreira says:

    ehehehe o penalti aos 94 minutos deveria ter sido repetido…

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