Uma lampreiada real

Vieram cá os cozinheiros de Congregação da lampreia do Mondego fazer a cozinha e ensinar os cozinheiros lisboetas. Cincoenta e seis comensais no belo restaurante da Associação 25 de Abril, traço de Siza Vieira, ali à Rua da Misericórdia, Largo de Camões ao Chiado.

Vinho tinto verde, carago, um arroz de lampreia da melhor que tenho saboreado e um passeio pela Baixa de Lisboa para fazer a digestão.

Começa-se pelo Teatro da Trindade, ali naquele largo onde se encontra tambem a casa decorada com azulejos alusivos à maçonaria ( uma bela fachada com os símbolos macónicos ) e descendo aí está o Largo do Chiado, com a estátua do poeta que deu o nome ao lugar e tambem lá temos a estátua do Pessoa sentado na esplanada do café Nicola um lugar magnifico para se ver as pessoas bonitas que cirandam por ali e ouvir os artistas de rua, desta vez um par do Norte da Europa, loiríssima ela e ele com uma boa voz, tocando ambos uma espécie de bandolim.

Depois fui perder-me mas livrarias, estão todas ali, até a “outlet” da Bertrand onde compro magnificos livros, mesmo assim caros, para o meu filho arquitecto, a ver se o rapaz lê alguma coisa que isto dos arquitectos é vê-los de máquina fotográfica em punho ” há que apurar o olhar “. Depois entrei na casa comercial da Catarina Portas, bem recuperada no belo edificio onde se encontra, manuelino, amplas portas e um pé direito espectacular, tudo obediente às magnificas paredes de pedra descarnadas com dois metros de largura.

Passei pelo restaurante “Belo Canto” onde fui almoçar algumas vezes, fiquei sempre com a ideia que a gorgeta ao porteiro para arrumar o carro andava pelo preço de meio almoço, mas enfim, naquela altura “todos ao monte e fé em Deus” não se peça a quem anda dos negócios que conte o dinheiro, isso causa uma péssima impressão ( como se está ver com os ordenados do boy da PT). Fica ali no largo do São Carlos, com um belo fontanário preservado por ser uma das saídas da antiga água que fornecia Lisboa e que vinha da mãe- d’água às Amoreiras, belas óperas já ali vi mas não sou nem pequeno nem grade conhecedor, vou lá e pronto!

Em frente a casa onde nasceu e viveu Fernando Pessoa, no 4º andar (andar recuado, os desenhos originais de toda a Baixa mostram que só iam até ao 3º andar ) se não fosse a batota o nosso Pessoa não tinha nascido e vivido ali, agora digam que os “patos bravos” não têm razão( pelo menos nesta vez) e no rés-do-chão as belas lojas que foram desenhadas para isso mesmo e para servirem de cavalariça, agora com todas as marcas conhecidas, as raparigas são de morrer (mas não me venderam nada) e os rapazes são dos que dão vida à moda, andava por lá um a chorar ao télelé’- Tiago achas que estás a gozar com a minha cara?- eu fiquei com a impressão que sim, este que estava ali era o que amava mais, sofria que nem um barítono na hora dos agudos.

Andando que a ginjinha esperava e havia que dar ao pedal, rua abaixo em direcção ao Rossio, mais livrarias, o meu amigo que me acompanhava andava a procurar um livro recente sobre o AVC, comprou um livro infantil para os netos, não sei quem ficou a ganhar, se calhar os netos merecem mais que o AVC essa merda que dá cabo do pessoal, na próxima semana vou às análises, tenho um medo que me pelo, isto de tirar sangue nunca foi coisa que me entusiasmasse mas tem que ser, a D.Mila, enfermeira cá da clínica do bairro já sabe, deite-se que isto não custa nada, mas sem mostrar aos outros sofredores que me vai tirar sangue num privado.

Ah! valente!

Comments

  1. Carla Romualdo says:

    que bicho sinistro

  2. Luis Moreira says:

    Tem a ver com a tua reflexão sobre a arte contemporânea, há quem o ache uma pérola, mesmo visualmente…

  3. Carla Romualdo says:

    tens toda a razão, touché

  4. maria monteiro says:

    Lampreia só mesmo de ovos… saltei a fotografia, o arroz e caminhei na tua excelente descrição de sítios bonitos

  5. Nuno Castelo-Branco says:

    Cruzes…, comem este bicho?!

  6. Carlos Fonseca says:

    Luís, podias ter enviado um convite…

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