Ao cuidado dos papás

Apesar de se ter tornado uma ambição lusitana comum, o facto é que hoje em dia ser Engenheiro ou Doutor não é princípio de sucesso. Pode ser, sim, reflexo de sucesso, no sentido de alguém, após ter atingido certo patamar social e económico, conseguir ser Engenheiro ou Doutor, o que é bem diferente.

Hoje, é mais difícil arranjar quem saiba de pichelaria ou de carpintaria, do que quem perceba de Direito, Engenharia Civil ou Gestão. O problema é que os primeiros, ao contrário dos segundos, não são tratados por Doutores ou Engenheiros, logo não são tão apelativos. Ainda que os segundos se acantonem, cada vez mais, no “mercado do desemprego”.

Uma medida que poderia potencializar a aproximação do ensino ao mercado de  trabalho, apesar da crise que vivemos, seria criar as licenciaturas em pichelaria, carpintaria, e demais artes, cujos profissionais são mais do que solicitados. Eu tenho-me visto bem mais à rasca para arranjar um picheleiro do que teria, se precisasse, de um pneumologista.

Mas isso depende de mudanças governativas e essas levam tanto tempo a acontecer, que o melhor é desde já os papás começarem a ponderar dar menos importância onde vão pôr o filho a estudar e antes cuidar de os inscrever na mais produtiva juventude partidária. Será mais importante uma inscrição numa boa “Jota”, do que em qualquer escola, colégio  ou universidade. Escola com eventual interesse só se for uma de futebol. O ideal é matricular os filhos numa escola de futebol e, mais tarde, numa “Jota” com boas perspectivas de carreira. O melhor de dois mundos, que tão interligados estão.

O resto, estudos académicos e afins, será o menos. Um bom lançamento pelas escolas  das “Jotas”, será o suficiente para um dia a pessoa até se licenciar por faxe, ou obter mesmo uma pós-graduações antes de ser licenciado. E mesmo que os vossos filhos não se licenciem, não será isso que os impedirá de ganhar milhões de Euros, seja onde for.

Por isso, caros papás, tratem já de garantir o melhor futuro para os vossos filhinhos, não percam as novas oportunidades que o futuro lhes desenha. Pode ser que assim, uma dia mais tarde, eles demonstrem alguma gratidão e vos escolham um bom lar de idosos.

Comments

  1. madalena says:

    nem mais. criaram gerações de jovens frustados , doutores desempregados , sem expectativas de futuro numa sociedade em que o sector serviços já rebenta pelas costuras , e que não estão preparados nem profissionalmente nem psicológicamente para o que há realmente para fazer. e que até é muito , tudo o que importamos , a começar nos alimentos.
    mas este problema também tem a ver com remunerações : na noruega ninguém precisa de ser doutor para ser bem remunerado , as diferenças salariais são pequenas entre operários e licenciados . todos os trabalhos são necessários e como tal reconhecidos.

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