Retornar

O Nuno contou aqui a sua África. Permitam-me que lhes conte a minha.

Sem o ser, porque nasci em Angola e para cá vim anos antes do 25 de Abril- também eu sou um retornado,  sociologicamente falando.  Mas a minha África é uma África contada. À excepção de uma esporádica temporada já depois do 25 vivida na Guiné-Bissau, o meu passado  africano foi vivido em Lisboa.  Na calçada dos Poços dos Negros seguimento da Calçada do Combro,  ou na Buraca, Miratejo, Barreiro, Amadora ou Queluz. Bairros de lata, sociais ou simplesmente prédios de gente humilde, onde viviam familiares e amigos. No Rossio onde se juntavam aos magotes. A África dos sábados ou domingos em que se almoçava pela tarde fora cachupa ou funge e se ouvia as histórias dos mais velhos .  M;ussulo,  Maianga,  Rangel, Huíge, Benguela, Lobito,Quitexe, Malange, são lugares que conheço de ouvido como a palma da mão. Tudo sítios que visitei em Lisboa.

Uma África sobretudo de cabo-verdianos  vindos de todos os cantos do mundo, muitos angolanos, alguns guineenses pouco moçambicanos, raros são tomenses. Pretos, brancos, mestiços, monhés,  todos aliás mestiços no coração, eram sobretudo o nós que se distinguia do eles. Eles os tugas. Nós os pretos, os africanos, os retornados. Tratados perjorativamente não poderia ser porventura de outra forma. Afinal era gente que trazia outros hábitos e outra liberdade. Era gente habituada a cair e a levantar-se. A cair de novo e levantar-se outra vez.  O que não dizia muito com a forma de ser indígena.

Os anos entretanto passaram e tudo isso se esbateu. A malta foi-se diluindo uns nos outros e hoje pouca gente há que se reveja nesse registo. Herdei o crioulo vincado (ou fincado como se diz em crioulo) da minha mãe e mais umas – poucas- palavras de quimbundo, que a mesma me foi ensinando. É isto e pouco mais. Não conheço, portanto, a África de que o Nuno nos fala.

Nem conheço a África do indigenato,  do assimilado ou do calcinha de Luanda, do mestiço, do mainato . Do branco de segunda. Não conheço os massacres de 61 no norte de Angola ou nos musseques de Luanda. Nem o assisti ao massacre de estivadores no Pidgiguiti. Nunca ouvi os gritos  de gente a ser chacinada. Não sei o que é um chefe de posto ou um cipaio ou um administrador. Nunca vi um  contratado sem contrato.  Não vivi na pele a exploração dos que cultivavam café e depois de o venderem ainda ficaram a dever.  Nunca tive de tratar ninguém com as costas em carne viva depois de uma estadia nos calabouços na Pide. Nem conheço as meninas violadas na puberdade. Nunca vi cabeças de pretos a servirem de bolas de futebol. Não sei o que é o cheiro de napalm. Nem sei o que é racismo a sério, e muito menos vi pretos serem-lhes barradas a entrada num restaurante de Lourenço Marques ou de Luanda.

Entretanto embarco este mês para lá. Um dia retornado, para sempre retornado.

Comments

  1. carlos ruão says:

    … como é lindo ver-te escrever «estadia» em vez de «estada», meu amigo.
    … de certeza que ainda há por aqui alguém que aprecia.
    … cheguei furioso a casa, sim, agora, às 6 da manhã – depois de uma rusga da polícia a todos os bares e discotecas da cidade sem se saber o porquê e depois de dezenas – MESMO!!! – de pessoas terem inquirido as forças da autoridade armadas com «shotguns»!!!! e afins perguntando o porquê de tal investida (não estou a exagerar, parecia que iam vingar-se a qualquer bairro social contra pretos, como eles dizem, sem lhes pedirem pelo BI!!!!). Sem resposta.
    Nunca tinha visto tal coisa nesta cidade nos três anos que cá estou…
    …. será que será noticiado pelos jornais ? de certeza que não!!!
    … e ninguém se importa porque a noite é só para delinquentes, pois a vidinha da gente «normal» é só de dia, a noite é para nanar !!! uiiii, já passa da meia-noite, vou deitar-me….
    Deve ser uma coisa do Sócrates (uiii) e não do papa, claro está !!!
    … é pá, pera aí… ahhhhh… tá tudo bem… já preparei as aulas para esta semana, portanto, posso continuar… ufff…. sou tão inconsciente… aliás, como toda a gente que dá aulas no superior e por isso não tem direito a subsídio de desemprego como os outros que fazem greve porque aprenderam a dar aulas com as psico-pedagógicas…. uiiiii!!! devia estar preso!!!
    … mas …
    … até (es)tava naquela meu, yo, de voltar a fazer um «post» mas li o teu e perdi a vontade.
    … porque este «post», o teu «post» é uma lição de vida.
    … tenho pena, muita pena… bro.
    … aqui somos os dois «pretos» e os dois ciganos !!!!!!!!!
    … provavelmente o j.j. alinharia connosco, eh eh, e mais os velhotes… mas só alguns.
    … espero que haja aqui alguém que aprenda contigo, mas duvido. sinceramente. estão mais interessados em minudências. enfim.
    … prepara-te… ainda te interpretam mal… ainda te acusam de ACADEMISMOS (agora que estás a fazer o mestrado, tás tramado, bro!)
    … do you feel me ?

    PS: não penses que sou teu fã porque não sou mesmo (nunca te levaria ao cinema, eh eh, nem que fosse para ver o rohmer, yo!!!) … apenas fazes aquilo que se deve fazer – ESCREVER COM A CABEÇA NO SÍTIO DELA QUE É EM CIMA E NÃO NOS INTESTINOS!

    ass: anarquista da silva ferreira

  2. maria monteiro says:

    O meu agradecimento em nome de todos aqueles que sabem, viram, sentiram essa África contada

  3. Carlos Fonseca says:

    Contar África sem conhecer África, só está à altura de quem sente nas veias essa imensa seiva do africanismo puro, diletante, gozado e sofrido, mas também multiracial e multi-étcnico. E porque puro está expurgado de racismos e violências de qualquer espécie. Parabéns!

  4. Luis Moreira says:

    Miguel estás a melhorar com o cheiro de África. O teu texto é uma pequena maravilha.


  5. O que é preciso é que sintas a África, e bem o demonstras na forma como escreves. Não é fácil sentir a África, sobretudo da parte de muitos que lá viveram, como não é fácil sentir a humanidade, sobretudo da parte de muitos que a ela pertencem. Não tenho dúvidas, perante o que o que vi e continuo a ver, que a minha estadia de dois anos em África me deu uma sabedoria e uma riqueza anímica que não vislumbro em muitos que lá viveram uma vida inteira. O problema é sempre o mesmo, Miguel. Quer aqui, quer em África, quer em qualquer parte do mundo, o que é difícil de escalar é a curva de aprendizagem que conduz à dignidade do ser humano.

  6. Nuno Castelo-Branco says:

    “Nem conheço a África do indigenato, do assimilado ou do calcinha de Luanda, do mestiço, do mainato . Do branco de segunda. Não conheço os massacres de 61 no norte de Angola ou nos musseques de Luanda. Nem o assisti ao massacre de estivadores no Pidgiguiti. Nunca ouvi os gritos de gente a ser chacinada. Não sei o que é um chefe de posto ou um cipaio ou um administrador. Nunca vi um contratado sem contrato. Não vivi na pele a exploração dos que cultivavam café e depois de o venderem ainda ficaram a dever. Nunca tive de tratar ninguém com as costas em carne viva depois de uma estadia nos calabouços na Pide. Nem conheço as meninas violadas na puberdade. Nunca vi cabeças de pretos a servirem de bolas de futebol. Não sei o que é o cheiro de napalm. Nem sei o que é racismo a sério, e muito menos vi pretos serem-lhes barradas a entrada num restaurante de Lourenço Marques ou de Luanda.”

    Nem eu conheci essa África. Era anterior à minha geração e à cidade. Aliás, essa África já não interessava ao regime, era incómoda. O conceito Minho a Timor proibia-a, ou atenuava-a e de que maneira.

    Quando cheguei à Europa de 1974, ainda por aqui se vivia o tempo em que as criadas comiam à parte, em pratos diferentes e diferentes repastos. Levavam taponas na cara enquanto as mais novas faziam outro tipo de serviços ao patrão da casa e aos meninos da prole. Tempo que hoje “já não existe”, pois a “ninguém” é vedada a entrada nos restaurantes e cafés. Portugal é um sítio onde os negros vivem exactamente nos mesmos prédios e bairros onde nascem, crescem e morrem os brancos.
    Em África já não existe colonialismo (branco), já “não” se cortam cabeças, nem se assiste a massacres em Angola, Guiné-Bissau, Zimbabué, na Serra Leoa, Libéria, Congo, Nigéria, Ruanda, Somália ou Sudão.
    São fantasias hollywoodescas, as imagens que nos chegam da escravatura em minas de diamantes dos senhores da guerra. São fantasias as imagens dos meninos da guerra em Angola e na velha Costa da Mina, hoje partilhada por vários países.
    São fantasias os actuais moçambicanos e angolanos chefes de posto , membros dos eternos partidos do poder e que requisitam, impõem a produção obrigatória, não pagam e servem como caciques de outros tempos. São fantasias os campos de trabalho forçado, ditos de re-educação, onde as gentes eram mutiladas e despachadas para outro mundo. São fantasias os números da ONU com milhões de mortos pela fome, SIDA, guerras “civis”. São fantasias os presidenciais roubos em Angola, as brutalidades institucionais na Guiné-Bissau, os hospitais sem água corrente em Moçambique. São fantasias, a ausência de campanhas de saúde na cidade e no mato moçambicano. São fantasias os dados oficiais da ONU que declaram estar Moçambique num nível inferior ao que viveu nos anos 50 (assistência social na saúde, higiene, apoio à infância, organização territorial, etc.

    Realmente tudo mudou, podemos dormir tranquilos.

  7. miguel dias says:

    Pois é caro Nuno. Hoje, tal como no antigamente , enquanto pudermos comer um prego no Djambo ou uns camarõezinhos na Ilha, tudo o resto são fantasias.

  8. Nuno Castelo-Branco says:

    Exacto, Miguel. O meu grave problema é que de lá saí com 14 anos e nunca mais pude voltar.
    Continuamos todos a comer pregos aqui e ali. O Djambo ainda existe e está acessível a uma ínfima minoria que o pode frequentar. E olha que se trata de um simples café-snack bar, como qualquer outro de uma rua lisboeta ou do Porto. Nada de luxuoso. Era bom e barato, hoje talvez ainda seja bom,mas é caro. Com meninos descalços e esfarrapados à porta, a pedirem uns trocos. Mencionei-o, porque bem o conheci.
    Tenho amigos que lá estão e contam-me o que se passa. Os meus tios vivem em Maputo e contam o que por lá se vive. Nem podes imaginar.

    Se a diferença de raça era o que se sabia (antes da independência), actualmente as dicotomias verificam-se entre:
    1. Raças. Hoje está estabelecida uma forte comunidade branca que não é de exclusiva presença portuguesa. longe disso! Os sul-africanos e os rodesianos vão entrando, com a conhecida mentalidade que se lhes conhece e digo-te já que nem podemos sonhar em compará-los aos “pérfidos portugueses”. Os brancos residentes continuam com a criadagem, tal como dantes. Nada há de errado em ter empregados, pois se houver respeito digno, humano e pagamento adequado, teremos o que se verifica em todo o mundo. Mas duvido muito que sempre assim seja, conhece-se bem a mentalidade dos russos, suecos (nórdicos em geral) e outros. Fora da Europa, empinam logo o nariz. Se fazem isso na Tailândia, imagino o que será na minha terra e ainda por cima tendo que lidar com um povo sorridente e dócil. Deve ser um fartote!

    Nenhum branco pretende hoje ir trabalhar par a África, aceitando ir viver para uma palhota. Pelo contrário, os negros que chegam à Europa, vão para a madeira e zinco, o ersatz das palhotas onde se instalam. Incómodo mas bastante verdadeiro.

    Julgas que os brancos e a classe superior (do regime) vão tratar-se no Hospital Central de Maputo (onde eu nasci e ao tempo denominado de Miguel Bombarda)? Não. Não tem água corrente, não tem medicamentos nem equipamentos. Uma recente reportagem da RTP1, mostrava hordas de ratazanas a passear na zona da maternidade.
    Os brancos e as castas dominantes vão às clínicas especiais, controladas por brancos ou por negros ricos.
    Pensas que os negros têm acesso ao Hotel Polana? Alguns têm. Os da Frelimo, alguns da Renamo e o s do “mundo empresarial” (adjacente aos anteriores). Os brancos mais ricos também têm. os meus tios não põem lá os pés, tal como antes de 1974. Não têm dinheiro para isso, tal como não tinham antes.

    Se um dia lá fores, não percas um delicioso frango à cafreal no Restaurante Piri-Piri (Av. 24 de Julho, nome que ainda mantém): prepara-te é para levar muitas moedas nos bolsos, pois enquanto comes as coxas estaladiças, tens de acudir à molecagem que às chusmas te pedincham, enquanto olham para o teu prato. Pelo menos, é “o que se diz”, quando os turistas de lá chegam. Até custa a crer. Tal e qual como nas esplanadas de Copacabana. Também são pretinhos.
    É um tipo de apartheid disfarçado.
    Neste caso, posso dizer-te que das poucas vezes em que infelizmente fui parar ao Miguel Bombarda – um pé aberto, um braço partido, um ataque de paludismo -, tinha ao meu lado pretos, brancos, indianos,ou mulatos. Os hospitais, postos de saúde na periferia e no mato, funcionavam. Hoje, duas gerações decorridas, como é?

    2. Classes sociais, numa diferença que espanta. Duas gerações pós independência, quem manda? Que condições de vida tem 95% da população? Qual o acesso ao trabalho, à assistência social, habitação, escola, etc? Que diferenças entre etnias e quem são os mais privilegiados? Quem vive na cidade de cimento e quem vive na asfixiante e mais vasta que nunca cidade do caniço? Podia continuar pela noite fora. Isto não é mentira, mas sim a imensamente incómoda verdade.

    Com quem foi e para quem foi o actual 1º ministro assinar acordos ao palácio da Ponta Vermelha? Quantos Soares, Cavacos, Durões e Sócrates já estiveram em Maputo desde a independência. O que ajudaram, ou quem ajudaram?

    Se o Estado português era paternalista – como Machel acusava, justificando a assistência às populações -, hoje a situação é indiferente. O Estado moçambicano nem sequer isso é. Uns poucos são milionários e todos os outros, miseráveis. Infelizmente, estamos a imitar o princípio – salvas as devidas proporções – na própria ex-Metrópole.

    Nota final.
    Para que subsista qualquer dúvida acerca do “meu saudosismo”, o colonialismo fez o seu tempo e os próprios europeus por ele também passaram, ou melhor, a ele se vergaram durante séculos. Fomos colonizados (romanos, germanos, berberes, entre outros), tal como os outros povos da Hispânia: acabámos por incorporá-los no nosso ADN. A Itália e a Alemanha foram terras retalhadas a bel prazer pelos vizinhos e exploradas até mais não. Há 120 anos, a Turquia dominava uma boa parte dos Balcãs. A Rússia esmagou todos os limítrofes até 1990 e prepara-se para re-anexar a Ucrânia, por exemplo. Hoje em dia, preparamos-nos para um novo tipo de colonização, de contornos nitidamente étnicos e religiosos, com a imposição de usos e costumes avessos á nossa concepção de Estado, de sociedade igualitária, etc. Há que dizer as coisas como elas são. E tudo isto “em nome do multiculturalismo”? Não corremos o risco de sem o querer, em termos conceptuais acabarmos por justificar o próprios colonialismo que outrora os europeus exerceram no além-mar?

    Na Ásia acontece o mesmo e a China coloniza hoje a Manchúria, o Tibete, o Sinkiang e prepara-se para exercer a suserania sobre Singapura, Formosa. Pretende o controlo das minorias chinesas na Malásia, Tailândia, etc.
    A Indonésia é um despótico império colonial, do qual apenas Timor Leste se conseguiu libertar.
    A Índia é outro novel-império colonial, criado pela centralização de Delhi.
    A Turquia coloniza e não abrirá a mão do Curdistão.
    Os exemplos são infindos.

    O colonialismo europeu terminou. Mas o colonialismo interno pós-independência segue de vento em popa. É despudorado, feroz e sem piedade. É tribalizante, politicamente exclusivista. Incompetente, desleixado na administração e sobretudo, praticamente impune na comunidade internacional, escudando-se atrás do “conceito de libertação nacional”. Libertaram-se de nós, dos estrangeiros. É verdade. Mas de uma pequena minoria deles próprios, quem os libertará? A “polícia”? Qual?

    Não podemos ajudar seja quem for, enquanto – muito ao estilo Opus Dei – continuarmos com as auto-mutilações. Tu és apenas responsável pelo que fazes, assim como eu. Nada tens que pagar pelas bestas escravocratas de outrora. Isso tolhe-te a capacidade solidária, o perfeito discernimento e a tua própria dignidade de homem livre entre outros homens livres. Rebaixa-te e torna-te num inferior. Até porque – ironia das ironias! – muitos existem em Angola e Moçambique que pensam estar a ser colonizados pelo poder instituído. Os de Cabinda, por exemplo, sentem-se brutalmente esmagados e roubados por Luanda e a sua trupe de bandoleiros em fatos Armani. Não é à toa que o hino oficial da FLEC é uma conhecida melodia que ostenta o nome de … A Portuguesa! Os seus dirigentes dizem ser ainda súbditos de Portugal, reconhecendo como válido e em vigor, o Tratado de Simulambuco. Há coisas que dão que pensar.

    3. Algumas – entre outras – colónias em África:
    – Saara Ocidental
    – Ogaden
    – Darfur
    – Casamansa
    – Cabinda
    – a terra dos tutsi
    – o sudeste da Nigéria a terra petrolifera outrora conhecida por Biafra

  9. miguel dias says:

    Nuno. Foi numa sociedade colonial, profundamente injusta e desigual, que nascemos e vivemos a vida boa de que tantas saudades temos (eu nem tanto porque não me lembro, mas isso é apenas um pormenor circunstancial). A responsabilidade individual fica por conta de cada um, mas da responsabilidade colectiva ninguém escapa. Não é que tenhamos de pagar por pecados passados. Ninguém aliás nos cobra. Foi assim e prontos. Mas foi assim.
    Quanto ao que sucedeu depois é da responsabilidade de quem lá ficou, para o bem e para o mal.

  10. Carla Romualdo says:

    que belo texto, Miguel, e sem futebol nem nada

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