Madeira, o balanço possível

Depois do dilúvio a acalmia parece ter regressado à Madeira. O tempo, agora, é de localizar desaparecidos, socorrer dasalojados, cuidar dos feridos e repôr comunicações com povoados e habitações que permanecem isolados. É tempo também de desobstruir vias, limpar acessos, e voltar a alguma normalidade quotidiana. Os recenseamentos já começaram e estão em actualização constante: 40 mortos, 70 feridos, 248 desalojados. Outros balanços se farão posteriormente: políticos, técnicos, ecológicos.

Alberto João veio já declarar, contra toda a evidência, que as obras dos últimos anos minimizaram os prejuízos. O continente, durante os próximos dias, será tratado como um amigo que até já disponibilizou fundos e meios económicos. O julgamento público, na ilha, não sei se se fará. O mau tempo é o único responsável, eis a mensagem que o governo regional se esforçará por passar.

Depois, o regabofe continuará: construção desenfreada, impermeabilização indiscriminada de solos, ocupação de zona de cheias, encanamento de ribeiras, “tunelizações”, desflorestação, minimização da laurissilva.

Consequências a tirar? Confiar na boa disposição  S. Pedro e esperar que um dia alguém corrija os erros que entretanto se vão acumulando. É pouco, muito pouco.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    As obras deram cabo daquela ilha, túneis em duplicado, estradas paralelas, pontes sobre tudo o que é vale. Só faltava ter eliminado as duas ribeiras que desaguam no mar e que salvaram a situação…

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