Antropologia no ISCTE-IUL, segunda parte

Bronislaw Malinowski, fundador da Antropologia Britânica, nosso antecedente

Falava ontem de recrutamento dos docentes do Departamento de Antropologia Social do ISCTE, ou Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, hoje IUL ou Instituto Universitário de Lisboa. Os dois, quase universidades. Por outras palavras, nem Universidades formais nem institutos politécnicos. O problema não era o nome da instituição, o problema era a licença para manter e sustentar mais uma Universidade Pública ao longo do país.

Universidades privadas haviam muitos, mas eram sustentadas pelas altas propinas de matrícula que os estuantes deviam pagar e com o apoio, mais diminuído que o outorgado as 12 universidades públicas, da parte, nesses anos, do Ministério da Educação. Nesses anos, digo, porque hoje em dia o ensino superior, é dizer Universidades e Institutos de ensino Superior, encontram-se baixo a alçada do novo Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Define-se como ensino superior toda instituição capaz de outorgar licenças para exercer uma profissão de utilidade pública e social. Ou, pelo menos, é isso o eu me parece a mim. Tipo de instituições que permitia a formação em ciências como a tecnologia, ensinada no Instituto Superior Técnico – IST – as de ciências políticas que definiam a relação entre grupos sociais e entre países, como o Instituto Superior de Ciências Políticas, ou ISCPO, e os ISCTE. Todos estes institutos definiam o que iam ensinar ou estavam sujeitos a Universidades, como o Instituto Superior de Ciências Sociais – ICS- sujeito à Universidade Clássica de Lisboa para outorgar graus, enquanto os outros Institutos, durante os anos 80 do Século XX, outorgavam graus por meio da Universidade Técnica, antigo Politécnico fundado pelo Marques de Pombal do Século XVIII ou Sebastião José de Carvalho e Melo.

Todos estes Institutos ensinavam vários tipos de ciência, consideradas menores, acrescentando nos seus currículos ensino analítico das relações entre seres humanos. O que interessava era a Medicina, o Direito, a Veterinária, Línguas, especialmente as românicas e a Literatura, a Teologia, a História, a Geografia e a Filosofia e Arquitectura e Belas Artes. O que no fosse de essa índole, pareciam ser ensinos pouco úteis Até Portugal mudar nos anos 80, ao ser admitido dentro do que em esse tempo

denominava-se a Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia que abrange mais do que trocas comerciais, transferência de trabalhadores e livre circulação de cidadãos entre esses países.

Portugal precisou desenvolver ensinos, considerados ciências nos outros países da CEE, e os Institutos começaram a ficar livres e autónomos para o ensino de ciências de utilidade social, como a Sociologia, nascida na França e na Alemanha no Século XIX, a Antropologia, na Grã-Bretanha dessa idade das luzes revitalizadas, a Arqueologia foi separada da Geografia, a História foi criada com método de pesquisa em textos e em sítios antigos ou novos e a sua origem. E a Antropologia acabou com o seu destino de ser uma metodologia de apoio para as outras ciências e passara a ser um saber autónomo e independente, como eram na Alemanha, na Inglaterra, na Hungria pré União Soviética e na Polónia, no Canadá, Estados Unidos de América e o México.

Ao nosso Instituto coube-lhe o dever de fazer das sua ciências originais, Sociologia e Gestão de Empresas, saberes autónomas e com direito a outorgar Licenciaturas, Doutoramentos e, apesar de ser estanho, após esses graus nascem os Mestrados, como derivados especializados de Licenciaturas.

A Antropologia tinha nascido na Universidade Nova de Lisboa, como imitação da que existia na França, com o apelido de Cultural. No ISCTE desenvolvemos um saber muito britânico ou Antropologia Social, combinando essas ideias retidas da Antropologia Belga e certas partes, da Alemanha. Mas, o que mais prosperou, foi o trabalho de campo, belga, alemão e britânico. Todo dependia da formação dos docentes que ensinavam. Mal abriu o Curso de Antropologia Social, a Antropologia Cultural da Nova esvazio e o ISCTE não tinha sítio para tanto estudante que ai queria entrar. A forma de ensino era com aulas e tutórias em gabinete, curtos trabalhos de campo durante o curso e o desenvolvimento especializado em metodologia, família e histórias de vida. O que mais importante parecia ser, era converter outras ciências, como a Economia, Política, Literatura, História, em ciências comparadas com os mesmos factos em sítios denominados nativos, e comparávamos. O Departamento todo passou a estudar América Latina, África, Índia, eu, como estrangeiro, Portugal.

Como foi que estudei Portugal e com quem? Fica para o próximo capítulo. Hoje há terramoto no Chile….

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