Mega-Agrupamentos, Mega-Desvantagens

Esta política de se juntarem várias escolas em rede levanta vários problemas e evidentes desvantagens. Por serem estabelecimentos de ensino, não o sistema em si mesmo, que é muito utilizado há muito nas organizações, como é o caso recente dos Centros Hospitalares que congregam em rede vários Centros de saúde e alguns hospitais. A ideia básica, é poupar nos custos administrativos e centralizar as compras e serviços financeiros. E, também, complementar a oferta que, pelos custos e pela elevada especialização, não podem estar dispersos (no caso dos hospitais este argumento é evidente).
 
Mas nas escolas há logo o caso de há bem pouco tempo um sistema novo ter sido implementado. A instabilidade não é boa conselheira para ninguém. Depois há os custos de transporte para professores e alunos, perde-se proximidade e em crianças e jovens essa proximidade é muito importante. As escolas estavam a fortalecer a sua autonomia, que eu considero o factor fundamental para o sucesso da escola, e isso pode perder-se com estes agrupamentos, que podem despertar apetites de controlo político.
 
Sempre que aparece um novo secretário de estado muda-se tudo, todos têm a solução no bolso, ninguem aproveita o que de bom vem de trás. A autonomia das escolas devia ser a prioridade das prioridades, por ser um factor determinante na preparação dos alunos e nos resultados e só depois pensar em “economias” . Acredita-se que um agrupamento com maiores capacidade de meios e um maior número de alunos possa oferecer uma maior qualidade pedagógica mas contraria políticas de coesão. Para além do esvaziamento acelerado dos locais mais pequenos. Corre-se o risco de o gigantismo promover a exclusão e que afaste a escola das famílias. 
 
Há quem acredite que com os mega agrupamentos se melhora substancialmente o nível pedagógico e que a convivência abra novos horizontes!
 
É um assunto a gerir com pinças por ser virgem, mas a questão que deixo é se este caminho seria percorrido se outras fossem as condições financeiras do país! Há tanto por onde cortar desleixos e desperdícios que me incomoda que seja nas escolas que o “economicismo” dê o pontapé de saída!

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    Dantes, eram professores, funcionários e alunos de uma escola que escolhiam o Conselho Executivo da sua escola.
    Actualmente, há um Director que no fundo é nomeado pelo Governo e que o Governo pode demitir a qualquer momento sem dar cavaco às tropas.
    E tu vens dizer que as escolas estão a ganhar autonomia? Não te parece que é ao contrário?

  2. Luis Moreira says:

    O que o governo pode fazer com os boys só pode ser travado com a indignação.

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