Roube-me por favor

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A privacidade é uma coisa tramada. Num momento estamos a zelar por ela de forma furiosa, capazes de tudo para preservar o nosso cantinho, a nossa intimidade. Afinal, o que é que os outros têm a ver com a minha vida. Acaso eu me meto na deles? Faço-lhes perguntas incómodas? Sim, daquelas perguntas que eu não quero responder se as fizessem a mim? Não, pois não. Então não se metam na minha vida.

Imagine como seria ‘divertido’ se um ladrão posta-se no Twitter, Facebook ou noutra rede social: "A assaltar a casa do utilizador tta34yty que está de férias nas Caraíbas. Ena, tem plasma de 42 polegadas".

A não ser, claro, que eu permita isso mesmo. É evidente que há certas perguntas que não respondo cara a cara mas que quiserem mesmo saber, o melhor é analisarem o que faço na internet. Lá podem saber tudo. O que penso, onde estive, onde estou ou para onde vou. Catita, não?

Na internet estamos muito mais à vontade. Primeiro não temos ninguém à nossa frente a fazer-nos perguntas e isso é muito mais tranquilo. Hei-de agora dar respostas a uma pessoa à minha frente, que até conheço, quando posso muito bem dar todas as respostas a um mar de gente que não conheço de lado nenhum…

A noção de privacidade está, de facto, a alterar-se de forma rápida e algo perigosa. Nos blogues, em textos ou comentários, nas redes sociais, através dos telemóveis, estamos dispostos a partilhar muito mais informação com todo o mundo. E o pior é que nos sentimos impelidos a partilhar, a contar tudo, a tornar a nossa vida pública, num imenso ‘big brother’. E desta vez nem nos importamos. Queremos.

A vida na internet deixou de ser virtual. É bem real. E muitas vezes não gostamos do que vemos. Daí o lema que saiu do Dia Europeu da Internet Segura: “Pense antes de publicar! O que publica na Internet, na Internet fica!”

Uma das últimas grandes novidades é a geolocalização. Quase não há rede social que não a proponha aos seus participantes. “Seja um gajo bacano e informe onde está naquele momento. Juramos que o mundo inteiro está ansioso por saber”. Seja no Twitter, no Google Buzz, Facebook ou outras redes menos conhecidas por cá, como o Foursquare ou o Gowalla, todos somos convidados a partilhar o local onde estamos.

Há dias conheci o PleaseRobMe (Roube-me por favor). É uma paródia – e um alerta – a quem faz questão de divulgar em permanência a sua localização. O site mostra actualizações em tempo real dos utilizadores do Foursquare, que difundem a sua localização permanente no Twitter.

“O objectivo do site é criar uma consciência do problema e fazer as pessoas pensarem em como utilizam estes serviços”, garante os seus autores.

Por exemplo, quando visitei o site descobri que o juangigli estava no Parque do Retiro, em Madrid. Ou que a KcgoesCrazy estava num café Starbucks e com a morada e tudo.

A ideia foi mal recebida por muitos utilizadores do site do passarinho e pelos donos do Foursquare mas, na realidade, o PleaseRobMe não mostra nada que um motor de busca do Twitter já não mostre. É claro que não estou, para já, a ver a ladroagem agarrada à net em busca de potenciais vítimas. Para já… O melhor mesmo é não divulgar quando vai de férias, deixando a sua casa abandonada. Nunca se sabe quem pode ler. Ou, em alternativa, aceite correr riscos.

Imagine como seria ‘divertido’ se um ladrão posta-se no Twitter, Facebook ou noutra rede social: "A assaltar a casa do utilizador tta34yty que está de férias nas Caraíbas. Ena, tem plasma de 42 polegadas".

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