u k e k e isto :-)

A vida apresenta-se renovada sim, mas no essencial muda pouco. No outro dia uma das nossas leitoras comentou com uma frase que só tinha uma palavra. O resto eram letras, sinais , espaços…

Muita gente está preocupada porque isto é sinal que os alunos não sabem português, e vão em mau caminho. Será, mas a verdade é que isto só tem de novo ser prática de telemóvel que nos anos sessenta não havia. Quem passou pelo Instituto Comercial de Lisboa e pelo ISEG andou anos e anos a escrever assim ou muito parecido. Eram raros os livros e a matéria era ditada pelo professor que não esperava por ninguem, o aluno só tinha tempo de escrever para apanhar o máximo possível e mais tarde completar com os colegas

Alguns de nós tiraram Estenografia, curso de 3 meses se bem me lembro, e a escrita era do mesmo tipo. “Naturalmente” saía “natu——” , “que” era “q”, “, aumentar, crescer” , “subir” era “/” ( uma seta a apontar para cima) “descer”, “diminuir” era ” /” ( uma seta a apontar para baixo) “mais” era “+” , “menos” era ” _”, “de acordo”, “parecido”, “igual” era “=” e usavamos as expressões utilizadas na Matemática. “S…”, que era “se e só se” , “implica”,determina”, “obriga” ( uma seta para a frente), enfim cada um com a sua própria escrita!

Depois havia os arrumadinhos que “passavam a limpo”, e completavam com a ajuda de outro(s), letra circular para poder ser passada a fotocópias e ganhar dinheiro com a venda ou para emprestar às miúdas. O meu amigo Joaquim Martins da Silva era (é) um campeão entre as miúdas por causa dos apontamentos. Nada disto impediu os bancos se encherem de quadros e as empresas industriais de directores e administradores, resultado da talvez  única vantagem que a minha geração teve em relação à actual. Emprego à saída da escola.

Outra das “capacidades” que tínhamos que desenvolver era “a leitura em diagonal” e conseguir reter o essencial. Ou fazíamos isto bem, controlando os reais problemas que existiam na empresa ou outro o faria. Ou ainda pior ninguem o faria. Isto mostra que saber português não é importante? Claro que não, para se chegar aquele nível de “interpretação” eram precisos muios anos de trabalho no português ( só o facto de gostar muito Luis de Camões é que me aguentou na poesia, depois de ter que “dividir as orações” dos Lusíadas).

Estes sinais dos jovens não são catastrofistas, bem ao contrário, mostram a capacidade das novas gerações em se adaptar às novas tecnologias, nas comunicações, na informática, quem consegue dominar estas técnicas vai tambem conseguir evoluir e acompanhar o futuro.

Comments


  1. tb axo…

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